Redação Pragmatismo
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Racismo não 08/Dec/2014 às 17:58
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Ser negro nos Estados Unidos

O racismo nos EUA se repete com frequência e praticamente não sai das manchetes dos jornais. Para quem tem a pele mais escura, a maior ameaça à segurança vem da própria polícia

Eric Garner negro eua
Eric Garner (repordução)

Eric Garner tinha 43 anos, 1,91m e 160 quilos. Obeso, sofria do coração e de asma.

Era camelô, na saída do “ferry” que liga Staten Island aos outros distritos de Nova York: Brooklyn, Queens, Manhattan e Bronx.

Tinha mulher e seis filhos.

Vendia cigarros avulsos, o que irritava os comerciantes da área, que reclamavam de “concorrência desleal”, já que não pagava os pesados impostos que incidem sobre o consumo de tabaco.

Em julho deste ano, debateu-se nas mãos de cinco ou seis agentes policiais, que o derrubaram ao chão – embora um vídeo mostrasse claramente que ele tinha as duas mãos erguidas, em sinal de que se rendia – e lhe aplicaram, entre outros golpes, uma gravata.

– I can’t breathe, I can’t breathe. Não posso respirar, não posso respirar – gritou Garner, onze vezes.

Quando uma ambulância afinal foi chamada, estava morto.

A promotoria distrital instaurou um “Grand Jury”, procedimento que tem a finalidade não de julgar um suspeito, mas de determinar se há suficientes evidências contra ele para processá-lo criminalmente.

O suspeito no caso era Daniel Pantaleo, o que aplicou a gravata. Os demais policiais receberam imunidade, para testemunhar.

Depois de ouvir os demais policiais, outras testemunhas e o próprio Pantaleo, o Grand Jury concluiu que não havia “probable cause” (evidências suficientes) para levar Pantaleo a um julgamento.

Pantaleo e seus colegas são brancos, Garner era negro.

Depois do ocorrido em Ferguson, no estado de Missouri, em que um Grand Jury tampouco encontrou evidências suficientes para processar o policial branco que matou a tiros um jovem negro, a eterna discussão sobre racismo nos Estados Unidos voltou à tona.

Em Ferguson, o policial branco, de 1,93m, disse ter sido aterrorizado pelo negro de 18 anos, que tinha 1,95m e 118 quilos.

O ocorrido em Ferguson é em grande parte envolto em dúvidas e contradições, enquanto em Nova York a evidência de imagem e sons do vídeo torna difícil acreditar que um Grand Jury em que metade dos membros era de negros e hispânicos possa ter sido tão complacente com o policial branco.

A própria existência nos Estados Unidos de uma “raça” que não é raça, a hispânica (dividida em geral pela imprensa entre “hispânicos brancos e não-brancos”), mostra como a cor, as feições e outras características étnicas – o que se chama “racial profiling” – podem dividir e separar os seres humanos.

Casos de negros mortos por policiais brancos são infelizmente corriqueiros em Nova York, cidade com um prefeito branco casado com uma mulher negra, que diz estar determinado a mudar radicalmente o comportamento e mentalidade dos homens e mulheres encarregados de zelar pela segurança da população.

Para quem tem a pele mais escura, a maior ameaça à segurança vem da própria polícia.

José Inácio Werneck, Correio do Brasil

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Comentários

  1. poliana Postado em 08/Dec/2014 às 19:38

    A polícia eh sempre uma ameaça a segurança da população. Aki n eh diferente! Como se sentir seguro com uma corporação dessa? Nada disso nos caus espanto. Eh o comportamento padrão da nossa polícia. Basta ser 'preto' e favelado no brasil, pra polícia se sentir no direito de exterminar essas pessoas...comparado com a realidade brasileira, os atos da polícia americana foram irrisórios.

    • Guilhermo Postado em 09/Dec/2014 às 13:21

      Poliana, imagina se não existisse a polícia. O mundo seria um caos. Se mesmo com a polícia, crimes são cometidos, imagina sem ela! Todos agiriam conforme suas próprias convicções, não temendo punição alguma. Um mundo sem polícia só daria certo se todas as parcelas da população recebessem uma excelente educação voltada ao respeito ao próximo e não passassem nenhum tipo de necessidade. Mas como isso é utopia, a polícia se faz necessária.

      • poliana Postado em 09/Dec/2014 às 13:35

        Guilhermo, leia sobre a desmilitarização da polícia militar..vc verá q eh algo muito melhor pra uma sociedade...

    • Victor Hugo Postado em 04/Jan/2015 às 12:27

      Polícia é uma ameaça. Políticos são uma ameaça. Acéfalos são uma ameaça. Pense em que grupo você se encontra.

  2. Luiz Postado em 09/Dec/2014 às 02:06

    Tenho pena deles mas, estaticamente falando eles estão certos. a chance de preto favelado ser ladrao e muito maior do branco de olhos azuis. Nao tenho preconceito mas e instinto.

    • Ivan Postado em 09/Dec/2014 às 11:53

      Eu realmente li isso, cara?

    • poliana Postado em 09/Dec/2014 às 13:36

      Meu deus....deixa eu dar uma respirada e contar ate mil aki. Eu n acredito q li isso...

    • Marc Postado em 09/Dec/2014 às 23:56

      O q isto tem a ver com matar inocentes como no caso. Cara sobre o q vc tah comentando ?

  3. Ed Carlos Postado em 09/Dec/2014 às 19:23

    Nossa Luiz, você precisa muito se humanizar, ou se informar, ou nascer de novo, ou sei lá o que... Seu raciocínio é tão racista quanto extremamente preconceituoso. Tá foda Cara, cala sua boca!!!