Redação Pragmatismo
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Educação 27/Nov/2014 às 18:40
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O jovem que acertou 95% do ENEM

“Sempre ouvi falar da dificuldade que é o Enem e tinha medo. Mas quando vi, sinceramente, achei muito fácil. Quando corrigi pelo gabarito, não fiquei assustado, apenas lamentei pelas oito (questões erradas)”, diz com a simplicidade de quem dormia em média quatro horas por dia para garantir o bom desempenho.

Joao vitor ceara estudante enem
João Vitor Claudiano dos Santos, aluno de escola pública do Ceará

Ver João Vitor falar sobre a recente conquista é assistir à luta entre a timidez do garoto mais acostumado aos livros do que a grandes conversas e o orgulho de quem está vendo o esforço recompensado. O número da vitória é de impressionar: João Vitor acertou 172 questões das 180 que compõem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O equivalente a 95,5% de acertos. Mas João Vitor Claudiano dos Santos, 16, aluno do 2º ano da Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra, ainda não consegue mensurar o significado do feito.

O menino agora espera o resultado oficial, que deve sair em janeiro de 2015, mas, em um comparativo, João Vitor ultrapassou os 164 acertos da estudante mineira Mariana Drummond, que conquistou o primeiro lugar no Enem 2013. A nota final ainda depende do desempenho na Redação, que João acredita ter sido a mais difícil das avaliações.

Sempre ouvi falar da dificuldade que é o Enem e tinha medo. Mas quando vi, sinceramente, achei muito fácil. Quando corrigi pelo gabarito, não fiquei assustado, apenas lamentei pelas oito (questões erradas)”, diz com a simplicidade de quem dormia em média quatro horas por dia para garantir o bom desempenho, que ele credita também ao apoio recebido dos professores.

A ficha da biblioteca, lugar preferido de João, já vai na segunda folha e ultrapassa os 40 livros. A leitura assídua é o segredo dele. “O que tem de cansativo no Enem são os textos grandes. Então, minha estratégia foi me adaptar à leitura, ler livros grandes, alguns com linguagem rebuscada”.

João, cujo maior orgulho é ter estudado a vida toda em escola pública, ainda não sabe se irá cursar o 3º ano, mas quer fazer Ciências Biológicas e sonha em viajar para o Reino Unido pelo Ciência Sem Fronteiras. Aos 16 anos, ele tem muito bem traçados os planos da vida. “Sempre me vejo fazendo especialização em bioquímica e biologia molecular. Quero ser pesquisador e estudar o resto da vida”.

Criado pela mãe, a aposentada Ana Maria Santos, morador do bairro Vila União, quarto de cinco irmãos, João será o primeiro da família a ingressar no ensino superior. Os estudos foram, para ele, a forma de transformar o próprio destino. “Sou um garoto que não conheceu o pai, que sempre sofreu bullying por ser nerd, por causa do cabelo, do sapato, da magreza. O estudo não combateu minha timidez, mas me ajudou a ser feliz”.

Domitila Andrade, O Povo

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Comentários

  1. Leici Postado em 27/Nov/2014 às 21:35

    Parabéns ao João Vitor! É uma bela escolha Biologia (sou bióloga então sou suspeita para falar hehe).

    • Rogério Postado em 29/Nov/2014 às 12:35

      É pobre. É nordestino. Não é branco. E ainda querem que a elite não surte de inveja? Esse é o motivo de odiarem Lula/Dilma/Haddad/PT...

      • Leici Postado em 29/Nov/2014 às 23:52

        Vão ter que se acostumar com essa mudança. Ninguém é predestinado a nascer e continuar pobre, sem ir pra faculdade e trabalhando em empregos que pagam pouco.

      • Renan Postado em 01/Dec/2014 às 11:10

        Rogério e Leici, eu que me surpreendo com comentários que aplaudem algo que "azelites" apoiam: Meritocracia, até mesmo por dizer que ninguém é predestinado a virar pobre, você tem razão, e as esquerdas querem dizer o contrário: que o sistema que as elites criam predestina as pessoas a continuarem na merda, eu aplaudo o João Vitor porque mostra o contrário. Excelente nota do rapaz, só mostra que por ser negro e pobre não inferior se tem força de vontade, logo destrói todos os argumentos cotistas que provavelmente vocês dois apoiam. Não sou eugenista como os cotistas e acho que sim qualquer negro e pobre pode com suas próprias mãos crescer porque não são inferiores, pelo contrário, é só se espelhar no João Vitor. Ele provavelmente contrariou nosso sistema de ensino que limita o aluno a leituras das cartilhas fundamentais de doutrina básica do MEC e como disse foi ler vários e inúmeros livros, ou seja, se você não luta contra o status quo que o governo impõe, então você realmente está predestinado a não crescer, mas aí a culpa não é do governo, é dos burgueses.

      • Eduardo Postado em 01/Dec/2014 às 21:16

        vamos tentar esquecer essas babaquices de quem não sabe perder.... e para aprender perdem sempre....

      • mani Postado em 28/Dec/2014 às 23:43

        É isso aí. Belo exemplo de um menino que tem determinação de ser alguém na vida.

  2. eu daqui Postado em 28/Nov/2014 às 15:12

    De escola pública o cara, hein? Que beleza: mais uma prova de que mérito também existe. Não só oportunidade.

  3. Thiago Teixeira Postado em 29/Nov/2014 às 11:53

    Grande Vitor!!!! Sucesso cara. Assim como eu quero ver outros de cabelo pixaim pegando o diploma na frente da playboyzada e da família deles.

    • eu daqui Postado em 11/Feb/2015 às 11:04

      Ele tem cabelo de anjo. Deixe de ser despeitado.

  4. Rodolfo Postado em 30/Nov/2014 às 14:14

    ISSO é a verdadeira e mais pura meritocracia. Parabéns! Dou valor!

  5. Salomon Postado em 01/Dec/2014 às 09:56

    Isso aí sempre existiu. Basta ler o livro "Um estudo sobre a magistratura no Brasil", de 1992 e ver o gráfico dos juízes federais da 1ª Região. Mais da metade dos magistrados é oriunda da classe menos favorecida do norte e do nordeste. Com a ajuda do governo, criando oportunidades e condições de estudo, dá para chegar aos 90%. Se essa turma de excluídos tiver "mais oportunidade" ou "oportunidade igual" às oportunidades dos mais ricos, de estudo, de saúde, de alimentação, de boas escolas, aí é que a zelite vai tremer de inveja. Haverá choro e ranger de dentes. A bandeira do governo progressista é a da igualdade de oportunidades. Daí os programas de assistências. Aí é que reside o "medo" da zelite. Mais bolsa isso e mais bolsa daquilo outro, para igualar as oportunidades. Em breve tempo o topo da pirâmide terá que disputar vagas de emprego com a base da pirâmide. Aí é que vai prevalecer a meritocracia. Quem disputa uma corrida com uma ferrari não pode agitar a bandeira da meritocracia contra quem correu num fusca. Dê uma ferrari ao dono do fusca, aí vamos falar de meritocracia.

    • Renan Postado em 01/Dec/2014 às 14:50

      Salomon, você se equivoca em fato, como todos os estadistas, você aliena a conquista individual ao mérito do estado. O próprio garoto falou que ia a biblioteca ler inúmeros livros, isso é esforço próprio e não do governo. Qual é o esforço que o governo faz? colocar cartilhas de autores como Mario Schimdt, que não tem diploma e disse que o que importa é obra (Mas não é o diploma que importa? não. na verdade o que importa é o que seguir as diretrizes esquerdistas, então como as obras são "boas" para a esquerda, você não vê nenhum esquerdista protestar dizendo que não possui autoridade intelectual para se dizer primeiro, historiador, e segundo para que suas obras possam ser veiculadas e entregues nas escolas, o que é pior.) e que está recheado de ideologia de esquerda, omitindo fatos, usando fontes desonestas, verdadeiramente doutrinando. Esse cara fugiu do senso comum e foi buscar outros meios de estudar e principalmente exercitar a leitura (nunca tivemos uma geração tão analfabeta - tanto por não saber escrever direito quanto funcional - quanto temos hoje), então meu filho, o governo não deu uma ferrari ao cara, ele pode até conseguir fazer intercâmbio por meio do ciências sem fronteiras, mas o mérito da nota é dele, logo o mérito de se encaixar no programa é dele também, ele foi lá e buscou a própria ferrari, respeite a luta desse jovem, por favor. Somos indivíduos e não classes, e esse pensamento classicista de dividir e tirar o mérito individual para dar a classe e principalmente ao governo que supostamente apoia esta classe (o que não é verdade) é desumanizante.

  6. Deisi Postado em 01/Dec/2014 às 13:46

    Perfeito seu comentário Salomon, assino embaixo!

  7. Marcos Vinícius Postado em 01/Dec/2014 às 15:51

    Ele é uma exceção, meu caro. Meritocracia por si só é uma GRANDE FALÁCIA!

  8. Andre CdE Postado em 02/Dec/2014 às 05:49

    Agora vem os baba ovo do governo falar que é mérito do governo o sucesso do rapaz... Vcs deviam ter vergonha de falar tanta asneira. O rapaz correu atrás sozinho. Se fosse depender de políticas públicas educacionais, ele seria só mais um analfabeto funcional. Somente isso.

    • Thiago Teixeira Postado em 02/Dec/2014 às 21:31

      Igual a você.

    • Salomon Postado em 04/Dec/2014 às 11:20

      André e Renan, se o meu comentário causou tanta fúria em vocês é porque vocês mereceram. Entretanto, leram mas não entenderam nada. Logo, analfabetos funcionais. Sigam o exemplo desse jovem, aprendam a ler.

      • eu daqui Postado em 11/Feb/2015 às 11:07

        As diferenças individuias existem inclusive a nivel de mérito e este, por sua vez, interfere dentro de sua cota no sucesso pessoal. Mas não podemos deixar a desigualdade de oportunidades e condições se perpetuar: é o principal pilar da injustiça social.

  9. Rodrigo Postado em 02/Dec/2014 às 12:06

    (Outro Rodrigo) Meus mais sinceros parabéns a esse rapaz, digno, com extrema força de vontade, que superou as limitações que a vida nos apresenta. É uma lição de vida não apenas para os estudantes, mas para qualquer um de nós - pensemos em qual é a nossa dificuldade, o que nos atrasa a vida e percebamos se, em verdade, a limitação não é reforçada pela nossa forma de agir, de pensar. Que ele alcance os degraus mais altos, pois merece. Estou muito orgulhoso do rapaz e da mãe dele que, salvo engano, em outra entrevista contou do esforço dela para que o filho tivesse um sapato e não ficasse descalço.

  10. Paulo Postado em 02/Dec/2014 às 12:26

    Toda regra tem suas exceções. O capitalismo produz regras que moldam a estrutura social. As regras e as estruturas se reproduzem geração após geração. Vai me dizer que todo o resto das famílias de tantos outros Joões por aí não chegaram ao ensino superior ou não enriqueceram por que não quiseram ou não tiveram méritos? Eu digo que não. É preciso vontade política para alterar, reorganizar e reestruturar as sociedades. Torna-las mais homogêneas. Democracia é homogeneidade social. Parabéns ao João Vitor, que conseguiu quebrar essas regras invisíveis!! Mas é preciso fazer mais para que mais Joões possam chegar mais longe.

  11. sergio ribeiro Postado em 02/Dec/2014 às 19:00

    O rapaz merece todo aplauso pelo esforço e dedicação, mas se não houver apoio, seja de governo ou de outras instituições, ele será uma exceção, ou seja, um aluno oriundo de classes baixas estudando junto com vários de classe alta. O apoio que digo é para que vários como ele possam ter maiores oportunidades não somente com cotas, mas com uma melhora geral da educação em todos os níveis. Desta forma não teremos apenas jovens universitários, mas mais vários profissionais qualificados para desenvolver o país.

  12. Felipe P Postado em 28/Dec/2014 às 23:07

    Parabéns pela conquista. Senti, ao ler a pauta, prepotência ao falar de uma prova objetiva. Com aquele tempo reduzido, ele não fez, certamente, a prova inteira com a devida atenção. É o que digo: provas com esse método não avaliam com precisão. Elas requerem uma gigantesca parcela de sorte. Um pouco mais de humildade, mano.