Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 13/Oct/2014 às 19:11
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Fernando Meirelles e sócio desfazem parceria por divergências políticas

Antipetismo do cineasta brasileiro Fernando Meirelles leva sócio a desfazer parceria histórica. César Charlone afirma que o que mais assusta é esse "ódio contra Dilma e eleitores do PT, algo que não se viu no Brasil nem na ditadura militar"

fernando meirelles césar charlone
Fernando Meirelles (esq.) e César Charlone fizeram parcerias de grande sucesso no cinema (Edição: Pragmatismo Político)

Eles fizeram história ao serem indicados nas categorias principais do Oscar por ´Cidade de Deus` (2002), filme brasileiro que disputou quatro estatuetas em 2004. Enquanto Fernando Meirelles concorreu como diretor, César Charlone foi indicado pela fotografia do longa.

Dez anos depois, o cineasta brasileiro e o fotógrafo uruguaio radicado no Brasil decidiram seguir caminhos profissionais diferentes. Desde março, Charlone, que também é diretor, deixou a 02, produtora de Meirelles. Ele definiu a saída como ´um divórcio ideológico amigável`.

As diferenças ficaram evidentes nestas eleições. Enquanto Meirelles se engajou na campanha de Marina Silva e se coloca como anti-PT, Charlone defende a reeleição de Dilma Rousseff.

Charlone diz que o que mais incomoda e chama a atenção é “Esse ódio contra o PT, uma coisa que eu nunca tinha visto no Brasil”. É pior do que no tempo da ditadura. A turma que me rodeava não gostava dos militares. Mas não era essa coisa de ‘Dilma nojenta’, esse ódio contra o PT.” Ele afirma ainda que um dos incômodos que tinha na O2 era o de achar que Meirelles ajudava a alimentar o “ódio reinante” ao postar mensagens na rede interna da produtora, lida “por jovens que o respeitam”, com boatos não confirmados sobre o ex-presidente Lula.

As diferenças entre os dois surgiram muito antes do período eleitoral. Um dos pontos: o Bolsa Família. “Eu contei para o Fernando que estou pesquisando para fazer alguma coisa sobre o resultado do programa. E ele começou a meio que me encorajar para mostrar o Bolsa Família como um recinto, um albergue de parasitas. Essa visão mais neoliberal, não sei.”

VEJA TAMBÉM: Xico Sá pede demissão da Folha após ser censurado por apoiar Dilma

Tive a felicidade de ir agora ao Nordeste. É um outro país”, diz o uruguaio, que vive há mais de quatro décadas no Brasil. “Falei com um taxista orgulhoso de ver os filhos estudando e dessa coisa bonita de inserção social que vivemos.” Para ele, discussões sobre o Bolsa Família desaguam em “ódio de classe, insultos, uma coisa lamentavelmente muito mal informada e com pouca referência”.

Charlone teme o acirramento de posições. ´O que me incomoda é esse ódio contra o PT. Uma coisa que nunca tinha visto no Brasil, nem na ditadura. Xingar a Dilma de nojenta. É um ódio de classe que surgiu das sombras.”

informações da coluna de Mônica Bérgamo, Folha de S.Paulo

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Comentários

  1. vigilante Postado em 13/Oct/2014 às 19:58

    Ta explicado porque os americanos gostam dele...

  2. KARINA BB Postado em 13/Oct/2014 às 20:34

    É como ja disse aqui no PP,,,,em lugares de classe alta e media ,aqui no RJ ,se disser q vota no PT vc sera constrangido e vao te olhar d cara feia,,,ódio mesmo ......é de assustar o que esta acontecendo no Brasil nessas eleições

    • Leonardo Postado em 14/Oct/2014 às 08:25

      Em todos os lugares, Karina... Realmente o pessoal metido a elite entrou nessa onda. Faço MBA numa escola do sul de Minas onde as pessoas possuem um poder aquisitivo bastante razoável pelo jeito. Haha, chega a ser engraçado. Já fui chamado de comunista e algumas pessoas se afastaram depois que externei meu voto a Dilma. Os professores fazem campanhas engraçadinhas a favor do candidato tucano. Mas há de dar certo pro Brasil. Nosso povo precisa da continuidade desse governo.

  3. Onda Vermelha Postado em 13/Oct/2014 às 23:44

    Eu, por exemplo, não me intimido com essa "onda anti-petista". Até porque como deixou claro César Charlone quem critica os resultados dos programas como o BF são em geral desinformados sobre os reais resultados do programa. Sei disso porque debato com colegas de trabalho e a ignorância é a regra. Trabalham com "senso comum" e não valorizam dados estatísticos. Somente, se esses dados se prestarem a criticar o Governo da Dilma. O mais incrível é constatar que pessoas que deveriam ser mais bem informadas sobre o país real, como o Fernando Meirelles ou o Ney Matogrosso, são tão ou mais ignorantes do que o cidadão que não dispõe dos meios que esses caras possuem para se manter informados. Uma pena! Mas como vivi o Governo Collor sei que aqueles que elegeram o "caçador de marajás" depois da "burrada" que cometeram tinham vergonha de admitir que tinham sido enganados. Por isso, não desisto desta luta, que não é só por mim, mas pelas futuras gerações.É Dilma pro Brasil seguir mudando justiça social!

  4. Valdete Lima Postado em 14/Oct/2014 às 08:58

    Está na hora de essa gente bronzeada mostrar seu valor. Tal como na música, sinto falta daqueles comícios maravilhosos na Cinelândia, saindo da Candelária com aquele sentimento de pertencimento a um movimento realmente brasileiro. Trabalhava então, como revisora na editora da família de Carlos Lacerda e saía com a blusa cheia de botons do PT para aquele comício da cidadania, sem medo de ser feliz.. Sem nostalgia, mas com muita saudade, o Rio está devendo isso neste momento de colocar Isordil em baixo da língua, para aqueles que participaram destes momentos.

  5. Helena/S.André SP Postado em 14/Oct/2014 às 21:29

    É o ressurgimento do "macartismo" à moda brasileira, gente.