Redação Pragmatismo
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Racismo não 08/Sep/2014 às 20:52
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Por que é racismo chamar um negro de macaco?

Ao longo da história, a escravidão e o preconceito foram justificados com argumentos semelhantes aos que, no fundo, associam negros a macacos. O primeiro passo para aplicar a violência é desumanizar a vítima

racismo negro macaco

Leandro Beguoci, Trivela

Venha passear comigo por São Paulo durante alguns minutos – e sem trânsito. É uma viagem no tempo com direito a carroça e alguns esbarrões em um amontoado de gente falando um monte de línguas ao mesmo tempo: italiano, árabe, espanhol, uma porção de dialetos. Há muitos e muitos anos, o bairro de Higienópolis foi construído em uma encosta entre a avenida Paulista e o centro da cidade. Ele ficava entre os casarões de quem era muito rico e morava no alto do morro (a Paulista) e entre o coração paulistano no qual trabalhavam milhares de pessoas (o centro). Era um bairro de classe média por definição social e geográfica. Mas você já pensou por que ele se chama Higienópolis? O nome não deixa dúvida. Ele era um bairro higiênico, limpo, em contraposição a outros lugares da cidade.

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São Paulo era uma cidade muito menor naquela época. Bairros muito próximos ao centro e à Paulista, como a Barra Funda e o Bexiga, estavam abarrotados de imigrantes italianos. Eles e os espanhóis formavam o grosso dos trabalhadores industriais da cidade, e eles fediam muito. As casas não tinham saneamento básico, as pessoas suavam muito e, para piorar, italianos consumiam muita carne de porco e usavam meticulosamente cada pedaço do bicho – a banha rendia um óleo com várias utilidades. Isso também fedia um bocado. Higienópolis foi construída em contraposição a esses bairros de imigrantes fedorentos (entre esses imigrantes, aliás, estavam os meus avós). Era um bairro higiênico contra os bairros sujos.

Isso explica por que meu avô, assim como outros palmeirenses da velha guarda, jamais aceitou o apelido de porco colado aos torcedores do Palmeiras. Para ele, o porco lembrava as ofensas que ele e os colegas sofriam naquela São Paulo tumultuada das primeiras décadas do século. O porco significava humilhação, falta de oportunidades, segregação em bairros distintos. A minha geração, que teve um mundo de oportunidades, nunca sofreu esse preconceito. Para nós, o porco virou “festa no chiqueiro”.

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Agora, vamos ao presente. A torcedora do Grêmio que foi flagrada xingando o goleiro Aranha, do Santos, de macaco, disse que não tinha nenhuma intenção racista. Pode ser verdade – o benefício da dúvida é o que separa a democracia da barbárie. Provavelmente, a menina não é racista mesmo e fez aquilo sem pensar, levada pela multidão. Pode ser, não tenho ideia. Aliás, a misoginia que se apoderou dos xingamentos a ela mostra bem o quanto as pessoas, às vezes, não conseguem ligar os pontos do preconceito – chamar alguém de vaca e vagabunda só reforça os preconceitos contra as mulheres. Enfim, isso é outro papo. Mas o fato é que macaco é xingamento, sim, é racismo, sim – mesmo que a gente não ligue os pontos. Vamos por passos, num caminho lógico, eu e você caminhando nesta longa estrada da vida.

1) Ao chamar um negro de macaco, você está fazendo uma associação entre um humano e um não-humano.

2) Essa associação é feita, principalmente, por causa da cor.

3) Ao fazer essa associação, grosso modo, você está dizendo que um negro está um passo abaixo na escala da evolução. Afinal, você está chamando a pessoa de macaco.

4) Portanto, você está dizendo que negros são animais. Animais têm menos direitos do que homens.

Ao longo da história, a escravidão e o preconceito foram justificados com argumentos semelhantes aos que, no fundo, associam negros a macacos. O primeiro passo para aplicar a violência é desumanizar a vítima. Ladrões desumanizam os roubados, policiais ruins desumanizam os cidadãos, tiranos desumanizam a população, como aconteceu na Alemanha e no Camboja.

Os fazendeiros americanos racistas que financiavam e participavam da Ku Klux Klan justificavam a escravidão negra, entre outros argumentos, com a suposta maldição de Cam, filho de Noé. Em vez de cobrir o pai, que estava nu e bêbado, Cam chamou todo mundo para ver o pai pelado. Segundo o relato bíblico, Noé amaldiçoou Cam. Por alguma razão que se perdeu no tempo, Cam virou antepassado dos negros – embora isso não esteja escrito em nenhum lugar da Bíblia. Os racistas, então, justificaram boa parte do racismo dizendo que estavam apenas se vingando do filho debochado de Noé. Os negros viraram pessoas inferiores e amaldiçoadas, que mereciam ser escravizadas por um fato da natureza. A mesma coisa aconteceu com outros grupos ao longo da história. Os judeus, os árabes, os ciganos, os gays. Para persegui-los, é preciso tirar a humanidade dessas pessoas e arrumar algum argumento, algum raciocínio perverso, para colocá-las num degrau abaixo de humanidade.

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Hoje não há escravidão negra no Brasil. As condições de vida dos negros e mulatos melhoraram ao longo das décadas por causa de uma série de políticas sociais. Mas é inegável que essas pessoas ainda continuam sofrendo o peso de séculos de preconceito, e isso teve consequências econômicas. Os negros e mulatos não são maioria nas favelas, nas piores escolas públicas e nas faculdades particulares mais mambembes à toa. Após a abolição, eles ficaram num limbo econômico que teve consequências por décadas.

Enquanto os imigrantes brancos e orientais tiveram acesso a emprego e terra, muitas vezes subsidiada pelo governo federal, os negros não tiveram nenhuma facilidade para comprar suas propriedades, arrumar trabalho e tocar a vida. A Lei de Terras brasileira, de 1850, tornou a vida dos escravos e dos descendentes bastante difícil. Para um ex-escravo, era quase impossível ter alguma coisa. Além disso, brancos sempre puderam fazer poupança na Caixa Econômica, desde os tempos do império. Eles podiam guardar dinheiro e comprar alguma coisa para eles no futuro. Negros não podiam. Quando a lei foi abrandada, negros só puderam fazer algum depósito se recebessem autorização dos seus senhores. Propriedade privada e economia de dinheiro para planejar o futuro, dois itens essenciais do capitalismo, foram negadas aos negros brasileiros durante muitos anos. Somado ao preconceito de que negros eram amaldiçoados, bem, você já sabe o resultado: o bem estar dessas pessoas foi atrasado por décadas. Os negros saíram atrás na corrida de obstáculos, e tinham mais obstáculos a superar.

Essa é uma das tantas razões por que o porco, ao longo do tempo, foi perdendo sentido para os filhos e netos de imigrantes italianos. A humilhação se diluiu no tempo, e hoje Higienópolis tem vários filhos e netos das pessoas que, um dia, sofreram discriminação. Mas, enquanto as oportunidades se multiplicavam para uma parte da sociedade, elas eram negadas a outra parte. Uma das razões para isso é que, lá atrás, chegou-se ao consenso de que negros MERECIAM menos direito do que as outras pessoas.

Obviamente, não é o caso de pregar uma guerra de brancos contra negros ou de negros contra brancos hoje. Há outros meios de resolver essas injustiças históricas, e várias dessas medidas vêm sendo tomadas pelos governos brasileiros desde a redemocratização, com a Constituição de 1988. Essas medidas poderiam ser melhores, poderiam ser mais eficientes, mas ao menos elas estão acontecendo – e ainda há um caminho enorme a percorrer. Para que elas possam continuar acontecendo, é preciso continuar combatendo o racismo em todas as formas – inclusive as futebolísticas.

Portanto, é preciso combater alguns xingamentos nos estádios, até mesmo os mais ingênuos. Chamar alguém de macaco, hoje, é dar uma contribuição cruel à desumanização dos negros. Mesmo sem pensar, a torcedora do Grêmio se somou aos racistas de todo o planeta que adorariam ver uma sociedade segregada entre gente de cores diferentes. É um sonho maluco, mas que já teve consequências brutais ao longo da história.

Os estádios de futebol não são uma área isolada da sociedade. Neles se manifesta livremente o que há de melhor e pior em cada um de nós. Combater o racismo nos estádios é uma forma poderosa de combater o racismo na sociedade. Por isso que macaco não é folclore do futebol, como chegou a dizer um ex-presidente do Grêmio. Ele é só uma forma fossilizada de dizer que negros, no final das contas, são pessoas inferiores. Não é brincadeira nem mimimi. Talvez um dia, quando a diferença entre negros e brancos acabar, macaco deixe de ter o peso que tem hoje. Enquanto isso, continua sendo absurdamente cruel. Meu avô, que detestava ser chamado de porco, que o diga…

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PS: uma história pessoal, rapidinho. Cresci num bairro no qual havia poucas famílias brancas. A maioria dos meus vizinhos era negra ou mulata. Naqueles anos, fui chamado de alemão e branquelo infinitas vezes. Aquilo nunca teve nenhuma consequência negativa na minha vida. Porém, a cor da pele dos meus amigos teve uma série de consequências negativas para a vida deles. Quando íamos ao centro da cidade, a pé, às vezes a polícia nos parava. Formávamos um grupo de às vezes dez pessoas, no qual eu era o único branco. Os nove negros e mulatos tomavam um esculacho. Eu loiro, olhos claros, era colocado no canto. O policial me olhava com aquela cara de “o que você está fazendo com essa gente?” Eu levava bronca. Meus amigos, tapas na costela. Nenhum de nós jamais cometeu qualquer crime. Éramos apenas adolescentes indo ao centro da cidade para se divertir.

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Comentários

  1. Lucas Postado em 08/Sep/2014 às 22:31

    Ótimo texto, que mostra como o racismo está enraizado na história do nosso país, mas discordo quando é dito que o macaco está um passo abaixo na escala da evolução. O humano não é superior ou mais evoluído que nenhum outro ser, se estamos todos vivos nessa era, é porque tanto o humano, quanto o macaco, assim como uma ameba ou uma bactéria é apta o suficiente pra sobreviver às pressões seletivas de seu meio, ou seja, nenhum ser é mais evoluído que o outro, assim o humano não está acima de nenhum outro animal, assim como o homem não negro não é, e nunca deveria nem pensar que está, acima de um humano negro.

    • eu daqui Postado em 09/Sep/2014 às 09:52

      Concordo que nome de especie animal não deveria er ofensivo em nenhum caso. Mas o problema é que quem chama tem intenção claramente inferiorizante.

    • Aires Bento Pereira Filho Postado em 09/Sep/2014 às 13:03

      Esse ponto de vista unicamente biológico não tem cabimento nessa discussão. A inteligência concreta, maior, superior é a do homem. Há um abismo separando os animais dos seres humanos. O homem é o único que tem consciência de si.

      • Adriana Postado em 10/Sep/2014 às 08:13

        Concordo contigo. É bom ler uma opinião como a tua. Mas as pessoas são especialistas, elas acreditam de fato que que o ser humano é superior às outras espécies de animais; é uma crença enraizada na maioria absoluta das pessoas, infelizmente (vide a opinião do Aires, que inclusive está bem equivocada). A tua observação até poderia ser um adendo ao texto, mas não dá para ignorar a intenção das pessoas ao chamarem alguém de macaco ou de outro animal.

      • Humanos? Postado em 10/Sep/2014 às 21:39

        Desde quando matar ao seu semelhante, guerrear uns contra os outros, estuprar mulheres ou a própria cria, querer dominar outrem, cometer atos de atrocidades, cometer caçar predatoria, destruição do proprio meio ambiente em que vive, subtração de bens alheios, racismo e preconceito, cometer atos de inferiorização de outras raças, culturas de generos, entre outras monstruosidades cometidas pela humanidade que não vou mencionar por que não cabem em palavras, pode ser considerado atos de um ser racional, somos tudo menos racionais. Concordo com o sr Lucas, nossa diferença entre os animais tem sido infelizmente somente o dom de falar. em outras palavras o homem e um ser que fala...

    • Rayan Reis Postado em 09/Sep/2014 às 20:50

      Desculpe Lucas, eu sei que cada pessoa tem direito de expor as idéias e respeito seu modo de pensar, porém dizer que o animal macaco não está abaixo na escala da evolução é errôneo de sua parte. Na ciência existem dois tipos de animais, os racionais e os irracionais. Os irracionais são aqueles que não se "desenvolveram" o suficiente para pensar, falar, agir sem impulsos. Se pegarmos como exemplo um leão... todo leão precisa caçar para comer e sobreviver (lei da sobrevivência). O cérebro dele mandará sinais impulsionando-o a conseguir uma caça, e então ele irá atrás de uma para se satisfazer. O leão nunca matará outro animal se ele não sentir fome ou não se sentir ameaçado. Diferente do homem (animal racional) que pode matar por "diversão". Não estou dizendo que animais não pensam, mas é um pensamento por extinto. Agora se você se referir a uma evolução espiritual, concordo contigo. Todos estão aqui por um objetivo comum que é buscar a evolução espiritual e nenhum ser vivo é diferente do outro nesse aspecto. Mas no contexto o macaco está abaixo na escala da evolução sim, e conseqüentemente o homem, acima! Portanto chamar uma pessoa de macaco, qualquer que seja sua raça ou cor, é preconceito e crime aos direitos morais e honra. Assim como chamar uma pessoa de vaca, cachorro, ou sei lá, qualquer outro "adjetivo" do tipo. Tudo depende do ponto de vista, da intensidade e expressão. No caso mais recente da torcedora do grêmio, foi um crime (na minha opinião, pelos pontos levantados acima) e ela deverá arcar com as consequências.

  2. Jonas Schlesinger Postado em 09/Sep/2014 às 02:13

    Sim, mas em certos casos os negros veem preconceito onde não existe. Vide o caso da loja de roupas em que um rapaz viu uma camiseta com estampa de macaco e no cabide a imagem da cabeça de uma criança negra. Óbvio que ali foi aleatório, pois tinha tbm do menino branco na estampa de macaco e na estampa de soldado. Foi uma matéria antiga aqui do PP quem ainda não leu é só caçar no "Racismo Não" que vai achar.

  3. eu daqui Postado em 09/Sep/2014 às 09:55

    E quando negros chamam brancos de "amarelos" e mulheres de "vaca" e "cachorra", a intenção é lisonjear? Ou será que só existe misoginia na raça branca? O que dizer do campeonato de feminicidio e homofobia vencido pelo estado mais negro do Brasil?

    • Daniel Postado em 09/Sep/2014 às 11:50

      A diferença é que branco nunca foram escravizado e não sofrem preconceito por serem branco. Vê se acorda meu querido.

      • eu daqui Postado em 10/Sep/2014 às 10:46

        Todas as raças escravizaram e foram escravizadas em algum momento da história. Vá estudar, cotista !

    • eu daqui Postado em 09/Sep/2014 às 14:25

      Incrivel como algumas pessoas fingem que não entendem meus questionamentos para abortar um debate que não podem suportar .

  4. Denisbaldo Postado em 09/Sep/2014 às 10:30

    O bairro de Higienópolis foi assim batizado em função de ser localizado em uma das regiões mais altas da cidade. Muitos "centros de higienização", ou seja, hospitais da época, lá se instalaram devido ao ar mais puro da região. No final do século XIX a Estação da Luz, na região baixa e central da cidade era responsável pelo transporte do café vindo do interior do Estado de SP e por essa razão era uma região mais suja. Estamos falando de meados para o final do século XIX, quando italianos estavam começando a chegar no Brasil mas Higienópolis já tinha esse nome. Dizer que o bairro foi batizado em razão dos "porcos" italianos é de uma imprecisão histórica absurda. Fora o resto do texto que não reflete nem um pouco o sentimento dos italianos paulistas e paulistanos. Só para constar, uma parte da torcida palmeirense pode ser considerada a mais racista e reacionária de SP, alguns deles com admiração a Mussolini e Hitler inclusive.

    • Márcio Sergino Postado em 17/Sep/2014 às 13:58

      Pô, vai estudar cotista? colega "Daqui, De lá ou não sei De onde", pede pra sair, não está entendendo nada parceiro!!!

  5. Dante Postado em 09/Sep/2014 às 10:32

    Bom texto, mas tentou isentar demais a garota da culpa. Ela é sim racista, falou aquilo com má intenção sim e deve sim pagar duramente por isso.

  6. André Postado em 09/Sep/2014 às 10:37

    Concordo. Aqui em Curitiba existia muito preconceito contra os "polacos da nhanha", "alemão azedo", "polaco da barreirinha", "coxa branca", etc...

  7. Lívia Postado em 09/Sep/2014 às 10:56

    Meu deus quem escreveu esse texto?? PERFEITO PERFEITO! Falou tudo que eu penso e que infelizmente não conseguia organizar em palavras para que soassem essa mesma ideia. Muito muito bom. T á de parabéns a pessoa que o escreveu, falou com muito propriedade de conhecimento e segurança!!

    • Deisi Postado em 09/Sep/2014 às 12:24

      Também concordo com você Lívia. Perfeito! Estava me lembrando de uma situação que ocorreu á mais ou menos 37 anos atrás na cidade de Ourinhos/ Sp,nosso grupo de amigos tinha uma menina negra, na ocasião um clube da cidade estava promovendo um baile maravilhoso, saudades dos bons tempos dos bailes com banda, maravilhoso! Estávamos muito animados, desistimos de ir no momento que soubemos que não era permitida entrada de pessoas negras o mais triste é que nessa época isso era muito normal. Ela era uma das mais animadas não contamos o motivo, ela só não foi por falta de companhia, felizmente, senão seria barrada. Graças a Deus eu fui educada para respeitar as pessoas. Agradeço muito a minha mãe, pois ela separou do meu pai quando eu tinha 10 anos, também sofri muitos preconceitos por ser filha de pais separados numa cidadezinha do interior, só existia minha mãe e uma colega de trabalho que eram desquitadas, tive essa experiencia e posso garantir que é muito triste. Talvez seja esse o motivo da minha criação livre de preconceitos.

  8. Jonas Schlesinger Postado em 09/Sep/2014 às 12:44

    "Eu daqui" agora tudo é racismo, meu Deus! Daqui a pouco eu não vou poder chamar de neguim, neguinho, neguinha, negrinha ou negrinho mesmo que de forma a não ofender. Daqui a pouco vai ser racismo quando for chamar negro de NEGRO ou AFRO DESCENDENTE. É por isso que eu já estou me preparando para quando um dia isso acontecer eu os chamar de MELANINADOS. Eufêmico, eu sei. Mas pelo menos não estarei associando os melaninados com o macaco, mas sim com o fato de terem mais melanina na pele...

    • eu daqui Postado em 09/Sep/2014 às 12:54

      MAS é bem pior do que isso: não é preciso chamar ninguém de nada pra ser acusado de racismo: BASTA QUE OLHE PARA UM DELES COM UM OLHAR QUE PARA ELES É "FEIO". E se não olhar, também é racismo. Pra falar a verdade, quando apareceu lei antirracismo eu já esperava que a ela fosse dado esse tipo de uso: criar problema gratuitamentecaso e/ou cercear direitos de defesa e/ou garantir impunidade de agressores. Anote aí: leis antihomofobia servirão analogamente.Isto é Brasil.

    • Jonas Schlesinger Postado em 09/Sep/2014 às 13:02

      Jogar banana e chamar de macaco é racismo, mas por exemplo se uma senhora estiver andando numa rua sozinha e um rapaz moreno mal vestido for cruzar seu caminho. A reação dela é segurar a bolsa com mais força. Isso é racismo? Ou quando um policial branquelo prende um ladrão negro e diz "bora vagabundo" é racismo? Ou quando o negro vai no supermercado e compra banana isso é autorracismo? E quando um negro xinga outro negro de macaco isso é racismo? Ou se chamo um amigo meu, que é moreno, de nego quando a gente tá numa partida de futebol ou quando estamos jogando no xbox aqui de casa (nota: ele mora no mesmo prédio então já dá pra ter uma ideia de que não é morador de periferia) quer dizer que sou racista com ele? Por isso na maioria dos casos pode até ter intenção de racismo, mas em outros casos o negro crer piamente que tudo gira ao redor do racismo é abraçar o VITIMISMO.

      • Felipe Peters Berchielli Postado em 09/Sep/2014 às 13:35

        "se uma senhora estiver andando numa rua sozinha e um rapaz moreno mal vestido for cruzar seu caminho. A reação dela é segurar a bolsa com mais força. Isso é racismo?" É só imaginar,se esse rapaz negro de repente for branco,loiro,essa mesma senhoria seguraria a bolsa? Sobre o rapaz negro preso depende muito da ocasião,uma coisa é prender em flagrante,outra é como tem acontecido,suspeitas infundadas sobre negros em lojas porque são negros,fossem brancos jamais cairia tal suspeita sobre eles. Sobre comprar banana voce viajou. Se um negro chama o outro de macaco é racismo,do negro para com o negro. Sobre apelidos "carinhosos" como "neguim","nego" ou coisas assim de novo voce viajou,ninguém discute isso.

      • eu daqui Postado em 09/Sep/2014 às 14:32

        Se qualquer desconhecido na rua fica se encostando eu tenho medo sim, seja qual for a cor e sexo................

      • Jonas Schlesinger Postado em 09/Sep/2014 às 15:28

        Felipe o fato da mulher estar com medo do sujeito não pode ser um ato racista. Imagine a sua mãe no lugar. E só pra constar a mulher pode ser negra vai sentir medo do mesmo jeito.

    • Felipe Peters Berchielli Postado em 09/Sep/2014 às 13:31

      Verdade,tudo pseudoracismo. A garota só gritou MACACO,que mal ha nisso gente? País frescurento, sabe essa coisa de direito, cada um nasce como é oras, se você é gay ou negro,arque com as consequências. ah tá

      • eu daqui Postado em 09/Sep/2014 às 14:36

        Certíssimo, Felipe ! E só tem pseudo machismo também: lisonjas como vaca, cadela, cachorra, égua também insultam somente às frescurentas, né? Que mal há nisso? Ser mulher é arcar com a dor e a delícia de ser o que é. E que arque também com a hipocrisia de um país onde os estados mais negros são também os mais feminicidas e homofóbicos.

      • Guilherme Viana Postado em 09/Sep/2014 às 15:18

        "se voce é gay ou negro,arque com as consequências."? Como tem gente idiota nessa página

      • thaís Postado em 10/Sep/2014 às 11:02

        Ok. Se você é racista, homofóbico e machista, está disposto a arcar com as consequências? Estaria disposto se por acaso, um grupo de revoltados, criasse uma facção criminosa que EXECUTA pessoas desse tipo na rua? Não fala bobagem, cara. Volta para a escola.

    • Karina BB Postado em 09/Sep/2014 às 16:50

      Sobre o papo de segurar a bolsa... Eu já fui assaltada aqui no centro da cidade do RJ, um homem que por acaso era branco veio encostando em mim na hora que eu tava atravessando a rua e me assaltou. Desde então não deixo ninguem encostar em mim seja branco, negro, amarelo ou roxo OK

      • eu daqui Postado em 10/Sep/2014 às 12:52

        Nem criança deixo encostar. Do jeito que estão as coisas............

  9. mauricio augusto martins Postado em 09/Sep/2014 às 13:11

    Neste Maravilhoso texto do Leandro nos remete a ponderação e o equilíbrio de várias experiencias boas e ruins que levamos conosco através dos tempos, nesta filosofia do Bom Viver, aceitar a adversidade, sobretudo escolher o que ou não dizer ou fazer, para que se obtenha das relações Humanas o Amor ao Próximo, intrigou-me muito o Advogado de Defesa da Jovem citar que:"Isto faz parte da "linguagem" futebolística...", denota-se portanto a inexperiência do Jovem Advogado ou talvez o meio, Acadêmico e Social, pois sucinta uma breve Aula de Direito Constitucional em que um Grande Professor em seu primeiro dia de aula nos Ensinou/advertiu: "Vou lhes ensinar tudo que possam aprender, sem esquecer que estou dando uma Matéria importantíssima para Merdas de Advogados, para que se tornem uns Advogados de Merda!!!...", lógico isto foi dito num contexto e dentro de uma Sala de Aula, o que nos fez refletir da Humildade do trato com as Pessoas, e nunca jamais fazer afirmação ou pergunta cujo não saiba a resposta, ilação jamais e Carteirada muito menos, na linguagem Futebolística e Dentro do Campo, de jogador para jogador existe sim a pressão Psicológica para que induza o adversário ao erro, como chamar de "pé de louça", "pé de cana" ou no caso de Goleiros "dormiu com o Elefante", mas isto em muitas raras vezes e em Futebol de Várzea, estranho também seria chamar um Juiz na Corte de "Meretríssimo" ou "Meretríssima", sei que muitos até "pensam", mas falar não levaria a lugar algum, pelo menos a um bom termo, mas o que podemos fazer é sim a partir de relatos Pessoais num mosaico de experiências, colocar como tijolinhos de formação, o quanto Todos Nós temos em comum, e como podemos Olha e Ver a Vida de maneira construtiva, propositiva e sobretudo Humanizada a Bem da Coletividade e o Compartilhamento, acredito que quanto mais Misturados, melhor Ficamos...maumau

  10. Felipe Peters Berchielli Postado em 09/Sep/2014 às 13:30

    Então o texto é desqualificado por um deslize biológico da teoria de Darwin? Sim todos os animais e humanos são evoluidos no ponto de vista darwiniano,mas sabemos que quando alguém chama outro de "macaco" quer colocar o outro em um nivel subhumano.

    • eu daqui Postado em 09/Sep/2014 às 14:30

      Ninguém aqui discordou disso: chamar de macaco carrega uma intenção inferiorizante sim, claro. Apesar de eu adorar animais em geral. Deixe de ser velho ranzinza........

  11. Deisi Postado em 09/Sep/2014 às 13:59

    Estou em Blumenau, estávamos conversando com um senhor que mora aqui no prédio, ele nos disse que tem um queimadinha que trabalha em um supermercado que só vive de mau humor, não tenho nada contra pessoas morenas, mas ela deve apanhar do marido. Sempre de cara amarrada, se fala bom dia não responde, nada preconceituoso! O papo chegou incomodar meus ouvidos, me contive e apenas disse que quando eu cumprimento os loiros eles olham com cara feia eu não ligo, ele justificou isso acontece as vezes. Meu deus quanto preconceito, mas o que esperar de um leitor da Veja.

  12. Pereira Postado em 09/Sep/2014 às 15:11

    "Uma das razões para isso é que, lá atrás, chegou-se ao consenso de que negros MERECIAM menos direito do que as outras pessoas.". Concordo. Quem mais lutou pelo direitos dos negros a constituir família e ao casamento foi a igreja católica. Os brancos racistas da elite fundaram diversos movimentos abolicionistas. Sem contar que a escravidão no Brasil durou não mais que 2 séculos. Nunca vejo, quando o assunto é escravidão, relatos da escravidão proporcionada pelos muçulmanos da áfrica entre o século 8 e 12 que invadiram a europa escravizando povos que lá habitavam. Esse tipo de escravidão tinha como alvo as mulheres para serem escravas sexuais, enquanto que a escravidão na américa era preferível homens para trabalhar na lavoura. Sem esquecer de mencionar que a escravidão dos povos europeus não contavam com movimentos abolicionistas, movimentos abundantemente existentes na américa. Escravidão por escravidão os brancos sofreram tanto como os negros, basta estudar história.

    • Márcio Sergino Postado em 18/Sep/2014 às 14:37

      Pereira e Daqui, os navios negreiros começaram a chegar ao Brasil nos primeiros cincoenta anos pós 1500 e aí se vão quase três séculos, sem contar a escravidão indígena, índios que ainda hoje são massa de manobra em mãos de políticos e poderosos neste norte do Brasil, por falar em "ler" um pouco de história, vamos estudar mais antes de vociferar em torno de preconceito tá?

  13. Halter Maia Postado em 10/Sep/2014 às 12:53

    Apenas uma ressalva ao texto: se os humanos não são `animais` eles são o que? Vegetais? Minerais? Que eu me lembre, os seres humanos costumavam ser considerados `Animais racionais`

  14. Geese Postado em 10/Sep/2014 às 16:01

    Texto bem elaborado, condizente com a realidade.

  15. Renata Postado em 10/Sep/2014 às 17:09

    Excelente texto. Parabéns!!

  16. Lucas Postado em 10/Sep/2014 às 23:52

    A minha opinião é a seguinte, as pessoas continuarão chamando às outras do que elas quiserem e isto não muda nada, porém eu sem saber o real motivo, que pode ter gerado da tentativa de intimidação pela torcida ao goleiro, jamais o faria sendo levado pela multidão, e sim deixaria de frequentar o local por vergonha alheia, falta de respeito e educação, coisa que grande parte destes não aprenderam com os pais. Fanatismo explica a causa, assim como torcedores de um clube matam torcedores de outros clubes, ofender é o menor dos assédios. Se você for à um estádio e começar a gravar o que as pessoas dizem, prendam todos, porque coisa boa não vai ouvir. Penso que a imprensa não tem o que divulgar e nos publica este tipo de notícia, trágico.

  17. Bruno Postado em 12/Sep/2014 às 15:50

    "Hoje não há escravidão negra no Brasil." ... faça me rir.