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Saúde 15/Jan/2015 às 13:36
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Médicos brasileiros estão revoltados com estímulo ao parto normal?

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Cauê Madeira, Brasil Post

Mais essa agora! Acabo de desligar o telefone após longa conversa com um amigo meu, médico-obstetra. Ele está revoltado com os desmandos desse governo. Pois agora, depois da absurda medida que trouxe médicos estrangeiros para nossa pátria amada Brasil, querem acabar de vez com seu ganha-pão: criaram novas normas para estimular o parto normal. Como primeira atitude, os planos de saúde poderão deixar de pagar por cirurgias cesarianas desnecessárias.

Desnecessário, para o governo, é todo parto cirúrgico agendado. Caramba, e como fica o meu amigo? E o obstetra que fez o parto da minha primeira filha? Coitados, eles também são gente.

Qual é a medida agora? Respeitar as regras do corpo da mulher? Esperar um trabalho de parto por horas e horas? Como fica a vida social do meu amigo? Não dá, isso vai prejudicar a atribulada agenda dele, com dez a quinze partos agendados por semana, tudo bonitinho. Essa história é muito caótica, ele tem contas a pagar, afinal de contas. E se um bebê resolve nascer no meio de suas férias no Caribe, como é que fica?

Meu amigo está muito ofendido, pois Arthur Chioro, o ministro da Saúde, chamou de epidemia a quantidade de cesáreas que vêm ocorrendo no país. Só porque 84,5% dos partos na rede privada são cirúrgicos. A Organização Mundial da Saúde – OMS recomenda no máximo 15%, mas quem confia nela, não é mesmo? É a mesma organização que diz que o ideal é que se amamente até os dois anos de idade, mas alguns médicos não se fazem de rogados em mandar tascar o leite em pó no bebê aos quatro meses, não é isso? Ah, não dá pra confiar, prefiro continuar ouvindo o médico da minha família, o mesmo que mandou ela tomar suco de laranja aos três meses para já se acostumar.

Minha filha, por exemplo, nasceu de 36 semanas, em um parto cirúrgico agendado. Pela idade gestacional ela poderia ser considerada quase prematura.

Ao ser arrancada da barriga da minha mulher ela não chorou. Talvez quisesse dormir mais um pouquinho. Mas não tem problema, meu amigo explicou que Deus ajuda quem cedo madruga.

Quem quer uma filha preguiçosa?

Claro, ela teve uns probleminhas respiratórios por causa disso, precisou ficar 14 horas longe dos pais. Infelizmente isso impossibilitou que pudéssemos pegá-la no colo no momento do nascimento. Ela ficou no oxigênio o tempo todo e minha esposa, impossibilitada de se levantar por conta da cirurgia, só pôde vê-la no dia seguinte, enquanto todos os parentes já tinham visitado o berçário e conhecido nossa filha.

Mas como meu amigo disse, ossos do ofício… “Ela tá bem hoje, não tá?”. É verdade. Ela está. Mas ouvi dizer que parto cesariana triplica o risco de morte materna e aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido (como minha filha teve). “Isso é coisa de esquerdista, intriga dos opositores“, bradou meu amigo.

Para ele, o parto cesárea agendado é melhor pra todo mundo.

É melhor para ele, que consegue deixar a agenda organizadinha, bem como a conta bancária. É melhor para os parentes, que conseguem se preparar para vir em caravana visitar o bebê. É melhor para a família, que consegue montar o enxoval em Miami sem dor de cabeça. Só não é muito bom para o bebê. Nem para a mulher. Como minha esposa, que teve uma leve hemorragia na hora da cirurgia, e que por isso me deixaram na sala de espera, sem poder vê-la, em cerca de 90% do procedimento. Quando cheguei à sala de parto minha filha já estava nascendo.

Basicamente, não acompanhei nada. Nem ela, que estava passando mal e não podia virar de lado para se livrar das náuseas.

O parto normal é muito bom, mas é quase impossível de atingir as condições ideais. O bebê pode estar sentado, o cordão umbilical pode estar enrolado no pescoço dele, a mãe pode desenvolver a bactéria streptococcus. Aí não tem jeito, tem que ser cesárea, disse meu amigo.

Estranhei um pouco, pois já tinha lido que nenhuma dessas situações tornava obrigatório um procedimento cirúrgico. E mais, expliquei a ele que 70% das mães em início de gestação têm preferência pelo parto normal, mas que acabavam em uma cesárea no fim das contas, provavelmente convencidas “amigavelmente” por alguém. Talvez pelo médico? Meu amigo ficou nervoso com essa suposição.

Pedi para colocar a mão na consciência. Veja bem, meu amigo, procure entender.

Expliquei para ele a situação da minha família. Nosso obstetra, por exemplo, falou que o parto normal era uma maravilha mesmo, e que ele sabia como conduzir um. Mas conforme a gestação avançou, foram surgindo vários pequenos motivos para que não ocorresse. E nós, pais de primeira viagem, sem muita orientação, acreditamos. Aliás, ficamos com medo. Pois o ponto não é dar uma escolha: é amedrontar mesmo. É fazer parecer que a escolha é nossa. Ou, como ele mesmo disse, “se fosse minha filha, eu faria cesárea“. Aí não tem como fazer diferente, né?

Claro, depois descobrimos que era tudo balela. Que todos os partos que ele fez e faz são cesáreas, assim como os do meu amigo obstetra. Nisso ele murchou um pouquinho. Por fim, revelou: eu não sei mais como se conduz um parto normal. Esqueci. Mas é que cesárea realmente é melhor, me disseram na faculdade.

Não tenho dúvidas, meu amigo.

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Comentários

  1. Priscila Postado em 15/Jan/2015 às 13:49

    Realmente esse "amigo" médico deve estar desesperado! É um absurdo ver que a medicina se tornou um comércio e o médico, um vendedor! Diante desta situação, a vontade é chamar uma parteira mesmo, como faziam antigamente!

    • Robson Lopes Postado em 16/Jan/2015 às 13:33

      Não um vendedor Priscila, o vendedor vende um produto ou um serviço, esses médicos estão vendendo um engôdo, ou seja, estão mais para vendidos.

  2. Cícero Postado em 15/Jan/2015 às 14:45

    A maioria dos estudantes de medicina não possuem vocação para tão bela profissão. Estão apenas fazendo um investimento para o futuro. O resultado é "máfia das próteses", "máfia dos transplantes", etc. É obvio que em muitas outras profissões temos pessoas mal intencionadas. A medicina atrai mais estas pessoas pelo fato do retorno financeiro ser maior e mais garantido. Precisamos democratizar o acesso às faculdades de medicina que hoje é muito elitizado.

    • Davi Postado em 16/Jan/2015 às 12:00

      Exatamente isso.

    • Juliana Postado em 17/Jan/2015 às 14:02

      Isso não ocorre só com a medicina. Isso é fruto do capitalismo, onde dinheiro é melhor que pessoas. E pessoas são tão lindas, cada qual com suas características, munidas de talentos e conhecimentos tão pessoais… Mas são forçadas a fazer o que lhes dá dinheiro, e não o que lhes dá prazer e satisfação. Uma pena :(

  3. Danila Postado em 15/Jan/2015 às 15:28

    Belíssimo texto. Retrata a realidade de quase todas as fámilias. Exceto aqueles que após muita informação e um pouco de sorte, conseguem um médico que realmente apoie o que é melhor para o bebê e para a mãe. Afinal eles são os maiores interessados, né?!

  4. Priscila Postado em 15/Jan/2015 às 16:12

    Rodrigo, nem esses médicos, nem os outros citados podem ser considerados de bom caráter... Não faz sentido sua comparação... Claro, lembrando que não podemos generalizar, em todas as profissões existem os bons e os maus! Porém, na medicina é menos aceitável, já que estamos tratando de vida e saúde né?

  5. Thiago Teixeira Postado em 15/Jan/2015 às 16:51

    Em Hospitais da rede pública sempre houve esse estímulo, porque será?

  6. testemunha binocular Postado em 15/Jan/2015 às 17:24

    Cada vez mais, gosto desse Arthur Chioro. Bom nome pra 2018... Só pra lembrar: o Ebola chegou nos Estados Unidos, na Europa e NÃO no Brasil. Mais um gol desse rapaz, entre outros.

    • Jonas Schlesinger Postado em 15/Jan/2015 às 18:33

      cadê um médico brasileiro lá na áfrica? cadê um missionário que voltou pra cá com ebola? só tem ebola nesses países pq existiam pessoas que tentaram ajudar os africanos, mas e o brasil? Bom, eu dou graças a Deus que não veio pra cá. E prefiro mil vezes que nenhum brasileiro vá para esses países contaminados...

      • Rosali Cantlin Postado em 18/Jan/2015 às 05:52

        Os médicos cubanos foram os primeiros a ir para a Africa, arriscando suas vidas para salvar os doentes de Ebola. Agora estão no Brasil, tratando os pacientes com amor, carinho e consideração, fato confirmado pelos próprios pacientes. E a "máfia branca" corrupta brasileira, apoiada pela oposição fascista, fica reclamando e botando defeito. Não estou generalizando. Eu mesma tenho um sobrinho que se recusa a fazer a cesariana, se não for absolutamente necessária. Meus dois partos foram por cesária, mas ele me fez esperar até arrebentar a bolsa, para dar chance ao bebê de nascer naturalmente e evitar os riscos crúrgicos. Por falta de dilatação suficiente, tive que fazer as cesárias. Eu pedi para cesariana (estava cansada de carrregar a barriga), mas ele disse que não faria, que eu iria esperar até ele ter certeza de que o parto não poderia ser normal. E isso ele faz com todas as pacientes. Esse é um medico que trabalha por amor à profissão. Os que "agendam" partos segundo sua conveniência não são médicos, são carniceiros, intereceiros "money oriented" e estão na prifissão errada. Temos que dar um basta nesse absurdo, sim!

    • Rodrigo Postado em 16/Jan/2015 às 11:02

      (Outro Rodrigo) "Revoltados"? Por que a hipérbole? Os médicos, por acaso, estão nas ruas, agitando faixas e cartazes, querendo mandar parteiras para o "paredón"? Estão bradando: "fuzilamentos si"? Ora, se queremos uma imprensa melhor, se queremos ir além do "jornalismo com as bênçãos de Gilmar", que não cometamos os mesmo erros que tanto criticamos: eventuais distorção, hipérbole, frases de efeito etc. Mais, abandonemos a "conjunção atrapalhativa" "e se", trocando-a pelo "ici" (do Francês, "aqui", ou seja, o real, o efetivo, o efetivamente pragmático).

  7. Paulo Postado em 15/Jan/2015 às 17:49

    Essa comparação não faz sentido. Aliás, grande parte das pessoas - e desses médicos - que se dizem indignadas com a corrupção adoram o famoso "jeitinho", ou seja, corrupção com outro nome. Um eufemismo. Médicos devem tratar de vidas humanas. Devem ter a consciência de que o primeiro interesse a ser atendido é o da vida do paciente, sua comodidade e seu conforto. O problema é que muitos médicos apenas se interessam pelo retorno financeiro da carreira.

    • Paulo Postado em 15/Jan/2015 às 23:44

      Qualquer profissão exige responsabilidades. A falta de moralidade, ética e respeito ao próximo na medicina podem gerar verdadeiras tragédias. O que seria pior: uma prefeitura que desvia recursos de um posto de saúde ou um médico que burla o ponto e recebe sem trabalhar? Um governo que superfatura remédios ou equipamentos ou um médico que vende próteses vencidas e realiza cirurgias sem necessidade? Dá na mesma, jovem. São descasos com o próximo e que só trazem prejuízos para a sociedade.

  8. Luiz Fernando Postado em 15/Jan/2015 às 23:42

    Médico batendo cartão e indo embora? Trabalhando em outro local e recebendo do Estado? Já vi denúncias, abertura de Sindicância e processo administrativo na Rede Estadual de Saúde de MG, paciente ser submetida a parto com fórceps, sendo que neste caso era para ser cesariana mesmo, mas como o anestesista de plantão havia saído, a paciente teve uma séria de hemorragias e sangrou até a morte, mas eu afirmo que é tudo mentira, viu gente, isto não aconteceu e não acontece!!!

  9. Alexandre Postado em 16/Jan/2015 às 09:22

    Nasce por cesária e com 5 ou 6 anos, táca-le ritalina pra acalmar os nervos....

    • Vinicius Postado em 19/Jan/2015 às 00:00

      Lamentavelmente está assim mesmo.O dinheiro vale mais que a vida das pessoas.

  10. Eduardo Postado em 16/Jan/2015 às 10:02

    " O parto normal é muito bom, mas é quase impossível de atingir as condições ideais. O bebê pode estar sentado, o cordão umbilical pode estar enrolado no pescoço dele, a mãe pode desenvolver a bactéria streptococcus. Aí não tem jeito, tem que ser cesárea, disse meu amigo. " Existem exames que mostram isto, e não se proibe em momento algum a cesaria...

    • Juliana Postado em 17/Jan/2015 às 14:08

      A questão é que essas condições apontadas não são indicações clínicas de cesarianas!

  11. Igor Postado em 16/Jan/2015 às 10:22

    É notório o desconhecimento do autor em relação à profissão de obstetra. Basta analisar o nível das perguntas que ele faz, tais quais: "Como fica a vida social do meu amigo?...... E se um bebê resolve nascer no meio de suas férias no Caribe, como é que fica?" Como é gostoso criticar sem saber das coisas, não é mesmo? E tem mais. A crítica ao grande número de cesáreas é pertinente. No entanto, incluir no texto uma informação cuja fonte é " ouvi dizer" tira um pouco da credibilidade em qualquer discussão. O autor diz: "Mas ouvi dizer que parto cesariana triplica o risco de morte materna e aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido". E assim vamos seguindo...

    • Juliana Postado em 17/Jan/2015 às 14:09

      Bom, a ideia do texto é ser sarcástico, e não informativo. Pra isso ele faria um artigo, não um relato.

      • Igor Postado em 19/Jan/2015 às 10:12

        Quer dizer que qualquer texto que tenha como objetivo informar deve ser feito na forma de artigo? Puxa! Que lógica brilhante essa sua, Juliana.

  12. fabi Postado em 16/Jan/2015 às 14:29

    Me incomoda muito ver homens defendendo com unhas e dentes essa imposição de parto normal, afinal nunca tiveram e provavelmente nunca terão essa experiência.. Sou mãe, tive meu filho por cesárea, porque escolhi assim e não me arrependo..Foi tudo perfeito.. Esperei romper a bolsa para ir pro hospital e realizar a cirurgia, porque não concordo com agendar o nascimento... Meu médico foi ótimo, me orientou sobre outras formas de parto e me deixou livre para escolher... Acho um absurdo quererem decidir ou forçar uma decisão, seja ela qual for a alguém.. Dizer que a cesárea é desnecessária porque está tudo bem com a criança e a mãe tem condições de ter parto normal é o mesmo que dizer pra alguém não tomar anti-inflamatórios quando se está com gripe, porque afinal eles fazem muito mal aos rins e após seis dias (em média) a "doença" termina seu ciclo e sua vida volta ao normal... Você pode suportar as terríveis dores de cabeça, no corpo e a coriza, afinal isso é natural e provavelmente você não irá morrer de gripe... Pode parecer uma comparação rasa, mas é assim que entendo pessoas defendendo veementemente o parto normal sendo que temos outras possibilidades ( com riscos sim), mas com praticidade, rapidez e sem dores.. Toda mulher tem o direito de escolher como parir e ninguém deve interferir nessa decisão...

    • Juliana Postado em 17/Jan/2015 às 14:12

      Ninguém está tentando forçar uma decisão. Sua comparação foi bastante infeliz. Quem está com gripe necessita de medicação, mas gravidez não é doença e não são todos as gestações que necessitam de uma cesariana. E não venha falar que cesariana é sinônimo de indolor e parto normal é sinônimo de dor, porque varia de mulher pra mulher.

  13. enganado Postado em 16/Jan/2015 às 16:53

    Qualquer dia desses as associações médicas que sugeriram votar no Aébrio vão dizer que Parto Normal foi trazido ao BRASIL pelos médicos de Cuba a mando do Fidel Castro para sacanear o PSDB/DEM. Coisas de Bolivarianos, assim pois as madames precisariam mais tarde fazer obrigatoriamente operação de Perineoplastia, para ficarem mais bonitinha para a galera.

  14. conceição gomes Postado em 16/Jan/2015 às 19:04

    Meu primeiro filho foi de parto normal. Em tres dias estava de pé, cuidadndo dele e lavando fraldas. O segundo, depois de dores por oito horas, eu mesma decidi pela cesaria. Tive problemas com pontos não sarados e voltei para o hospital. Se o parto causa, digo as dores do parto causam muito sofrimento, penso que a cesária é uma alternativa..

  15. Douglas Postado em 17/Jan/2015 às 12:50

    Eu não sou médico mas esse texto está me parecendo encomendado para descreditar de vez com essa classe, depois da globo ter apresentado alguns safados... afinal, aonde não tem isso? Com o descrédito da classe perante a população, fica mais fácil os petralhas infiltrarem mais uns 50 mil militares de Cuba travestidos de médicos aqui dentro; Não esperem que o país melhore só por causa da destruição da classe médica, quem perde é o povo que deixa suas ultimas esperanças nas mãos de alguém que não entende seu modo de pensar, pode até falar português mas seus costumes são outros. Afinal, quem sou eu pra dizer tudo isso, né? OW PAÍS COMEDIA, PQP! EBOLA NELES...

    • Juliana Postado em 17/Jan/2015 às 14:15

      Pode ficar sossegado que a máfia das cesáreas já é assunto de longa data. Não é coisa de política não. Você talvez não saiba pq nunca vai parir, mas quem tem o desejo de parir e começa a estudar sabe muito bem o que acontece na realidade obstétrica do país.

    • Paulo Postado em 17/Jan/2015 às 14:38

      Sua paranoia vai até onde? Você realmente enxerga em Cuba uma superpotência capaz de infiltrar militares travestidos de médicos? Você é burro ou é uma criança mesmo?

      • Vinicius Postado em 19/Jan/2015 às 00:05

        É fruto da alienação da Globo,Veja e etc.

  16. Jose Postado em 17/Jan/2015 às 13:38

    A maioria dos médicos brasileiros só pensam em dinheiro. Há excessões, mas infelizmente são poucos. Conheço a história de um médico que se formou e foi atender em um distrito de sua cidade (interior de SP), ele atendia de graça os que não tinham condições de pagar. Isso revoltou os médicos locais, que contrataram um jagunço para ameaça-lo. Temendo pela vida de sua filha pequena e esposa, ele acabou se mudando. O governo deve continuar a trazer médicos de fora e a incentivar o que é certo, a opinião de mercenários não interessa ao país e se não estão satisfeitos eu tenho só uma coisa a dizer: Vai pra Miami!

  17. Messier Postado em 17/Jan/2015 às 13:40

    Douglas, bom mesmo eh ter medicos batendo ponto no SUS mas atendemdo em seu consultorio particular. Ninguem disse que a cesarea necessaria eh proibida, o que o governo tenta coibir eh o excesso, sem necessidade. E na falta de argumentos vamos apelar para o delirio.

  18. Juliana Postado em 17/Jan/2015 às 14:05

    Cara, só pq tem outros corruptos no mundo não quer dizer que eles deixem de ser terríveis. Você gostaria de ter sua barriga cortada sem motivo? Ou seu períneo? Pra depois sofrer a vida inteira com as sequelas de intervenções desnecessárias? Sabe quantas mulheres sofreram nas mãos desses profissionais que você está tentando defender?

  19. Paulo Postado em 17/Jan/2015 às 14:18

    Os médicos nao sao "culpados" pelo excesso de cesareas: é uma "preferência" cultural nossa mesmo. As proprias gestantes temem a dor do parto, e mal-informadas ou mesmo bem-informadas optam pela cesarea. Faltam profissionais qualificadas para assistir ao parto normal, as parteiras que em paises como Holanda e Alemanha realizam seus trabalhos normalmente, em sintonia com médicos e enfermeiros. Os médicos nao tem capacidade de "impor" nada a sociedade nao: fazem o que lhes é exigido, e a sociedade brasileira infelizmente "patologizou" o nascimento. Isso nao se muda em uma década, tem muito trabalho pela frente.

    • Vinicius Postado em 19/Jan/2015 às 00:09

      O buraco é mais embaixo. Mesmo se a situação fosse somente essa os médicos não deveriam tentar mudar essa "preferência cultural"?

      • Paulo Postado em 19/Jan/2015 às 05:03

        Vinicius, mais embaixo onde? Eu acho que apontei para o buraco no meu comentario. Nao existe no Brasil uma "cultura do parto normal", nem na sociedade, nem entre os médicos (que sao filhos da sociedade, nao vêm de outro planeta fazer maldades). Eu acho problematico impor "por cima" uma reduçao de cesareas, sem haver criaçao e capacitaçao de profissionais dedicadas ao parto normal como existe nos paises "casa de bonecas" europeus. Seria o ideal, é perfeitamente possivel, mas muitos brasileiros resistiriam a idéia porque enxergam no hospital a "soluçao para a gravidez", que por sinal, no brasil, poderia se chamar "gravidoma": tornou-se uma doença. Eh uma questao maior que a medicina, trata-se de um sintoma da nossa cultura, do nosso profundo buraco cultural.

  20. Rosali Cantlin Postado em 18/Jan/2015 às 05:37

    Rodrigo, os profissionais que você citou não são responsaveis por trazer vidas ao mundo. Não estou devendendo corrupção, mas essa não põe em risco a vida das pessoas (pelo menos não diretamente, como é o caso do médico )Se o cara não quer ser um médico responsável, conciencioso, decente, se não quer honrar o juramento de Hypócrates e se tem "vocação" para ser corrupto, que escolha outra profissão, ou escolha a política, onde a corrupçaõ impera. Na medicina não há lugar para corrupção e falta de ética e moral. Medicina tem que ser exercida com seriedade e responsabilidade, porque cuida do bem mais precioso do ser humano que é a vida! O seu comentário é lamentável!

  21. Mariza Vandresen Postado em 18/Jan/2015 às 13:38

    Estava decidida desde sempre. Sim, eu queria parto normal e durante os meses de gestação acreditei piamente que o teria. Fiz o acompanhamento pré natal com um conceituado obstetra da cidade grande, que "graças", atendia pelo SUS, uma vez por semana, no meu pequeno município de dois mil habitantes. Aguardei pelo grande momento que "provavelmente e naturalmente" seria durante os dias de Carnaval. Dito e feito, as primeiras contrações chegaram na sexta feira da folia, enquanto degustava uma deliciosa pizza na unica pizzaria do meu pequeno município. Ligo para o médico, afinal tenho que ir ao hospital, cerca de 50 km de onde moro. Ele me diz para ficar calma e monitorar o tempo entre as contrações... 40 minutos. E assim foi, por volta da meia noite, com o tempo entre "as dores" de 30 minutos sigo pra o hospital, afinal primeiro filho, a gente nunca sabe. Chego e dou entrada pelo SUS, sou monitorada por uma enfermeira que me examina em intervalos de tempos e constata que não tenho dilatação, meu corpo não está pronto ainda. E assim passo a noite. Pela manhã, as contrações estão num intervalo de oito minutos e só um dedo de dilatação. Eu sofro, pois as "dores são de matar". Por volta das dez da manhã, chega o obstetra que acompanhou minha gestação. Me examina e diz, "desse jeito você levará mais um ou dois dias em trabalho de parto" e continua "eu não estarei aqui amanhã e, em caso de uma emergência, amanhã também não teremos anestesista, aí você terá que ser transferida para o hospital de Tubarão". [cidade ainda maior e mais longe]. Então ele vem com seus "argumentos" médicos, "se você fizer uma cesárea, em meia hora está com tua filha no quarto". E continua, " se você quiser mais privacidade, a cesária particular custa tanto...[ na época cerca de R$ 2.500,00]. Uma hora depois estava eu e Emma no quarto, eu imobilizada da cintura para baixo e minha filha no berço ao lado". Como me arrependo de ter sido fraca! Dois anos depois engravido novamente e o mesmo médico me diz, "vamos marcar a data da cesária pois, como faz pouco tempo da outra, você não pode agora passar por um parto normal".

  22. Alexandre Bolfarini Postado em 23/Jan/2015 às 15:22

    Sem sombra de dúvidas, o parto natural é mais adequado, tanto em relação à saúde quanto em relação a fatores de ordem de grana. A cesariana deveria ser excepcional. Os mercantilizados médicos brasileiros vão continuar defendendo a papagaiada da cesárea, afinal, quase sempre não passam de playboyzinhos pagando uma de bons moços). Sinceramente, confiaria muito mais num médico(a) cubano(a) para realizar o parto natural do meu filho. Não digo isso porque, segundo alguns, sou esquerdista. Digo isso porque os médicos cubanos, durante sua formação, são preparados a fazer partos naturais, já que têm a responsabilidade de proteger a saúde da população de lá sem se permitir desperdiçar recursos.

  23. Juliana Postado em 17/Jan/2015 às 14:06

    Não leu o texto, só o título. Não é possível.