Redação Pragmatismo
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Mobilidade Urbana 02/Oct/2014 às 18:07
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Motorista é vaiada em Higienópolis por invadir ciclovia

Motorista invade ciclovia em Higienópolis, é repreendida por ciclistas e vai embora sob vaias das pessoas que passavam pelo local

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Ciclista repreende motorista que trafega irregularmente na ciclovia (reprodução)

SpressoSP

Na última quarta-feira (1), uma ciclista resolveu fazer valer o seu direito de trafegar com segurança pelas ruas da cidade. Na esquina entre a Avenida Angélica e a Alameda Barros, em Higienópolis, na região central de São Paulo, ela desafiou uma motorista que transitava de carro pela ciclovia, o que é proibido.

“Eu não vou sair daqui, vou deixar a bicicleta aqui”, disse, parada em frente ao veículo. Como a dona do carro não cedeu, a ciclista pegou o celular e tentou tirar uma foto dela, que fugiu em marcha-ré, sob vaias dos pedestres. Toda a cena foi registrada pelo músico Sérgio Gonçalves, de 28 anos, que é morador do bairro e apoiou o protesto. “Folgado tem que ser vaiado e denunciado”, escreveu ao publicar o vídeo em uma rede social.

A ciclovia da Alameda de Barros foi inaugurada no dia 13 do mês passado. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a cidade conta hoje com 142,7 quilômetros de ciclovias ao todo.

Vídeo:

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Comentários

  1. Rafael Martini Postado em 02/Oct/2014 às 23:07

    Já vi esse filme. A classe média e sua resistência para compartilhar privilégios (aliás, nem sei se dá para classificar assim, pois trata-se de uma mera faixa de rolagem da rua que a dondoca não poderá mais passar com seu carro, só de bike). Parabéns à ciclista. Me parece que finalmente São Paulo está entrando no século XXI, devolvendo um pedacinho da cidade aos não motorizados e destinando mais um tantinho ao transporte coletivo. É pouco, mas representa muito pelo histórico e senso comum que permeia a mente de boa parte dos que afirmam viver na "locomotiva do Brasil [sic]".

    • Rodrigo Postado em 03/Oct/2014 às 10:11

      (Outro Rodrigo) A "classe média"? Então, se uma pessoa negra cometer um crime, retroagiremos e diremos que todos os negros são criminosos? O mesmo em relação às mulheres, homossexuais e demais? Ou vamos abandonar esse sectarismo, o "ódio chauiano" (interessante um(a) filósofo(a) que brada ódio), o maniqueísmo, e nos enxergarmos como cidadãos brasileiros, em vez de "coxinhas e pastéis de vento", "reaças e revoluças", "tucanalhas e petralhas", "mensaleiros e trensaleiros"? Apenas para constar, Collor bradava a caça aos "marajás", que eram o mal da nação, ao que o tempo passou e, de Itamar a Lula, a culpa era das elites dominantes, agora o critério reduzindo ainda mais, chegando-se à "classe média". Quem será, pois, o próximo bode expiatório, livremente condenado e acusado, a fim de ocultar todos os nossos erros e de nossos governantes? Até onde a mira vai baixar, de modo conveniente? Que cuidemos, pois, de nossa altivez, cultivemos humildade, a fim de enxergar nossas responsabilidades, mas não apenas ficarmos a apontar o dedo para quem nos dirigem.

      • Rafael Martini Postado em 03/Oct/2014 às 10:55

        Não insuflei o ódio em momento algum, é apenas uma constatação de quem também pertence à classe média. Pode bater o pé, espernear e chorar; goste ou não, as coisas estão mudando para o bem de todos, e não apenas para os que julgam "sustentar esse país".

      • Rodrigo Postado em 03/Oct/2014 às 11:14

        (Outro Rodrigo) Se as coisas mudam para o bem, não bato o pé e esperneio, ao contrário: aplaudo. Creio que você não compreendeu o que escrevi, pois, ao revés, eu conclamei, sim, à serenidade, à racionalidade, a repensarmos conceitos propostos pelos líderes partidários, como se verdades universais fossem - há ignorantes, há "folgados", há "aproveitadores", há pessoas que valoram o "jeitinho" nos mais diversos campos, profissões, ideologias, cores de pele, origens etc. Nem por isso devemos generalizar, bater o pé, espernear e chorar, querendo generalizar, criando "bodes expiatórios". Devemos nos ver, antes de tudo, como humanos, dotados da mesma dignidade (em que pese ainda haja muitos a negá-la quando conveniente for), como cidadãos, dotados dos mesmos direitos e deveres. E, concordo, parabéns à ciclista!

  2. Roberto Postado em 03/Oct/2014 às 09:42

    Essa mulher folgada é o retrato da classe média paulistana: egoísta, mesquinha, individualista. São as mesmas pessoas que estacionam em vaga para deficientes e idosos, andam pelo acostamento na estrada e criminalizam a política. Parabéns à ciclista que deu uma lição nessa motorista escrota

  3. Luís Fernando Postado em 03/Oct/2014 às 11:56

    Algumas pessoas que moram em Higienópolis são folgadas mesmo. Principalmente os idosos. Moro em um bairro vizinho e conheço bem esse pessoal.

  4. Danila Postado em 03/Oct/2014 às 12:38

    Que mania chata de rotular as pessoas. A motorista não precisa pertencer à alguma classe. Ela pode ser pobre, rica, negra, azul, gorda, magricela... enfim, que diferença isso faz?? Vejo esses comentários em todas as reportagens, que saco!! A pessoa é folgada e desrespeitou a faixa para ciclista, ponto!

  5. Rodrigo Postado em 03/Oct/2014 às 23:21

    É perceptível a revolta de determinados grupos ao serem rotulados com uma características que predominante entre eles. É a classe média sim que fica com esses mi mi mi quando percebe que perde algum posto de privilégio. Alias, classe média essa que nem ao menos pertence a elite, e vive sobretudo no desejo de parecer elite. É o mesmo chorume quando dizemos que o Grêmio é racista. "Ah, existe exceções". Ok, as exceções não geram o impacto que a maioria gera, portanto, falamos da maioria e não das exceções. Daqui a pouco não poderá se referir ao Holocausto como antissemita, visto que deveria haver algum ser antissemita, que muito provavelmente não deve ter durado muito.

    • Rodrigo Postado em 04/Oct/2014 às 10:18

      (Outro Rodrigo) Pois é, né? Que mania chata dessa gente. Quem essa gente pensa que é, ao chamar a coletividade, os cidadãos, a se verem como um povo, mas não como gado, marcado, rotulado, livremente eleito como bode expiatório? Essa gente só quer nhemnhemnhém! Ops, não podemos mais falar como FHC, só nos portarmos como ele é, para tentarmos ser diferentes, não falemos "nhemnhemnhém", mas "mimimi", para disfarçar a identidade de conduta. Collor elegeu seu bode expiatório, Itamar, FHC e Lulla, também. Agora sigamos no mesmo rumo, pois o importante é etiquetar, rotular, impor pechas, nominar, estabelecer um grupo como o culpado de todas as mazelas, ocultando assim nossos próprios vícios de conduta, nossa responsabilidade - como alguém ousa negar nossa perfeição? É muito nhemnhemnhém... Ops, mimimi...

      • Rafael Martini Postado em 04/Oct/2014 às 11:30

        Rodrigo, não entendo o motivo pelo qual você insiste em afirmar que a classe média foi eleita bode expiatório. Não vi ninguém afirmar que é ela "a culpada por nossas mazelas", conforme você insiste. Contudo, é notório que esse estrato social é tradicionalmente conservador, o que, por vezes, leva a posturas reacionárias contra diversas mudanças e readequações, sobretudo aquelas de natureza social, por mais simples que sejam. Reitero, ninguém está alimentando qualquer discurso de ódio ou o que quer que o valha, apenas constatou-se que tal comportamento é significativo nesse grupo social, o que não o exclui dos demais.

      • Rodrigo Postado em 04/Oct/2014 às 12:54

        (Outro Rodrigo) Tantos termos pejorativos e, ainda assim, não há deliberada escolha, livre e consciente, de alguns como os culpados de tudo? Ou a responsabilidade é coletiva e não queremos assumir, sendo mais fácil apontar culpados aleatoriamente? Aliás, qual a faixa de renda que compõe a classe média, mesmo? A definição governamental em voga pode te surpreender...

  6. Rodrigo Postado em 04/Oct/2014 às 15:00

    Rafael, desista. Percebo que o senhor ai continuará a bater na mesma tecla. O fato é que essa classe média possui algumas características que são predominantes nesse grupo, e isso é fato, por isso falamos no coletivo sem destacar todas as exceções possíveis da situação, o que seria desnecessário e inviável, visto que certamente sabemos que não é 100% da classe média que possui tais posturas. Mas enfim, é isso.

    • Rodrigo Postado em 04/Oct/2014 às 18:20

      (Outro Rodrigo) Xará, vou esclarecer ainda mais minha preocupação e resistência à conduta que critico. Inicialmente, esclareço não estar te chamando de racista, nazista, nada disso, mesmo em função da sua fala e dos demais. Minha preocupação é com a conduta de rotular determinado grupo como o culpado por mazelas (de caráter, socioeconômicas etc.), ou seja, com a reiteração de uma conduta que, em momentos prévios, chegou ao extremo ponto do racismo, do nazismo, à agressão a educadores, na Revolução Cultural chinesa, a agressão a mulheres, aos mais pobres, aos homossexuais, aos ateus, aos cristãos, comunistas e demais barbaridades às quais se chegou, começando com pouco e sem maldade, sem deliberada má-fé. O ser humano, pois, ver o semelhante como indissociavelmente ligado a uma responsabilidade, a uma culpa, que comporta diversos responsáveis, atua em campo perigoso. Deixo, pois, para reflexão, quanto ao que disse, o poema "No caminho, com Maiakóvski" (Eduardo Alves da Costa): “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.”.