Redação Pragmatismo
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EUA 21/Nov/2014 às 19:20
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Os invisíveis da 'maior democracia' do planeta

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Alexander Keyssar, autor do livro O direito de voto: A controversa história da democracia nos Estados Unidos (Imagem: Pragmatismo Político)

A história da democracia estadunidense não é a história das coisas melhorando com o passar do tempo”. A afirmação é de Alexander Keyssar, professor da Universidade de Harvard que veio ao Brasil lançar seu livro O direito de voto: a controversa história da democracia nos Estados Unidos.

A imagem hegemônica é de que as restrições ficaram para trás: de início, o direito de voto era restrito a proprietários; depois, os negros não eram sujeitos de direitos democráticos; mulheres, antigamente, não podiam votar. Tudo isso passou? De acordo com Alexander, “essa história, na verdade, tem altos e baixos. Há expansões dos direitos democráticos e há contrações”, afirma.

O período atual, ainda segundo o professor, é de uma nova onda de encolhimento do direito de voto nos Estados Unidos. Como se dá esse encolhimento? Mais comumente da seguinte maneira: os estados exigem um documento com foto para votar num país que não oferece documentos nacionais. Os modelos mais frequentes de documento com foto norte-americanos são a carteira de motorista e o passaporte.

E quem não tem carteira de motorista ou passaporte? Aqueles sem dinheiro para viajar ou comprar um carro, pode-se sugerir. Em geral sim, responde Keyssar, são as pessoas mais pobres mas também as mais idosas ou mais jovens. No Texas, por exemplo, há 600 mil não-eleitores em função disso.

Você até pode arrumar um documento válido que não seja uma carteira de habilitação. Mas eles, também, não precisam facilitar para você. No Texas, por exemplo, há um escritório por região. Para conseguir o documento, no entanto, é necessário apresentar todo tipo de documentação sobre onde você vive, até sua certidão de nascimento”.

Os motivos das restrições são partidários, reconhece Keyssar. E fazem parte da estratégia dos republicanos para as eleições. “Mas tem a ver mais com a classe do que com a raça dos eleitores”, afirma apesar de que 95 a 96% do eleitorado negro norte-americano, segundo ele próprio, vote nos democratas.

A crescente desigualdade norte-americana combina também com a expansão da margem de ação das corporações nas eleições. Em 2010, após a imensa mobilização de base para captação de recursos da campanha de Barack Obama, a Suprema Corte sepultou o Ato Tillman. Promulgado em 1907, o ato proibia financiamento de campanha por corporações tendo em vista os desníveis inseparáveis de uma economia capitalista.

André Cristi, Carta Maior

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Comentários

  1. Rocken Postado em 21/Nov/2014 às 21:15

    la existem algumas coisas em comum com o Brasil, quase o mundo inteiro sabendo que os democratas são melhores, mas os republicanos ainda conseguem votos entre os conservadores moralistas, e estes ainda devem falar, "malditos negros elegendo a esquerda", aqui é é "malditos nordestinos elegendo os BANDIDOOOO!!!!! MENSALÃO!!!! GUERRILHEIRO!!!! BOLSA FAMILIA!!!! VOLTA PRA CUBA!!!O PT TIRA TODOS OS DIREITOS!!!!!"

  2. Rodrigo Postado em 22/Nov/2014 às 17:27

    Democracia... um sonho antigo, respeito a decisão unânime também é um sonho antigo. Na verdade muitos não respeitam o direito dos outros e surgem comentários como este acima, de gente recalcada.

  3. Eduardo Postado em 22/Nov/2014 às 22:33

    mimimimimimimimimimi tem em todo lugar, e o que ele fala não tem recalque nenhum é uma verdade, e no texto "a maior democracia do mundo", e segregacionista.... ou seja.... se não tem um orgão federal que emite o documento tipo Carteira de Identidade, como exigir documento com foto do cidadão, e tem mais o voto facultativo é uma forma de colocar de lado os que mais precisam do governo, os que são alijados da riqueza e das oportunidades. Para mim Democracia não é sonho coisa nenhuma, elegemos em dois turnos, para que o eleito seja verdadeiramente dono da maioria dos votos válidos..... válidos entenderam, votos de quem teve o trabalho de pensar antes de confirmar sua escolha.... e me dou o direito de definir Democracia como o regime onde uns votam e outros elegem..... ou seja votar não é a mesma coisa que eleger.