Nicolas Chernavsky
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EUA 13/Jan/2015 às 18:36
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Ed Miliband e Elizabeth Warren, duas possíveis gratas surpresas

Há uma série de tremores eleitorais à vista no cenário internacional, e um terremoto. Um dos tremores é Ed Miliband, possível futuro primeiro-ministro do Reino Unido e o terremoto é Elizabeth Warren, possível presidenta dos EUA

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Ed Miliband do Reino Unido e Elizabeth Warren dos EUA (Imagem: Pragmatismo Político)

Nicolas Chernavsky*

Hoje resolvi escrever inspirado no estilo do Miguel do Rosário, do blog “O Cafezinho”. Vi que ele muitas vezes escreve textos que dão a impressão de que está escrevendo de uma forma livre, com uma sequência de pensamentos e argumentos que vão se encadeando um atrás do outro, e que para o leitor são muito agradáveis. Digo isso porque eu estava pensando sobre o que escrever no meu blog, e, apesar de ter bastante coisa interessante para abordar, não conseguia encontrar a “forma” suficientemente ideal de construir o texto.

Enfim, pensei em escrever sobre algumas eleições que me parecem influentes. São eleições sobre as quais pesquiso praticamente todos os dias, pelo prazer de estar informado sobre acontecimentos que, depois, são encarados como “surpresas”, mas que não são surpresas se você já vem acompanhando há anos. Isso aconteceu com a eleição de Obama, uma “surpresa”. Uns três anos antes da eleição lembro que achei a história de que o tal Obama podia ser candidato a presidente. Na hora em que vi um discurso dele, ganhei convicção de que havia ali um terremoto político à vista. E foi o que aconteceu.

Agora, há uma série de tremores à vista no cenário eleitoral internacional, e um terremoto. Um tremor de consideráveis proporções é a possível eleição como primeiro-ministro de Ed Miliband no Reino Unido. Tomem alguns minutos e entrem no YouTube para ouvi-lo falar. Vão ver que o que está para ocorrer no Reino Unido é uma dessas maravilhas com que a democracia nos presenteia de vez em quando. Mas vai depender dos britânicos, é claro, especialmente no sentido de que terão que perceber que seu sistema eleitoral, ao ser distrital uninominal sem segundo turno, não comporta que se vote simplesmente em quem se gosta mais, pois aí pode vencer um(a) candidato(a) com 20% dos votos. Enfim, vamos esperar, as eleições são no começo de maio desse ano de 2015.

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O terremoto que pode vir na política mundial tem como epicentro os Estados Unidos, como em 2008. Hoje é fácil dizer que a eleição de Obama não foi um terremoto, mas foi, não só porque ele é mulato, mas principalmente porque venceu Hillary nas prévias, fazendo um governo bem mais progressista do que Hillary faria e estabelecendo novas bases históricas para o padrão de arrecadação de recursos de pessoas físicas para as eleições no país (e no mundo, porque o exemplo de arrecadação de Obama foi avassalador).

Bom, e qual é o terremoto então? Chama-se Elizabeth Warren. Quem gosta de política, gaste um tempinho ouvindo os discursos dessa senadora dos Estados Unidos. Ela está construindo um movimento popular de dar inveja a qualquer país do mundo. E o mais legal é que ela é considerada a candidata dos progressistas estadunidenses, quebrando aquele pouco produtivo espectro “conservadores-liberais” e estabelecendo o real espectro político, o de “conservadores-progressistas”.

O sistema eleitoral dos Estados Unidos é muito particular, e nele, o primeiro turno é um ano antes do segundo. Por “primeiro turno” me refiro às prévias nos partidos democrata e republicano. Assim, o primeiro turno das eleições presidenciais nos Estados Unidos começa em janeiro do ano que vem, daqui a um ano, e se estende por alguns meses do primeiro semestre de 2016. Se Warren entrar na disputa, vai ser a grande adversária de Hillary Clinton, como Obama foi em 2008, nas prévias democratas. Entretanto, pode ser que Warren tenha uma estratégia diferente de Obama, que lançou sua pré-candidatura com bastante antecedência. Warren, que assumiu seu primeiro mandato como senadora há cerca de 2 anos, parece não querer assumir uma pré-candidatura à presidência com tão pouco tempo de mandato como senadora. Assim, ela está exercendo de fato seu mandato como senadora de uma forma tão ativa e eficiente que isso pode acabar sendo uma “campanha” mais eficaz do que se ela realmente se dedicasse às típicas atividades de campanha. Olho na democracia estadunidense, porque ela influencia bastante o mundo inteiro, inclusive o Brasil (na verdade, especialmente o Brasil).

*Nicolas Chernavsky é jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP), editor do Cultura Política e colaborador do Pragmatismo Político

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