Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 16/Oct/2014 às 15:04
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O boato sobre o 'ponto eletrônico' de Dilma no debate da Band

Suposto uso de ponto eletrônico por Dilma é descartado por site especializado em desnudar mentiras na internet. Para jornalista, criação do boato é mais uma comprovação de que a Dilma venceu o debate

dilma ponto eletrônico debate band
Boato criado por internautas ainda não identificados diz que Dilma usou ponto eletrônico no debate da Band (reprodução)

Começou a circular nas redes sociais a informação de que Dilma Rousseff teria supostamente usado um ponto eletrônico no debate com Aécio Neves promovido pela Rede Bandeirantes, na última terça-feira.

Sobre a mentira, o jornalista Renato Rovai levantou alguns questionamentos:

1) Por que Aécio não denunciou a fraude no ar?
2) Como nenhum jornalista presente viu que o ponto estava sendo usado?
3) Como foi possível usá-lo dentro da Bandeirantes sem o consentimento da emissora?
4) Por que você está dizendo isso? Por acaso você está assumindo que a Dilma foi muito melhor no debate que Aécio?

Para Rovai, a criação do boato foi motivada pelo desempenho superior ao esperado de Dilma no debate. “Evidente que só há um motivo para se espalhar essa história. Tentar justificar a vitória da Dilma no debate da Band”, afirma.

Ainda ontem, o colunista de O Globo e simpatizante do PSDB, Ricardo Noblat, publicou uma análise em que considerou Dilma Rousseff vitoriosa no debate com Aécio Neves na TV Bandeirantes.

O sítio Boatos.org, especializado em desmentir mensagens falsas na internet, publicou um texto em que desnuda a mentira espalhada na internet a respeito do uso de ponto eletrônico pela candidata Dilma Rousseff no debate da Band.

Leia abaixo:

Balela: Dilma usou ponto eletrônico durante debate com Aécio na Band

Um dia após o debate, começou a aparecer na internet a “denúncia” de que Dilma estaria usando o recurso do ponto eletrônico (ou seja, um microfone no ouvido em que alguém ditava o que falar) para o debate. Leia versões do que apareceu na web:

– “Dilma usou ponto eletrônico para debater com Aécio”

– “Dilma direto ao ponto”

– “Começou a circular na internet foto mostrando que Dilma, no debate de ontem na Band, usou ponto eletrônico, por onde um assessor passava as respostas mais complexas, como estatísticas e números de leis. Lembram que ela gaguejava do nada, de quando em vez? E às vezes ajeitava o cabelo? Era o ponto eletrônico. Mais um truque sujo nesta campanha de mentiras do PT”

Junto às mensagens, estava a prova cabal: uma imagem mostrando o suposto ponto eletrônico na orelha esquerda da presidente e candidata à reeleição. O assunto logo se espalhou em blogs e redes sociais. Mas aí fica a pergunta: será que é verdade que Dilma usou ponto eletrônico?

Essa nem deu muito trabalho para desvendar. A primeira prova da balela está na própria foto, que seria uma suposta imagem ampliada que mostrava o ponto. Fizemos a medida da parte destacada e da parte aumentada. Chegamos à conclusão que a parte aumentada era cerca de cinco vezes maior do que a parte destacada na imagem (o quadradinho).

Bem, resolvemos ampliar cinco vezes a imagem original. E o que achamos? Isso mesmo: nada, nadinha, nadidinha. Só o que temos é uma orelha gigante sem ponto eletrônico.

dilma ponto eletrônico debate

Em 2010, a bola já tinha sido levantada. E até Reinaldo Azevedo, blogueiro de Veja que não nutre muita simpatia pela presidente, apontou que “achava” que ela não teria usado ponto algum.

Bem, com essas provas dá para se dizer que Dilma não usou ponto eletrônico nas eleições. Esse é mais um boato que foi espalhado na web.

Em tempo: se você quiser assistir ao debate, confira o vídeo abaixo:

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Comentários

  1. Igor Postado em 16/Oct/2014 às 15:10

    Chega a ser engraçado isso, o cara usar isso de justificativa pro Aécio ter tomado um sacode, literalmente.

  2. Jair Postado em 16/Oct/2014 às 15:16

    Aos meus amigos que votarão em Aécio Recentemente encuquei com a quantidade de pessoas que julgo inteligentes e que estão declarando voto-protesto em Aécio "para mudar tudo isso aí". Sempre que alguém me diz que "do jeito que as coisas estão não dá mais" me pergunto se essa pessoa nasceu e cresceu na Dinamarca e chegou no Brasil há alguns anos apenas. O que não dá mais exatamente? As coisas não estão ótimas, mas já foram imperialmente mais grotescas. Talvez tudo esteja melhor com exceção do trânsito nas capitais - e vamos combinar que trânsito na capital não é um problema do Governo Federal. "Ah, mas a corrupção está insustentável". Como assim, meu amigo? A corrupção é esporte nacional desde que o tal Dom João aportou por aqui. Pode não ter melhorado, mas agora está aí para ser julgada e condenada, como de fato está sendo. "O PT quer instalar a ditadura", já escutei gente que sei que é do bem dizer. Mas então me expliquem que tipo de ditadura demora 13 anos para ser instalada? E que ditadura mantém poderes independentes e uma Polícia Federal que investiga o pessoal da situação? Que ditadura manda para a cadeia alguns de seus líderes mais influentes? Que ditadura permite ser chamada de ditadura sem mandar prender quem falou isso? Encucado, comecei a refletir sobre essas coisas. Raramente minhas reflexões acabam em lugares produtivos, mas, por dever moral, compartilho aqui o que meus dois neurônios concluíram. A sensação de insatisfação é mundial. Recentemente, a Europa teve que escolher o novo Parlamento, votado pela população dos países da comunidade Europeia, e duas correntes saíram vitoriosas da eleição: as de extrema direita e as socialistas. Me parece um recado claro de que todos querem mudança. Mas mudança do que? O que está pegando? O que está pegando é a desigualdade social e o desemprego. O Brasil não vai mal em nenhum dos dois (desigualdade e desemprego diminuiram), mas a onda da mudança chegou aqui também. Todos nós sabemos que um pouco de desigualdade faz parte do jogo, mas a desigualdade que vemos hoje é alarmante e dilacerante. E, com a quebradeira de 2008 e os altos níveis de desemprego na Europa e nos Estados Unidos, é natural - embora abominável - que a turma da extrema direita, a turma do nacionalismo, a turma do "volta pra casa imigrante de merda porque é por sua causa que estamos nessa situação" se agigante e saia elegendo seus representantes. A explicação para a catastófica situação de hoje não é, claro, o imigrante, mas situações limite tendem a tirar o pior ou o melhor do ser-humano; e no caso da extrema direita é sempre o pior. Mas o que levou a economia mundial a esse ponto? Vamos analisar o caso americano, o berço do neo-liberalismo, esse sistema tão idolatrado pelos psdbistas, e onde hoje quatrocentas pessoas têm mais dinheiro do que a riqueza de metade da população somada. Os parágrafos a seguir estão mais no estilo "economia para idiotas" (o meu caso precisamente), mas sigam comigo porque eu prometo levá-los até que completemos um círculo inteiro. Setenta porcento da economia americana está no consumo, e quem sustenta o consumo de qualquer economia é sempre a classe média. Se a classe média para de consumir, a economia para de crescer. O salário de um trabalhador comum nos Estados Unidos não cresce desde os anos 70. Não cresce significa que o poder real de compra do salário não muda há 40 anos. Está estagnado há quase quatro décadas. E estagnado nem é a palavra correta. O trabalhador comum ganha menos hoje do que ganhava em 1970. Em compensação, a produtividade só cresceu, e só faz crescer até hoje. Então: se o salário é o que o patrão dá ao trabalhador, e se produtividade é o que o trabalhador dá ao patrão a gente consegue entender onde foi parar essa diferença. É um gráfico simples que até eu entendo. Mais produtividade, mais lucro. Mais lucro sem aumentar o salário do trabalhador significa acúmulo de dinheiro nas mãos apenas daqueles que controlam os meios de produção (perdoem se aqui o discurso soa marxista, sei que isso assusta alguns, mas prometo não arrepiá-los pedindo que se instale o comunismo). E o que o patrão fez com esse dinheiro acumulado? Em vez de devolver ao mercado, ele guardou. Guardou em ações, em capital especulativo - no mercado de capital enfim. É um dinheiro que não cria utilidade social, o que seria aceitável numa sociedade de iguais, e não é esse o caso. No mesmo período, fortificou-se a ideia de que taxar o patrão não é um bom negócio porque ele é o cara que cria empregos e, afinal, precisamos de empregos. Então, impostos sobre os ricos só caíram. Um trabalhador comum nos Estados Unidos hoje paga em torno de 30% de impostos. Warren Buffet, uma das maiores fortunas do mundo, paga 11%. (Pausa para que façamos a digestão). Naturalmente até meus dois neurônios entendem que não é o empresário que cria emprego. Quem cria emprego é o consumidor. O empresário não acorda de bom humor numa sexta-feira ensolarada e diz: "Que dia lindo! Vou criar vinte empregos hoje!" Ele, aliás, de uma forma geral só cria emprego em caso de última necessidade, e de não poder mais sobrecarregar o funcionário com tarefas extras porque o cidadão está esgotado. Se alguém auto-denomina "criador de empregos" ele está apenas fazendo uma declaração de poder e de status, nada além disso. O centro do universo econômico é o consumidor. E toda a história de prosperidade econômica de uma comunidade é uma história de investimento social. Investimento nas classes mais baixas, e em coisas básicas como educação - gratuita e de qualidade. Se querem um exemplo de investimento social fiquemos com a Coreia do Sul porque assim poupo vocês de falar de Cuba e não perco leitores. Aqueles que insistem com o discurso da divindade do livre mercado ainda não se deram conta de que livre mercado nunca existiu porque o governo, qualquer governo, sempre regulou mercados. O problema americano é que, desde o neoliberalíssimo Ronald Reagan, os mercados passaram a ser regulados de forma a atender os interesses dos muito ricos apenas. Uma regulação mão-leve, vista-grossa, uma regulação que protege o opressor e não o oprimido. Outra atitude tomada por Reagan foi o fim dos sindicatos. A economia americana hoje quase não tem sindicatos. E sem eles não há quem lute por reajustes salariais para o trabalhador, por isso a estagnação do poder real de compra do dólar por quarto décadas. O que fez o trabalhador americano tendo que continuar a gastar com casa, alimentação, saúde e educação mas ganhando rigorosamente o mesmo salário por gerações? Se endividou. Gastou no cartão, fez empréstimos e, ainda mais cruel, acumulou empregos, trabalhando muitas vezees em dois ou três. Que custo isso tem para a economia? Para as relações? Para as famílias? Sem dinheiro e tendo que trabalhar por horas sem fim as pessoas não se cuidam, não se relacionam decentemente, não criam filhos decentemente. O diabo da economia capitalista é que, no fim, todo esse drama entra na conta como crescimento: médicos, remédios, psicólogos, mortes... Não é preciso ser um gênio para etender que se a produtividade aumenta, o salário também precisa aumentar. Não apenas porque é legítimo e moral, mas porque se o salário aumenta, o trabalhador compra mais, e se ele compra mais a empresa cria mais empregos, e se a empresa emprega mais e fatura mais, ela paga mais impostos. E se ela paga mais impostos o governo ganha mais e investe mais em social e em educação e a economia cresce. Se em alguma dessas etapas o giro é interrompido para que alguma das partes possa acumular capital, a economia trava e a desigualdade aumenta. Isso chamamos de neo-liberalismo. O mercado quase sem regulação federal, pouco ou nenhum investimento social, capital acumulado na mão daqueles que controlam os meios de produção. O modelo neo-liberal, o modelo do PSDB, não prevê investimentos sociais (vamos apenas lembrar que o PT fez o Minha Casa Minha Vida, o Luz Para Todos, o ProUni e ampliou o Bolsa Família que era um programa nanico e anêmico durante os anos FHC), não prevê força sindical, não prevê taxação maior aos ricos, não prevê regulação mais forte do mercado em benefício das classes mais baixas. O modelo PSDBista é uma cópia do modelo falido americano. O modelo PTista investiu no social e mudou a cara do Brasil na última década. Fez ascender uma multidão de pessoas ao mercado consumidor, girou a economia, pagou o FMI, deu status ao país lá fora, diminuiu desigualdade, desemprego, tirou o Brasil do mapa mundial da fome, fortaleceu a Petrobrás (Ah, por favor. Sem essa de escândalo de corrupção. Está tudo aí, sendo investigado etc e tal. Veja apenas quanto valia a empresa com FH e quanto vale hoje). Eu sei, ainda estamos longe do ideal, mas não se muda 500 anos de tropeços e costumes deploráveis e desvios e sonegações em 12. É preciso mais tempo. É preciso mais investimento social. Mas estamos evoluindo, e uma administração neo-liberal interromperia todo esse processo. É isso o que estaremos escolhendo no dia 26. Não se trata de optar entre aqueles que fizeram o Mensalão ou aquele que construiu aeroporto particular com grana pública e empregou parentes em seu governo. Não se trata de escolher entre o "menor dos delitos", ou em "alternar poder". Não se trata de escolher entre o azul e o vermelho, entre o bom e o mau, entre o que fala bem e o que fala aos trancos, entre o filhinho de papai e a guerrilheira. Se trata de escolher um modelo de país. De optar entre o investimento no acionista ou o investimento no social. Entre a proteção ao dinheiro do rico ou à dignidade do pobre. É disso que se trata o dia 26

    • Stella Postado em 16/Oct/2014 às 22:16

      Minas Gerais já conhece o 45 e por isso prefere o 13!!!

    • Onda Vermelha Postado em 16/Oct/2014 às 22:44

      Jair, meus parabéns! Por isso, voto Dilma para o Brasil seguir mudando com distribuição de renda e oportunidades iguais para todos.

    • Erica Postado em 16/Oct/2014 às 23:30

      Jair, gostaria de publicar sua opinião no facebook!

    • Cristiane Carvalho Postado em 17/Oct/2014 às 09:40

      Você pode não acreditar, mas li tudo o que você escreveu!! E concordo. Muito coerente, muito didático. Por tudo isso, obviamente, dia 26 votarei 13 NOVAMENTE.

    • mario Postado em 18/Oct/2014 às 09:25

      N li todo seu comentário mas na hora q eu vi q era contra o aecio aprovei, pois so pessoas inteligentes votam na dilma FORA AECIO FORA 45 CONTINUA MUDANDO BRASIL!

  3. Rafael Postado em 16/Oct/2014 às 15:36

    Não diria que ela usou ponto, mas é lógico que ela tem problema sério para responder e elaborar as perguntas! Ela como se tivesse fazendo Ditado para a turma da primeira série!

  4. Flavio Postado em 16/Oct/2014 às 17:39

    Pra aumentar a credibilidade do post podia postar o debate em FULL HD, pra quem quiser procurar o ponto no ouvido.

  5. Deisi Postado em 16/Oct/2014 às 17:51

    A realidade é que a Dilma pegou o playboy de calças curtas, ele que é uma pessoa sem muito controle emocional mimado e birrento, no primeiro e segundo bloco, foi bem irônico e cheio de si. Mas depois que ela falou sobre agressão a mulher, o moço engoliu em seco, ficou pianinho, foi muito bom ver a cara dele tremendo mais que vara verde, dai foi um massacre. Mas ela disse em entrevista, que estava calma, porque no segundo turno é um debate de duas pessoas, antes eram todos contra ela. Também todos sabem que o candidato perde o controle quando pisa no calo, e bem corajoso para espancar e dar de dedo contra mulher, mas o quando o Bonner falou sobre o aeroporto do titio, enrolou e não respondeu. Coxinhas aceita que dói menos, a Dilma surpreendeu a todos, mexe com quem tá queto.

  6. Fred Taques Postado em 16/Oct/2014 às 21:40

    Quem eu vi divulgando isso foi o Francischini, notório idiota.

  7. Luiz Postado em 16/Oct/2014 às 22:18

    A Dilma possui um perfil executor, um perfil raro na politica, que não só delega, mas põe em prática projetos, não é do perfil executivo, que veste ternos bem cortados e fala jargões confortáveis, por isso ela tem muita dificuldade em falar, pois ela escolhe as palavras a empregar. Ela é do tipo daquele que faz, e depois mostra resultados, por isso ela tem fama de ser tão incisiva ao cobrar resultados. Foi bem criada na escola mineira, escola essa que Aécio matou várias aulas para ser "menino do Rio/da Porteira".

  8. Onda Vermelha Postado em 16/Oct/2014 às 22:49

    Ok, Rafael, mas ao criarem esse "factóide" de que ela teria usado um "ponto eletrônico" na realidade acabaram por reconhecer que ela foi superior independente da dificuldade de elaborar perguntas/respostas rápidas e menos prolixas. E é isso que importa.

  9. Marcelinho Postado em 17/Oct/2014 às 05:57

    Acho que a Dilma ganha com mais de 60%, o "Homem do AeroPó" é fraquíssimo.

  10. Carlos Postado em 17/Oct/2014 às 23:04

    Venceu, perder é vencer agora?

  11. enganado Postado em 19/Oct/2014 às 23:43

    Penso que para responder as perguntas do Aético, qualquer pessoa não precisaria de ponto eletrônico porque as perguntas são fáceis de responder, e além disso o Moleque de Recados da Direita não tem cultura para perguntas difíceis. Quem da Direita tem cultura? Se você estudar um pouco, aí é que pessoa não vota no PSDB.