Redação Pragmatismo
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Racismo não 11/Nov/2014 às 13:26
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O dia a dia das jovens negras nos shoppings do Brasil (e o racismo incessante)

“Senti hoje o verdadeiro peso do racismo, aquele que transforma negra de cabelo crespo em ladra”. Jovem universitária conta como foi do céu ao inferno em um dia que havia “começado muito bem, mas acabou dentro de uma delegacia”

ana paula bispo racismo salvador
Ana Paula Bispo prestou queixa na delegacia após constrangimento racista e encoraja vítimas a tomarem mesma atitude (Reprodução/Facebook)

Aconteceu no último sábado (8) na loja Riachuelo, no Shopping Iguatemi em Salvador. Uma jovem negra sofreu constrangimentos racistas enquanto fazia compras. A jovem prestou queixa na delegacia e escreveu um relato no Facebook – testemunho que revela como as mulheres negras, com seus cabelos encrespados, ainda sofrem constrangimentos cotidianos neste país miscigenado mas erroneamente apelidado por desatentos ou mal intencionados de “democracia racial”.

por Ana Paula Bispo

Aconteceu comigo, aconteceu hoje.

Comecei meu dia muito bem, fui pra uma aula maravilhosa, nem imaginaria que poucas horas depois estaria na delegacia prestando queixa. Acho importante que o máximo de pessoas saibam o ocorrido, pois não acredito que seja um fato isolado.

Passei no shopping Iguatemi depois da aula pra resolver umas coisas, entre elas efetuar um pagamento na loja Riachuelo, entrei na loja pelo terceiro piso e umas bijuterias em promoção chamaram minha atenção. Parei para olhar e vi um brinco no formato de filtro dos sonhos, mas para mim … estava meio caro e segui. Parei novamente [próximo] aos caixas para ver o preço de um copo, quando um funcionário tocou em mim. A princípio imaginei que queria passagem, quando ele me perguntou se eu estava assustada. Antes que eu respondesse qualquer coisa, pois estava atônita, ele foi ordenando que retirasse o brinco da bolsa. Que brinco, meu Deus!!!

VEJA TAMBÉM: Para provar que não roubou, homem tira a roupa em shopping de Salvador

Indignada e confusa comecei a retirar tudo que havia na minha bolsa ali mesmo. Como a referida aula era de filmagem, estava com o equipamento dentro de uma bolsa menor, [e] ele apontou pra esta bolsa. Pedi que ele olhasse o conteúdo da bolsa, pois não gostaria de expor o mesmo, ele pediu que uma outra funcionária que havia se aproximado para olhar o interior da bolsa onde o equipamento fotográfico estava devidamente guardado. Esta funcionária era justamente a pessoa que ‘me viu’ colocar o brinco dentro da bolsa e já chegou perto de mim com uma cestinha para que eu colocasse o tal brinco.

Várias pessoas me olhavam, pedi que se identificasse e disse que não sairia da loja sem as informações necessárias para prestar a queixa.

Falei com supervisora, que se desculpou e disse que esse não era o procedimento adotado pela loja, me explicou como seria, tentou me enrolar, disse que a tal funcionária que me acusou era temporária e estava no primeiro dia (E eu com isso?).

Exigi ver ela registrar a ocorrência, peguei o primeiro nome e função dos três, registrei o ocorrido com a administração do Shopping e segui para a 16ª. Relatei a ocorrência e vou levar a diante. Provavelmente será apenas mais um processo contra a loja, mas é questão de honra levar até a última instância. Como disse no princípio isso não é uma situação isolada, senti hoje o verdadeiro peso do racismo, aquele que transforma negra de cabelo crespo em ladra. Podem dizer que não há relação, mas enquanto eu não vir moças brancas com seus cabelos lisos relatarem fatos iguais não me convencerei.

VEJA TAMBÉM: Por que é racismo chamar um negro de ‘macaco’?

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Comentários

  1. Keko CWB Postado em 11/Nov/2014 às 13:42

    Uma dúvida: como comprovar tecnicamente que houve racismo nesse caso específico? Ao menos pelos elementos presentes no texto não vi como provar que se trata de caso de racismo. Vejam que não questiono se a questão do preconceito racial estava presente, mas sim se há como comprová-la.

    • amanda Postado em 11/Nov/2014 às 14:50

      Só fizeram isso com ela porque ela é negra. Os caras AFIRMARAM ver a menina colocando os brincos na bolsa, a forma de abordá-la foi agressiva. Se não teve racismo ai, eu não sei onde tem então.

    • Alex Postado em 11/Nov/2014 às 15:04

      Se fosse a mesma situação com uma mulher branca nada teria acontecido. Tenho uma namorada negra e infelizmente isso é rotina para homens e mulheres negras em shopings!

    • Juliana Postado em 11/Nov/2014 às 15:08

      "Podem dizer que não há relação, mas enquanto eu não vir moças brancas com seus cabelos lisos relatarem fatos iguais não me convencerei." A resposta está no próprio texto, não tenha preguiça de ler até o final. ;)

      • Augusta Cristina Postado em 11/Nov/2014 às 15:14

        Quem disse que isso não acontece com garotas brancas, ou que não aconteceu? Eu já presenciei situação análoga com uma menina branca. Dano moral sim, racismo , não.

      • Weslei Prado Postado em 11/Nov/2014 às 15:22

        E com quantas meninas brancas?

      • Fabíola Postado em 11/Nov/2014 às 15:31

        Juliana, O questionamento de Keko é válido. Perceba que ele não pergunta como convencer-se de que se trata de racismo. Ele deixa isso bem claro. Ele questiona como provar o ato racista que ele, assim como eu e você, bem reconhece. Procurei estes dias condenações por racismo. Encontrei apenas uma. Há algumas por injúria racial, mas por racismo mesmo é difícil ocorrer condenação. Isso torna ainda mais urgente refletir sobre o questionamento de Keko: "como comprovar tecnicamente (eu diria judicialmente) que houve racismo"?

      • fernanda Postado em 11/Nov/2014 às 16:00

        Bom, sou branca, de cabelo liso! E já aconteceu comigo, a dona da loja me fez abrir a bolsa em frente de todos, incluindo amigos meus! Ela esta certa em abrir um processo contra a loja, pois também foi o que fiz, mas não pelo racismo e sim dano moral.

      • Gustavo Henrique Postado em 11/Nov/2014 às 18:48

        Isso não responde à pergunta do primeiro comentarista. Pode ter havido racismo, mas se esbarra no "pode" e daí não passa. Entendo o que foi questionado, mas não há fatos concretos. O que se fez foi indução: se não acontece com pessoas de outras raças, então, nesse caso, foi racismo. Por isso mesmo, em casos menos escancarados, é tão difícil comprovar crime de racismo.

      • Geraldo SSA Postado em 12/Nov/2014 às 04:01

        Fabíola, Se você fizer uma pesquisa entre pessoas negras que já foram abordadas em estabelecimentos comerciais pelo simples fato de serem negras, ouvirá relatos de experiências de praticamente todos os entrevistados. Variam o grau de sutileza e o despreparo de quem aborda, aliados à falta de investimentos em segurança (câmeras, central de monitoramento...). Um consagrado dito jocoso (e não menos nojento), corrente nos meios policiais, reflete fielmente esse preconceito: "Preto correndo é culpado; parado, é suspeito!".

    • Juuuuuuu Postado em 11/Nov/2014 às 15:26

      Simplesmente pelo fato de ligarem crimes aos negros, como foi ligado neste caso. Claro que provavelmente já aconteceu com outras etnias e que a "atitude suspeita" de um branco também já causou falsas acuações, mas o negro leva essa "atitude suspeita" na pele, ele é suspeito por ser negro, por ser considerado inferior e por acharem que ele não pode comprar tudo que quer, então ele rouba. Essa não é a primeira vez que crimes assim acontecem e, infelizmente, não será a última. É preciso levarmos a sério e como questão racial, sim, afinal, os negros sofrem por terem sua pele diminuída, precisamos de justiça e não podemos deixar passar nenhum crime racial. Por isso esse é um caso, sim, de racismo, não de mera "coincidência".

    • neuza maria Postado em 11/Nov/2014 às 15:38

      Eu sempre me "senti muito segura" nas lojas aqui de Londrina, sempre que saio com minhas amigas de pele mais clara os seguranças das lojas me acompanham de perto, será que estão preocupados com minha integridade física??

      • Rita Candeu Postado em 11/Nov/2014 às 19:31

        de acordo com os comentários acima deve ser por isso mesmo neuza segundo alguns é só desconfiança - nada a ver com racismo rsrsrsrs é fácil "resolver" o assunto na base do achismo sem nunca ter passado ou ouvido depoimentos de quem vive essa discriminação cotidianamente

    • Edi Leal Postado em 11/Nov/2014 às 15:52

      O problema aqui é o racismo velado, escondido na abordagem, na forma que os negros são olhados diferente de brancos quando entram em qualquer loja de shoppings. Saibam diferenciar os contextos.

    • Gabriel Postado em 11/Nov/2014 às 15:58

      Ta querendo dizer que se fosse loirinha dos olhos azuis a situação seria exatamente igual? A me poupe! Isso é pura hipocrisia.

    • preta Postado em 11/Nov/2014 às 16:07

      O fato dela ser negra é um fator que motivou a vendedora achar que ela furtou. Deixa de querer minimizar o fato a fim de diminuir o preconceito.

    • Daniel Alves Postado em 11/Nov/2014 às 16:18

      Nao deu para comentar o do Grabriel abaixo diretamente, comenterei neste aqui.. "Gabriel POSTADO EM 11/NOV/2014 ÀS 15:58 Ta querendo dizer que se fosse loirinha dos olhos azuis a situação seria exatamente igual? A me poupe! Isso é pura hipocrisia." ' Sim. A situação seria exatamente igual.. unica diferença é que nao iria parar nos jornais nem em sites na internet, pq não seria "por preconceito" ' Nao estou em momento algum dizendo que não existe bastante preconceito, nem tanpouco que pode ou nao ter tido preconceito na atitude da garota que disse ter visto o brinco ser furtado... agora, a situação dita a seguir é bem mais comum do que se acha, e acontece com todo mundo - não apenas negros... Agora, pode realmente acontecer mais com negros - e isso seria lamentável, porém não existem estatísticas para comprovar isso (até porque raramente uma mulher branca iria abrir um B.O. na delegacia pelo ocorrido). Existe preconceito? com certeza! Vale a pena a histeria e o exagero? claro q nao.. existe a necessidade de combater o racismo, sim, mas com cabeça fria e de forma correta ... vitimização exacerbada não ajuda ninguem!

    • Vladimir Postado em 11/Nov/2014 às 16:40

      acredito que será difícil provar tecnicamente por questões raciais. Mas cabe uma indenização por danos morais. O fato de politizar o fato por questões raciais deverá exercer efeitos sobre a política vexatória da empresa. Acho correto manter o tom da denúncia, mesmo correndo o risco da defesa da empresa desqualificar a denúncia, porque terá desdobramentos maiores sobre as diferentes manifestações do racismo, para além do caso singular.

    • Amauri Postado em 11/Nov/2014 às 17:06

      Racismo, acho que não precisa de prova técnica. Você se sente ofendido, você é negro, é racismo. Aí, cabe o bom senso de quem vai julgar. Estou falando de leigo, mas uma coisa dessas é difícil provar tecnicamente.

    • Marcos Postado em 11/Nov/2014 às 17:20

      Esse mesmo argumento distorcido: "Ao menos pelos elementos presentes no texto não vi como provar que se trata de caso de racismo" , é usualmente utilizado para corroborar e amenizar o racismo velado e intrínseco.

    • Seu Zé Postado em 11/Nov/2014 às 17:22

      Leia novamente. Talvez você consiga. Acredite em você!!!

    • rafael Postado em 11/Nov/2014 às 18:16

      Independentemente da comprovação do racismo, o assédio moral é incontestável. Espero que o juiz condene essa loja a pagar uma gorda indenização.

    • Ricardo Postado em 11/Nov/2014 às 19:15

      Isso é falta de boa vontade do Judiciário. Basta reconhecer que se trata de caso de racismo oculto, o que não há como provar justamente porque não se tem como "entrar na mente" daquela que o praticou. Se insistir nisso, serão poucos, muito poucos os casos em que se reconhecerá o racismo. Como solução, acho que temos de INVERTER O ÔNUS DA PROVA em casos como esse. E a loja PROVE uma fundada suspeita em relação ao indivíduo, de forma desvinculada de sua cor de pele. O Judiciário tem que decidir se vale ou não a CF de 88.

      • Kaminari Postado em 12/Nov/2014 às 10:02

        Querido, recomendo que você leia os dispositivos que tratam sobre injúria racial e racismo, no Código Penal. Sobre a fantástica solução de inverter o ônus da prova, se não é possível provar que houve o "racismo oculto" pela vítima, como o autor irá provar que não houve, sendo que é igualmente impossível entrar na mente de quem, supostamente, o praticou? Acredito que você não tenha percebido a incongruencia existente no seu comentário. Por que, dessa maneira, o que iria impedir gregos e troianos de acusarem alguém de racismo? Eu acharia mais prático mudar o dispositivo, pois a própria injúria, não a racial, já é muito difícil de ser provada. Vejo também que o senhor citou a Constituição Federal, muito boa a colocação, inclusive, sugiro que de uma lida mais detalhada nos artigos referente ao princípio da isonomia. Um abraço e bons estudos.

    • Vivy Postado em 11/Nov/2014 às 19:54

      Keko se vc é branco me diz se já viveu algo parecido, pra eu saber que não somos só nós que sofremos isso...De outra forma eu posso te dizer que nçao vejo esta abordagem com brancos ocorrendo por aí...

    • Samuel Postado em 11/Nov/2014 às 22:40

      Em resposta à Daniel: Aonde brancos de cabelos lisos sofrem preconceito no Brasil ? No Brasil que eu vivo pessoas brancas são modelos de beleza e classe social, já os negros são renegados a ferro e fogo das nossas raízes, a cultura negra é perseguida pelo preconceito enraizado, meu caro, o preconceito ele age por entre linhas, esse caso é um típico caso de constrangimento pela desconfiança gerada no prejulgamento a cerca da classe social da moça, por justamente ela ser NEGRA. ME POUPEM ! Eu nunca vi um relato de uma moça branca falando sobre esse tipo de constrangimento, pode existir, mas convenhamos, será por racismo contra BRANCOS ? Num país onde ser branco é se aproximar dos padrões de vida historicamente mais abastados ? Num país onde a cultura negra é negada a ferro e fogo ? Me economizem...

    • Geraldo SSA Postado em 12/Nov/2014 às 03:42

      Prezado Keko, "Tecnicamente", "você não identificou racismo" porque na eugênica CWB (Curitiba) um fato como esse seria considerado "normal". E provavelmente com agravantes. Não sei se os programas de rádio da sua aprazível cidade, em seus programas policiais, continuam rotulando supostas delinquentes de "aquela negra nojenta", como já tive oportunidade de ouvir.

    • Geraldo SSA Postado em 12/Nov/2014 às 04:13

      Prezado Daniel Alves, Não se vence Satã tão somente com orações. Parece banal, para quem não é negro, uma vida inteira de discriminação velada e de humilhações. Seja negro por um dia e entenderá o significado da luta e resistência de um povo.

    • Fran Postado em 12/Nov/2014 às 14:34

      Chega de dizer que no Brasil não há racismo, veja as caras expostas desde as campanhas das ultimas eleições, veja a musiquinha infame e nojenta de alunos da USP... Isso é somente o topo iceberg. Fizeram sim o que fizeram com ela devido a cor da pele.

    • Maria Elizabeth Postado em 13/Nov/2014 às 11:07

      Se fosse loira, com certeza não seria abordada. Isso é muito frequente. E o racismo sempre é velado.

    • Melizabeth Postado em 13/Nov/2014 às 11:12

      A diferença é que negro em shopping é vigiado em shopping no momento da entrada até a saída...e quase sempre é acusado injustamente. Os demais passam despercebido...é pura verdade.

  2. denise Postado em 11/Nov/2014 às 14:46

    Pode não ter sido "movido" pelo racismo, mas em geral as portas com sinais sonoros são suficientes. Então porquê uma pessoa é abordada antes mesmo de passar no caixa? Em geral, quando o sujeito é tratado como "consumidor", ninguém o manda abrir a bolsa quando está adentrando a loja e olhando o que comprar...a atendente "denunciante" usava dois pesos e duas medidas, tratando de modo diferente um "potencial" consumidor.

    • stella Postado em 12/Nov/2014 às 00:41

      É verdade, Denise! Geralmente, o procedimento é esperar a pessoa sair da loja para que seja caracterizado o furto. Enquanto o cliente está dentro da loja com a mercadoria pode-se subentender que ela vai passar pelo caixa. Essa moça passou por um constrangimento enorme.

  3. Deia Postado em 11/Nov/2014 às 14:48

    Perai... Em qual situação especifica houve o racismo? Não foi relatado nesse texto, ou passou despercebido por mim?! O Constrangimento é claro, mas que tenha acontecido porque a menina é negra não ficou claro pra mim... consigo imaginar perfeitamente essa história contada por uma menina branca, um rapaz, uma senhor de idade... e etc! Sou totalmente contra o preconceito de qualquer tipo! Mas nesse texto não ficou claro pra mim! Acho que nós devemos parar de levar tudo para o lado do racismo... qualquer coisa que aconteça com negros ou gays ou idosos ou asiáticos ou muçulmanos é pq a pessoa que os constrangeu é preconceituoso?? Desculpa gente, mas não vi o preconceito racial aí não!

  4. Cleber Postado em 11/Nov/2014 às 14:54

    Sim, houve racismo. Tecnicamente nao ha como provar que houve racismo. Mas essas brechas nas leis permite que racistas se salvem de condenacoes. Se fosse uma branca, riquinha.. nao iam "desconfiar"... Assim como temos que engolir noticias "suposto assassino eh investigado de matar fulano de tal", mesmo qdo sabemos que ele eh o assassino.

  5. Marco D'Osossi Postado em 11/Nov/2014 às 15:01

    Keko CWB muito simples de forma geral se classifica um ladrão/ladra pela cor , pode ter havido um roubo ,na duvida o negro(a) será o primeiro (a) a ser acusado (a) simples assim, como não acharam nada se pede desculpa e o caso esta encerrado com desculpas sem fundamento , não há a necessidade de se falar que " aquele negro roubou " só a presença de um negro é um delito , absurdo ??? Faça o teste você mesmo .

  6. Manuela Postado em 11/Nov/2014 às 15:06

    Já ouvi relatos desse tipo de tratamento na Riachuelo também de pessoas brancas. Não sei se foi pela cor dela, pode ter sido, mas acho que nesse caso não foi. Sendo ou não, os responsáveis tem que ser punidos. Acho que é por danos morais.

  7. Denil Postado em 11/Nov/2014 às 15:11

    O crime que se configurou, ao meu ver, foi o de Constrangimento Ilegal. E também a loja poderá ser responsabilizada no cível, pelos danos morais sofridos pela moça.

  8. Luis Postado em 11/Nov/2014 às 15:15

    Isso é mais um absurdo racista que certos míopes insistem em negar. Essa moça deve ir até o fim com o processo criminal.

  9. Thaís N Postado em 11/Nov/2014 às 15:20

    O grande triunfo do racismo é exatamente as pessoas acima estão fazendo: reforçar a inexistência dele. Como se combate algo que não existe, não é? RÍ-DÍ-CU-LO. É só usar um pouco a cabeça. Quantos brancos passam por esse constrangimento cotidianamente???? Só eu posso relatar uma série de experiências que rendem mais que a Bíblia... Dou o nome do que? Coincidência? Me poupem.

    • Cleber Martins Postado em 11/Nov/2014 às 16:31

      Então comente, pelo menos um e vamos ver se é realmente coincidência.

  10. Ana Black Postado em 11/Nov/2014 às 15:21

    Racismo sim e os comentários que tentam minimizar a questão são tão racistas quanto os algozes da Riachuelo.

    • Reinaldo Soares de Souza Postado em 11/Nov/2014 às 22:02

      É claro que é racismo ficamos buscando firulas das leis,para acobertar essa vergonha.E os comentários que tentão minimizar a questão são piores..Você tem razão A.B.

  11. Cleidson Postado em 11/Nov/2014 às 15:29

    Você precisa entender o que lê, Juliana. O depoimento da vítima dizendo que não vê moças brancas com seus cabelos lisos sendo abordadas por suspeita de rouba é juízo de valor e não fato. Esse é um caso claro de Dano moral e deve ser julgado como tal. Racismo é se ela fosse, por exemplo, impedida de entrar na loja ou mesmo de vestir uma roupa porque, claramente, alguém deixou claro que era crime de racismo. Se a funcionária usasse termos racistas, como macaca ladra ou neguinha ladra ainda assim cairia em crime de injúria racial, de acordo com muitas jurisprudências no Brasil.

    • Cleber. Postado em 11/Nov/2014 às 16:35

      Judicialmente esse fato, talvez, não se enquadra em racismo, mas moralmente não há outra justificativa.

    • cleber Postado em 11/Nov/2014 às 18:29

      Perfeito. Porém, no Brasil existem o Suspeito e o "Suspreto", o segundo é tornado suspeito por sua cor e infelizmente cai no velho racismo velado. Segundo depoimento dela, o funcionário a tocou (um absurdo), segundo o mesmo depoimento a supervisora declarou que este não é o procedimento padrão, ou seja, foi declarada um tratamento diferenciado. Agora falta apurar os fatos, comparar com outras abordagens em etnias diferentes e assim ficará comprovado se foi um ato racista (que vai cair como injúria racial, infelizmente) ou se realmente a garota fez juízo de valor. O brasileiro é um povo muito preconceituoso, não acredito que pessoas brancas que aparentam uma classe social maior recebam o mesmo tratamento, segundo a declaração da garota. Vídeos e apuração dos fatos responderão as dúvidas, fica aí a expectativa pela interpretação das autoridades competentes.

  12. Lann Postado em 11/Nov/2014 às 15:36

    Eu sou branca, mais pra branca, aquele branco amarelado, mistura 50% portuguesa por parte de pai e a outra metade brasileira e parte de mãe, levo meus cabelos cacheadíssimos ao natural pois eu gosto e me recuso a alisar minhas melenas. Se vc vai num shopping mais de ëlite eles seguem msm. Juro que por diversas vezes já vi pessoas me olhando no shopping, já fui seguida e vigiada. Eu sei como é.

  13. Danila Postado em 11/Nov/2014 às 15:37

    Keko CWB... acho difícil se provar o racismo nessa situação, já que não houve insultos relacionados à cor da vítima. Mas ao contrário do que a Augusta acha, existe sim um racismo nas entrelinhas. Pode até acontecer com "moça branca", mas proporcionalmente falando... nem há o que se discutir. E sobre o processo... seguramente ela ganhará. Mas o ideal mesmo é que assuntos assim sejam divulgados, para que todos sejam inspirados a dizer não para qualquer tipo de preconceito (racial, social, regilioso, etc).

  14. Ana Maria Postado em 11/Nov/2014 às 15:49

    Concordo com Augusta, isso já me aconteceu, não sou nenhuma mocinha, sou uma senhora branca, fui ao extra, estava frio e eu estava com as mãos no bolso, no momento de passar no caixa, a moça que atendia me perguntou e aí o que está no bolso a senhora não vai pagar, eu fiquei sem ação, mostrei que não havia nada no bolso e fui para casa indignada ,estava tão puta, mas a única coisa que me ocorreu foi voltar lá e falar com a gerente, que na hora mandou ela passar no RH, na hora nem pensei em B.O ,hoje com certeza procuraria uma delegacia, mas a 6 anos atrás pouco se falava em danos morais ou racismo

  15. Tainara Postado em 11/Nov/2014 às 15:50

    Lá vem gente comentando " Mas isso acontece com guria branca bla bla bla".. A problematica envolvida no fato é de que isso ocorre com mais frequencia SIM com pessoas negras e isso nao se restringe a roubos de lojas,as pessoas negras sao criminalizadas SIM e existe preconceito SIM . Ignorar essa realidade no Brasil é um dos maiores entraves do combate ao preconceito racial.

  16. Givanildo Cirilo de Souza Postado em 11/Nov/2014 às 16:07

    RACISMO OU QUALQUER QUE SEJA O PRECONCEITO, DEVE SER COMBATIDO DURAMENTE PELAS NOSSAS AUTORIDADES. COMBATE DURO E ALTAMENTE SEVERO. E FIM DE PAPO.

  17. vilmar Postado em 11/Nov/2014 às 16:22

    a cerca de um més atras eu presenciei, uma moça branca com cara de madame rica, tentando passar pelo caixa com mercadoria do carrefur sem pagar, ai uma outra moça fucionaria do carrefur percebeu e abordou a senhora que tentava roubá, mas a moça simplesmente disse a senhora está saindo com a mercadoria sem pagar, ai a ladrona simplesmente disse: a mesmo, ai depois falou: eu não vou levar esta mercadoria está muito caro e foi embora sem mais papo. ai eu fiquei pensando será se fosse uma pessoa negra seria a mesma coisa...? ou a pessoa negra que estivesse roubando seria humilhada e levada a delegacia?

    • Luiz Souza Postado em 15/Nov/2014 às 04:11

      É sabido que o Carrefour manda bater em pretos. Se ela fosse preta, ficaria tudo na "massagem" mesmo. Melhor (para o estabelecimento) que levar à delegacia.

  18. Yrae Postado em 11/Nov/2014 às 16:27

    Não é caracterizado como racismo, mas como calúnia ou difamação - graças á nossa querida Lei. Se a Justiça começar a coletar dados de casos semelhantes, provavelmente haverá um padrão de vítima. E caberá a instituição criar uma jurisprudência ou lei que adapte-se as situações. O fato da maioria dos prisioneiros serem negros e 30% estar preso sem julgamento é um fato que aponta para a discriminação tanto da segurança pública e privada quanto da justiça.

  19. Yrae Postado em 11/Nov/2014 às 16:35

    Para comprovar o racismo podemos utilizar as estatísticas. Quantos processos são abertos por calúnia ou difamação? Quantos processos são abertos por negros por calúnia e/ou difamação que envolve acusações de crimes? Porém, antes de qualquer iniciativa, o estado deve incentivar as denúncias.

  20. Sérgio Postado em 11/Nov/2014 às 16:38

    É caso de dano moral, injuria racial é outra coisa, precisa ter o dolo de querer ofender a pessoa e neste caso não foi caracterizado, quanto ao comentário do Diego fazendo referência ao estado da Bahia, não é que se a pessoa sendo negra pode ofender outra negra, que sendo as duas da mesma cor que não se caracterisará como racismo, não é por aí. O problema é cultural em nosso país, onde entrar um negro em uma loja e um branco, as atenções ficam voltadas para o negro, isso é fato e não deveria ser, mas infelizmente é assim.

  21. Sérgio César Júnior Postado em 11/Nov/2014 às 16:45

    O indivíduo que não consegue enxergar uma ação racista, nem mesmo interpretar um relato de uma vítima do racismo, ele é um declaradamente um racista. A culpa dele é manifestada já na falta de entendimento. O sintoma do racismo é o próprio desconhecimento das situações. Porque uma loja em que possui sistema de monitoramento à distância, sensores nos produtos e ainda sim, as antenas nas portas não acusaram, isto significa que não havia motivo para a abordagem do segurança. O verdadeiro segurança não pergunta, ele age quando há inconformidade, por isso, ele agiu com preconceito (antes do conceito, ou seja, antes de obter conhecimento da coisa, ou situação). O segurança e a funcionária da loja já deduziram que a moça fosse cometer pequenos furtos, pois a quantidade de melanina indicava isso. Quem não concorda que houve racismo na situação relatada é porque, está com medo de receber um processo, pois indica que há uma probabilidade do indivíduo cometer uma atitude racista diariamente. O primeiro sintoma de um racista é a cegueira é não saber interpretar uma situação de racismo, quando ouve ou lê um relato.

  22. Roberto Postado em 11/Nov/2014 às 17:09

    Deveria ser organizado um protesto na frente dessa loja; se não deixarem entrar, na frente do Shopping Iguatemi, o queridinho da elite paulistana.

    • elizabeth camattari Postado em 11/Nov/2014 às 19:10

      O espanto é ser em salvador,onde 90% da população é negra,ou afro descendente,como queiram....Pode não ter sido racismo descarado,mas tbem duvido que se fosse branca,a abordagem seria assim tão agressiva....AFF Brasil,acorda....vc é negro

  23. nina Postado em 11/Nov/2014 às 18:11

    Há dezoito meses trabalho em uma loja de departamentos. Presenciei 4 pessoas serem acusadas de roubo pelo pessoal da 'prevenção de perdas', 2 mulheres, 2 homens (sendo 1 adolescente e acusado injustamente pois nada se comprovou). Nenhuma era negra. Obívio que há racismo no brasil, e não é nada isolado nem trivial. Mas esse texto relata algo que não implica racismo. Acusar alguém de roubo não é necessáriamente racista. Não sou nenhuma pragmática, acredito que os negros são proporcionalmente mais injustiçados nas mais diversas situações. Mas recuso-me como parte de uma minoria (sendo eu descendente indíjena) é me levar ao viés generalista e esteriotipante desse texto que faz que os racistas fazem, projetar imediatamente na raça o motivo para uma circustância. E vejo isso muito nesse site.

  24. karolinny Postado em 11/Nov/2014 às 18:46

    Meu Deus, ainda tem pessoas que duvidam que isso foi racismo? Claro que a pessoa não vai chegar ao ponto de xingar a outra por apelidos pejorativos em relação a cor, óbvio, porque ainda lhe resta um pouco de educação. Como ela vai afirmar ter visto uma coisa sem ter visto? Não à qualquer forma de racismo, velado ou às claras. Não importa!

  25. Hélder Postado em 11/Nov/2014 às 20:23

    Que os funcionários da Riachuelo sejam mais competentes! Que agora a loja pague pela incompetência de seus funcionários! Ninguém tem que passar por isso! E ainda tem o constrangimento daqueles detectores nas portas das lojas que apitam erroneamente causando imenso constrangimento a quem passa.

  26. Rafael Postado em 11/Nov/2014 às 21:38

    É um absurdo ver como vivemos num país tão racista depois de mais de 500 anos! Quando era criança uma coordenadora de educação da escola em que eu estudava na cidade de Jundiaí, no fim da década de 90, falou em voz alta após uma confusão de crianças: - esse negrinho é o futuro trombadinha de amanhã! Fui para casa e contei o ocorrido para minha mãe, que resolveu tirar satisfação, porém na época não tínhamos essa consciência e poder de esclarecimento . Ela negou disse que não era dessa maneira que tinha dito... Por fim hoje, o negrinho e futuro trombadinha do amanhã têm diploma acadêmico e ta na sua segunda graduação! Racismo jamais! É inaceitável!

    • Luiz Souza Postado em 15/Nov/2014 às 04:16

      Experiência comum em cidades com grande presença de ítalo descendentes. Sei bem como é.

  27. Cecilia Postado em 12/Nov/2014 às 00:08

    Como disse Morgan Freeman:" enquanto houver discussão sobre raça, ainda haverá o racismo".

  28. Edcarlos Postado em 12/Nov/2014 às 00:18

    Vejo que não conhece Salvador, eu nasci em Savador e bem próximo ao shoping em questão e posso lhe afirmar foi racismo, eu mesmo já passei por isso nesse mesmo shopping. Vou lhe relatar apenas um, tinha 16 anos e fui com mais três amigos, dois brancos e dois negros ( eu e outro), tínhamos vindo da escola e entramos numa loja e quando fomos sair o alarme tocou, varias pessoas saiam naquele momento, mas os seguranças abordaram eu e meus colegas e foram perguntando pelo roubo, diante da nossa negativa mandaram meus colegas brancos irem embora (disseram: vão embora pra não sobrar pra vcs) e nos levaram pra uma sala onde tinha um outro homem armado, tiraram nosda roupa, bateram na gente e quando viram que não tínhamos roubado nada, queriam que a gente assumisse que tínhamos roubado um caderno que eles liberavam a gente, a nossa sorte foi que nossos colegas chamaram nossas mães e só assim fomos liberados, minha mãe decidiu não prestar queixa com medo de represálias contra a gente, pois o homem que estava na sala era policial , chorei muito, fiquei muito ódio, mas não deixei ele tomar conta de mim, hj tenho 35 anos, sou biomédico, casado e pai de três filhos e continuo passando por essa situação aqui na Bahia "negra" mas hj eu bato de frente. Escrevi este comentário com os olhos cheios de lágrimas, pois mesmo depois de 19 anos dói.

  29. Paola Postado em 12/Nov/2014 às 10:02

    Eu sou negra e por exmplo, se estou com meu namorado branco ou amigas brancas nas lojas, vendedoras me atendem, abordam com educação e tals quando estou sozinha, me vigiam! Nunca perguntam se preciso de algo, só fica olhando de rabo de olho qdo me aproximo de uma mercadoria. Só quem é negro sabe! O resto no máximo viu uma ou outra vez ou ouviu falar! Certa vez fui até escrota com uma vendedora que falou q eu não podia tocar (como comprar uma bolsa sem tocar?) na mercadoria dizendo "o que vc ganha em um ano de trabalho minha família ganha em um mês sua pobre". Não me orgulho disso, mas é o extremo que chegamos, muitas vezes, por não aguentar sempre esse tratamento diferenciado!

  30. Kroos Postado em 12/Nov/2014 às 10:34

    Minha irmã trabalhou em shopping, numa destas lojas de departamento e relata que é quase diário o acontecimento de pequenos furtos, em sua maioria cometido por mulheres de todos os tipos. Sim, até mesmo da "elite branca". Inclusive, segundo ela, eram os casos mais recorrentes.

  31. Nádia Soares Postado em 12/Nov/2014 às 11:17

    Vale a pena toda divulgação, é dessa forma que vamos trazendo conscientização e, tentando mudar esse tipo de comportamento tão normal em lojas.

  32. Keko CWB Postado em 12/Nov/2014 às 13:14

    Caramba, eu faço uma pergunta e sou chamado no mínimo de preguiçoso,rs. O racismo no Brasil é um fato, e Salvador é um caso evidente. Quem diz isso não sou eu, mas sim variados estudos e estatísticas. A questão é que, nesse caso concreto em específico, não encontrei elementos para PROVAR que houve racismo. Sei que teorias jurídicas como a do "Domínio do fato" estão em voga, mas a presunção da inocência ainda tem muitos defensores. Então se alguém ajuda a entender como os autores (loja e funcionários) podem ser condenados por racismo nesse caso (de preferência sem precisar ofender ninguém), acredito que seria mais produtivo para o debate.

  33. Renata Desconsi Postado em 12/Nov/2014 às 14:53

    Não abriria minha bolsa, chamaria a policia. Abriria na frente de uma autoridade para mostrar que não furtei nada. A partir daí, iriamos todos para a delegacia registrar uma bela ocorrência. É ridículo ver que o racismo continua na sociedade.

  34. Michelle Postado em 12/Nov/2014 às 19:25

    Infelizmente nossa sociedade é de brancos encardidos. O que nós devemos fazer é chamar a polícia na mesma hora e levar qualquer idiota que pensa que ser negro é ser ladrão.

  35. Samdal Postado em 12/Nov/2014 às 22:18

    Certos tipos de comentários são bem a cara daquelas pessoas que não se consideram racistas, pois "até têm um amigo negro" ou "minha empregada é negra e a adoramos", mas trabalha de farda e não se senta à mesa com os patrões. Hipocrisia, a gente vê por aqui...

  36. fabio Postado em 14/Nov/2014 às 19:39

    Uma vez tivemos um temporal monstruoso aqui na cidade e como trabalho em uma empresa de energia eletrica, foi um panemonio. Bom. Dai um cliente estava depois indignado porque achava que no esforço de somar mais equipes para a tragedia tínhamos pego temporarios incluindo um "negrao chapado" que foi a casa dele. Achei engracadissimo o nojo com que ele falava do "negrão". Descobri que era um dos tecnicos mais experientes que temos e que estava com cara de maluco mesmo pois havia virado a noite trabalhando. mas o engraçado é que o cliente não notou que eu estava também com cara de zumbi apesar de não ser eletricista e sim administrativo. Acho que as olheiras combinanam mais com pele branca porque no meu caso ele não viu nada. E pelo tratamento devia estar achando que eu era chefe de qualquer coisa. Por que?

    • Luiz Souza Postado em 15/Nov/2014 às 04:21

      Pois é, outro dia estendi a mão para cumprimentar um desconhecido e ele disse: "primeiro o chefe", cumprimentando a pessoa que estava comigo.