Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 25/Oct/2014 às 20:33
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Quem poderia fraudar o resultado da eleição de domingo?

Professor, especialista em internet e um dos principais divulgadores do Software Livre e Inclusão Digital no Brasil coloca em discussão o desconhecimento na fiscalização do processo eletrônico brasileiro e revela quem poderia fraudar a vontade popular e alterar os resultados coletados nas urnas eletrônicas neste domingo

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Sergio Amadeu: lisura das eleições está nas mãos de empresas privadas

Professor Sergio Amadeu revela que a lisura do resultado das eleições está nas mãos de empresas privadas terceirizadas, que são contratadas pelo TSE e pelos TREs para cuidar do processo eleitoral e, portanto têm acesso às urnas eletrônicas. Leia a seguir seu artigo sobre o assunto:

Sergio Amadeu da Silveira*

1- E se as pesquisas do dia anterior ao primeiro turno e a própria pesquisa de boca de urna não estivessem erradas? Chamou a atenção as disparidades entre as pesquisas e os resultados eleitorais. Essa dúvida não poderia existir. Muitos pesquisadores têm questionado a opacidade e as inúmeras incertezas do processo eleitoral brasileiro, chamado simplificadamente de “urna eletrônica”. O fato das pessoas não saberem como fiscalizar o processo eletrônico não é sinônimo de segurança, ao contrário, é uma situação de incerteza. Como a democracia depende de legitimidade, resolvi escrever esta breve consideração sobre a votação brasileira.

2- Vou direto ao ponto. Quem poderia fraudar a vontade popular e alterar os resultados coletados nas urnas eletrônicas? Respondo com clareza: aqueles que têm acesso a elas. Quem tem acesso às urnas? As empresas terceirizadas pelo TSE e pelos TREs para cuidar do processo eleitoral.

SAIBA MAIS: Como criar uma fraude eleitoral em 2014

3- Como poderia ocorrer uma fraude? Por exemplo, na urna eletrônica? Vamos ver como a Justiça eleitoral define a urna utilizada: “A urna eletrônica é um microcomputador de uso específico para eleições, com as seguintes características: resistente, de pequenas dimensões, leve, com autonomia de energia e com recursos de segurança”. Como qualquer computador, para ele funcionar depende de um programa, ou seja, de um software. Se os softwares não foram auditados, eles podem conter rotinas que, quando acionadas, alteram o resultado da votação. O eleitor confirma o seu voto e depois ele poderia ser modificado no resultado geral da urna. Como não há a impressão simultânea do voto em papel, em caso de suspeita ou dúvida, não é possível fazer uma recontagem para saber se o que o eleitor votou é o que foi computado na urna.

4- Como não temos a impressão simultânea, é possível saber se alguém inseriu alguma rotina maliciosa nas urnas de uma zona eleitoral? Antes de inserir os softwares nas urnas eles deveriam ser auditados. Eles foram? As informações que tenho é que apenas o PDT participou de auditoria do processo de lacração das urnas, mas não analisou todos os softwares que foram nelas embarcados.

5- A fraude só pode ocorrer alterando o programa das urnas? Não. Pode acontecer também na transmissão de dados para a central de totalização de votos. Pode ocorrer na manipulação dos pen drives que contêm alguns resultados e em outras fases do processo. Enfim, existem diversos pontos importantes de checagem e de controle.

6- Repare que o governo federal não têm acesso as urnas. Quem tem acesso é o Poder Judiciário. Na verdade, os juízes e funcionários públicos da Justiça Eleitoral não são técnicos em informática e em segurança da informação. Por isso, quem cuida das urnas, do software, da transmissão de dados são empresas terceirizadas que foram contratadas pelo TSE e pelos TREs.

7- Desse modo, hoje, a democracia brasileira e a lisura do pleito estão nas mãos de empresas como a Modulo Security, Engetec e outras. Esperamos que todos os cuidados sejam tomados por elas. Mas temos que ficar vigilantes e desconfiados. Acho que todos os técnicos que trabalham neste processo deveriam ter seus nomes publicados e, assim como os funcionários públicos de determinados cargos, ter suas declarações de renda enviadas, antes e um ano depois do pleito. Os donos dessas empresas deveriam ser conhecidos, pois deles dependem a garantia da vontade popular.

8- Podemos fiscalizar essas empresas até domingo? Não. Mas estamos atentos. Vamos deixar bem claro que sabemos que eles são os responsáveis pelo processo. Vamos também ficar de olho no “inserator”, rotina encontrada na urna e que permite inserir scripts que poderiam ser validados pela criptografia do sistema, conforme alertado pela Petição TSE Nº 23.891.

9- Essa situação de incerteza e opacidade precisa definitivamente mudar. Por isso, quando acabarem essas eleições precisamos realizar um amplo processo de debate público sobre o processo eleitoral. Não podemos depender da “bondade e ética” de empresas. Precisamos de controles e transparência do processo para toda a sociedade.

*Sérgio Amadeu da Silveira é um dos principais divulgadores do Software Livre e da Inclusão Digital no Brasil. Foi um dos implementadores dos Telecentros na América Latina e presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. É Doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal da ABC

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Comentários

  1. r4f4b3ml0c0 Postado em 25/Oct/2014 às 20:51

    Porém em todos os casos o mais fácil é comprar funcionários, os outros métodos são mais complicados... tem que ser muito discutido essas urnas, e o modelo de controle, e ter auditoria independente... acredito que vai ter golpe nessa eleição, pois o sistema de auditorias foi mudado, e o cara lá do tse acabou de fazer um pronunciamento dizendo que é o povo que escolhe e que a bagaça é segura, fora toda as propagandas que rolaram nessa eleição nesse sentido.... isso fede a golpe...

  2. poliana Postado em 25/Oct/2014 às 21:40

    Ja vi até onde isso vai dar..

  3. eduardo Postado em 25/Oct/2014 às 22:18

    não vai dar em nada.... temos que confiar ou não confiar.... se fosse assim porque os partidos aceitaram rolar a bola.... se as regras não estão claras, porque jogar o jogo.

  4. poliana Postado em 25/Oct/2014 às 22:28

    Eduardo..ate q se prove o contrario, acredito na lisura do pleito e das urnas eletronicas. Nosso metodo de votar, inclusive, vem sendo estudado ha anos por diversos países pra ser implentado em suas eleições. Mas há muito q o brasileiro vem questionando a confiabilidade das urnas eletronicas. Todo ano dizem q ha fraude e n sei o q...desde 2010 q muito se fala disso. Inclusive aki no pp ja ventilaram essa hipotese no 1* turno. N o site..mas alguns frequentadores...logo....por isso disse aí em cima q ja vi onde essa discussão vai chegar amanhã...afinal, bom e confiante msmo, eh marcar um x numa folha de papel ne?

  5. Thiago Teixeira Postado em 26/Oct/2014 às 16:15

    Faltam 45 minutos para a derrota final do ARROCHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!