Redação Pragmatismo
Compartilhar
Esquerda 27/Nov/2014 às 12:29
12
Comentários

Intelectuais e movimentos pró-Dilma criticam escolhas ministeriais

Intelectuais e movimentos populares lançam manifesto em defesa do 'programa vitorioso nas urnas'. Manifesto encabeçado por professores da USP, Unicamp, UFRJ, PUC e jornalistas rechaça nomes de Kátia Abreu e Joaquim Levy para a equipe de governo

kátia abreu agricultura governo dilma
A ruralista Kátia Abreu está cotada para assumir o Ministério da Agricultura na nova composição do governo Dilma

A possível nomeação da senadora ruralista Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura sofreu, nesta terça-feira, um novo revés. O manifesto assinado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que tem entre seus coordenadores o economista João Pedro Stédile, por professores da USP, Unicamp, UFRJ, PUC, entre outras instituições, além de jornalistas, militantes e movimentos sociais rechaçam a possibilidade de escolha da presidenta Dilma Rousseff seguir adiante na intenção de trabalhar com Kátia Abreu na pasta da Agricultura. A escolha do economista Joaquim Levy para a equipe econômica também foi bombardeada.

“A presidenta Dilma Rousseff ganhou mais uma chance nas urnas não porque cortejou as forças do rentismo e do atraso e sim porque movimentos sociais, sindicatos e milhares de militantes voluntários foram capazes de mostrar, corretamente, a ameaça de regressão com a vitória da oposição de direita”, diz o manifesto.

Leia, a seguir, a íntegra do “Manifesto em Defesa do Programa Vitorioso nas Urnas, contra Joaquim Levy e Kátia Abreu”:

A campanha presidencial confrontou dois projetos para o país no segundo turno. À direita, alinhou-se o conjunto de forças favorável à inserção subordinada do país na rede global das grandes corporações, à expansão dos latifúndios sobre a pequena propriedade, florestas e áreas indígenas e à resolução de nosso problema fiscal não com crescimento econômico e impostos sobre os ricos, mas com o mergulho na recessão para facilitar o corte de salários, gastos sociais e direitos adquiridos.

A proposta vitoriosa unificou partidos e movimentos sociais favoráveis à participação popular nas decisões políticas, à soberania nacional e ao desenvolvimento econômico com redistribuição de renda e inclusão social.

A presidenta Dilma Rousseff ganhou mais uma chance nas urnas não porque cortejou as forças do rentismo e do atraso e sim porque movimentos sociais, sindicatos e milhares de militantes voluntários foram capazes de mostrar, corretamente, a ameaça de regressão com a vitória da oposição de direita.

A oposição não deu tréguas depois das eleições, buscando realizar um terceiro turno em que seu programa saísse vitorioso. Nosso papel histórico continua sendo o de derrotar esse programa, mas não queremos apenas eleger nossos representantes políticos por medo da alternativa.

No terceiro turno que está em jogo, a presidenta eleita parece levar mais em conta as forças cujo representante derrotou do que dialogar com as forças que a elegeram.

Os rumores de indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para o Ministério sinalizam uma regressão da agenda vitoriosa nas urnas. Ambos são conhecidos pela solução conservadora e excludente do problema fiscal e pela defesa sistemática dos latifundiários contra o meio ambiente e os direitos de trabalhadores e comunidades indígenas.

As propostas de governo foram anunciadas claramente na campanha presidencial e apontaram para a ampliação dos direitos dos trabalhadores e não para a regressão social. A sociedade civil não pode ser surpreendida depois das eleições e tem o direito de participar ativamente na definição dos rumos do governo que elegeu.

Saiba quem foram os primeiros signatários do texto:

LUIZ GONZAGA BELLUZZO – FACAMP/UNICAMP
JOÃO PEDRO STÉDILE – MST
LAURA TAVARES SOARES – UFRJ
LEONARDO BOFF – Teólogo
JOAQUIM ERNESTO PALHARES – Jornalista
LAURINDO LEAL “LALO” FILHO – USP
PEDRO PAULO ZAHLUTH BASTOS – UNICAMP
ANDRE SINGER – USP
JOSÉ ARBEX JR – PUC/SP
IVANA JINKINGS – Diretora Editorial
IGOR FELIPPE – Jornalista
PAULO SALVADOR – Jornalista
ALTAMIRO BORGES – Militante Político
ROSA MARIA MARQUES (PUC-SP)
VALTER POMAR – Militante do PT
MST – Movimento Dos Trabalhadores Sem Terra
FORA DO EIXO
MÍDIA NINJA
REDE ECUMENICA DA JUVENTUDE (REJU)
CENTRO DE MÍDIA ALTERNATIVA BARÃO DE ITARARÉ
GILBERTO CERVINSKI – MAB – Movimento Dos Atingidos Por Barragens
WLADIMIR POMAR – Analista político e escritor
ANDREA LOPARIC – USP
BRENO ALTMAN – Jornalista
ALFREDO SAAD-FILHO (SOAS – UNIVERSIDADE DE LONDRES)
MARIA DE LOURDES MOLLO (UNB)
NIEMEYER ALMEIDA FILHO (UFU)

Correio do Brasil

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook.

Recomendados para você

Comentários

  1. Julia Postado em 27/Nov/2014 às 12:58

    A lista com as escolhas da Dilma será divulgada às 15h. Como você já esta feliz com tais escolhas?

  2. André Anlub Postado em 27/Nov/2014 às 13:33

    Como eleitor de Dilma minha consciência está serena, pois minhas mãos estão lavadas e fiz minha parte no que julgo correto. Minha vida nada mudaria/mudou (com qualquer governo), mas a de muitos que tenho enorme apreço sim.

    • poliana Postado em 27/Nov/2014 às 13:50

      Exatamente andre! Faço minhas as suas palavras.

    • Maicon Postado em 27/Nov/2014 às 15:08

      Cidadania não se resume, de forma alguma, ao ato de votar. Ao contrário, como apoiador da reeleição de Dilma, sinto-me no dever de questionar e me posicionar contrariamente à medidas e ações tomadas pelo Governo. Minha luta não é a favor ao PT ou contra o PSDB - até mesmo porque não sou filiado a nenhum partido. Minha luta é principiológica, é por aquilo que entendo ser melhor para o Brasil enquanto Nação, por aquilo que trará mudanças e avanços em benefício de seu povo, é pela consolidação dos princípios democráticos. Não se considero "situação" e não faria a política de "oposição" que se faz no Brasil (mais preocupada em não deixar governar do que fiscalizar e propor medidas e políticas alternativas). Entendamos, de uma vez por todas, que o Brasil não tem lado. Não sou favorável e questiono os nomes que Dilma indicou à ocupação de pastas ministeriais, assim como questionaria se Aécio tivesse assumido o pleito e assim o teria procedido. Entendo que são pastas estratégicas e nomes que, pela trajetória e conduta política, não farão bem ao país, assim como aos brasileiros.

    • Fabio Postado em 27/Nov/2014 às 15:32

      Com todo o espeito André, discordo de seu posicionamento. Embora, eu não seja beneficiário de nenhum programa social implantado pelo PT, considero que minha vida melhorou desde que eles assumiram, já que minha renda aumentou e minha profissão (engenheiro civil) foi valorizada. Também votei na Dilma e espero que ela faça um bom governo, melhor que o primeiro, onde de fato, houve uma certa estagnação da economia. Eu acho essas escolhas ministeriais estranhas, pois são pessoas não alinhadas com o programa de governo dela e acho que devemos ter uma observação constante sobre os atos da Presidenta, elogiando quando for merecedora e criticando quando necessário. Não devemos, de forma alguma, lavar as mãos. Abs

  3. Natália MS Postado em 27/Nov/2014 às 17:06

    cesar souza esqueceu o não sabe que foi o Levy um dos que deu um jeito na estagnação econômica que o FHC deixou nas mãos do Lula..

  4. Silva Postado em 27/Nov/2014 às 23:22

    Não se preocupe cesão, chega 2018 e você não se conforma com o resultados das urnas, agora são mais 4 nos depois mais 4, quem sabe você consiga aceitar. Chora moço!

  5. grego79 Postado em 28/Nov/2014 às 01:53

    Nem sempre é possível agradar a todos. As indicações são a tentativa à restabelecer a economia brasileira. Todos tem passado mas hoje a história é bem diferente! Os noticiários da grande mídia já vem trabalhando propondo negatividade nas escolhas. Não podemos nos deixar levar pelas atribuições maldosas que mais parecem prestação de serviço praticada pela grande mídia. Sem pessimismo pessoal!

  6. Roberto Pedroso Postado em 28/Nov/2014 às 11:22

    Esse é o reflexo infeliz de uma conjuntura politica que permanece igual ao governo anterior de Dilma uma base aliada pouco confiável muito afeita ao clientelismo e ao fisiologismo(com o PMDB em sua base de conduta e ação),assim sendo para se garantir a governabilidade é necessário contar com o loteamento de ministérios entre a "base aliada" para assegurar que as câmaras legislativas votem de acordo com os interesses e necessidades do executivo,pois o povo Brasileiro renovou menos de trinta por cento das cadeiras no congresso sendo que muitos destes "novos"parlamentares são oriundos de oligarquias tradicionais na politica ou seja,graças a essa situação criada nas ultimas eleições a presidente se encontrará mais uma vez na berlinda tendo que negociar e abrir concessões para garantir a governabilidade,apelando inclusive para a indicação de nomes para equipe econômica que possivelmente acalmarão os ânimos do mercado financeiro.Para os adeptos do quanto pior melhor isso deve, sem duvida, ser uma vitória mas não é nada salutar para os cidadãos e para o País.

  7. Thiago Teixeira Postado em 29/Nov/2014 às 12:21

    Tive a oportunidade de assistir um discurso de Kátia Abreu, e confesso que mudei a minha opinião em relação a pessoa. Acho que há muita demonização sem fundamento. Não seria má ideia a nomeação.

    • eu daqui Postado em 01/Dec/2014 às 11:16

      iSSO, VAI PELO DISCURSO, VAI.........

  8. Roberto Pedroso Postado em 29/Nov/2014 às 16:29

    Lembrando que essa senhora Kátia Abreu era uma das lideres da bancada ruralista no Senado,ou seja um mau sinal,mas sua indicação deve fazer parte do jogo de ajustes para garantir a governabilidade e o apoio(pouco confiável)do PMDB já que o senhor Eduardo Cunha contumaz opositor do governo quer se lançar a presidência da Câmara dos Deputados Federais,seria portanto uma forma do PT forçar o PMDB a manter um discurso programático concatenado com os interesses do executivo dissuadindo o senhor Eduardo de seus planos insidiosos pouco republicanos na Câmara dos Deputados Federais.