Redação Pragmatismo
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Índios 05/Dec/2014 às 11:11
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As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenas

As afirmações listadas a seguir foram extraídas da vida real. Algumas nas ruas do interior do Brasil, outras nas cidades grandes, outras em discursos de políticos. Percepções diversas, vindas de pessoas com histórias diferentes, mas com um direcionamento em comum: a disseminação do discurso anti-indígena com argumentos mentirosos

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Lilian Brandt*, AXA

As afirmações listadas abaixo foram extraídas da vida real. Algumas nas ruas do interior do Brasil, outras nas cidades grandes, outras em discursos de políticos. Percepções diversas, vindas de pessoas com histórias diferentes, mas com um direcionamento em comum: a disseminação do discurso anti-indígena com argumentos falsos.

Mentira nº 1: Quase não existe mais índio, daqui alguns anos não existirá mais nenhum

Se as pessoas não sabem muito sobre os indígenas na atualidade, sabem menos ainda sobre o passado destes povos. Mesmo os pesquisadores não encontram um consenso, e os números variam muito conforme os critérios utilizados.

A antropóloga e demógrafa Marta Maria Azevedo estima que, na época da chegada dos europeus, a população indígena no Brasil era de 3 milhões de pessoas. Eram mais de 1.000 povos diferentes, que durante séculos foram exterminados pelos conquistadores, seja por suas armas de fogo, seja pelas doenças que eles trouxeram. De acordo com antropóloga, em 1957 havia no Brasil apenas 70 mil indígenas. O crescimento desta população é observado somente a partir da década de 1980.

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Uiwede – corrida com tora de buriti na TI Marãiwatsédé, MT (Imagem: Lilian Brandt)

Em 1991, quando o IBGE passou a coletar dados sobre a população indígena brasileira, eles somavam 294 mil pessoas. Em 2000, o Censo revelou um crescimento da população indígena muito acima da expectativa, passando para 734 mil pessoas. Em 2010, a população indígena continuou crescendo, e o Censo mostrou que mais de 817 mil brasileiros se autodeclararam indígenas, representando 0,47% da população brasileira. Eles estão distribuídos em 305 etnias e falam 274 línguas.

Esse aumento populacional jamais seria possível se fossem considerados apenas fatores demográficos, como a natalidade e a mortalidade. Esses dados revelam o crescimento do número de pessoas que passaram a se reconhecer como indígenas e o “ressurgimento” de grupos indígenas. Isto se dá porque, antes, ser índio no Brasil significava ser atrasado, inferior, escravizado, catequizado, ser alvo de discriminação, de chacinas e até mesmo não ser considerado humano. Diversos povos foram obrigados a abrir mão de suas línguas e de sua cultura. Agora os povos indígenas voltam a afirmar sua identidade, talvez porque as circunstâncias estejam mais amigáveis. Ou talvez porque este grito não suporte mais ser calado.

Tratá-los simplesmente como “índios” esconde a imensa diversidade cultural e circunstâncias de vida tão distintas. Mas algo muito mais forte que as diferenças étnicas propicia a união destes povos: o fato de se sentirem diferentes de nós.

Temos no Brasil todos os tipos de extremos: índios que possuem seu território assegurado e índios que morrem lutando por seu território; índios brancos e índios negros; índios cristãos e índios pajés; índios isolados e índios urbanos.

Os povos indígenas isolados são aqueles que não estabeleceram contato permanente com a população nacional e com o Estado. As informações sobre eles são transmitidas por outros índios, por moradores da região e por pesquisadores. A Funai (Fundação Nacional do Índio) tem cerca de 107 registros da presença de índios isolados em toda a Amazônia Legal, dos quais 26 já foram confirmados e estão sendo monitorados, seja por imagens de satélite, sobrevoos ou expedições na região. Não se sabe, no entanto, a quantidade destes povos e indivíduos que vivem voluntariamente isolados.

Muitos já tiveram alguma experiência de contato não amistosa com garimpeiros, madeireiros, grileiros e traficantes próximos à fronteira. Também é provável que tenham tido ou mantenham contato com populações ribeirinhas, seringueiros e, principalmente, com algum outro povo indígena.

Os resultados do contato conosco são trágicos, a começar pelas doenças que transmitimos, para as quais eles não têm imunidade: sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tétano, hepatite, gripe e outras. Conhecendo esta realidade, estes povos que vivem em situação de isolamento escolheram fugir. Isso não significa, no entanto, que eles não tenham notícias de nossa sociedade. Eles observam rastros, utilizam ferramentas e se relacionam com outros indígenas que contam as novidades do mundo do branco.

Em outros tempos, como muitos devem se lembrar, o órgão governamental indigenista, na época chamado SPI (Serviço de Proteção aos Índios), deixava presentes como espelhos, panelas e ferramentas para atrair os indígenas. Hoje a Funai busca garantir que eles tenham seu território assegurado para transitarem livremente. Mas as ameaças são muitas e cada vez mais seus territórios são menores.

Os indígenas que vivem em áreas urbanas somam 324 mil, ou seja, 36% do total da população indígena, um número que vem crescendo ano após ano (IBGE, 2010). Há dois motivos recorrentes para que esses índios vivam em áreas urbanas. Um deles é a migração dos territórios tradicionais em busca de melhores condições de vida na cidade. O outro é que os limites das cidades cada vez mais alcançam as fronteiras de seus territórios.

As pessoas continuam acreditando que a população indígena está sendo reduzida, mesmo que os números digam o contrário e que eles estejam mais presentes nos centros urbanos. A desinformação tem uma consequência: fingimos que os índios estão deixando de existir e gradualmente não pensamos mais na situação deles. Assim fica mais fácil justificar nenhum respeito a seus direitos e à sua própria vida.

Mentira nº 2: Os índios estão perdendo sua cultura

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Crianças Tapirapé, TI Urubu Branco, MT (Imagem: Lilian Brandt)

Esta afirmação resume uma série de outras ideias muito difundidas: “índio que usa celular não é mais índio”, e suas variáveis televisão, computador, calça jeans, tênis, rede de pesca, barco a motor, caminhonete, trator e etc.

De modo geral, cultura é o conjunto de manifestações que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a língua, a moral, os costumes, os comportamentos e todos os hábitos e aptidões adquiridos por pessoas que fazem parte de uma sociedade específica.

Sendo composta por diversos elementos, a cultura está em constante transformação, se inter-relacionando de diferentes formas com o ambiente, as circunstâncias, outras culturas e consigo mesma. Logo, a cultura não é algo que se perde, é algo que se transforma constantemente.

É certo, no entanto, que não temos uma relação de troca cultural justa com os indígenas. Nossa sociedade se caracteriza por termos uma cultura dominadora e impositiva. O impacto do nosso modo de vida reflete diretamente na vida dos indígenas, de forma que hoje já não há a mesma fartura e biodiversidade que se tinha em 1500. O rio está contaminado por agrotóxicos, a floresta foi derrubada e a quantidade de peixe e de caça foi drasticamente reduzida.

Neste sentido, a incorporação de elementos de outra cultura é também uma estratégia de resistência. O uso de equipamentos de pesca dos “brancos”, por exemplo, pode ser um modo de resistência cultural, num entendimento de que pescar é mais importante para a identidade indígena do que se manter preso a técnicas tradicionais e não chegar com o peixe em casa.

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Brô MC’s – RAP Guarani (Imagem: Last FM)

Uma das maneiras de se fortalecer a tradição é inovar a partir de uma forte referência tradicional. Um grupo de jovens Guarani Kaiowá nos dá um bom exemplo de resistência cultural. O grupo de rap Brô MC’s é formado por duas duplas de irmãos, e daí o nome “brô”, do inglês “brother”. Suas rimas misturam português e guarani e denunciam o desmatamento ilegal, o esquecimento e a perseguição que seu povo sofre por pressão do agronegócio. (Curta o som aqui)

Outras vezes, objetos não-indígenas podem ser inseridos na cultura indígena com um significado e uso completamente diferentes do nosso, como garrafas plásticas cuidadosamente cortadas e limadas para fazerem colares, à semelhança do que fazem há centenas de anos com as lascas de caramujos. E outras vezes, por fim, eles podem incorporar determinado elemento de outra cultura e nem por isso serem “menos índios”, assim como comer sushi não nos torna japoneses, tomar chimarrão não nos torna gaúchos e tomar banhos diários não nos torna índios.

Nos assusta a velocidade com que alguns indígenas incorporam elementos da nossa cultura no seu modo de vida. Mas sabemos que as trocas entre povos sempre existiram. Se nos chama a atenção ver um indígena ao celular, é porque não sabemos que o adorno que ele utiliza em rituais de sua tradição há séculos podem ter sido confeccionados por um outro povo e utilizados como moeda de troca. E por que não?

Com que velocidade os Karajá incorporaram elementos da cultura Tapirapé, e vice-versa? Com que velocidade os brasileiros incorporam elementos da cultura norte-americana? Não existe meios de medir precisamente as causas e os efeitos destas trocas culturais.

Nossa sociedade não aceita que este sujeito tão diferente de nós possa utilizar as mesmas tecnologias e bens de consumo que utilizamos. Assim, ao mesmo tempo que vemos os indígenas como inferiores por não terem desenvolvido as tecnologias que nos saltam aos olhos, não aceitamos que ele desfrute das facilidades da vida contemporânea. Como se tudo o que temos hoje fosse resultado apenas do trabalho de homens brancos e para usufruto exclusivo de homens brancos. Como se o progresso tecnológico e econômico não tivesse sido impulsionado também pela tomada de territórios e riquezas que pertenciam a esses índios.

Mas para que índio quer tecnologia? Tenho visto indígenas vendendo artesanatos através do Facebook, trocando e-mails com lojas que revendem suas produções, promovendo abaixo-assinados para terem seus direitos respeitados, se comunicando com parentes que ficaram na aldeia enquanto ele saiu para estudar na cidade e namorando, como a gente.

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Txiarawa Karajá fotografa os espíritos de Aruanã. Aldeia Santa Isabel do Morro, TI Parque do Araguaia, TO (Imagem: Lilian Brandt)

Mentira nº 3: Estão inventando índios, agora todo mundo pode ser índio

Se a pessoa se reconhece como indígena e se identifica com um grupo de pessoas que também se reconhecem como indígenas e a consideram indígena, então ela é. Não existe nenhum reconhecimento da Funai, nenhum julgamento de um não-indígena e nenhum critério imposto por nossa sociedade que possa ser maior do que o seu sentimento e o sentimento da coletividade a qual ela pertença.

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Moça Xavante com seu porquinho na TI Marãiatasédé, MT (Imagem: Lilian Brandt)

Ela pode se considerar indígena por uma questão genética e/ou cultural, mas não cabe a nós e nem ao governo atribuir identidade a outra pessoa. A autodeclaração é defendida também pela Convenção nº 169 sobre Povos Indígenas e Tribais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2000.

Por isso, não tem fundamento a ideia de que “sendo assim, todos os brasileiros seriam indígenas, já que correm em nossas veias sangue indígena, daquela bisavó que foi pega no laço”. Este discurso não viria de um indígena. Se o cidadão diz isso querendo reduzir o direito de ser índio na atualidade, é evidente que está se identificando muito mais com o bisavô estuprador do que com a bisavó violentada.

Repare que a televisão, por exemplo, se esforça em caricaturar os indígenas. Quando a TV mostra aquele “indiozão” bonito da Amazônia, forte, guerreiro, caçador, todo enfeitado de penas e muito bem pintado, o povo acha bonito de ver e até acha que não existe mesmo racismo contra indígena. Mas quando a TV diz que aquele é um índio, discretamente nega outras possibilidades de índios.

Nega que existam índios sem penas e sem pinturas, com jeans e celular. Nega aqueles que não têm mais arara em seu território e por isso não usam cocar. Nega aqueles que têm cabelo crespo porque os negros escravizados fugiram para sua aldeia e foram bem recebidos como parceiros de resistência. Nega aqueles que vivem nas cidades porque seus territórios foram invadidos, aqueles que vão para Brasília protestar, etc.

Os índios são como são. Se nossa sociedade tem dúvida se um indivíduo é índio, esta dúvida não encontra recíproca por parte dele. Quem é índio sabe que é, porque tem a vivência do seu povo e sente na pele o racismo.

Nossa sociedade acredita que existe uma escala de quem é mais ou menos índio: “vive em maloca? Tem cabelo liso? Sabe pescar? Usa celular? É rico?”. Mas não é assim que funciona, não existe uma tabelinha para a gente definir quem é e quem não é, quem é mais e quem é menos. Essa crença evidencia o desejo oculto de querer que tenham menos índios, pois alguns já estão “aculturados” e “integrados”.

A Convenção nº 169 da OIT garante a autodeterminação dos povos e o direito de que cada população indígena ou tribal possa escolher seus próprios caminhos para o futuro. Esse princípio consta ainda na Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas.

O entendimento de que os indígenas seriam assimilados até deixarem de existir já foi superado na legislação, mas ainda precisa ser superado na sociedade.

Mentira nº 4: O Brasil é um país miscigenado, aqui não tem racismo

Racismo, assim como machismo, é algo sutil. Às vezes ele aparece escancarado, quando um sujeito chama um negro de “macaco”, quando uma mulher é estuprada, quando se constata um salário menor para mulheres e negros do que para homens brancos para fazerem exatamente o mesmo trabalho. Esse racismo escancarado é muitas vezes (mas nem sempre) condenado pela sociedade.

Mas nem tudo é preto no branco, racismo ou não-racismo. Há infinitas combinações de cores, há infinitas formas de demonstrar e de esconder o racismo e ainda assim julgar-se superior.

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Meninas Karajá da Aldeia JK, TI Parque do Araguaia, TO (Imagem: Lilian Brandt)

Com indígenas é pior, porque a diferença não está só na cor da pele, no tipo de cabelo e na classe social. Além de tudo isso, a diferença é cultural e muitas vezes até linguística. Os indígenas são os brasileiros mais ímpares e diferentes que compartilham o mesmo território que nós.

O racismo pode aparecer em momentos leves, entre amigos. As pessoas naturalizaram de uma tal forma o racismo contra indígenas, que não percebem que jamais poderiam usar aquelas mesmas palavras para se referir a qualquer outro grupo de pessoas. Nossa sociedade tem sido muito conivente com o racismo contra indígenas, a despeito do que diz nossa legislação.

Conforme a Constituição Federal e a Lei nº 7.716/89, serão punidos os crimes de discriminação ou preconceito contra raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, sendo o crime de racismo inafiançável e imprescritível. No entanto, diariamente os indígenas são discriminados e são raros os casos de denúncia e condenação.

As redes sociais, por exemplo, estão repletas de conteúdo racista. Em abril de 2014, a Justiça Federal condenou um jornalista amapaense por cinco mensagens que utilizavam expressões de desprezo se referindo aos índios Guarani Kaiowá. De acordo com a decisão, o jornalista prestaria serviços comunitários na Casa de Apoio à Saúde Indígena do Amapá (Casai) e pagaria seis salários mínimos ao Conselho de Caciques de Oiapoque e à Associação dos Indígenas de Wajãpi. A proposta é que, prestando serviços comunitários na Casai, o jornalista conviva com indígenas e, conhecendo a realidade, passe a respeitá-los. Tomara que sim.

Na esfera política os discursos de ódio estão cada vez mais escancarados. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Deputado Federal Luís Carlos Heinze (PP-RS), diversas vezes desqualificou publicamente quilombolas, índios, gays e lésbicas. As urnas mostraram que a população o apoia: em 2014, Heinze foi reeleito pela 5ª vez, como Deputado Federal do Rio Grande do Sul, sendo o deputado mais votado do estado.

Os discursos racistas atingem diretamente os indígenas. O relatório Conflitos no Campo Brasil 2013, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), mostra que, das 1.266 ocorrências relacionadas ao conjunto dos conflitos no campo no Brasil, 205 estão relacionadas a indígenas, totalizando 16%. A maior parte destes casos refere-se a conflitos por terra ou retomada de territórios, somando 154 ocorrências.

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Conflitos no Campo – Brasil 2013 (Fonte: Comissão Pastoral da Terra)

Os povos indígenas são os mais afetados pela violência no Brasil. Ainda segundo o relatório Conflitos no Campo Brasil, em 2013, das 829 vítimas de assassinatos, ameaças de morte, intimidações, tentativas de assassinato e outras, 238 eram indígenas. Das 34 mortes por assassinato, 15 eram de indígenas. Eram também indígenas 10 das 15 vítimas de tentativas de assassinato, e 33 das 241 pessoas ameaçadas de morte.

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Conflitos no Campo – Brasil 2013 (Fonte: Comissão Pastoral da Terra)

É triste constatar que as mortes de indígenas no campo, as quais se caracterizam como um verdadeiro genocídio, encontram uma referência no discurso de figuras públicas e lideranças políticas, quase sempre motivadas por interesses econômicos.

O racismo (assim como o machismo) habita o imaginário social, paira sobre a sociedade como um todo, e, consequentemente, sobre cada indivíduo. Como toda ideia, ele é vivo, autônomo e se faz transparecer em ações e ideologias.

Um dos modos que o racismo age é pela generalização, quando se nota algo negativo de um indivíduo e se transfere essa questão ofensiva para o povo todo. Utilizando um exemplo bem comum em cidades pequenas que convivem com indígenas, imagine que alguém veja na rua um homem bêbado. Se o homem não é indígena, comenta-se “este homem está bêbado”, mas se ele for indígena o comentário é “os índios estão sempre bêbados”.

A sociedade é racista, e mesmo que você não se considere racista, às vezes ele pode escapar discretamente. Vigie seus atos, pensamentos, sentimentos e se permita ver.

Mentira nº 5: Os índios têm muitos privilégios

Se estivéssemos aqui falando de privilégios como desfrutar de uma vida em meio à natureza, estaria tudo bem. Mas não, infelizmente este discurso vem acompanhado da crença de que “índio recebe um salário do governo a partir do momento que nasce”.

Pior do que ter tantas pessoas acreditando nisso, é a surpresa que expressam quando descobrem que não. “Não? Mas então, do que vivem?”. Parece impossível acreditar que trabalham e que batalham pelo seu sustento. Ao contrário do que tantos brasileiros acreditam, não existe muita vantagem em ser indígena hoje em dia. Existe sim, muita coragem.

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Xavante, Aldeia Pimentel Barbosa, TI Pimentel Barbosa, MT (Imagem: Maíra Ribeiro)

Em relação à saúde, a diferença é que os indígenas são atendidos pela Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que é parte do mesmo SUS que atende aos não-indígenas. Na teoria, essa distinção permite um olhar diferenciado dos profissionais de saúde, considerando questões culturais e atuando em consonância com as práticas de saúde tradicionais indígenas. Na prática, como os nossos postos de saúde, alguns funcionam bem, outros não. Faltam equipamentos, às vezes não têm remédios, faltam profissionais especializados, etc. Falta percorrer um longo caminho.

Na área da educação por muitos anos os indígenas estiveram expostos à imposição de nossos valores e negação de sua identidade e cultura. Hoje o Ministério da Educação é responsável por desenvolver uma educação diferenciada, intercultural e bilíngue, dando espaço aos processos de aprendizagem e aos conhecimentos indígenas. Além disso, os indígenas podem elaborar seus próprios currículos e rotinas escolares com gestão indígena. De acordo com o Ministério da Educação, a maioria dos professores ainda são não-indígenas, totalizando 7.968, enquanto professores indígenas somam 7.321. Na prática, como no ensino público para não-indígenas, com exceção de alguns casos de sucesso, faltam materiais didáticos específicos, alimentação (sendo que poucas vezes esta é de fato diferenciada), infra-estrutura etc.

Quanto aos benefícios sociais, indígenas são considerados pelo INSS “segurados especiais” para fins de acesso ao salário maternidade, aposentadoria por idade, auxílio doença, auxílio acidente, aposentadoria por invalidez, pensão por morte e auxílio reclusão.

Segurados especiais são os trabalhadores rurais que produzem em regime de economia familiar, sem utilização de mão de obra assalariada. Além dos indígenas, são considerados segurados especiais os agricultores, os seringueiros e os pescadores artesanais. Os indígenas precisam comprovar que sua subsistência advém do extrativismo, do plantio ou de outra atividade vinculada à terra e aos recursos naturais. Ou seja, os indígenas acessam estes benefícios não por serem indígenas, mas sim por viverem de atividades rurais, pois se forem assalariados, deixam de ser segurados especiais.

E, por fim, os indígenas possuem o direito de usufruir de seu território. As Terras Indígenas não

são dos indígenas, são propriedade da União, terras públicas que pertencem a toda a nação brasileira, cedidas aos índios em regime de posse permanente e usufruto exclusivo. Ou seja, eles não têm a propriedade das terras: ganham o direito de nelas residir e fazer uso das riquezas do solo e das águas para a atual e as futuras gerações viverem.

Mentira nº 6: Os índios são tutelados, por isso índio não vai preso e não pode comprar bebida alcoólica

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Xavante, TI Marãiwatsédé (Imagem: Lilian Brandt)

Essa história é antiga e tem um fundo de verdade. Desde o período colonial até o século passado, o Estado sempre considerou que os indígenas deveriam ser integrados, ou seja, deveriam negar suas identidades em nome de sua inserção à nação brasileira.

Esta concepção foi perpetuada por séculos e virou “tutela” no Código Civil de 1916 (artigo 6º), que enquadrou os índios na categoria de relativamente incapazes, condição semelhante à dos órfãos menores de idade no século XIX.

O Estatuto do Índio (Lei n. 6.001/73) endossou o regime de tutela, depois de separar categorias de índios em “isolados”, em “vias de integração” e “integrados”, estabelecendo que o regime tutelar se aplicaria aos índios ainda não integrados.

O Estado tutor é aquele que decide pelos índios e, sob pretexto de cuidar deles, os mantém sob controle. Em nome desta “tutela”, o Estado brasileiro promoveu um verdadeiro genocídio. A Comissão Nacional da Verdade, que investiga crimes cometidos pelo governo ou agentes da ditadura militar, estima que somente a construção de estradas na Amazônia, no governo do general Médici (1969-1973), matou em torno de 8 mil índios.

Na região do Araguaia, o povo Xavante de Marãiwatsédé entregou um relatório de 71 páginas à Comissão Nacional da Verdade. Entre os crimes, estão a invasão do território com a condescendência de autoridades, empresários e poderes locais e nacionais.

A legislação só tomou um rumo diferente em 1988, com a atual Constituição Federal Brasileira. Nossa Constituição reconheceu e introduziu os direitos permanentes dos índios, abandonando a ideia de que eles seriam assimilados à nossa sociedade e endossando a ideia de que os índios são sujeitos presentes e capazes de permanecer no futuro. Ela reconheceu ainda o direito dos indígenas às suas terras e à cidadania plena. Esse avanço na legislação indigenista foi uma conquista do movimento indígena.

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Povos indígenas presentes na Constituinte, lutando por seus direitos (Imagem: Câmara dos Deputados)

O Novo Código Civil Brasileiro (2002), em seu Art. 4º, diz que “a capacidade dos índios será regulada por legislação especial”. Como essa tal lei não existe, alguns podem acreditar que se trata do antigo Estatuto do Índio, e daí se cai em contradição, já que o referido Estatuto trata o índio como semi-incapaz.

O Estatuto do Índio e suas ideias retrógradas nunca foram oficialmente revogados, mas muitos especialistas acreditam que a Constituição Brasileira, como nossa lei máxima, por si só já o revoga em relação à tutela. Porém, muitos juristas, legisladores e a população brasileira ainda remetem ao Estatuto do Índio para embasar decisões e discursos, valendo-se da contradição das leis e provocando insegurança jurídica para os povos indígenas.

Por isso, no entendimento da Funai e de diversos especialistas, indígenas são tão cidadãos quanto nós, e podem sim comprar bebidas alcoólicas fora das Terras Indígenas. Aliás, o comerciante que não vendesse estaria cometendo um crime ao discriminar o indígena, além de uma prática abusiva prevista no inciso IX do art. 39 do Código de Defesa do Consumidor.

Algumas instâncias governamentais encontram amparo legal no Estatuto do Índio para proibir a venda de bebidas alcoólicas para indígenas. O Artigo 58 desse Estatuto estabelece que constitui crime “propiciar, por qualquer meio, a aquisição, o uso e a disseminação de bebidas alcoólicas, nos grupos tribais ou entre índios não integrados”.

Em relação à criminalização, o Estatuto do Índio diz que a pena deve ser atenuada, e “se possível, em regime especial de semiliberdade, no local de funcionamento do órgão federal de assistência aos índios mais próximos da habitação do condenado” (Art. 56).

A tutela em nada tem a ver com a não-responsabilização do indivíduo por um crime que praticou. Tem a ver com um julgamento diferenciado caso a questão se relacione à sua prática cultural e à necessidade de um intérprete em seu interrogatório, caso o indígena não tenha completo domínio da língua portuguesa.

Em relação aos delitos, a lei para os indígenas é a mesma que a nossa. Índios podem ser e são presos quando roubam, quando praticam atos de violência, cometem assassinatos e por todos os motivos que os não-indígenas são presos. São presos também injustamente, para serem calados e oprimidos, para não serem cumpridos seus direitos como no caso do Cacique Babau, que luta pelo seu território e sofre continuamente perseguição das autoridades.

Mentira nº 7: Tem muita terra para pouco índio

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Vista aérea da Aldeia Santa Isabel, TI Parque do Araguaia (Imagem: Lilian Brandt)

Em 1978, o Estatuto do Índio ordenou ao Estado brasileiro a demarcação de todas as terras indígenas até dezembro de 1978. Depois de dez anos, a Constituição Brasileira reconheceu aos índios os “direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens” (Art. 231), e estabeleceu o prazo de cinco anos para a demarcação de todas as Terras Indígenas.

Quando a Constituição traz o termo “direitos originários”, ela revela que este direito vem desde sempre, antecedendo à própria Constituição. As demarcações são apenas reconhecimento desse direito pré-existente. A noção de território não constitui apenas uma relação de ocupação ou exploração, mas o fundamento da existência do povo, pois somente em seu território é possível a prática plena de sua cultura.

No entanto, até hoje o Estado se recusa a cumprir sua obrigação e a cada dia crescem mais os interesses econômicos sobre estas terras tradicionais. Não bastasse isso, muitas Terras Indígenas são cada vez mais diretamente ou indiretamente afetadas por grandes empreendimentos, monoculturas com uso abusivo de agrotóxicos, mineradoras etc.

Enquanto os agentes destes grandes poderes econômicos tentam barrar todos os processos de demarcações, também dizem que é preciso modificar o procedimento de demarcação. O Decreto 1.775/1996 detalha todo o procedimento, havendo um grupo técnico especializado, coordenado por antropólogo, com a finalidade de realizar estudos complementares de natureza etno-histórica, sociológica, jurídica, cartográfica, ambiental e o levantamento fundiário necessários à delimitação. Após passar por autorização da Funai, é aberto um prazo para contestações e somente depois é feita a demarcação.

Os ocupantes não-indígenas são indenizados tanto pelas benfeitorias quanto pelos títulos de propriedade de boa fé. Além disso, os ocupantes não-índios que atendem ao perfil da reforma agrária são reassentados, a cargo do Incra.

As Terras Indígenas são inalienáveis e indisponíveis, ou seja, os indígenas não podem efetuar nenhum negócio jurídico que acarrete a transferência da titularidade de direitos sobre estas terras, e nem mesmo permitir o beneficiamento de não-indígenas com a exploração dos recursos naturais, pois o usufruto é exclusivos dos indígenas.

O discurso anti-indígena tem como principal argumento que as Terras Indígenas ocupam 13% do território nacional. Mas os brasileiros não se dão conta da imensa área que os latifúndios ocupam. O Brasil tem uma área de mais de 851 milhões de hectares. Destes, mais de 318 milhões são ocupados por grandes propriedades, totalizando 37% do território nacional.

A tabela abaixo mostra a quantidade de propriedades, a soma da área que estas propriedades ocupam e a porcentagem que esta área representa sobre o território nacional. Para compreender melhor, consideramos que “minifúndio” é o imóvel de área inferior a um módulo fiscal (Decreto nº 84.685/1980), “pequena propriedade” é o imóvel rural com área entre 1 e 4 módulos fiscais (Lei nº 8.629/1993) e “média propriedade” é o imóvel rural com área superior a 4 módulos fiscais e até 15 módulos fiscais (Lei nº 8.629/1993).

Não há definição legal para “grande propriedade”, a qual, no entanto, passou a ser tida na prática das políticas agrárias como o imóvel rural com área superior a 15 módulos fiscais.

Módulo fiscal é uma unidade de medida corresponde à área mínima necessária a uma propriedade rural para que sua exploração seja economicamente viável (Lei nº 6.746/1979). A depender do município, um módulo fiscal varia de 5 a 110 hectares.

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Classificação segundo dados declarados pelo proprietário – e de acordo com a Lei Agrária/93 e IBGE/Censo 2010

Proponho agora um exercício de imaginação. Consideremos que estes 130 mil proprietários vivam em suas grandes terras com suas famílias, e imaginemos que cada lar tenha em média 3,3 moradores, a mesma média dos lares brasileiros de acordo com o Censo Demográfico 2010.

Vamos desconsiderar que, ainda segundo o Incra, 69 mil das grandes propriedades, que equivalem a mais de 228 milhões hectares (40% da área das grandes propriedades) são improdutivas. A maior parte destas pessoas possuem outras fontes de renda, não produzem seus alimentos e não possuem laços ancestrais com a terra. Muitas vezes os proprietários não são pessoas, e sim empresas. Mas, por hora, deixemos estas questões de lado e nos voltemos aos números, tratando igualmente a área indígena e a de grandes proprietários.

Os indígenas, por sua vez, ocupam uma área de 106 milhões de hectares, sendo mais de 567 mil pessoas, conforme a tabela abaixo:

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Classificação segundo dados declarados pelo proprietário – e de acordo com a Lei Agrária/93 e IBGE/Censo 2010

Ou seja, os indígenas estão em um território quase 3 vezes menor que o território das grandes propriedades, apesar de ser quase 4 vezes mais populoso. E repare que não estão sendo contados aqui os indígenas que vivem nas cidades, somente os que vivem em Terras Indígenas. Seria preciso multiplicar em 37 vezes o número de proprietários no latifúndio para ele se equivaler à área por pessoa em Terra Indígena. Portanto, nota-se: temos no Brasil muita terra para poucos proprietários.

A maior parte das terras indígenas está na Amazônia Legal, onde vive cerca de 55% da população indígena no Brasil. Nas demais regiões do país, principalmente nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além do estado do Mato Grosso do Sul, os povos indígenas conseguiram manter a posse em áreas geralmente diminutas e esparsas, espremidos entre cidades e fazendas, sem as condições mínimas necessárias para manter seu modo de vida. É justamente nessas regiões que se verifica atualmente a maior ocorrência de conflitos fundiários e disputas pela terra.

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Fonte: Funai – 2014

O que está em jogo não é aquele pé de fruta que o avô plantou e onde ele amarra sua rede. Não importa que ali estejam enterrados os seus antepassados, que ali seja a morada de seus espíritos e do mundo sagrado. O “desenvolvimento” vem como um trator atropelando tudo com suas hidrelétricas, mineradoras, gados, sojas e milhos transgênicos. Os índios amam o seu território. E muitos morrem porque os não-índios amam o dinheiro.

Mentira nº 8: Os índios são preguiçosos e não gostam de trabalhar

Cá entre nós, poucas pessoas verdadeiramente gostam muito de trabalhar. A maioria trabalha porque precisa do dinheiro para pagar as contas, para comprar comida, para comprar o celular e para comprar sempre e cada vez mais tudo que possa surgir. Essa é a lógica das sociedades capitalistas: ter cada vez mais, acumular e nunca estar satisfeito com o que tem.

A lógica indígena, tradicionalmente, não se interessa em acumular, e sim em desfrutar. Portanto, se antes do sol chegar ao alto do céu, o homem já pescou peixe para a família toda se alimentar naquele dia, ele pode voltar para casa e descansar, pois sua obrigação já foi cumprida.

Mas espera aí… caçar, pescar, plantar, colher, manejar, construir sua casa, fazer seu barco e fazer tudo mais que uma vida auto-subsistente necessita não parece nada fácil. Imagine então que para realizar cada uma destas tarefas é preciso muitas outras. Para fazer o barco, por exemplo, é preciso entrar no mato, encontrar uma árvore de uma espécie específica que esteja num bom tamanho e formato, derrubar a árvore, tirar da floresta, cortar e moldar a madeira, queimar de um modo específico com uma lenha específica, moldar novamente como o avô ensinou, queimar de novo, e pronto, finalmente ele tem o barco para pescar, resumidamente. Quem se habilita?

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Mulher Xavante na TI Marãiwatsédé, MT (Imagem: Lilian Brandt)

Durante séculos os indígenas estiveram domesticando diversas espécies de plantas que hoje consumimos, como o milho, um dos grãos mais produzidos no mundo, e a mandioca, que os brasileiros tanto gostam. Estas plantas e tantas outras, como feijões, abóboras, carás e tomates, não eram encontradas na natureza como hoje as conhecemos. São o resultado de muito trabalho indígena.

Superando esse preconceito, vamos considerar que os indígenas também têm o direito de querer comprar coisas que compramos, e, portanto, precisam de dinheiro. Algumas etnias estão buscando meios de vida que integrem sua cultura a essa nova necessidade.

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Roça Xavante, Aldeia Ripá, TI Pimentel Barbosa, MT (Imagem: Maíra Ribeiro)

É o caso do povo Paumari, que vive no sudoeste do Amazonas e está sendo pioneiro no manejo de pirarucu. Há 5 anos eles fazem o manejo de 23 lagos, e no final de setembro de 2014 realizaram a pesca de 3.523 kg de pirarucu legalizados pelo Ibama. A iniciativa é apoiada pelo projeto Raízes do Purus, realizado pela OPAN – Operação Amazônia Nativa com o patrocínio da Petrobras.

Outro exemplo de geração de renda aliado à sustentabilidade e à cultura vem da etnia Kisêdjê, que habita a Terra Indígena Wawi, anexa ao Parque Indígena do Xingu. Desde 2011 a comunidade participa de um projeto para produção e comercialização de óleo de pequi. Em 2013 foram produzidos 170 litros do óleo na mini usina contruída na aldeia Ngohwêrê. O projeto conta com o apoio técnico do ISA – Instituto Socioambiental e financeiro e organizacional do Instituto Bacuri e do Grupo Rezek.

Mentira nº 9: Nossa sociedade é mais avançada, não temos nada para aprender com os índios

Todo mundo sabe que a cultura brasileira tem influência indígena. Com eles aprendemos diversas palavras, o respeito à natureza e o hábito de tomar banho todos os dias, certo? No entanto, para cada elogio existe um contraponto: “índio que fala português não é mais índio”, “antes índio era inocente, agora índio só pensa em dinheiro” e a pior frase de todas: “índio fede”.

Essa mentira é muito comum: “índio fede”. Não, o que fede é o preconceito. Índio tem cheiro de óleo de tucum, de urucum e jenipapo, tem cheiro de fogo feito em casa, de peixe assado, de suor de quem trabalha, de banho de rio, de sabonete e de perfume comprado em shopping.

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Dutra prepara raiz medicinal. TI Marãiwatsédé, MT (Imagem: Lilian Brandt)

Enchemos o peito para dizer que o Brasil é um país lindo, rico em minérios, com uma biodiversidade impressionante e com muita fartura de água. Mas seguimos exaurindo os nossos recursos naturais perseguindo um desejo de crescimento que parece nunca ter fim, como se os recursos naturais fossem infinitos. Mas saibam, recursos naturais chegam ao fim.

Estamos sacrificando nossa diversidade biológica e cultural para enriquecer ainda mais quem já é rico. E os índios, que são o símbolo maior de uma vida sustentável, que são os grandes conhecedores da biodiversidade brasileira, tão pouco conhecida pelos cientistas, estão sendo desprezados.

Enquanto se desmata incessantemente a Amazônia e o Cerrado, desaparecem espécies de plantas que poderiam ser utilizadas para tratar inúmeras doenças, conhecidas ou não. Enquanto se pratica o genocídio e se mantém os indígenas como reféns do “progresso”, infinitas possibilidades de conhecimento vão desaparecendo e os brasileiros não se dão conta.

Mas fora do Brasil, há quem esteja bem atento às nossas riquezas. Em 2013, quatro coreanos foram presos em Canarana (MT) por biopirataria no Parque Indígena do Xingu. Eles fizeram um acordo com os Kamaiurá, do Alto Xingu, e pagaram para obter 10 quilos de raízes e plantas usadas pelos índios para fins cosméticos. Os coreanos viviam nos Estados Unidos e um deles trabalhava para uma empresa de cosméticos. O acesso aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais, sua proteção e a repartição de benefícios associados é regido pela Medida Provisória nº 2186/16, de 23 de agosto 2001.

E não se trata apenas de conhecimentos da natureza, mas até mesmo de uma nova estrutura econômica e social, de um novo jeito de fazer política, de tomar decisões, de olhar para nós mesmos, para nossos semelhantes e para aqueles que são diferentes. Ninguém quer ouvir as contribuições que o pensamento indígena pode trazer.

O racismo é uma voz que sussurra ao ouvido dizendo que os índios são mais “atrasados” que a gente. Como se o “desenvolvimento” fosse uma linha única para toda a humanidade, como se nossa sociedade fosse um exemplo a ser seguido. Já que nós gostamos tanto de olhar para nosso umbigo, vejamos também o que o nosso “desenvolvimento” tem gerado: produção de lixo, contaminação e esgotamento de água, desigualdade social, violência e por aí vai…

Mentira nº 10: Os índios atrasam o desenvolvimento do País

Mesmo que no mundo todo cada vez mais aumente a preocupação ambiental, o Brasil continua com a mesma ideologia que balança no centro de nossa bandeira, nossa palavra de ordem é o progresso.

Um progresso desesperado, que não pode dar o tempo para fazer o estudo de impacto ambiental, que não pode analisar as possibilidades de redução de danos, um progresso que chega custe o que custar, e que agora, mais do que nunca, quer explorar os recursos das Terras Indígenas.

O principal aspecto a ser considerado é que os grandes donos do poder econômico (os setores bancário, armamentista, minerário, farmacêutico, da construção civil, do agronegócio etc.) possuem interesse em divulgar uma imagem negativa dos indígenas. As grandes corporações tomaram conta da arena política e querem a qualquer custo convencer a nação de que “é preciso crescer e os índios atrasam o desenvolvimento do País”. Na lógica deles é mais importante plantar soja para a China do que preservar as nascentes brasileiras.

O cenário que se apresenta hoje aos povos indígenas é pior do que o do índio que avistou Cabral em 1500. A partir de 2015, teremos o Congresso mais conservador desde 1964, e especialmente, mais anti-indígena. Foram eleitos 273 deputados federais e senadores considerados ruralistas, o que representa um aumento de 33% em relação à legislatura atual, que conta com 205 ruralistas. Várias investidas avarentas da bancada ruralista ganharão força, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, a PEC 237, o Projeto de Lei (PL) 1.610, o PL 227/2012 e a Portaria 303, de iniciativa da Advocacia Geral da União (AGU).

Estas iniciativas tratam de temas como demarcação de Terras Indígenas, posse indireta de Terras Indígenas a produtores rurais na forma de concessão e exploração e aproveitamento de recursos naturais em Terras Indígenas (minérios, recursos hídricos, florestais, etc.), independe de consulta às comunidades afetadas. Além de irem contra a legislação vigente e preceitos universais, elas são cruelmente orquestradas para que se perpetue no país o ódio aos indígenas.

Mas se engana quem pensa que os indígenas assistem a isso calados. Os últimos anos foram anos de luta. Em maio de 2014, povos indígenas de todo o país reuniram-se em Brasília para a Mobilização Nacional Indígena, com atos e manifestações contra os ataques aos seus direitos garantidos pela Constituição Federal. E seguem lutando diariamente.

Os indígenas têm o direito de viverem em seus territórios. Já temos no país muitas terras para a criação de gado e o plantio de monoculturas, concentrada nas mãos de poucas pessoas. Desenvolvimento é bom, mas de qualquer jeito, não. Não podemos admitir um desenvolvimento que desrespeite leis, culturas e provoque mais desigualdade social.

Os indígenas devem poder escolher se desejam se beneficiar do desenvolvimento e de que forma, ou se preferem nem se envolver. Mas eles não podem continuar sendo desrespeitados em nome do interesse econômico.

Não precisamos de um crescimento desrespeitoso, realizado sem estudos de impacto ambiental, social e cultural. Tampouco necessitamos da malícia de políticos e da mídia. Precisamos sim tirar a venda dos olhos e enxergar o índio realmente, pois são mentiras e preconceitos que atrasam a evolução humana.

O desenvolvimento deve ser bom para todos. A paz entre os povos, já prevista em nossa Constituição Federal, deve ir além da diplomacia e incluir os que vivem em solo pátrio.

Tenhamos amor!

*Lilian Brandt é antropóloga e colaboradora da AXA.

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Comentários

  1. André Postado em 05/Dec/2014 às 11:45

    Mandem esse texto pra Dilma, pra ver se ela aprende um pouco!

    • Camila Postado em 05/Dec/2014 às 16:22

      ta foda mesmo, mas colega, culpar a Dilma por tudo não dá!

    • mirkos Postado em 05/Dec/2014 às 21:45

      Buh!buh!buk!

    • David Postado em 07/Dec/2014 às 20:53

      Você tem que ler de novo, não a Dilma.

  2. Rodrigo Postado em 05/Dec/2014 às 12:48

    O que é ser civilizado? A maioria acha que ser civilizado é viver em filas de carros que jorram gases tóxicos na atmosfera, comer lixo industrial, engolir tudo o que a mídia fala que é bom e necessário. Indios em geral, são seres superiores dão valor à natureza e vivem em simbiose com ela.

    • Bruno Postado em 05/Dec/2014 às 16:41

      Perfeito!

    • Elizabeth Adorno Araujo D Postado em 13/Feb/2015 às 20:05

      Isso mesmo a Rodrigo, vivi dez anos na amazônia e concordo plenamente com você. Temos que aprender com os índios.

  3. Laura Postado em 05/Dec/2014 às 12:58

    Temos muito que aprender com os índios, povoado antigo, que já viviam aqui nessas terra bem antes que nós, povo vindo nos barcos, da Africa , da Asia e da Europa, a mais de quinhentos anos atrás. E aqui nos deixaram habitar.Gratidão. Eu quero ser índio. Muito amor e respeito.Respeite a Natureza, cuide das pessoas ao seu redor, salve as árvores e cuide dos animais. Plante uma semente. Somos uma só família.Orgulho de ser brasileiro, povo misturado.Verde e amarelo por inteiro.Paz entre os diferente povos.

  4. Guilhermo Postado em 05/Dec/2014 às 13:26

    Acho que se eu fosse um índio, iria tentar me inserir na sociedade tradicional, uma vez que, mesmo não sendo perfeita, proporciona maiores oportunidades para quase todos os aspectos da vida.

    • Bruno de Oliveira Postado em 06/Dec/2014 às 01:38

      Você diz isso porque valoriza as oportunidades que a sociedade em que nasceu oferece e quando coloca a sociedade indígena ao lado dela, ela lhe parece menos interessante. Contudo, basta inverter a situação para perceber o problema: pense que pro indígena as oportunidades do nosso mundo são tão pouco atrativas quanto nós consideramos as deles.

      • Guilhermo Postado em 06/Dec/2014 às 09:04

        Concordo parcialmente. Muitas das oportunidades do nosso mundo são atrativas aos indígenas. Tanto atividades triviais, como o uso das redes sociais, quanto algumas mais importantes, como a formação acadêmica, parecem ser bastante atrativas para ALGUNS indígenas. No entanto alguns realmente preferem viver da forma a que estão acostumados desde muito tempo. Respeito e aceito isso.

    • joao Luiz Postado em 15/Dec/2014 às 18:35

      Idiota e seu nome

  5. Zé Boé Postado em 05/Dec/2014 às 14:11

    Guilhermo. Qual "sociedade tradicional" ? Aquela onde milhões são excluídos por cor da pele, situação financeira, região geográfica? Boa sorte na sua inserção...

    • Guilhermo Postado em 06/Dec/2014 às 09:08

      Essa mesma, Zé! Nossa sociedade tradicional apresenta vários problemas, no entanto, me parece bastante atraente. Talvez eu pense isso porque já nasci inserido nessa sociedade tradicional ou talvez porque não me sinto excluído dessa mesma sociedade.

  6. Marcos Antonio Postado em 05/Dec/2014 às 15:39

    Peraí, não dá pra dizer que a população indígena cresceu só porque x% da população se autodeclara indígena. Essa declaração do IBGE é totalmente falha, pois mistura cor de pele, origem e etnia. Eu mesmo conheço pessoas que se autodeclaram indígenas pela origem genética, mas não têm nenhum resquício cultural específico.

  7. vilmar Postado em 05/Dec/2014 às 19:08

    grande parte dos brasileiros e tambem do mundo inteiro ainda não se deu conta do inicio da grande catastrofe jamais vista em toda a historia da humanidade, isso tudo vai ser causado por a ganancia, a maldade, o egoismo, tomar as terras aleias, como se o proximo não fosse ser vivo e humano se sentem superior, mas ao mesmo tempo não percebe que está destroindo o planeta que na verdade é a casa de todos nós, tanto dos humanos como dos outros animais. e os indios é atualmente são os humanos que tem a percepção do problema da destruição da nossa casa que chamamos de planeta terra. então eu falo: em vês de ficcar com ganancia tirando todas as chances de vida das futuras gerações, aprendam com os indios que vocês tanto falam que são os bestas, sendo na verdade os bestas são vocês que reduziram a vida útil no planeta em milhões de anos! as pessoas bem esclarecidas já sabem que temos apenas 100 anos de vida instável no futuro istes 100 anos podia ser milhões de anos se não fosse a ganancia de alguns que se acha o maximo e inferiorizando os outros sem se dar conta da grande cagada que está fazendo.

    • Bruno de Oliveira Postado em 06/Dec/2014 às 01:40

      Sem querer ser chato, mas darei um conselho: tente melhorar um pouco o texto, é muito difícil entender o que você diz. O português está muito ruim.

      • Rosângela Postado em 24/Jan/2015 às 08:44

        Bruno, se você realmente tivesse lido o texto com atenção, seguro teria entendido pois o texto é absolutamente claro, não é justo que você faça esse tipo de comentário, a autora merece respeito.

  8. Lucas Postado em 06/Dec/2014 às 07:51

    zzzZZZzzz

  9. Eduardo Postado em 08/Dec/2014 às 12:19

    Texto tipicamente escrito por quem vive a milhares de quilômetros da realidade. Em primeiro lugar, índios NÃO FORAM SISTEMATICAMENTE EXTERMINADOS. O que ocorreu aqui foi uma conquista de terreno igual a qualquer outra que existiu em outros lugares: hunos que invadem Europa, mongóis que invadem a Russia eslava, normandos que invadem a Inglaterra saxã. Essas coisas, boas ou ruins, fazem parte da história da humanidade, mas só aqui há esse mimimi ideológico, fruto do ópio marxista que escurece a mente dos intelectuais. Outra coisa: os índios tiveram seu número reduzido devido à miscigenação. Vá em qualquer cidade acima de Brasilia e você só verá pessoas com traços indígenas. Paraenses, amazonenses, cearenses, maranhenses, etc. E outra coisa que não entendo é porque essas pessoas, por exemplo, descem a lenha na Europa pré medieval, com seus bárbaros 'atrasados' e 'obscurantistas', e ao mesmo tempo exalta nas nuvens a cultura indígena, que se encontra num nível muito mais primitivo.

    • Anauá Postado em 08/Dec/2014 às 16:56

      Eduardo. Que medo hein? Você vive no mesmo planeta que nós? Já estudou história algum dia? Leu pelo menos esse texto? Leia só esse trecho: A antropóloga e demógrafa Marta Maria Azevedo estima que, na época da chegada dos europeus, a população indígena no Brasil era de 3 milhões de pessoas. Eram mais de 1.000 povos diferentes, que durante séculos foram exterminados pelos conquistadores, seja por suas armas de fogo, seja pelas doenças que eles trouxeram. De acordo com antropóloga, em 1957 havia no Brasil apenas 70 mil indígenas. O crescimento desta população é observado somente a partir da década de 1980.

    • Vitor Postado em 08/Dec/2014 às 21:13

      Eduardo, acho que vc está certo em não ver o índio com uma perspectiva romấntica. Afinal, eles são seres humanos, tanto ou mais q nós. Certamente q não foram sistematicamente exterminados, como os nazistas faziam com outras minorias, ou os espanhóis fizeram na América, e o texto tb não diz isso, nem mesmo sugere isso. Mas acho muito perigoso seu relativismo de valores, ao dizer q invasão é igual em qualquer parte e época. O problema q vejo é, justamente, na invasão. Eu não apoiaria o Brasil se ele estivesse entrando na Bolívia e metendo bala, escravizando etc. Fizemos a merda, o q aconteceu não tem volta, mas não devemos levá-la adiante. Vivemos em outro período e hj a tomada de terras dos indígenas é frontalmente incompatível com nossa percepção de civilização. Mais do q isso, covardia é covardia em qq época e lugar, é um tabu q trazemos ancestralmente, talvez percebido por qq cultura, e uma invasão fundada na covardia é sim motivo de vergonha. A questão da miscigenação tem q ser vista com muito cuidado. Da forma q vc coloca, dá a impressão de q os índios estavam loucos para deixar de ser índios. O q vasta documentação revela é q houve muita violência nesse processo de miscigenação, desde estupros, assassinato dos homens, escravização, até batismos para fugir de perseguição, migração por ter perdido sua aldeia, e tb, é claro, a integração voluntária pelo vislumbramento com a cultura portuguesa. Por fim, o primitivo. É mesmo difícil exaltar "índios" se els são tão diferentes. O fato é q, como o texto aponta, e pelo jeito vc no leu, continuamos ameaçando o parco território q eles habitam. Voltamos à questão da covardia: reprovo qq iniciativa de se invadir terras com tamanha covardia.

    • Fernando Cabano Postado em 10/Dec/2014 às 12:39

      Cara, tu és ridículo e a tua visão de realidade tá totalmente alienada, bem como teu conhecimento histórico, que além de descontextualizado é tendencioso e equivocado: "numero reduzido pela miscigenação"; "cultura indígena primitiva...mais do que os bárbaros...". Nunca li tanta burrice e ignorância num só texto. Procura conhecer tuas raízes depois "viaja" pra europa pré-medieval e leva teu preconceito e ignorância juntos.

    • Bruna Postado em 11/Feb/2015 às 16:49

      O que houve foi sim um EXTERMÍNIO, procure ler mais para ser informar e não ficar escrevendo comentários preconceituosos como este. Uma dica no natal desse peça um livros sobre a história do Brasil porque tá vergonhoso pra você, camarada!!

  10. Patricia Postado em 08/Dec/2014 às 14:21

    Informativo, gostei bastante. Eu mesma acreditava na mentira 5 e agora mudei um pouco minha concepção. Mas ainda acho que o índio tem privilégio perante o favelado que passa fome nas grandes cidades. O primeiro pode extrair da terra o alimento, não que isso seja fácil, mas o índio não morre de fome ou de desnutrição, o segundo fica dependendo da "sorte" de algum empregador e muitas vezes não tem com quem deixar as crianças, vive no esgoto, etc.

  11. Francisco Pontual Postado em 11/Dec/2014 às 04:24

    Lilian, Parabéns pelo seu excelente texto que mistura muito bem informação de primeira qualidade, pitadas poéticas, um dose necessária de sarcasmo construtivo, e vários outros elementos. Acho que vc proporcionou aos leitores uma síntese muito boa e um referência rápida para detalhes de grande importância. Muito obrigado por ter publicado esse material. Abs, Francisco Pontual - UC Berkeley

  12. Burzum Postado em 12/Dec/2014 às 12:17

    Sua ideia é tipicamente medieval Eduardo... o mínimo que vc tem que ter é respeito por esse povo que respeita a natureza...

  13. adriana Postado em 13/Dec/2014 às 13:47

    parabens maravilhoso

  14. Andressa Santos Postado em 08/Jan/2015 às 01:01

    Outra coisa que quase ninguém sabe: o Amapá é o único estado brasileiro que tem todas as áreas indígenas demarcadas.

  15. J. Batista Postado em 02/Feb/2015 às 22:49

    O novo continentes denominado Americas, não era habitado por humanos e foi usurpado da natureza por grupos humanos que imigraram atraves do estreito de Bering e conforme constatação recente de originarios da Polinesia, fugindo de intempéries, para não serem escravizados e ou exterminados e aqui continuaram belicistas.Os primitivos eram rudes e participavam de orgias e pedofilias conforme pinturas encontradas em cavernas.Tinham o costume de usarem o fogo para implantarem roças e como p. ex. os mayas pela força subjugaram outros grupos humanos, inclusive, com a chegada dos espanhois muitos subjugados foram libertos e festejaram com os espanhois.Alem, de ser comum sacrificios humanos aos deuses os mayas devastaram florestas para tratarem o caucario para construção das piramides.Os imigrantes de antes e pos colonização européia possibilitaram se avançar para benefícios sociais, intelectual e tecnologicos da espécie humana, que outrora era homogênea e havia se dispersado pelo planeta e se diversificado em várias características.A diversidade pelos grupos humanos criou rivalidades e sociedades em conflitos bélicos até escravagistas e isto não teria ocorrido em grande escala se a mesma tivesse se mantido a homogeneidade.Segundo estudos recentes se concluiu que o isolamento de formigas por um longo período provocou entre as mesmas mutações, isto explicaria a diversidade de características, anomalias e comportamentais de diversos humanos.

  16. Renata Almeida D Avila Postado em 11/Feb/2015 às 16:41

    Lilian, eu mesma jamais conseguiria expressar tão bem o que penso sobre o assunto... Obrigada!

  17. pawanã Postado em 15/Feb/2015 às 14:36

    funai e sesai estar acabando com os povos indígenas. kariri-xocó do estado de alagoas é vitimá disso. podem vir ver isso de perto. cabine de empregos para uma boa vida. mais muito bom também para destruição de uma cultura linda que nós tinha.

  18. Sergio Carneiro Postado em 19/Jul/2015 às 20:50

    A primeira grande mentira é que nossos índios respeitam a natureza. Nossos índios são nômades, ou seja, exploram os recursos de uma determinada região e quando estes ficam ficam escassos locomovem-se a procura de outras. Eis o motivo de não terem residências permanentes - a taba é construída de madeira e coberta de palha - e a necessidades de grande áreas. Outra grande farsa é que nossos nativos são bons e viviam em harmonia com as outras tribos. A história nos conta que as tribos guerreavam entres si por territórios melhores, comiam seus adversários mais corajosos com intenção de ganharem sua força e bravura, as mulheres da tribo subjugada eram transformadas em escrava - muitas vezes sexuais - pelos índios conquistadores, crianças com alguma deficiência - geralmente meninos - eram enterrados vivos e faziam isso porque sabiam que no futuro eles não seriam bons caçadores ou guerreiros. A autora do texto, assim como também muitos brasileiros, idealizam nossos índios influenciados pelos autores romancistas indianistas como: José de Alencar, Araujo Porto, Gonçalves Dias entre outros. Esquecem-se que o heroico Peri e a virtuosa Iracema e I-Juca-Pirama são personagens fictícios de um romance de criação de heróis nacionais.Quem acredita que nossos índios são um povo simples, bom, protetor da natureza e heroico teve crer que Batmam e o Cap.America também existem.