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Aborto 25/Sep/2014 às 11:24
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E se minha mãe tivesse me abortado?

aborto legal seguro direito decidir

Laryssa Carvalho*, Blogueiras Feministas

Possibilidade 1: Ela teria morrido, pois, como mulher negra pobre periférica, não poderia ir a uma clínica de aborto, muito menos viajar para outro país onde se poderia fazer o aborto legal e seguro – como as ricas fazem.

Possibilidade 2: Ela teria sido presa, pois o aborto, no nosso país, é crime.

Possibilidade 3: Ela não teria passado pelo drama de ser mãe solteira (e abandonada) em uma família pobre e religiosa. Ela não teria que ter saído de casa tão cedo. Ela não teria passado fome. Ela não teria abandonado seus estudos. Ela poderia ter feito uma graduação em ensino superior. Ela não precisaria ter se submetido a um branco burguês, do qual depende até hoje para ter uma vida minimamente decente. Ela poderia ter tido uma vida muito melhor do que ela tem hoje e, quando escolhesse ter um/uma filho/a, este/a também viveria melhor do que eu vivi.

Muitas mulheres quando engravidam, especialmente se for na adolescência, entram em um estado de desespero tão grande, que se sujeitam às duas primeiras possibilidades na esperança de obter a terceira. Porém, isto é pouco palpável para uma mulher negra pobre periférica do Brasil atual. Minha mãe preferiu não arriscar.

Note uma coisa, isso não foi uma “livre escolha”. O medo, a influência moral da igreja, a repressão do Estado e a opressão do capital e do patriarcado restringiram as escolhas dela em “se ferrar” ou “se foder”, para dizer grosseiramente. Isso tudo poderia ser evitado se ela tomasse anticoncepcional? Não, são as causas pelas quais eu luto que poderiam ter evitado, de fato, essas situações. Mas, se quer saber, ela tomava sim anticoncepcional.

E, mesmo que não tivesse tomado, não vem com essa porra de jogar toda a responsabilidade para cima dela, reiterando a ideia de que “mulher tem que se preservar” e blá blá blá. O senso comum não se importa com o aborto dos homens — que, aliás, é extremamente comum. Meu progenitor (genericamente conhecido como “pai”) me abortou e ninguém, NUNCA, foi atrás dele. Ele não sofreu nenhum rechaço, ele não foi responsabilizado, nem ao menos consideraram o abandono dele durante a gravidez um aborto. Só que foi.

Agora, se sua pergunta vai no sentido de querer saber como EU me sentiria se eu tivesse sido abortada pela minha mãe, vai me desculpar, vou te chamar de sem noção, pois não há nexo algum em perguntar como um FETO se sentiria diante de um problemática social, nem sequer consciência eu tinha (e, no seu conceito, o que um feto “sente” realmente está acima do que sentem as mulheres que querem/precisam abortar?). É obvio que todo mundo que é contra o aborto já nasceu, não tem como ter senso crítico sem ter nascido. Então, aproveita que você, como eu, também nasceu e usa o seu.

Eu quero aborto legal, seguro e gratuito.

*Laryssa Carvalho é estudante de cursinho popular, trabalhadora, feminista negra classista e militante LGBT

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Comentários

  1. mich Postado em 25/Sep/2014 às 11:40

    Muito bom texto, sou a favor do aborto legal e seguro!

  2. bianca Postado em 25/Sep/2014 às 12:28

    Belíssimo texto

  3. Danila Postado em 25/Sep/2014 às 15:04

    Mesmo não sendo a favor do aborto (ainda) concordo plenamente com essa questão do aborto feitos pelos homens. E consigo imaginar o desespero de uma adolescente grávida sofrendo pressões por todos os lados e ainda sendo abandonada pelo cara. Semana passada um juíz aqui de MS sentenciou um "pai" a pagar 100.000,00 de indenização para o filho (não sei de qual idade) por danos morais. Não era pagamento de pensão atrasada. Era uma tentativa de reparar o abandono, e possibilitar tratamento para a cura dos traumas psicológicos. É claro que dinheiro não vai comprar a figura paterna que esse filho precisa, mas achei a decisão louvável.

  4. Marcão Postado em 25/Sep/2014 às 15:17

    A minha posição é bastante simples: até que me provem de forma definitiva que o que se desenvolve no útero da mulher, depois da fecundação, não é uma vida humana, exatamente igual a você e a mim, não conseguirei ser como esses modernos progressistas, capazes de desumanizar os fetos a ponto de condescender com o descarte deles. Em minha pequenez humana, não me confiro o direito de determinar quando uma outra vida deve iniciar e terminar. Sendo assim, não tenho como admitir a legalização do aborto em qualquer tempo da gestação. Há correntes científicas (eu disse científicas! Não estou falando de um Malafaia da vida) que dão como marco referencial a terceira semana de gestação. Para outras, o termo é o primeiro mês… E são esses argumentos científicos que invoco em defesa de minhas convicções – como eles chamam mesmo? – ortodoxas: se os cientistas ainda não pacificaram o debate sobre quando começa a vida, como eu poderia fazê-lo?

    • Miguel Matos Postado em 07/Jan/2015 às 19:45

      Faço minhas suas palavras. Para as pessoas que defendem a legalização, os que são contra são todos fundamentalistas religiosos. Muitas feministas acham que os homens não deveriam nem opinar a respeito.

  5. Renan Barboza Postado em 25/Sep/2014 às 15:54

    Sou filho de mão solteira, com irmãos na mesma situação. Ela tanto quanto eu e meus irmãos passamos por dificuldades, óbvio, mas agradeço a todos os dias e ela também me agradece, por não ter me assassinado em seu ventre, como muitas querem fazer sem a noção de que o mal uso da sua liberdade foi a que a levou a isso, e eu que culpa tive? nenhuma. E então, como iria fazer, agora que havia sido "abortado" pelo pai (expressão ridicula e tosca, mas enfim). Cresci, estou na minha segunda graduação, tenho um emprego estável, estou noivo e pretendo dar netos para ela. Ela? bem tem dificuldades, conseguiu terminar o ensino médio no nosso ridiculo sistema de ensino doutrinador de militantes, mas como já estava um pouco adulta, não sofreu influência. Hoje é casada, com um proletário assalariado vamos assim dizer, e teve um filho, que não foi "abortado". Sempre que posso, envio-lhe dinheiro e cartas de agradecimento pela minha vida e pela dela e do meu padrastro, que hoje é relativamente tranquila numa cidade do interior. Ta,bém ajudo periodicamente crianças de orfanatos, fico muito triste por não fazer de algumas delas minha família ainda, mas já moram aqui, e não é a ajuda material que faz aquelas crianças. Mas todo o carinho que tento passar pra ela, todo o desejo de ser amada que elas sentem quando me veem. Vim de família relativamente pobre e hoje seria chamado de burguês tendo em vista como eu vivo e como minha mãe vive, porém esse estilo de vida não traz felicidade alguma, o que nos traz é a união familiar, saber que alguém me amou e me permitiu viver, e ela de saber que alguém que ela trouxe ao mundo a ama sem nem saber porque. Levaremos isso até o fim das nossas vidas. Um dos meus irmãos, está preso, pois optou por um caminho um pouco mais fácil e quis se justificar por não ter pai biológico conhecido ou algo assim. Sou agradecido pelo dom da vida dele e sei que é capaz de reverter isso se deixar de ser materialista como os comuninhas que acham que a felicidade e o bem estar estão neste mundo e que não cabe a nós colocarmos culpa ou arrumarmos desculpas para nossos fracassos, cabe a lutar para enfrentar as consequências do que cometemos e também do que os outros cometem. Esses são os heróis da vida. São esses que merecem a maior coroa. Não culpa aqueles que culpam suas mães, pedem pra não terem vivido ou algo assim, nem aqueles que abortaram ou abandonaram mães solteiros, um dia encontrarão seu perdão ou sua justiça. Quanto a sua mãe, acho que era melhor ela ter abortado mesmo. Vendo o ódio e rancor que se disseminou. Mas está aí, e agora vai fazer o que? chorar? culpar o capitalismo? Continuar incentivando o infanticídio? ou quer ser alguém de valor na sociedade? Essa escolha é só sua. Pode continuar sendo uma materialista assassina, ou olhar o mundo com olhos mais humanos e começar a mudá-lo por você. Abraços.

    • Rodrigo Postado em 25/Sep/2014 às 18:11

      (Outro Rodrigo) Parabéns!

  6. Renan Barboza Postado em 26/Sep/2014 às 00:51

    Mais uma coisa. Essa coisa de não ter senso crítico, dá uma brecha de o quê uns 6 a 8 anos de idade, já que o senso moral das crianças já é bem pequeno também. Então quer dizer que pode se matar qualquer um que não tenha senso critico ou não sendo, deste modo "ser social" (Essa é velha), tais como deficientes mentais. Pensamento não muito diferente de Hitler (só que esse também colocava no meio dos seres sem-sendo critico e inferiores os negros, gays e judeus), não me espanta a autora ser de esquerda. E também Marx segregava os seres desprovidos de consciência social (ou seus seres sem senso-critico) como o lumpemproletariado (que hoje são canonizados pela esquerda e seus direitos humanos) e os considerava descartáveis, tal como seus seres sem senso critico que ainda não nasceram. Não me espanta além de ser de esquerda como Hitler, ser comunista como Marx. Aos poucos vão se despindo de suas máscaras de igualdade e justiça social e mostrando a face da real preocupação, que não tem nada de igualdade, nada de justiça e muito menos social, apenas um véu ideológico que cobre uma infinidade de interesses egoístas.

    • Marcos Vinicius Postado em 26/Sep/2014 às 10:53

      Hitler de esquerda? kkkkkkkkkkk Meu caro, antes dele perseguir os judeus ele perseguiu os comunistas e socialistas. Cada uma! Como diria a Luciana Genro: vá estudar.

      • Renan Barboza Postado em 26/Sep/2014 às 16:13

        Acho que você deveria estudar, mais por livros e documentos históricos que não sejam de apologética esquerdista como o MEC receitou pra você, como sua diva esquerdista. O próprio Stalin perseguiu os socialistas, isso quer dizer que ele não era de esquerda? Hitler defendia que o Estado deveria dar o sustento a todos os cidadãos, prezava o coletivismo em detrimento do individualismo; Exigia a nacionalização dos investidores (não é que Chavez, agora maduro; Morales; Kirchner). O estado deveria ter participação em todos os lucros. O estado deveria controlar a economia; O fim do direito romano regendo a nação alemã (e não o que justamente a esquerda fez em todos os países onde quis dominar culturalmente?); O estudo ser totalmente feito pelo estado (lógico para poder ter mais soldados a serviços, justamente o que querem fazer aqui no Brasil); Era inicialmente populista; Esse era o programa do partido Nacional-Socialista, que era sim de esquerda. O fato de ele perseguir os comunistas não fazia dele um direitista apenas, deixa de ser burro. è só ver aqui, a maioria dos partidos são de esquerda, mas se digladiam acusando uns aos outros de facista e de direita, ou seja, qualquer um que tiver ideias divergentes que fiquem no caminho do paraíso terrestre na cabeça de revolucionários são perseguidos. Mas a princípio Os comunistas e Hitler tinham um acordo que fez com que Hitler erguesse seu império. É difícil dizer de que lado Hitler estava, mas pelo seu programa, é lógico que está muito mais para esquerda. O facismo e o nazismo tem os mesmos princípios do socialismo, só mudaram o ideal, de luta de classes, para luta de raças, a exaltação do poder da nação. Vocês que aprenderam através do excelente manual de destruição da cultura ocidental chamado "a personalidade autoritária" de Adorno e Hockheimer (se não leram saibam, isso entrou na cabeça de vocês propositadamente, de algum modo) que facismo é tudo aquilo que preza pelos valores ocidentais voltado para o autoritarismo típico dos que são conservadores e de direita, exemplos: familia tradicional, livre-mercado, entre outros. Por isso nem ligo quando me chamam de facistas pois sei que essa é uma invenção puramente marxista que os papagaios vem grilar no meu ouvido, dizendo ainda terem senso-crítico, se tivessem jamais repetiriam essas coisas. E vendo esse texto vejo que tem mais do pensamento de Hitler na esquerda atual do que eu imaginava.

    • Joker Postado em 27/Sep/2014 às 12:17

      Regra número 1 da argumentação lógica: nunca use Hitler como curinga. Para um bom entendedor, você está se autonominando idiota. Por isso, o resto da sua argumentação nem merece ser levada a sério. Passar bem.

  7. André Postado em 26/Sep/2014 às 06:01

    Esquerdistas são nojentos: são contra pena de morte pra bandidos, mas a favor para seres indefesos. Pq vcs não se abortam do planeta então? Só q não...

    • Marcos Vinicius Postado em 26/Sep/2014 às 10:51

      Fala como se só os esquerdistas fossem favoráveis ao aborto. Contradição é você ser a favor da pena de morte e ser contra o aborto. Isso sim, pois como se pode considerar um amontoado de células ,que não sentem dor e que não necessariamente nascerão pessoas? O bandido sim já é uma pessoa. É melhor nem nascer do que essa pessoa se tornar um bandido.

      • Lucas Postado em 26/Sep/2014 às 15:11

        A grande questão meu caro, é qual a culpa da criança para ter sua vida interrompida? Qual a culpa de um assassino/estuprador para ter sua vida interrompida ?

      • Renan Barboza Postado em 26/Sep/2014 às 16:23

        Como você sabe que será um bandido? O bandido chegou ao ponto que chegou fazendo mau uso de sua liberdade. A pena de morte é sim aceitável em casos onde é irreparável, Hitler, Stalin, Lenin, Che guevara e outros psicopatas da esquerda, não poderiam ser mortos a fim de que a ordem social fosse trazida de volta? Os membros do ISIS que sequestram, matam, usam civis de escudo destroem completamente a ordem social e já decidiram pelo caminho a se seguir não podem ser mortos? mas um ser inocente que está por nascer e não se sabe qual caminho vai tomar pode? Que sofisma grosseiro. E eu tenho várias fontes de embriologistas que discordam da sua posição de "amontoado de células" e consideram o zigoto como vida. Um documento de um conclave da federação brasileira das academias de medicina: “Com os atuais conhecimentos da Biologia molecular, da genética e da embriologia, é um fato cientificamente comprovado que a Vida Humana tem inicio na fusão do óvulo com o espermatozoide, quando se forma o zigoto, que começa a existir e a operar como uma unidade desde o momento da fecundação. Possui um genoma especificamente humano que lhe confere uma identidade biológica única e irrepetível, portanto, uma individualidade de sua espécie. É o executor do seu próprio desenvolvimento de maneira coordenada, gradual e sem solução de continuidade. “ Embriologia: "O desenvolvimento humano começa depois da união dos gametas masculino e feminino, durante um processo conhecido como fertilização (concepção). Fertilização é uma seqüência de eventos que começa com o contato de um espermatozoide com um óvulo em seqüência e termina com a fusão de seus núcleos e a união de seus cromossomos formando uma nova célula. Este óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma grande célula diplóide que é o começo, o primórdio de um ser humano" Fonte: Moore, Keith L. Essentials of Human Embryology. Toronto: B.C. Decker Inc, 1988, p.2 "Embora a vida seja um processo contínuo, a fertilização é um terreno crítico porque, sob várias circunstâncias ordinárias, um novo organismo humano, geneticamente distinto, é por isso mesmo formado… A combinação dos 23 cromossomos presentes em cada pró-núcleo resulta nos 46 cromossomos do zigoto. Dessa forma o número do diplóide é restaurado e o genoma embrionário é formado. O embrião agora existe como uma unidade genética" Fonte: O'Rahilly, Ronan and Müller, Fabiola. Human Embryology & Teratology. 2nd edition. New York: Wiley-Liss, 1996, pags. 8, 29. "O desenvolvimento de um ser humano começa com a fertilização, processo pelo qual duas células altamente especializadas, o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher, se unem para dar existência a um novo organismo, o zigoto" Langman, Jan. Medical Embryology. 3rd edition. Baltimore: Williams and Wilkins, 1975, pag. 3

      • Carlos Postado em 28/Sep/2014 às 05:38

        Bandidos escolhem ser bandidos, coitadismo criminoso não existe só na cabeça de vcs. Trabalho tem pra todos, gente sem perna cortando grama vagabundo quer isso?

  8. Anatman Postado em 26/Sep/2014 às 18:36

    Pergunta pra tua mãe se ela se arrepende de não ter te abortado. Há que se garantir o direito ao aborto. Mas não se pode usá-lo a qualquer momento, justificando pelo fato de ser pobre, de não estar preparado, de não querer ("o corpo é meu, faço o que quero") e mais outros. Se legalizado, o que sou a favor, o aborto seria altamente regulado. Será que ainda assim não haveriam mulheres que gostariam de abortar e, não se encaixando nas regras estabelecidas para o aborto legal, procurariam clínicas clandestinas? O problema não é social, apenas o efeito se mostra nele. A verdadeira causa está em cada pessoa.

  9. Victor Hugo Postado em 27/Sep/2014 às 17:20

    Todo radicalismo é insano. Imposição de pensamentos/ideias, quaisquer que sejam, é nocivo. Vociferar qualquer tema desagrega. Não conheço a autora, não estou convicto da liberação ou criminalização do aborto, mas essa postura me desagrada pessoalmente.