Redação Pragmatismo
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Racismo não 25/Sep/2014 às 11:24
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"Escolhi ser o neguinho engraçado para não ser zuado por causa da cor"

“Na minha infância, pra me defender, eu era o pretinho que ria da própria condição, fazia de tudo pra passar despercebido. Tentava ser incolor. Pelé insiste em dizer que é a melhor forma pra combater o racismo”

dj cortecertu racismo pelé

Dj CorteCertu*, Escrevinhador

Na minha infância, pra me defender, eu era o pretinho que ria da própria condição, fazia de tudo pra passar despercebido. Pra não ser zoado por causa da minha cor, escolhi ser o neguinho engraçado, o moleque que não incomodava e tentava ser incolor.

Não entendia nada sobre racismo, apenas sentia o preconceito e percebia que as pessoas preferiam pretos assim. Eu estava onde achavam que eu deveria estar: sem me conhecer e sem reconhecer os meus.

O rap me tirou desta posição que o Pelé insiste em dizer que é a melhor forma pra combater o racismo.

Esconder a realidade para forjar harmonia é uma arma utilizada por vários grupos da nossa sociedade.

Uns, por falta de informação e conhecimento, utilizam como forma de defesa. Outros, por conhecerem bem as engrenagens que movem o país, utilizam como forma de dominação.

Nada é tratado de maneira mais profunda.

Para a maioria, o racismo tem o poder de existir sem racistas. O racismo sempre está lá fora.

Tente conversar sobre racismo no ambiente de trabalho e verá que muitos apenas vão lutar pra mostrar que não são racistas. Não ser racista é o começo, mas não basta para acabar com o racismo.

*Dj Cortecertu é editor do Portal Central Hip-Hop/BF

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Comentários

  1. eu daqui Postado em 25/Sep/2014 às 12:35

    Assumir o próprio racismo é o primeiro passo para o autoquestionamento.

  2. KARINA BB Postado em 25/Sep/2014 às 13:27

    Isso é um comportamento aprendido desde a infancia,assim clomo a homofobia,o bullyng aos, deficientes fisicos e mentais,cabe à familia ensinar aos seus desde pequenos a respeitarem e conviverem com as difetenças,mas a tv tem um papel crucial ao difundir preconceitos,exemplo: quando num pgm de auditorio ha algum deficiente eles o convidam a falar sobre como é ser assim etc etc aquela ladainha da superaçao,gostaria d assistir um dia os negros e deficientes,obesos e tals ,nao serem tratados na tv como aberraçoes a serem entrevistadas,e s,sim como meros convidados

  3. selia Postado em 26/Sep/2014 às 11:42

    ? O negro brasileiro não é africano, é brasileiro. O branco brasileiro não é europeu, é brasileiro. O negro brasileiro não tem nenhuma obrigação a mais com o continente africano do que o branco brasileiro teria, ou o resto do mundo, aliás. A solidariedade é humana. Só tem negro na África? Só negro ajuda negro? Branco só ajuda branco? Não entendo esses raciocínios....

  4. Carlos Postado em 26/Sep/2014 às 11:55

    É isso aí! O povo unido jamais será vencido!

  5. Mathew Postado em 28/Sep/2014 às 00:03

    Comigo foi diferente, escolhi ser violento e agressivo pra ser temido e respeitado. Resultado? Nunca sofri racismo.

  6. Marcelo Postado em 28/Sep/2014 às 00:30

    Discordo, negros daqui nada tem a a ver com africa, o mundo deveria se preocupar com a afriaca independente de serem ou não negros, e sim por que são seres humanos, negros daqui são brasileiros tem que mudar sua realidade aqui, focar nisto, esta volta a áfrica é prender o negro a um esteriótipo que também é racista, ilha e aprisiona o negro ao samba, futebol, cultura afro. Geneticamente ha pessoas com pele branca com mais genes negros do que outros menos brancos no Brasil, essa conversa de se voltar pra áfrica é uma argumento imbecil e racista na minha opinião! Com todo o respeito

    • Jefferson Postado em 29/Sep/2014 às 05:27

      Na verdade a África não tem nada a ver com futebol, samba e cerveja. Os negros brasileiros, por falta de estudos acabaram projetando a sua condição social a um continente tão grande como a África. No mínimo um negro deveria saber a história do Império Songhai, Nubia, Etiópia e Cartago. Eu defendo que os afro-descendentes (não só negros) deveriam conhecer a rica História Africana em vez de promover a cultura americana dos filmes e a cultura japonesa dos desenhos, nada a ver consigo.

  7. Luiz Souza Postado em 30/Sep/2014 às 02:57

    É bem mais fácil ver branco vestindo camisa do Mussum do que camisa do Mandela.