Nicolas Chernavsky
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Política 30/Oct/2014 às 12:49
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38 anos de conservadorismo contra 16 de progressismo

Desde o golpe de Estado de 1964 até o início da presidência de Lula em 2003, o país teve predomínio político conservador; com esta vitória de Dilma Rousseff, o progressismo alcança 16 anos contínuos de predomínio político no Brasil

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Nicolas Chernavsky*

Muito se falou nesta eleição presidencial sobre a disputa PT x PSDB, mas existe uma outra disputa mais influente que esta, na qual PT e PSDB são apenas os principais partidos de campos mais amplos. Trata-se da disputa entre progressismo e conservadorismo.

Ao conservadorismo convém tratar somente da disputa PT x PSDB, pois assim o argumento da alternância compulsória de poder lhe serve; afinal, com esta vitória, o PT encabeçará com a presidência a coalizão progressista por 16 anos seguidos. Já a consciência da disputa entre progressismo e conservadorismo, do ponto de vista do argumento da alternância compulsória de poder, conviria, em um olhar mais superficial, ao progressismo, já que conservadorismo ficou 38 anos no predomínio da política brasileira (desde o golpe de Estado de 1964 até o início da presidência de Lula em 2003), enquanto que o progressismo está há muito menos tempo no predomínio da política brasileira, tendo conseguido agora uma vitória eleitoral que lhe permite chegar a 16 anos nesta situação.

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Entretanto, uma análise mais profunda indica que a alternância compulsória de poder não é uma característica da democracia; o que é sim uma característica da democracia é a possibilidade eleitoral da alternância de poder.

Assim, na democracia, periodicamente o povo tem essa possibilidade de alternar ou não a região do espectro político que encabeça o Estado. Assumir como desejável a alternância de poder (e não a possibilidade eleitoral de alternância de poder), levaria a uma redução da qualidade da democracia, pois os eleitores e eleitoras, independentemente de sua avaliação sobre qual setor do espectro político lhe parece mais progressista, podem se sentir compelidos a votar contra sua própria opinião, o que só pode favorecer o conservadorismo.

Portanto, mesmo que no curto prazo a ampliação da perspectiva histórica faça o argumento da alternância compulsória de poder favorecer o progressismo (pois seriam 38 anos contra 16 anos), no médio e no longo prazo este argumento favorece o conservadorismo, pois sempre chegará o momento em que o conservadorismo afirmará que o tempo de predomínio progressista já se igualou ao predomínio conservador anterior, e que portanto já seria hora de voltar ao predomínio conservador.

Assim, vê-se que o argumento da alternância compulsória de poder é essencialmente conservador, o que vale inclusive para as tentativas de acabar com a possibilidade de reeleição e mesmo para a atual limitação no Brasil a uma reeleição para cargos executivos.

A característica da democracia, da possibilidade eleitoral de alternância do poder implica em que a alternância de poder deve ser apenas uma possibilidade eleitoral, cabendo apenas ao povo escolher se essa possibilidade se realiza ou não, em qualquer eleição e independentemente do número de mandatos cumpridos pela pessoa até o momento.

*Nicolas Chernavsky é jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP), editor do Cultura Política e colaborador do Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Felipe Peters Berchielli Postado em 30/Oct/2014 às 13:52

    O PSDB quando governou o Brasil,nem era tão conservador,porém com a chegada do PT ao poder o próprio PSDB se pos como pólo antagonico do progressismo,não atoa foi apoiado por Bolsonaro,Feliciano,Malafaia,facistas de diversos tipos na internet,racistas entre outros,sim o Aécio carregou tudo isso com ele,mesmo não querendo,porém comparar com os EUA não da,perdemos na maioria das coisas pra eles,felizmente perdemos também na aula de conservadorismo.

  2. Jose Postado em 30/Oct/2014 às 14:10

    Não seriam 38 anos?

  3. Denisbaldo Postado em 30/Oct/2014 às 22:18

    O que tem a ver o cu com a calca? Aqui eh Brasil maneh, mania de coxinha de ter os EUA como refeencia em tudo.

  4. Carlos Fonseca Postado em 31/Oct/2014 às 20:24

    Tanta babaquice, tem gente de um lado como de outro, eleitores, endinharados ou dependentes de bolsas ou não, e daí, cada um um voto, me convença o contrário, aí tu ganha a eleição.

  5. André Anlub Postado em 01/Nov/2014 às 18:25

    Sendo que 80% dos conservadores são falsos moralistas!

  6. Fernando Postado em 01/Nov/2014 às 21:38

    Vamos completar 125 anos de República, sendo 106 de Direita no poder e apenas 19 da esquerda (12 PT+Jango+Getúlio, 2º mandato). Adivinhe quem fez mais pelo social?

    • José Ferreira Postado em 01/Nov/2014 às 23:16

      Getúlio esquerdista?? Foi o próprio que mandou a Olga para a concentração.