Redação Pragmatismo
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Racismo não 06/Nov/2014 às 12:23
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Professor racista é afastado e desembargador aciona o MPF

Reitor afirma que as declarações do docente causam perplexidade e constrangimento. Desembargador aciona Ministério Público Federal contra o professor acusado de racismo

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O professor Manoel Luiz Malaguti (reprodução)

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta quarta-feira (5) o reitor da Ufes, Reinaldo Centoducatte, disse que as declarações do professor causam perplexidade e constrangimento. Ele salientou que a universidade não compactua com as declarações dadas pelo professor Manoel Luiz Malaguti.

Entenda o caso: Professor universitário debocha de negros e cotistas em sala de aula

A reitoria da Ufes decidiu afastar o professor das aulas do segundo periodo de Ciências Sociais, turma em que ele deu as declarações. Já o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da universidade recomendou que Malaguti seja afastado de todas as atividades que realiza.

Em nota, a Ufes informou que a denúncia feita pelos estudantes foi recebida pela Ouvidoria e que caso seja comprovada, a reitoria abrirá um inquérito administrativo. “A Ufes destaca que repudia todo e qualquer ato ou manifestação preconceituosa em seus campi, e afirma que desenvolve políticas afirmativas de assistência estudantil que reforçam seu compromisso com o exercício pleno da cidadania a todos os estudantes, a democratização das condições para o acesso e permanência dos alunos nos cursos de graduação, a defesa da justiça social e a eliminação de todas as formas de discriminação”, diz um trecho da nota.

Protesto

Cerca de 300 estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) protestaram contra o racismo na tarde desta quarta-feira (05). O ato foi marcado pelas redes sociais, após denuncias de preconceito racial que partiram de um professor do curso de Ciências Econômicas dentro da sala de aula.

No protesto, os manifestantes exibiam cartazes pedindo que o professor fosse retirado do quadro de docentes da universidade. Os estudantes atravessaram o campus de Goiabeiras, passando pela Reitoria e pelo Departamento de Ciências Econômicas. Em seguida, os manifestaram se concentraram em uma das vias da Avenida Fernando Ferrari, em frente à Ufes, bloqueando o trânsito no sentido bairro-Centro.

Desembargador aciona MPF

O desembargador do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), Willian Silva ofereceu representação criminal no Ministério Público Federal (MPF) contra o professor Manoel Luiz Malaguti, acusado por alunos de ter adotado um discurso discriminatório em sala de aula. O magistrado, que é negro, disse que se sentiu ofendido pelas declarações do professor.

De acordo com informações do TJES, o desembargador fundamentou a denúncia com base nas notícias veiculadas na imprensa após a ampla repercussão do episódio nas redes sociais. Consta nas reportagens que o professor teria externado posicionamento contrário ao sistema de cotas implantado na Ufes e questionou o “nível de cultura” dos profissionais negros.

Na representação, o desembargador afirma que o sistema de cotas é previsto em lei federal até mesmo no serviço público. Para Willian Silva, não existe problemas em posicionar-se contra as cotas desde que sejam respeitados os alunos contemplados. “Ocorre que, afastando-se das críticas pessoais construtivas que se espera de um professor – e que, nessa condição, deveriam inclusive ser respeitadas -, o representado adotou discurso evidentemente preconceituoso em relação aos alunos negros, destacando a necessidade de utilizar linguagem mais acessível e baixar o nível do ensino para que tais discentes pudessem acompanhar suas aulas”, afirmou

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Comentários

  1. Ana Postado em 06/Nov/2014 às 13:23

    Que tal não só olhar para o curriculum do docente? Que tal exigir testes psicológicos para saber ser esse "ser" pode estar trabalhando junto as pessoas? Enquanto as pessoas não aprenderem que as Leis, Direitos e Deveres, devem ser igual para todos e que o Estado tem a obrigação de proporcionar essa igualdade de condições, para que todos possam se desenvolver em pé de igualdade e justiça social, teremos muitos dissabores.

    • Maria de Lourdes ferreira Postado em 07/Nov/2014 às 23:28

      Ele é preconceituoso, não doente!

  2. Rogerio Postado em 06/Nov/2014 às 13:26

    Docente e doente.

  3. Divina Postado em 06/Nov/2014 às 13:33

    Se não fosse em respeito à Constituição Federal,eu diria que um Indivíduo desses,deveria no mínimo,ser afastado temporariamente do contato social,não apenas da universidade...e mais:Como é que até agora, não se percebeu essas características ,essas idéias racistas e ultrapassadas ou a Universidade estaria de alguma forma,sendo protetora ou conivente com ele??

  4. Ana Maria de Oliveira Postado em 06/Nov/2014 às 15:00

    Tenho uma filha negra, linda, que estuda Dereito na UFJF pelo sistema de cota. Errado quem pensa que eles são ruins de serviç, só está la porque sempre mandou bem nos estudos. Esse professor é preconceituoso sim, deve estar fora do quadro efetivo da UFES, não combina esse atraso de pensamento aqui no Brasil.

  5. Eduardo Postado em 06/Nov/2014 às 16:15

    Agora eu entendo porue nunca passava na entrevista do MEstrado da Ufes !!! srsrsrsrsr !!! BAixar o nivel da Universidade é um exagero. Isso é graduacao nao é Doutorado. Acho que todos que tivessem a vontade de estudar deveiram ter acesso ao ensino superior. Sou e sempre fui a favor da cota. O Sistema no basil é muito cruel

  6. Leici Postado em 06/Nov/2014 às 16:38

    Que coisa. Esse professor tem doutorado. Estudou tanto e não aprendeu o básico, a respeitar as pessoas?

  7. Cassia Pereira Postado em 06/Nov/2014 às 17:00

    Não sou a favor de cotas, acho que todos devem competir de igual pra igual, conquistar uma vaga na universidade não porque são negros, índios, amarelos, etc. mas sim pela capacidade intelectual de cada um, esta questão beneficia uns e prejudica outros. Mas se eh lei, temos que respeitar. Mas tal como eu sou contra este sistema das cotas, também abomino a discriminação e o racismo, é no minimo constrangedor ver um professor universitário chegar a este nível. Merece todo tipo de punição prevista na lei.

    • Joana Postado em 06/Nov/2014 às 21:53

      O problema é que sem as cotas, não temos essa "competição de igual para igual", ou alguém vindo de escola pública terá como competir com uma pessoa que estudou com os melhores cursinhos e aulas particulares? A competição só será justa e de igual pára igual se todos estudarem nas mesmas escolas.

    • Ivana Postado em 06/Nov/2014 às 22:16

      Cassia, discordo de você a respeito do sistema de cotas. Sim, com certeza seria muito melhor que todos pudessem conquistar uma vaga por sua capacidade, mas infelizmente a história mostra o quanto não foi permitido aos discriminados a oportunidade de adquirir tal capacidade. Me alegro muito em ver que nosso País está hoje dando os primeiros passos rumo a essa capacitação para que um dia lá na frente os filhos e netos desses discriminados possam concorrer de igual para igual. Não se esqueça que o ensino fundamental público que vem sendo oferecido aos pobres é muito precário, e se o negro hoje representa, de certa forma, uma grande parcela da pobreza, talvez seja porque quando nossa escola pública era "melhor", lá pela primeira metade do século 20, não era permitido a eles frequentá-las!!! Eles precisam sim, desse apoio, para que possam começar do zero e oferecer aos seus descendentes oportunidade de igualdade. A nós "brancos", cabe sermos mais humanos e estender a mão àqueles que tiveram, menos, muito menos oportunidades, e tentarmos com isso alcançar uma sociedade mais justa e harmônica.

    • ricardonick Postado em 07/Nov/2014 às 00:15

      Seu argunento para ser contra cotas é o mesmo do pior tipo de meritocratas: achar que merito é hereditário.

    • [email protected] Postado em 07/Nov/2014 às 08:14

      Por isso que a direita não aceita perder a eleição para Dilma. Não concordam como nunca concordaram educar nosso povo e oferecer-lhe as condições para sairem da pobreza. Você pode pensar como quiser, mas desde quando um estudante de rede privada concorre em igualdade de condições com os demais ? Isso se chama hipocrisia.

    • Barreto Postado em 07/Nov/2014 às 11:30

      No Brasil, infelizmente tudo está errado. Não há união das classes sociais, isso acarreta em uma sociedade onde cada um olha para o seu humbígo. Se todas as classes sociais, de mãos dadas combatesse a corrupção, com certeza iria sobrar recursos e esses recursos aplicados em educação ia acarretar em oportunidades para todos, mas isso infelizmente é uma utopia falando em Brasil. Somos desunidos e não amamos uns aos outros. Prova disso são os países escandinavos..eles sabem a importância da erradicação da pobreza e todos terem oportunidades, um pais sólido. Ja no Brasil o que prevalece é a lei de Gerson, todos querendo se dar bem sem pensar no próximo.

      • Rosali de Rosa Cantlin Postado em 19/Feb/2016 às 23:32

        e o partido político cujo cujos presidentes estão tentando corrigir essadistorção está sendo perseguido desde então. Porque a classe privilegiada não quer se misturar com a classe operária. Para manter os stsqus quo estão tentando dar o golpe há 13 anos. E parece que não têm intenção de parar. Não aceitam igualdade de condições para todos os brasileiros. querem continuar se achando melhores que os outros. Triste...

    • Marcos Postado em 08/Nov/2014 às 23:25

      O sistema de cotas sempre existiu. Principalmente após o sistema de capitanias hereditárias, com a diferença de que eram cotas para os ricos e bem nascidos. Terras e riquezas foram distribuídas e mesmo roubadas para e por uma elite que enriqueceu mais ainda com o trabalho escravo. O sistema de cotas hoje não vai ressarcir o que foi roubado da população que descende dos negros nesses séculos todos. É apenas uma política afirmativa que tem o efeito quase psicológico de pedir desculpas históricas aos que de fato trabalharam para construir esse país fundado na injustiça e na iniquidade. Não conheço nenhum meritocrata que não tenha tido pelo menos um favorecimentozinho qualquer que o catapultou para a posição de crítico do mérito dos outros...

  8. josé antonio cid peres Postado em 06/Nov/2014 às 17:26

    Demissão por justa causa e, processo por discriminação racial.

  9. Thiago Teixeira Postado em 06/Nov/2014 às 19:15

    Fiquei chocado com as declarações desse cara. E pior, 99,97% da elite branca pensa igual a ele mas disfarçam seus sentimentos de nojo e desprezo pela raça negra. Hipócritas.

    • eu daqui Postado em 07/Nov/2014 às 10:02

      Não sei se me enquadro em seu conceito de "elite", mas não consigo disfarçar nada e nem quero. Quando demonstro é pq sinto: tanto em termos de nojo como em termos de admiração. Não podemos esquecer também que hipocrisia é moeda corrente na militancia negra: a maioria é movida muito mais por interesses políticos do que por preocupações sociais. Quanto ao nojo e desprezo dos outros: quanto menos vc precisa dos outros menos os sentimentos deles te atingem. Olhe aí a independencia fazendo milagres de novo.

    • Luiz Souza Postado em 10/Nov/2014 às 05:45

      Acho que o que escreveste não dá margem a distorções, Thiago. Limpo e coeso. Mas o racista sempre encontra um meio de ressignificar o óbvio. O hipócrita agora é o militante preto! Afinal, o branco nunca agiu com interesse político, mas tão somente com sua intrínseca bondade. KKKKKK... Ou melhor: KKK!

      • eu daqui Postado em 10/Nov/2014 às 11:55

        Não se pode apontar a hipocrisia do outro lado quando do seu lado a maior hipocrisia é a de quem o lidera.

  10. victor Postado em 06/Nov/2014 às 19:28

    Que professor ein... pqp!

  11. francisco moreno Postado em 06/Nov/2014 às 20:10

    quantos alunos sera que foram reprovados por esse "professor" .. por causa da cor ou de outros critérios preconceituosos.........durante o tempo em que ele se disfarça de mestre.....

  12. Patrícia Venâncio Postado em 06/Nov/2014 às 22:13

    Sou a favor das cotas sim, pois, é através das cotas que os negros discriminados por racismo no Brasil estão podendo ter mais acesso principalmente as faculdades públicas, que antes não se tinha, porque tinha que competir com pessoas que tem um maior acesso as escolas particulares, filhinhos de papai que não precisam trabalhar e só estudam! Competir com pessoas assim se tornavam mais difícil a entrada em uma faculdade, pois antes das cotas,de 30 alunos brancos em uma sala de aula 2 eram negos essa, erra uma realidade e hoje já podemos ver que essa disparidade não existe mais, o que era uma vergonha...........

  13. Itajaci Postado em 06/Nov/2014 às 22:28

    Infelizmente há pessoas muito perversas. Somos todos negros, somos miscigenados. Qual o problema da cor da pele? azul, branca, amarela, vermelha... o que me deprime é saber que boa parcela do povo brasileiro é racista, é corrupto por natureza, e os valores são nojentos.

  14. Deisi Postado em 06/Nov/2014 às 23:12

    Verdade Thiago, educação e respeito pelas pessoas independe de títulos e anos de estudos vem de berço. Muitos brancos pensam exatamente como esse ser desprezível, quando meu esposo estava internado no hospital em Blumenau tinha um senhor no mesmo quarto, que teve a cara de pau de falar que ele não via racismo no brasil. Eu respondi é porque o senhor e branco e mora num estado onde a maioria é de brancos, motivo para não perceber tal fato. Quando veio com a história das cotas, perdi a paciência, mudei de assunto. As declarações vindo de um professor de Ciências Sociais é de causar muita indignação. Infelizmente esse professor não é exceção muitos pensam igual, talvez esse seja o maior motivo de tantos jovens que tem esse tipo de orientador se transformarem em pessoas cheias de preconceitos.

  15. Marcelo Postado em 07/Nov/2014 às 01:02

    O fato é que o povo da Casa Grande não aceita o povo da senzala estudar e frequentar os mesmos espaços. São fascistas. Se esse sujeito se acha branco, deveria estudar ainda mais, pois nesse quesito ele não passa de um grande ignorante. No Brasil não tem branco. Só a Xuxa.

  16. Rosali Cantlin Postado em 07/Nov/2014 às 05:18

    o professor tem um racismo TÃO ENRAIGADO que ele próprio não percebe. Tanto que repetiu, em entrevista, os disparates que tinha falado durante a aula. Ele fala, com a maior naturalidade, tamanha a certeza que tem (em seu cérebro deturpado por gerações) de que as coisas que diz não sensatas e acima de qualquer suspeita. Isso é o que poderíamos chamar de racismo endêmico,

  17. Zé Roéla Postado em 07/Nov/2014 às 07:53

    Será que este bosta estudou biologia, onde está a diferença. Mas este é o pensamento da elite fedida e corrupta desta província atrasada.

  18. juscyer Postado em 07/Nov/2014 às 12:10

    Bom lembrar, talvez o professor tenha se expressado mau não acredito que ele tenha tido preconceituoso, na verdade infelizmente sua declaração foi pronunciada de forma arbitraria de um ponto de vista estatístico e partindo de sua realidade acadêmica. Não se deu conta no curso da história em que vivemos, pois existe um inflamado discurso de luta e conquistas dos povos afro descendente. hoje tem que se pensar muito em qualquer declaração sobre negros, índios, prostituta e relações homossexuais que possa ter uma interpretação preconceituosa embora não se tenha a intenção. Muito cuidado!

  19. Luiz Souza Postado em 10/Nov/2014 às 06:12

    Eu entendi muito bem o que o professor quis dizer. O cerne da questão é que ele é muito racista para expô-la de forma racional e ter a opinião levada em conta. É um parvo de quatro costados. Sabemos que há características culturais no seio de boa parte das famílias negras - incluindo a minha - que são diferentes dos ideais ocidentais, o que de forma alguma é "falta duma socialização primária". Mas o cara é hidrófobo e incapaz de comunicar-se de forma racional e razoável. Só que nós fomos inseridos nessa sociedade e temos direito às mesmas coisas que o branco, que moldou essa sociedade a seu modo, tem. E a forma que os negros tem ou não se adaptado aos ideais puritanos e à educação escrita ao longo dos tempos para a obtenção de tais coisas não é algo da competência do tolo docente, que prova não ter competências para problematizar questão tão complexa.