Redação Pragmatismo
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Bolsa Família 28/Oct/2014 às 22:13
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O Programa Bolsa Família e a dor de cotovelo da Sociedade Capitalista

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João Luis Suppi Rodrigues*

O Programa Bolsa Família atualmente beneficia 56 milhões de pessoas no Brasil, representando aproximadamente 28% da população brasileira, é um programa consolidado e de referência mundial, nenhuma outra politica social de transferência de renda foi tão bem sucedida. A busca do Estado de suprir as necessidades sociais básicas da população realiza-se assim de forma avançada e contínua, causando uma ruptura de antigos sistemas de proteção social, voltando-se para a população pobre em idade ativa, com capacidade produtiva e com um olhar direto para as crianças.

Para receber o benefício, basta a família atender aos critérios de renda estipulados, que não podem ultrapassar o valor de R$154,00 per capita, a partir dai, com o cálculo do número de pessoas na família, cadastramento e do processo de avaliação feito pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, poderá ocorrer a liberação do benefício.

Atualmente o valor médio do benefício repassado ás famílias Brasileiras beneficiárias é de R$ 170,10 mensais, e que para permanecerem no programa devem cumprir com as condicionalidades, reforçando o acesso a direitos sociais básicos nas áreas de Educação com todas as crianças e adolescentes de 6 a 17 anos frequentando a escola, na Saúde devendo haver o acompanhamento nutricional com verificação de vacinação, peso e altura e na Assistência Social a família deve manter o cadastro atualizado a cada dois anos.

Uma das principais críticas ao programa é a ideia de comodismo gerada nas famílias beneficiárias, o chamando efeito preguiça (a pessoa recebe os recursos do programa e não vai trabalhar) é desmistificado quando analisados os dados disponibilizados pela OIT – Organização Internacional do Trabalho – onde se constata que quase 70% dos beneficiários do Programa possuem renda vinda do trabalho, a diferença – vale ressaltar – está no tipo de trabalho realizado, muitas vezes precário, informal e consequentemente temporário. O trabalho é um dos principais vínculos entre o desenvolvimento econômico e o social, mas não é qualquer trabalho que garante o acesso a uma vida digna, e sim um trabalho decente que além de remuneração adequada, promova o acesso aos direitos, à proteção social e a igualdade de oportunidades.

Vemos nas redes sociais imagens e críticas ao programa absolutamente infundadas, parte dos usuários compartilham informações sem ao menos averiguá-la, nos fazendo perceber que o “problema” da educação no país, não abrange somente as famílias mais pobres, os negros e os nordestinos, como também analfabetos funcionais de nível universitário. O programa trabalha também com a inclusão produtiva, que ao lado da garantia de renda e do acesso a serviços públicos, propicia a população beneficiária do Programa Bolsa Família oportunidades de ocupação e renda, com destaque para o PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – que oferece cursos de formação inicial e continuada para a população de baixa renda, por meio dos Institutos Federais e escolas do Sistema S.

O crescimento das políticas sociais e a garantia de direitos são evidentes, porém há muito ainda a se fazer, já que historicamente sabemos da privação de oportunidades acometidas a uma enorme quantidade de brasileiros. Ai sim, acreditar que ao longo do tempo, com a redução das desigualdades sociais e do número de pobres, possamos repensar o Programa Bolsa Família como um programa assistencial convencional, mas até lá é preciso fazer-se entender os princípios básicos do programa, que acima de tudo age contra a pobreza e possibilita o acesso da população vulnerável aos seus direitos básicos.

É evidente que ninguém fica rico recebendo o Bolsa Família, então por que para muitos é tão inconcebível ver um pobre tendo o mesmo poder de compra? Isso meu povo, é distribuição de renda, isso é igualdade social.

*João Luis Suppi Rodrigues é acadêmico do curso de Serviço Social, Servidor Público Municipal e colabora para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 28/Oct/2014 às 23:52

    É tão injusto que Bill Gates, a ONU, e outros sábios que se preocupam com a fome e a miséria no mundo o copiam e propagandeiam ele por onde passam.... Interessante é o que os ricos, e os metidos a ricos, tem uma mania muito estranha ser contra seus semelhantes poder ter o que comer, ter um mínimo de dignidade.... será que eles trocariam de lugar, será que participam da vida em sociedade como voluntários nos conselhos, nos colegiados escolares.... duvido o negócio deles é BALADAS TIPO REI DO CAMAROTE, COMPRAS EM NY, onde torram muitas vezes o suor de empregados mal pagos e até explorados.... esse é o verdadeiro protesto deles...

  2. Bruno RS Postado em 29/Oct/2014 às 00:30

    Concordo e além disso alguns dessas pessoas influenciam outros que não tem acesso a informação d qualidade , a se tornar contra as políticas ssociais que estão fazendo diferença na vida dessas pessoas que agora tem pelo menos um auxílio que os ajude a manter em um pais que por mais, não esteja mais no mapa da fome da ONU , tem pessoas que passam fome.. E se querem ver mais informações de qualidade também existe um blog chamado o palpiteiro professor moraes é ótimo para entender melhor o nosso pais e o mundo. RECOMENDO MUITO E APROVEITEM A BOA LEITURA.

  3. Fabio Hideki Postado em 29/Oct/2014 às 01:36

    Bolsa Família: menos de 0,5% do PIB Pagamento de juros da dívida pública : 4,5%. Porque a classe média não reclama dos banqueiros ?

    • Luiz Souza Postado em 29/Oct/2014 às 03:22

      Bem lembrado, caro preso político do governo fascista Alckmin. Sou classe média, reclamo dos banqueiros e clamo pela volta da CPMF já! Especulador tem de ser esfolado vivo. Quem tem ganhos exorbitantes e não gera emprego tem de ser esfolado vivo. E já passou da hora de o Bolsa Família ser substancialmente ampliado.

      • Celio Bernstein Postado em 29/Oct/2014 às 16:23

        Bem lembrado também. Os maiores parasitas são os especuladores. Não produzem, não geram empregos, não contribuem para a sociedade e ainda lucram absurdamente! Destes aí, a classe média reclamona (conhecida como classe média sofre) nem se lembra.

    • eu daqui Postado em 29/Oct/2014 às 09:43

      Reclamo de ambos: parasita rico e parasita pobre. Ambos são danosos a qualquer processo civilizatório e a queleur conceito alicerçado em valores como Trabalho e Justiça.

  4. eu daqui Postado em 29/Oct/2014 às 09:35

    Se tivesse dor de cotovelo, inveja ou qualquer imundície do gênero, seria da mega da virada e não de bolsas fracassos em geral.

  5. Felipe Peters Berchielli Postado em 29/Oct/2014 às 09:55

    Outro mito em relação ao BF,tem gente que acha que só desempregado recebe,logo o Brasil tem 56 milhões de desempregados,não poderia estar mais enganados. O valor máximo de 154,00 é per capíta,logo o pai ou mãe pode trabalhar porém se houverem muitos membros da familia um salário minimo é inviável,logo o BF complementa a renda

  6. Guilhermo Postado em 29/Oct/2014 às 10:48

    O bolsa família deveria ser aumentado. Com o valor atual nem dá pra comprar uma calça para uma jovem de 16 anos. Sim, porque uma calça para uma jovem de 16 anos é mais de R$300,00. #fikadika

  7. Danila Postado em 29/Oct/2014 às 10:52

    Acho que o BF está fazendo um bem necessário. Mas isso deveria ser visto como algo emergencial. Se não tivéssemos uma carga tributária tão abusiva, por exemplo, muitas famílias teriam acesso mais facilmente a itens de necessidade básica. Não podemos pensar somente no hoje. Em matar a fome de quem precisa... e não possibilitar que essa pessoa de "cresça" na vida, estude, trabalhe, e sustente sua família com dignidade.

  8. Pereira Postado em 29/Oct/2014 às 11:03

    Queria deixar minha solidariedade ao povo do nordeste. Esse povo tão sofrido, tão oprimido por esse governo do PT que nada faz a não ser usá-lo como massa de manobra e curral eleitoreiro. O governo opressor do PT prefere manter sob controle usando o instrumento do medo(a pior das ditaduras), dando à essa parcela da população uma esmola irrisória(bolsa família) ao invés de levar desenvolvimento e investimentos capitalistas para a região do sertão. Ao invés de dizer que o povo nordestino tem condições intelectuais, físicas e sociais de produzir e de se desenvolver, obriga esse povo a receber quase nada. Fica minha total solidariedade aos nordestinos.

  9. Pereira Postado em 29/Oct/2014 às 11:05

    "Porque a classe média não reclama dos banqueiros ?" É que quando a gente reclama de alguma coisa, aparece as marilenas chauís da vida dizendo que somos terroristas e ignorantes. Sem contar que foi a classe média que deu a mando desse governo os maiores lucros da história dos bancos.

  10. poliana Postado em 29/Oct/2014 às 11:07

    Filho, n fala besteira! Nos eua, país de 1* mundo, mais de 40 milhões de pessoas recebem auxilio do governo nos moldes do bolsa família. Na inglaterra, tb um país de 1* mundo, as políticas assistencialistas existem ha anos, e ainda existem mais de trocentos auxilios do estado q fazem o bf ser um nada. Poderia te dar varios outros exemplos de países de 1* mundo q tb tem programas assistencialistas, mas meu tempo essa hora eh muito curto. Antes de defecar pelo teclado, caro cesar souza, vai ler um pouco mais...assim vc se livra dessa ideias pre concebidas embassadas de ódio, preconceito e intolerância para com certas minorias. No mais, tenha um bom dia.

  11. Victor Hugo Postado em 29/Oct/2014 às 11:31

    "Sociedade capitalista". Hipocrisia, demagogia, isso é o que vemos muito por aqui.