Redação Pragmatismo
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América Latina 19/Nov/2014 às 17:38
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O caso dos 43 estudantes desaparecidos no México

Quem eram os estudantes? O que aconteceu? Como a população mexicana reagiu ao desaparecimento dos estudantes? Caso já mergulhou o governo de Enrique Peña Nieto em grave crise, com grandes protestos, e atraiu os holofotes da mídia internacional

mexicanos desaparecidos iguala
43 estudantes mexicanos desaparecidos em Iguala

Um total de 43 estudantes mexicanos têm paradeiro desconhecido desde o dia 26 de setembro, após ação policial na cidade de Iguala, no Sul do México. O fato mergulhou o governo do presidente do país, Enrique Peña Nieto, em grave crise, atraiu os holofotes da mídia internacional e desencadeou grandes protestos. Entenda o caso.

Quem eram os estudantes?

Todos são rapazes, a maioria entre 18 e 21 anos, alunos da escola rural Raúl Isidro Burgos, de Ayotzinapa, cidade a cerca de 125 km de Iguala. Os jovens estudavam para serem professores nessa região rural mexicana.

Os jovens haviam viajado para a cidade de Iguala, em 26 de setembro, a fim de arrecadar fundos para sua escola. O grupo usou vários ônibus, tomados à força, prática comum em suas mobilizações.

O que aconteceu?

Na noite de 26 de setembro, Iguala — cidade de 140 mil habitantes, localizada a 200 quilômetros da capital mexicana — foi palco de violentos confrontos entre cerca de cem estudantes e a polícia. Seis pessoas morreram, 25 ficaram feridas e os 43 estudantes desapareceram após os conflitos.

Os jovens eram provenientes de diversas regiões do país e, além de pedir recursos para a educação, protestavam contra a má qualidade do ensino. Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, os estudantes foram vistos sendo conduzidos à força para o interior de carros da polícia e, depois, levados para destino desconhecido. Segundo as autoridades, policiais municipais abriram fogo contra os estudantes e os entregaram ao cartel “Guerreros Unidos”.

Três membros do cartel admitiram que os estudantes foram assassinados e os corpos, queimados. De acordo com a investigação, o líder do grupo, Sidronio Casarrubias, ordenou o desaparecimento dos jovens por acreditar que eram membros dos “Los Rojos”, um grupo criminoso rival.

Com que hipóteses trabalha a investigação policial?

Segundo a Anistia Internacional, cerca de 70 pessoas, entre policiais, funcionários públicos e supostos criminosos, já foram presos por envolvimento no desaparecimento. Alguns dos presos apontaram a versão de que os 43 estudantes desaparecidos foram assassinados e enterrados após o ataque. Investigando a acusação, autoridades descobriram valas, onde foram encontrados 38 cadáveres.

Segundo as autoridades, no entanto, as análises preliminares de DNA mostram que pelo menos 28 dos corpos não são dos estudantes. Argumentando não confiar no governo, parentes dos desaparecidos exigem que a palavra final seja dada por especialistas forenses independentes, oriundos da Argentina. A equipe de peritos já está no México para colaborar na identificação dos corpos.

Na ocasião em que as valas foram descobertas, o presidente do México, Henrique Peña Nieto, ressaltou que o caso “deixa transparecer o nível de barbárie e o caráter desumano” que “perturba o esforço coletivo” para garantir um país “com mais progresso e desenvolvimento”.

De acordo com infomações da agência de notícias Télam, membros do grupo Guerreros Unidos que foram detidos reconheceram participação do cartel no assassinato dos estudantes. Patricio Reyes “El Pato”; Jonatan Osorio “El Jona”; Agustín García “El Chereje” teriam afirmado que, após incinerar os corpos, um integrante da gangue conhecido como “El Terco” ordenou que os restos fossem triturados e jogados no rio Cocula.

No rio Cocula, foram encontradas bolsas com restos e cinzas que podem ser das vítimas. A Procuradoria Geral da República no México afirmou que a identificação dos corpos será “muito difícil”, mas que os trabalhos periciais continuarão.

Por que o nome do ex-prefeito de Iguala foi envolvido nas denúncias?

José Luis Abarca, ex-prefeito de Iguala, e sua esposa, María de los Ángeles Pineda, são apontados como os idealizadores dos ataques contra os estudantes. Eles são conhecidos em Iguala como “casal imperial”.

O Ministério Público mexicano acusou Abarca, que teve o mandato cassado, e sua mulher, de ligação com o grupo dos Guerreros Unidos e de ordenar a repressão dos estudantes. O objetivo do ataque aos alunos seria evitar protestos durante um comício liderado por Maria de los Ángeles.

O então dirigente e a mulher fugiram poucos dias depois do ataque. Após um mês de fuga, em 4 de novembro, Abarca e Pineda foram detidos. A polícia espera que a captura possa oferecer pistas sobre o paradeiro dos estudantes, já que a esposa do ex-prefeito tem irmãos ligados ao narcotráfico.

Como a população mexicana reagiu ao desaparecimento dos estudantes?

Os pais dos 43 alunos desaparecidos afirmam que seus filhos ainda estão vivos e criticam o governo por não obter, em cerca de 50 dias, qualquer prova concreta no caso. Além de protestar contra a leniência do Estado na investigação, os familiares buscam chamar a atenção da comunidade internacional para que as investigações ganhem celeridade.

Enquanto isso, protestos desencadeados pela tragédia se espalham por todo o país. Centenas de milicianos se deslocaram para Iguala e iniciaram as suas próprias buscas aos estudantes, à margem das forças de segurança federais.

Na quarta-feira, 12 de novembro, manifestantes atearam fogo à Assembleia Estadual de Guerrero, em Chilpancingo. Eles atacaram várias repartições públicas e a sede do partido PRI, do presidente Enrique Peña Nieto. Neste sábado (15), centenas de pessoas fizeram uma nova manifestação no estado mexicano de Guerrero.

Líria Jade, EBC

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Comentários

  1. AQUINO Postado em 19/Nov/2014 às 17:51

    SERIA BOM QUE OS NOSSOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DESSE MAIS ÊNFASE SOBRE O ASSUNTO.ESTAMOS PRESENCIANDO UM GOVERNO IRRESPONSÁVEL COM O TRATO DO SER HUMANO.ISSO ESTÁ ACONTENCENDO NUM PAÍS QUE DEIXOU DE LADO AS POLÍTICAS SOCIAIS ESE EMBRENHOU PELO CAPITALISMO VORAZ E SE ESQUECEU QUE O MÉXICO EXISTEM PESSOAS E QUE ELAS TEM NECESSIDADES DE MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA. QUERIA QUE O NOSSO BRASIL TIVESSE ACESSO AO JORNAL INFORMATIVO TELESUR, NÃO ENTENDO O PORQUÊ DE NÃO TÊ-LO EM NOSSA PROGRAMAÇÃO. PRESUMO QUE AS NOTÍCIAS QUE ELES COLOCAM NÃO INTERESSAM A MÍDIA BRASILEIRA.ESTIVE NA ARGENTINA RECENTEMENTE E ACOMPANHEI DE PERTO O ACONTECIDO NO MÉXICO COM O DESAPARECIMENTO DOS ESTUDANTES NORMALISTAS. MUITO TRISTE O OCORRIDO.O GOVERNO MEXICANO NÃO ESTÁ NEM AÍ. VEJO QUE NESSES MOMENTOS A SOCIEDADE MUNDIAL , ATRAVÉS DE ORGÃOS QUE COMPÕEM A ONU, DEVERIAM ESTAR MAIS PRESENTE NESSE MOMENTO.FORÇA AO POVO MEXICANO .

  2. Priscila Postado em 20/Nov/2014 às 10:31

    Verdade Aquino, somos brasileiros, mas temos que nos preocupar com o próximo em geral! Eram estudantes, pessoas que lutavam por melhorias e simplesmente sumiram e nada é feito. Se no México ninguém se mexe, então toda população deveria se mobilizar! Assim como outros acontecimentos semelhantes que acontece em diversos países!

  3. ricardo Postado em 23/Nov/2014 às 17:48

    A ONU em geral denuncia estes tipos de acontecimento (realmente não me lembro de ela falar algo destes estudantes, mas acredito que será questão de tempo), mas infelizmente ela não é levada a sério... e ela diz isto para os dois lados: capitalistas e socialistas.Ultimamente ela acusou formalmente Coréia do Norte e Venezuela. Capitalismo Voraz ?!?!?!?! O que está acontecendo no México é bandidagem mesmo. Isto independe de ideologia. Corrupção extrema e sistema falido sem independência de poderes podem ter provocado isto.