Redação Pragmatismo
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EUA 29/Jan/2015 às 13:00
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A inimiga pública número 1 dos EUA

A trajetória de Angela Davis: considerada inimiga pública número 1 dos Estados Unidos (ou a mulher mais perigosa do mundo), ela se tornou uma das principais vozes do movimento anticarcerário

angela davis eua
Angela Davis, a mulher mais perigosa do mundo

Marcelo Hailer, Revista Fórum

Na última segunda-feira (26), a ativista e professora Angela Yvonne Davis completou 71 anos, um ótimo momento para relembrar a trajetória desta brilhante militante do coletivo Panteras Negras, que teve o seu nome, recentemente, alçado à fama mundial por conta do documentário Free Angela Davis, que trata do período em que esteve presa, o que provocou uma mobilização nacional pela sua libertação.

A mais perigosa

Angela Yvonne Davis é natural do estado do Alabama, considerado um dos mais racistas do sul dos Estados Unidos e, de acordo com a sua autobiografia, desde criança sofreu na pele humilhações racistas. Leitora voraz desde criança, aos 14 ganhou uma bolsa para estudar em Greenwich Village, em Nova Iorque, fato que transformaria a sua vida, pois é neste momento que ela entra em contato com as teses comunistas e inicia a sua militância no movimento estudantil.

Ainda nos idos de 1960, Davis tornou-se militante ativa do Partido Comunista e do Panteras Negras, que à época lutava para conquistar o apoio da sociedade para libertar três militantes negros que estavam presos: George Jackson, Fleeta Drumgo e John Clutchette, conhecidos como os “irmãos soledad”, já que estavam detidos na Prisão de Soledad, em Monterey.

Em agosto de 1970, o FBI (Federal Bureau of Investigation) incluiu o nome de Angela Davis na lista dos dez fugitivos mais procurados pelo FBI. Na mesma época, o presidente de então, Richard Nixon, chegou a declarar que “Angela Davis era uma ativista muito perigosa”. Assim, tornou-se a ativista negra classificada pelas forças estatais como a “mais perigosa” e “mais procurada”, pois estava em fuga.

No dia 7 de agosto, Jonathan Jackson, irmão de George, juntamente com outros dois companheiros, interromperam um julgamento onde o réu era o ativista James McClain, que respondia pela acusação de ter esfaqueado um policial. Jackson e os colegas conseguiram render McClain, porém, durante a fuga, houve troca de tiros e Jackson e um outro membro foram mortos. O juiz Harold Haley também acabou morto e as investigações levaram para o “fato” de que a arma utilizada por Jonathan Jackson estava registrada no nome de Angela Davis.

A prisão de Angela Davis foi decretrada e a fotografia de “procurada” estampada nas vias públicas e nos principais jornais. Após dois meses, Davis se entregou. O seu julgamento levou 18 meses, tempo em que esteve presa e que resultou no livro “Angela Davis – Autobiografia de uma revolucionária”. A campanha pela libertação de Angela Davis, que ganhou a chamada de “Free Angela Davis” teve forte repercussão na sociedade norte-americana e contou com o apoio de figuras como John Lennon e Yoko Ono e da banda The Rolling Stones, ambos compuseram músicas em homenagem a Davis.

A ativista foi inocentada de todas as acusações.

Da luta racial para a luta da abolição

Em 1980 e 1984, Angela Davis foi candidata a vice-presidente da República pelo Partido Comunista dos EUA na chapa de Gus Hall. Desde a sua saída da prisão, Davis passou a entender o sistema carcerário como uma continuação das políticas racistas contra negros e imigrantes dos Estados Unidos. Desde então, seu ativismo político e acadêmico tem centrado fogo nesta questão.

Atualmente, a sua principal luta diz respeito à eficácia das políticas de cárcere. “O aprisionamento é a única maneira de tratar os crimes e as disfunções sociais? As despesas prolongadas com os aprisionamentos valem os benefícios momentâneos de supostamente deter o crime?”, questiona. Essa linha de pensamento é chamado por Davis de “democracia da abolição”.

“A democracia da abolição é, portanto, a democracia que está por vir, a democracia que será possível se dermos continuidade aos grandes movimentos de abolição da história norte-americana, aqueles em oposição à escravidão, ao linchamento e à segregação. Enquanto a indústria do complexo carcerário persistir, a democracia norte-americana continuará a ser falsa. Uma democracia falsa desse tipo reduz o povo e suas comunidades à subsistência biológica mais crua, pois ela os exclui da lei e da sociedade organizada”, explica Angela Davis.

A ativista do abolicionismo do século XXI é muito objetiva ao dizer que é necessário desmantelar as ferramentas de opressão e não passá-las às mãos daqueles que a criticam. “O desafio do século XXI não é reivindicar oportunidades iguais para participar da maquinaria da opressão, e sim identificar e desmantelar aquelas estruturas nas quais o racismo continua a ser firmado. Este é o único modo pelo qual a promessa de liberdade pode ser estendida às grandes massas”, avalia Davis.

Angela Davis também é uma crítica ferrenha a situação das mulheres em cárcere e o assunto ganhou destaque desde a estreia da série Orange is the New Black, que trata do cotidiano de mulheres encarceradas. Em entrevista ao jornal Los Angeles Times, Davis foi questionada se assistia a série e qual era a sua opinião. “Eu não só assisti a série, mas li o livro de memórias [de Piper Kerman , que deu origem a série]. Ela tem uma análise muito mais profunda do que se vê na série, mas como uma pessoa que olhou para o papel das prisões femininas na cultura visual, principalmente filmes, acho que a série não é ruim. Há tantos aspectos que muitas vezes não aparecem em representações de pessoas nessas circunstâncias opressivas. Doze Anos de Escravidão, por exemplo, uma coisa que eu perdi naquele filme era uma sensação de alegria, alguma sensação de prazer, algum senso de humanidade”, critica Davis.

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Comentários

  1. Marlon Bravo Postado em 29/Jan/2015 às 13:38

    E quem nomeou você chefe de redação por aqui ?! Não fomos pautados pela ditadura e vamos ser, agora, por um robô tucano ?! Te arranca !!!

    • Félix Postado em 29/Jan/2015 às 14:04

      Marlon, não fique "Bravo" com o Bolsotário. Ele quer é desviar a atenção do que realmente importa. Nunca consegue emitir um opinião qualquer que seja o assunto. Parece um cão que caiu do caminhão de mudança...

    • Eduardo Postado em 29/Jan/2015 às 17:01

      Marlon você está corretíssimo, tem alguns cidadãos que acham que podem fazer aqui o mesmo que fazem nas oias da vida.... aqui não ....

  2. Gustavo Postado em 29/Jan/2015 às 13:54

    Como sempre o Rabolsaro não tem nada a dizer sobre nada.

  3. marcos Postado em 29/Jan/2015 às 15:04

    Você como bosta ou rasga dinheiro?

  4. Rodrigo Manuel Postado em 29/Jan/2015 às 15:22

    Ótimo! Adoro o contato e facilidade de acesso a informações por aqui. Obrigado.

  5. Weslei Prado Postado em 29/Jan/2015 às 15:37

    Eu acho "engraçado" que tudo isso aconteceu no país da liberdade tsc tsc

  6. Carlos Postado em 29/Jan/2015 às 18:34

    Nos USA bandido fica preso essa é a diferença kkk

    • arantes Postado em 29/Jan/2015 às 23:17

      Só se for negro e pobre.... Acorda lesado! Menos viralatice...

      • Carlos Postado em 30/Jan/2015 às 00:53

        Que nada, esse negocio de bandido coitadinho só existe no Brasil.

      • Franco Postado em 30/Jan/2015 às 00:53

        https://www.facebook.com/marcosdoval/photos/a.360424037425492.1073741827.360331564101406/587874761347084/?type=1&theater

    • Mallu Postado em 30/Jan/2015 às 00:16

      Ue, vai pra lá então. Já que aqui não tá bom pra você, VAI SENTIR NA PELE DIREITINHO o que é viver neste "paraíso" na terra ;D. Tá perdendo tempo de blablabla aqui, comprove suas ideologias pessoalmente, oras.

  7. Roberto Pedroso Postado em 30/Jan/2015 às 00:03

    A grande massa carceraria dos EUA é composta por negros e latinos pobres,não por coincidência são aqueles que foram previamente alijados da sociedade antes de delinquirem; aos marginalizados não é oferecido a chance de se tornarem cidadãos portanto se tornaram infratores,então o estado se apresenta em sua forma repressiva no intuito de puni-los, depreendemos portanto que do discurso de terra da liberdade e oportunidades à pratica cruel da realidade percebemos que o fator imperativo é o cinismo hipócrita do discurso que não condiz com a pratica.

    • Andrei Postado em 30/Jan/2015 às 16:39

      Em parte sim, mas o crime é mais questão de caráter com do que problema social. R.

  8. Thiago Teixeira Postado em 30/Jan/2015 às 09:42

    Em 1998 quando o Brasil estava VERDADEIRAMENTE em crise, o Jornal da Globo discutia a noite, o parlamento alemão. E ai? Lembra? Eu lembro.

  9. rafa Postado em 30/Jan/2015 às 12:38

    q pau comendo?? ah... vc CREU no william bonner... eu nao

  10. Roberto Pedroso Postado em 31/Jan/2015 às 00:28

    Há controversas, principalmente se analisarmos as causa e circunstancias da violência por um prisma sócio-antropológico.