Redação Pragmatismo
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Racismo não 04/Sep/2014 às 18:54
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Por que as cotas tanto incomodam?

“A cota não substitui a necessidade de repensarmos a educação de base, mas impede que a disparidade racial do país aumente”. Confira o relato de uma ex-cotista, negra, graduada, gerente de uma empresa, que durante a vida acadêmica teve de enfrentar o ódio dos anti-cotistas

A adolescência de Gabriela Moura foi parecida com a de muitas jovens negras, moradoras de periferias das grandes cidades brasileiras. Filha de uma costureira que já havia sido babá e empregada doméstica, o sonho de entrar numa universidade pública chegava a ser considerado uma audácia. “O ensino superior não era um direito de todos. Nós, que estávamos às margens da cidade, geralmente acabávamos por servir os que estavam no topo”, relata, em artigo publicado no blog que ela própria alimenta, o Gabinoica, etc. Hoje, aos 27 anos, Gabriela conta como conseguiu deixar as probabilidades pra trás e não só ingressar na Universidade Estadual de Londrina (UEL), pelo sistema de cotas, como se formar em Relações Públicas e, aos 24 anos, assumir a gerência de uma empresa.

O caminho não foi fácil: ao ingressar no ensino superior através de cota, teve que enfrentar a ira dos não-cotistas e ouvir que o sistema “é racismo inverso contra brancos” e que “cria vagabundos” – essa última, na opinião da autora, “possivelmente a acusação mais esdrúxula neste mar de chorume racista”. “Cotas funcionam, sim. E incomodam, também. Incomodam porque provam que vestibular não serve mais pra nada, e porque ‘mescla’ um ambiente que, até dez anos atrás, era homogêneo. Branco. As cotas provam que elite intelectual é um termo inventado para deprimir e assustar aqueles que não possuem grandes quantias de dinheiro para serem gastas em escolas que vendem mais imagem do que conhecimento”, opina Gabriela. “A prática não deixa muita dúvida: educação é para quem pode comprar”.

Leia abaixo a íntegra do texto de Gabriela Moura.

Eu, ex-cotista, “vagabunda”

Eu não vou conseguir ser linear, mas espero que entendam os pormenores desta história íntima. Eu morei 10 anos em Londrina, no norte do Paraná, em um bairro de periferia chamado Jardim Leonor e estudava em uma escola estadual. Na época não era assim muito comum ter sonhos além de chegar ao final do ensino médio, então a falta de credibilidade das pessoas em mim já começava ai. As pessoas, menos a minha mãe. Quando eu tinha 16 anos eu decidi mudar de período na escola, indo do matutino ao noturno, para que assim tivesse um tempo para trabalhar e pagar o cursinho pré-vestibular. E isso já era uma audácia muito grande: desejar ingressar na Universidade Estadual de Londrina. A minha mãe não deixou que eu seguisse com estes planos, dizia que seria pesado demais conciliar trabalho e escola, e me sobraria pouco ou quase nenhum tempo livre pra diversão e coisas de adolescente. Por isso eu comecei a tentar estudar em casa mesmo, só com os materiais da escola – internet era um luxo inimaginável. Na verdade, nem computador eu tinha, e não tinha vaga ideia de quando eu teria um. A minha mãe trabalhava como costureira autônoma.

VEJA TAMBÉM: O preconceito e a arrogância dos bonzinhos no debate sobre as cotas

Tudo isso para explicar que: era impossível pagar cursinho, era impossível pagar escola particular e o que eu tinha era um punhado de livros e o sonho de ingressar no curso de Relações Públicas da UEL. Essa era uma situação risível no meio onde eu vivia. O ensino superior não era um direito de todos. Nós, que estávamos às margens da cidade, geralmente acabávamos por servir os que estavam no topo. Era muita audácia da minha parte.

Para encurtar esta parte da história: Em fevereiro de 2005 eu fui a uma festa promovida pela rádio pop local, que divulgaria o resultado do vestibular ao vivo, e quando eles distribuíram o jornalzinho do resultado (patrocinado pelo maior colégio particular da cidade, risos), meu nome estava lá, e naturalmente minha mãe chorou quando recebeu a notícia por telefone, um celular que eu peguei emprestado de um amigo.

Estaria tudo ok se não fosse um porém: eu era cotista. Isso aí é como se eu carregasse alguma placa em neon piscante dizendo que eu não pertencia àquele lugar. Desde o começo eu ouvi manifestações hostis de pessoas que diziam abertamente que eu não deveria estar ali, pelos seguintes motivos:

– Elas estudaram muito, pagaram 2, 3, 4 anos do cursinho mais caro da cidade justamente para terem mais chance.
– Um possível mau desempenho meu atrasaria a turma toda.
– É racismo inverso contra brancos (sic).
– Cria vagabundos.

Eu queria explicar estes pontos de maneira ponderada e organizada, mas não dá. A explicação vai vir bagunçada, tal como a bola de ódio nutrida contra cotistas nas turmas de 2005 da Universidade Estadual de Londrina.

Pra começar, vocês precisam entender que eu não acredito no sistema de vestibulares como seleção de pessoas inteligentes e aptas a esse grande portal de suposição de superioridade intelectual chamado Universidade. Pra mim, o ensino deveria ser universal. E para o vestibular nós nos matamos para compreender ou decorar coisas que às vezes fazemos questão de esquecer o mais rápido possível, porque temos (ou deveríamos ter) direito de escolher as áreas que gostamos mais. Meus conhecimentos em química evaporaram tão rápido quanto perfume ao sol. Mas em mim ficou a Geografia Política, que eu fazia questão de ser a melhor aluna da sala, História, Literatura e os idiomas. E era isso que eu queria continuar estudando. O vestibular é um funil desgraçado e cruel.

As escolas moldam crianças e adolescentes para passarem em provas “difíceis”, abordando questões pouco compreensíveis e ignorando toda a realidade social, só para estampar a cara do aluno vencedor e fazer dele uma mídia espontânea, que trará mais alunos para a escola e, assim, mais dinheiro. Conhecimento pode ser adquirido, mas não deveria ser tão difícil. Desde mensalidades, até preços de livros, é tudo um grande obstáculo. Quem trabalha com educação sabe disso ainda melhor do que eu, por ter uma visão global e maior conhecimento sobre a influência econômica no sistema educacional. Mas a prática não deixa muita dúvida: educação é para quem pode comprar.

Sobre o racismo inverso a gente finge que não ouviu, pro bem da nossa saúde mental. E se insistirem, uma aula explicando o massacre das populações negras deveria ser suficiente. Se não for, é porque o ouvinte é mau-caráter, mesmo. E também me surgia a dúvida: a pessoa estuda 4 anos em escola particular e culpa uma cotista de ter roubado a vaga? Não soa razoável. Mas dinheiro ainda importava.

Ai vem a nova parte da minha novela.

Sobre a vagabundagem cotista: possivelmente a acusação mais esdrúxula neste mar de chorume racista. O curso de Relações Públicas não é dos mais caros. Os livros saem por cerca de 40 reais. A exceção são os livros de Economia e Marketing que, às vezes, passam dos 100. Mas todo aquele volume de xérox começou a falir a conta bancária que eu já não tinha. E, em certos dias, eu precisava escolher entre pagar 3 reais de passagem de ônibus ou usar estes mesmos 3 reais para comprar comida. Dentro do ambiente acadêmico, porém, o desempenho era equivalente. Eu não sentia que era menos capaz do que meus colegas oriundos de escolas particulares.

Então eu ingressei em um projeto chamado Afroatitude, que unia alunos cotistas de 10 universidades públicas:

“O Programa Nacional Afroatitude propicia aos alunos negros bolsas para desenvolverem projetos com os temas: Cultura e População Negra/Discriminação Racial, Vulnerabilidade Social, Prevenção das DST/AIDS e Direitos Humanos. Na UEL, o relatório final dos bolsistas Afroatitude que participaram de projeto de iniciação científica (2005-2007) deu-se com a entrega de um artigo sob supervisão do orientador. Os trabalhos foram surpreendentes, considerando que se tratavam de alunos da primeira série, que descortinavam um mundo extremamente novo em relação ao seu cotidiano, quer como vivência em sala de aula, quer como participação em projetos.”

Fonte: http://www.uel.br/revistas/afroatitudeanas/?content=apresentacao.htm

Com este projeto eu entrei em contato com a cultura negra, o que me era inédito, usei o dinheiro da bolsa pra comprar o primeiro computador da minha vida, estudei a vulnerabilidade da população negra e isso serviu de estopim pra tudo o que eu sou hoje. Apoiados pela Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal, nós tivemos a chance de estudar a influência e as carências das populações negras das regiões em que vivíamos, e pudemos finalmente ter a noção do tanto de trabalho que ainda havia a ser feito. Eu não sei se consigo ser objetiva neste ponto e explicar direito a importância deste projeto em minha vida. Digamos que minha intelectualidade ganhou na loteria acumulada. Muita riqueza de informação. Em paralelo a isso, eu queria entender por que alguns colegas insistiam que eu e meus demais amigos cotistas éramos inúteis e tão dispensáveis, e por que não deveríamos estar ali. Na época era algo que eu não conseguia nem começar a explicar, e me restava ficar calada em situações constrangedoras, como quando pessoas riram ao assistir “Quanto Vale? Ou é por quilo?”, chamando objetos de tortura de escravos de “enfeite pra cara”.

Me deem um desconto, eu era uma piveta de 17 anos sem muito acesso à informação. Felizmente, 4 anos foram suficientes pra provocar uma tormenta em mim, que me deixou cada dia menos tolerante a provocações racistas.

Eu me formei em 2008, sem ter a minha foto de criança exposta no painel da festa, como meus outros colegas, por eu não ter conseguido pagar a festa. Eu fui como convidada de uma amiga.

Eu me formei odiando festas de formatura e me sentindo deslocada.

Mas o que é importante dizer que cotas funcionam, sim. E incomodam, também. Incomodam porque provam que vestibular não serve mais pra nada, e porque “mescla” um ambiente que, até 10 anos atrás, era homogêneo. Branco. As cotas provam que elite intelectual é um termo inventado para deprimir e assustar aqueles que não possuem grandes quantias de dinheiro para serem gastas em escolas que vendem mais imagem do que conhecimento. Ou para manter estas pessoas longe da preocupação da escola pública, porque afinal, pra que se preocupar com a escola da filha da empregada se a tua cria pode estudar no palácio do centro?

Como costureira, empregada e babá, a minha mãe passou a vida construindo sonhos comigo. O sistema de cotas me ajudou a realizar um deles, Mas esta é a visão individualista, e vocês precisam entender o impacto global disto. Sendo cotista, eu ingressei em um excelente curso de uma excelente instituição, recebi um tsunami de cultura negra que me empoderou de uma forma que eu nem imaginei que fosse possível. Já formada, eu passei a me preocupar em ser uma multiplicadora, levando pra frente o que eu aprendi com o Afroatitude, e faço questão de empoderar cada jovem negro que passa pela minha vida. Com o sistema de cotas eu enfrentei a sociedade mimada, acostumada a ser bem dividida entre os que nasceram pra servir e os que nasceram pra serem servidos, e eu trabalho até hoje contra segregação racial. E vou continuar trabalhando enquanto meu corpo e minha mente permitirem.

Como profissional de Relações Públicas, aos 24 anos eu alcancei a posição de gerência da empresa onde trabalhei. Não me soa nada ruim.

Eu voltei a estudar em 2010, desta vez escolhi aprender a ler, escrever e falar árabe coloquial e árabe clássico. Estudei cinema árabe, literatura árabe, filosofia árabe, história árabe.

O sistema de cotas para negros é bem simples de entender, ele é feito para a inserção de pessoas negras na universidade. Ele não substitui a necessidade de repensarmos a educação de base, mas impede que a disparidade racial do país aumente. O sistema de cotas não é outra coisa, senão um sistema inclusivo. Também é leviano chama-lo de “esmola governamental”, porque uma das obrigações do governo é justamente zelar pelo bem estar de seus cidadãos, e os cotistas estão apenas utilizando um direito, que é o de estudar. Errado é achar que, porque estas pessoas não tiveram 1.500 reais por mês durante 15 anos, não merecem entrar pelos portões da frente do ensino superior. O sistema de cotas incomoda porque mostra que dinheiro pode comprar coisas, pode até comprar gente, mas não pode comprar humanidade.

E, por falar em conhecimento, um sem-número de artigos já explicaram a real eficiência desta solução, então não é difícil a compreensão.

Há também quem busque invalidar toda a experiência dos cotistas, afirmando que a única solução correta e eficiente seria a reforma total do ensino de base, apenas. Eu talvez preste atenção nisto no dia que todos os pais puderem educar seus filhos com as mesmas condições econômicas, e isso inclui os empregados de quem desqualifica os cotistas.

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Comentários

  1. poliana Postado em 04/Sep/2014 às 19:45

    brilhante! texto delicioso de se ler!!!!

    • Rafael Postado em 08/Sep/2014 às 16:12

      É uma boa história, mas logo mais vem uma matéria detonando a Meritocracia e vai destruir completamente esta linda história!

  2. André Postado em 04/Sep/2014 às 22:40

    Falar em melhorar a qualidade do ensino básico, ninguém fala! Cotas existem aqui no RJ desde 2002, e de lá pra cá nada foi feito para acabar com essa diferença lá na raiz do problema. Se governos e prefeituras investissem DE VERDADE em educação de qualidade, cotas não seriam necessárias. Mas como educação é investimento de longo prazo, nenhum político quer iniciar algo que vai dar frutos no mandato do outro.

    • Luiz Souza Postado em 05/Sep/2014 às 01:37

      Concordo contigo. Tanto é verdade que Paulo Paim imaginou as cotas como remédio temporário ao problema das diferenças sociais entre brancos e pretos. Sendo estas dirimidas, as cotas seriam revogadas. Leonel Brizola e Darcy Ribeiro investiram em educação de qualidade, mas o trabalho não foi continuado (não dá para colocar Anthony Garotinho no mesmo patamar dos velhos comunas). Reacionários preferem associar Brizola a uma suposta facilidade que o tráfico de drogas teria encontrado para operar em seu governo. Um cretino escreveu sobre isso na Veja, dias atrás. Sendo o Comando Vermelho uma consequência da política carcerária dos últimos anos de Ditadura Empresarial-Militar Brasileira, fica clara a difamação ao velho gaúcho. As imitações do CIEP que candidatos tentam emplacar a cada eleição podem ser consideradas uma homenagem não-intencional a Leonel Brizola.

    • Luiz Souza Postado em 05/Sep/2014 às 01:41

      Dia 21 de março de 2003. Luiz Inácio Lula da Silva, através da Medida Provisória n° 111, cria a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. O resto é história (com muito choro de perdedor). Viva Lula!

      • Carlos Postado em 06/Sep/2014 às 10:46

        O Lula foi um exíminio criador de secretarias e ministérios que se destinaram apenas a inchar o estado e atender a interesses dos conhecidos chupins da República.

    • Carlos Postado em 06/Sep/2014 às 10:41

      Concordo com vc. O atual governo preferiu criar essa aberração a investir pesado na educação básica. O resultado é esse: pífio desempenho dos estudantes no Ibed e monte de idiotas discutindo, em fóruns como este, a importância de se compensar desigualdades impostas pela história da humanidade.

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 11:04

        Realmente é bem fácil descobrir idiotas chorões em sites como este.

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 11:32

        Cotas não são questão de melhoria da educação básica, mas de inserção de pretos nos estamentos brancos da sociedade. E reitero: ESTAMENTOS! Se a elite econômica do Brasil fosse os militares, as cotas seriam para colocar mais pretos nas Forças Armadas, se fossem jardineiros s mais ricos, as cotas seriam para jardineiros pretos e assim por diante. Misturar os dois assuntos é ignorância - no sentido de ignorar o escopo da reivindicação - ou má fé.

  3. Lana Postado em 04/Sep/2014 às 22:50

    Vc sabe o que é equidade? Vc considera que se deva tratar igualmente pessoas que historicamente vivem em condições desiguais? É fingirmos que há igualdade no Brasil. As políticas de inclusão visam quebrar um ciclo vicioso de exclusão. Sem elas continuaremos perpetuando as desigualdades ao longo do tempo.

  4. Carlos Postado em 04/Sep/2014 às 23:32

    Cotas raciais é um absurdo, os negros sensatos percebem o quanto a comunidade negra sera mais taxada ainda devido a isso, cotas sociais fazem algum sentido, mas cotas raciais é um verdadeiro absurdo.

    • KARINA BB Postado em 05/Sep/2014 às 09:11

      Absurdo é vc nao entender o porque das cotas raciais,so pra constar sou branquinha ta

      • Onda Vermelha Postado em 05/Sep/2014 às 11:26

        É tão "absurdo" que o STF, por unanimidade (10 X 0, pois o Ministro Dias Toffoli se declarou impedido), decidiu a que as cotas eram constitucionais. Todos os argumentos e teses contrárias foram, literalmente, pulverizados naquele histórico julgamento. O resto é chororô de perdedor! Aliás, penso que faria-lhe bem ao espírito revisitá-lo. Quem advogava contra? Uma figura conhecia, Demóstenes Torres e seu ex-partido, ainda procurador, ex-senador pelo DEM já cassado, pego em gravações comprometedoras com o "empresário de jogos"(bicheiro?), amigo do Ministro Gilmar Mendes. Precisa dizer mais alguma coisa? Veja em http://www.conjur.com.br/2012-abr-26/supremo-tribunal-federal-decide-cotas-raciais-sao-constitucionais

      • Onda Vermelha Postado em 05/Sep/2014 às 11:32

        Errata: "penso que lhe faria bem"

      • Carlos Postado em 05/Sep/2014 às 21:46

        Excluir pobres brancos pobres para dar oportunidade para negros pobres? Se isso é justo eu sinto muito.

      • Onda Vermelha Postado em 06/Sep/2014 às 19:34

        Carlos! Quem disse que os "brancos pobres" estão sendo excluídos? As políticas de cotas para estudantes das escolas públicas também os contemplam. Ou não? Além disso, para essa parcela de excluídos ainda tem o Prouni e o FIES. Acho que o que tínhamos antes era que as vagas das universidades públicas, principalmente nos cursos mais concorridos, eram ocupadas quase que exclusivamente por homens e mulheres brancas de renda mais alta. E que estudaram TODA A VIDA em escolas particulares de bom nível. Isso era justo? Penso que não! Por último, não se pode perder de vista, que os "negros/pardos pobres" ainda são a imensa maioria quando comparados com os "brancos pobres". É o que diz o IBGE. Ok? A política de cotas raciais é boa SIM e importante forma de resgatar nosso passado e acelerar o processo de inclusão dos negros na sociedade. Lembre-se! O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e os traços deste atraso ainda hoje se fazem presentes em nossas estatísticas e em nosso cenário cotidiano. Só não vê quem não quer!

    • Gabriel G Postado em 05/Sep/2014 às 11:53

      "Verdadeiro absurdo". Em que país você vive? Com certeza não é no Brasil jovem.

    • Luiz Souza Postado em 05/Sep/2014 às 12:39

      Brancos sensatos não ficam dando ultimato. "Oh, viraremos uma Somália agora!" Até Gilmar Mendes votou a favor.

      • eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 12:46

        E negros sérios não ficam reivindicando mais um Haiti.

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 00:40

        Primeiramente preciso saber se você já considera pretos seres humanos. Até semana passada sabemos que não considerava.

    • Danielle Postado em 05/Sep/2014 às 13:30

      Taxada por quem? Certamente por brancos da classe média alta que não aceitam um negro como colega de curso na faculdade. isso é que é um absurdo!

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 12:14

        Os mesmos que bebem e matam no trânsito, incineram índios, espancam domésticas e homossexuais na rua, estupram e matam calouros em festas de faculdade. Aí vem papai e zera as cagadas. Ser taxado por essa escumalha é motivo de orgulho a todo preto trabalhador.

    • Leo Moreno Postado em 05/Sep/2014 às 23:07

      Carlos, dane-se se alguem vai taxar ou não, nós negros não estamos atras de aprovação e sim de condiçoes iguais...

  5. Luiz Souza Postado em 05/Sep/2014 às 01:24

    Por que vale a pena? Por que ele é contrário às cotas? Temos o PhD José Jorge de Carvalho e o Prof. Dr. Kabengele Munanga, por exemplo. Prefiro estes.

  6. Thiago Teixeira Postado em 05/Sep/2014 às 08:20

    Aos reacionários podem ficar despreocupados, a Neca Sutúbal e Malafaia colocaram o Brasil em seu devido lugar. Estão certos, temos que dar um basta neste ÓDIO contra aqueles que tradicionalmente tem ÓDIOS de negros e pobres. Pois o ódio da elite branca é até compreensível, pois eles começaram primeiro e tem o usucapião do modo de tratamento. Negro no semáforo e esfregando pano no chão e brancos lindos e sadios nas universidades.

    • eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 11:46

      Memso que toda a "elite branca" tivesse ódio de todo preto pobre, não se resolveria insuflando, ainda amis, o recíproco ódio.

      • Luiz Souza Postado em 05/Sep/2014 às 12:27

        Então o nosso papel na sociedade é o de Tia Nastácia?

      • eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 12:45

        No isso contesta, responde ou complementa a ideia de meu post? Vá aprender a ler ,cotista !

      • Thiago Teixeira Postado em 05/Sep/2014 às 13:08

        Moça ... "cotista" ???? É isso mesmo que pronunciou? Já está agredindo e classificando as pessoas de Cotista? Saiba separar os processos de vagas em instituições PÚBLICAS de distribuição de diploma. A pessoa que entrou via vestibular (graças ao papai que bancou o cursinho que são a maioria esmagadora) ou através de vagas disponibilizadas pelo governo, pois não se esqueça que as instituições são PÚBLICAS ,ou seja, o governo pode atribuir vagas em benefício PÚBLICO e SOCIAL, terão os mesmo tratamento frente aos professores. Provas, trabalhos, tudo normal. Agora, se já está carimbando o diploma destas pessoas como "COTISTA", é sinal claro que a política de cotas e combate a discriminação racial e social deve ser continuada.

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 00:49

        Fiz uma pergunta, throll. Quero saber se o nosso papel na sociedade é o de ser subalterno e ainda mostrar felicidade. Não aprendeu o que significa ponto de interrogação? OBS.: quando entrei na universidade - a melhor do Brasil, diga-se - não havia política de cotas, infelizmente.

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 03:48

        E Tia Nastácia, saiba você, é um dos personagens-modelo do preto ao branco racista: infantilizado, alheio ao mundo real e feliz com a servidão. Exatamente a antítese do "recíproco ódio" preto a que você se refere. Responde, complementa e contesta a pueril ideia de seu post.

  7. Maria Cláudia Postado em 05/Sep/2014 às 08:25

    Parabéns Gabriela Moura! Não sou negra de pele, mas como todo brasileiro tenho raízes em minhas origens. Infelizmente muitas pessoas não querem enxergar a realidade, mas é fundamental que encontremos alternativas para uma expressiva melhora. Pode ter certeza que você é um exemplo para todos! Grande abraço!

  8. José Ferreira Postado em 05/Sep/2014 às 10:53

    Excluíram o meu comentário. Eu disse apenas que se pega uma pessoa para mostrar que as c.otas funcionam, sem analisar o contexto. E que a Índia adota c.otas a mais tempo que no Brasil e não há mudanças na estrutura social. E a U.E.L. é uma púb. de 2.ª clas.se, pois não está nos rankings internacionais.

    • eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 11:47

      O casal Obama, Abdel Nasser e Mandela são resultado de cotas?

      • Jerry Postado em 05/Sep/2014 às 13:50

        O Obama é sim! Ele foi cotista em Harvard

      • poliana Postado em 05/Sep/2014 às 16:52

        michelle tb!

      • José Ferreira Postado em 05/Sep/2014 às 17:13

        Da para ver o porque de seu governo ser sofrível.

      • José Ferreira Postado em 05/Sep/2014 às 17:16

        Por isso que o seu g.overno é r.uim.

      • poliana Postado em 05/Sep/2014 às 20:29

        o governo de george w. bush q era perfeito não é jose ferreira?

      • José Ferreira Postado em 05/Sep/2014 às 22:13

        Bush é outra b.osta.

    • SORAIA Postado em 06/Sep/2014 às 08:54

      Jose ferreira vc defecou e o moderador limpou a sua merda,ta reclamando de que ???????

      • Carlos Postado em 06/Sep/2014 às 11:04

        Ah, então quer dizer que existe um moderador pra limpar as opiniões que são diferentes das dos patrocinadores deste site? E ainda tem gente que acha isso é bom.

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 11:39

        José Ferreira bom é o Martinho da Vila. Grande homem brasileiro e não um racista choramingador.

  9. Danila Postado em 05/Sep/2014 às 11:01

    Belas palavras. Mas como comentou o André: não vejo melhorias no ensino básico. E infelzimente, dia após dia, me convenso de que isso é proposital. Dar uma boa formação para o povo não é de interesse político. Não no nosso país. Quanto mais limitado intelectualmente... mais fácil de manipular. Enquanto isso... o branco pobre tem que pagar o preço pelo que seus antepassados brancos fizeram.

    • eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 11:48

      E não é do interesse dos cotistas ter uma educação boa, pois essa iria exigir deles o esforço de estudar.

      • Luiz Souza Postado em 05/Sep/2014 às 12:37

        O texto desmente a estultice que acabou de escrever. Tanto a história quanto o estilo literário da moça. Mas como posso exigir de você o esforço de lê-lo?

      • eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 12:43

        O texto é somente um texto comprometido com interesses políticos particulares e não uma verdade científica material irrefutável. Vá estudar pra aprender a discernir e questionar, viu cotista ?

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 01:06

        Claro, Gabriela Moura não existe e este texto foi feito sob encomenda ao PT. Francamente, throll apócrifo! Teóricos da conspiração reacionários - gente da sua laia - diziam que o arcebispo D. Paulo, a quem chamavam carinhosamente de "bispo veado", era o chefão do Partido Comunista Soviético. Pelas estultices que vejo você escrever aqui, como "pretos querem guerra racial", "pretos querem fazer deste país o Haiti" (grifo meu: porque lá os brancos foram expulsos), "ações afirmativas são para pretos cometerem crimes e não serem punidos", "pretos são potencialmente perigosos até com prendedor de cabelo", percebo que preciso estudar sim, e muito, para compreender o que existe entre as orelhas duma parva que reproduz a opinião de lunáticos conservadores dizendo ser "questionadora".

    • carlos Postado em 06/Sep/2014 às 11:05

      Perfeita sua análise.

    • Onda Vermelha Postado em 08/Sep/2014 às 10:42

      Danila. Se valer de informação atual e qualificada é muito bom e ajuda muito no debate público. O resto é "senso comum" e "preconceito", estes sim, dois fatores, utilizados com frequência na manipulação do debate político, sempre segundo o interesse político-ideológico de quem o profere. Seja para reforçar sua visão de mundo, seja para tentar desqualificar as políticas públicas de sucesso do Governo Federal. Acabou de ser divulgado o novo IDEB, e o que mais avançou foi, justamente, qualidade na educação básica. Portanto, você e o André, ambos, estão errados. Outra coisa! Quem disse que os "brancos pobres" estão sendo excluídos? As políticas de cotas para estudantes das escolas públicas sejam nas universidades ou escolas técnicas públicas, também os contemplam. Ou não? Sim, porque é lá nas “escolas públicas” que se esperam encontrar os “brancos pobres”. Além disso, para essa parcela de excluídos ainda tem o Prouni, com bolsas parciais(50%) e integrais(100%), e o FIES. Além, é claro, do substancial aumento das vagas nas novas universidades públicas criadas e das já existentes . Acho que o que tínhamos antes era que as vagas das universidades públicas, principalmente nos cursos mais concorridos, eram ocupadas quase que exclusivamente por homens e mulheres brancas de renda mais alta. E que estudaram TODA A VIDA em escolas particulares de bom nível. Isso era justo? Penso que não! Por último, não se pode perder de vista, que os "negros/pardos pobres" ainda são a imensa maioria da população quando comparados com os "brancos pobres". É o que diz o IBGE. Ok? A política de cotas raciais é boa SIM e uma importante forma de resgatar nosso passado e acelerar o processo de inclusão dos negros na sociedade de forma menos desigual. Lembre-se! O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e os traços deste atraso ainda hoje se fazem presentes em nossas estatísticas e em nosso cenário cotidiano. Só não vê quem não quer!

  10. Matheus B. Postado em 05/Sep/2014 às 11:03

    Ainda ontem eu havia elogiado este site por nunca ter me censurado. Bem, retiro o que disse, três comentários meus foram excluídos.

    • carlos Postado em 06/Sep/2014 às 11:10

      Matheus, a censura só é condenável quando feita pelo outro lado da trincheira.Tb já fui alcançado pela tesoura.

  11. carol Postado em 05/Sep/2014 às 11:33

    Odio dos anti-cotas? Acredite, existe e eu convivo com ele todos os dias. Frequento um cursinho de classe media alta e vejo a raiva que a elite nutri pelas cotas, porque dizem ser "injusto", ja que eles estudam tanto para entrar em uma faculdade. O odio existe, acredite

    • Yrae Postado em 24/Dec/2014 às 19:45

      Estudam tanto para ser inserido em Universidades Públicas que deveriam ser destinadas á alunos de baixa renda.

  12. Onda Vermelha Postado em 05/Sep/2014 às 11:42

    Gabriela Moura diz "Eu não sei se consigo ser objetiva neste ponto e explicar direito a importância deste projeto em minha vida. Digamos que minha intelectualidade ganhou na loteria acumulada. Muita riqueza de informação". Parabéns Gabriela! Eu e acredito que muitos outros sentimos orgulho de você! E tenho certeza que em um futuro não muito distante TODOS nós olharemos para trás e constataremos que toda essa luta realmente valeu a pena! Aliás, você já é um exemplo vivo disso!

  13. eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 11:45

    Insuflar ódio racial é o que os ditos movimentos sociais, que na verdade são movimentos políticos, tem feito em lugar de insuflar a consciencia politica que tornaria a população mais coesa e facilitaria uma revolução verdadeira. Só não vê os verdadeiros interesses e compromissos dos oportunocoitadistas brasileiros quem não quer.

    • Suzana Postado em 07/Oct/2014 às 15:32

      excelente comentário! essas medidas, só reforçam a ideia de "estado papai" e direitos inatos, sem precisar de esforço, de luta e de consciência política!!!

  14. Fabio Postado em 05/Sep/2014 às 11:54

    A autora em vários pontos do texto destaca que a diferença econômica é a responsável pela facilidade de acesso dos mais abastados as universidades em relação aos mais pobres. Concordo plenamente com esse pensamento, por isso, acho mais justo cotas para alunos de escolas públicas independentemente da etnia. Acho mais justo e no final teria praticamente o mesmo efeito, pois a maioria dos alunos de escolas públicas são negros. É claro que existem escolas públicas (em geral federais) que são excelentes como o Pedro II no Rio. Estas instituições poderiam "zerar" as vagas para cotistas de escolas públicas. Neste caso acho que as cotas poderiam ser para escolas públicas municipais e estaduais ou excluir as escolas que comprovadamente têm excelência no ensino.

  15. eu daqui Postado em 05/Sep/2014 às 12:48

    Essa equidade aí me parece combater sintomas para atender a interesses eleitoreiros. Combater condições desiguais é democratizar e distribuir condições e oportunidades.

  16. william brasil Postado em 05/Sep/2014 às 12:54

    Olha sou Negro, e passei e passo por preconceito dentro da faculdade, faço na PUCRS. Noto no olhar de algumas pessoas um cara tipo "o que esse negão tá fazendo aqui", ou tipo "vai me roubar", segurança seguindo me seguindo isso é todos o santo dia. A muito preconceito com as cotas, e o pior de tudo entrei sem usar a cota e já continua o preconceito.

  17. kleiton Postado em 05/Sep/2014 às 13:44

    Enxergar o mundo materialmente carece de razão e sentido. A desigualdade social é uma das causas do acesso à cidadania, mas história do negro foi mais que isso. Outros obstáculos se interpõe no seu acesso ao que existe, o que justifica as cotas. Não se trata de reparação, nos termos.

    • Zé sem nome Postado em 05/Sep/2014 às 14:40

      Todos deveriam ser iguais perante a lei. Com isto, ter acessso à educação de qualidade. Mas, nosso sistema está falido e não é inserindo cotistas que se vai resolver o problema e sim valorizando toda a rede educacional pública e principalmente seus profissionais de forma a aumentar a qualidade e permitir que qualquer um consiga escolher seus caminhos: seja sendo um carpinteiro, seja sendo um Ph.D.

  18. Ana Amelia Postado em 05/Sep/2014 às 15:41

    Pra mim, esta questão não está ligada a direitos individuais, mas de uma etnia em relação a outra. Não há como negar as diferenças de oportunidades entre as etnias branca e negra tantos nos dias de hoje quanto ao longo dos tempos. Assim, penso que as cotas devem focar em negros pobres e não apenas em pobres no geral. Embora possam existir casos isolados de injustiças individuais (quando o branco pobre perde a vaga para o negro pobre) é importantíssimos para sociedade brasileira que consigamos diminuir este abismo entre as etnias. Em tempo: Sou branca, estudei em escolas particulares e faculdade pública. No meu tempo não existiam cotas, mas meus filhos terão que encarar um vestibular ainda mais competitivo. Isso não me impede de apoiar cotas e aplaudir histórias de vida como a narrada acima.

  19. Sophia Postado em 05/Sep/2014 às 15:46

    O raciocínio de cotas raciais funcionaria se, e somente se, todas as pessoas sem acesso a educação fossem negras ou pardas. Não são. Não interessa se são maioria. Não se pode beneficiar uma pessoa com base na sua cor. Entre um branco pobre e um negro pobre, porque somente o negro é beneficiado? E não para por ai: com cotas raciais, o branco pobre ainda perde para o negro rico - que também existe. Onde está a justiça nisso? Se o argumento para cotas é inserção social de pessoas desfavorecidas, a inserção tem que ser de TODOS. Do contrario é racismo, sim!!!

    • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 11:51

      Acho que já li isso antes... "Para que beneficiar o discriminado? Eles estão tão adaptados e acostumados à subalternidade... Deixa como está." O famoso "pra ele tá bom".

  20. Alexandre Postado em 05/Sep/2014 às 16:09

    O que vejo é ressentimento de ver que quem tradicionalmente não deveria está na universidade compartilhando o mesmo espaço que sempre foram deles, mais um sintoma do elitismo que classifica pessoas de acordo com sua origem ou seu padrão de vida.

  21. Celio Bernstein Postado em 05/Sep/2014 às 16:24

    Quando vejo conservadores, reacionários e afins reclamando do sistema de cotas (assim como reclamam da bolsa família), significa que o programa do governo está dando certo. Espero que o governo continue assim e para quem não gosta, existem várias universidades privadas que o papai pode pagar. Para concluir o meu comentário: o choro é livre para todas as idades. Vlw, flw!

    • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 01:12

      Quando leio o tal Rodrigo Constantino dizer que "infelizmente ainda temos comunistas no Brasil", num macarthismo subdesenvolvido e piegas, passo a considerar um pedido de filiação no Partidão. Só para ficar diametralmente oposto a essas bestas do inferno.

      • carlos Postado em 06/Sep/2014 às 11:16

        Cara, como vc é preconceituso!

      • Suzana Postado em 07/Oct/2014 às 15:35

        Luiz Souza, vc é um preto ressentido que quer tudo de mão beijada. work hard and stop the mimimi!

    • carlos Postado em 06/Sep/2014 às 11:14

      Talvez vc esteja vendo apenas com um olho. E não com aquele que vê.

      • Luiz Souza Postado em 06/Sep/2014 às 11:45

        Chulice é um caminho natural até para o Olavo, Magnoli e os pistoleiros de aluguel dos Civita, que, teoricamente, são os mais preparados para o debate. Que dirá um seguidor apócrifo.

  22. Thiago Postado em 06/Sep/2014 às 19:33

    Sou negro e sou contra as cotas. Acho a ideia de cotas ofensiva e discriminatória, pois pressupõe que a cor da pele é uma desvantagem natural que deva ser compensada. Esse texto apenas reforça a minha opinião: a exclusão é social, e não racial. O negro não é reprovado por ser negro, mas por ser pobre, por não ter acesso a boas escolas nem a cursinhos. Consegui minha aprovação no vest pq consegui estudar em boas escolas e bons cursinhos, apesar de nunca ter sido rico. Nós negros devemos ser julgados por nossas qualidades individuais, e não pelo pertencimento a uma "raça" que precisa de ajuda pq sozinha nao tem competência pra ser aprovado. Esse tipo de condescendência é tão racista quanto a aversão aberta. A verdadeira igualdade ven da competição justa sob critérios equânimes, mas pra isso o governo teria que fazer uma ampla reforma educacional que melhorasse a escola pública. Mas isso não dá voto. Cotas é o caminho mais rápido, mais fácil e dá (muito) voto, pois o beneficiado sente aquela gratidão eterna com o partido que lhe ajudou.

    • Onda Vermelha Postado em 08/Sep/2014 às 12:17

      Thiago, o fato de você ser "negro" não faz com que a sua opinião seja, necessariamente, a mais abalizada para apontar a justiça ou não do sistema de cotas raciais tal como apontada articulista e “negra” Gabriela Moura. São inúmeros os relatos históricos do período escravocrata no Brasil que associam a figura do "capitão do mato" aos negros que eram tão ou mais cruéis ou racistas do que alguns brancos. O falecido estilista e ex-deputado Clodovil Hernandes era homossexual, e até onde sei, não assumido. Ele era uma das pessoas mais preconceituosas que já vi. Inclusive contra homossexuais. Ele não era o único! Quem afirma que diferenças entre negros e brancos é algo “natural” é justamente quem deseja mantê-las tais como são. Assim como era “natural” que brancos ocupassem a “casa grande” e os negros a “senzala”. Não é mesmo? Você diz ”Consegui minha aprovação no vest pq consegui estudar em boas escolas e bons cursinhos, apesar de nunca ter sido ricos”. Parabéns, você é um “vencedor”, mas novamente, somente reforça a necessidade das cotas. Te pergunto: você é uma exceção ou uma regra? Tu és claramente uma exceção! Segundo você “A verdadeira igualdade vem da competição justa sob critérios equânimes”. Tens razão! E esses critérios jamais foram equânimes antes da Lei de Cotas, justamente, pelas razões que já expus em comentários anteriores. Tanto é que antes dela quase não se via negros cursando medicina, odontologia ou direito, somente ficar nestes cursos mais desejados pela “elite” nas universidades públicas. E, infelizmente, isso ainda não se fez refletir na ascensão significativa deste segmento social em “postos de comando” da administração pública ou privada. E quem diz isso é o próprio IBGE. Segundo esse mesmo instituto, quando comparados negros e brancos com o mesmo nível de escolaridade verifica-se que estes possuem salários/remunerações superiores que aqueles. E aí? Ainda acredita que as suas “qualidades individuais” darão conta de séculos de racismo velado? Mais um exemplo! Só recentemente, ou melhor, esse ano, as empregadas domésticas, maioria esmagadora negra/parda tiveram seus direitos trabalhistas equiparados aos demais trabalhadores. Por que será? Herança história escravocrata que SEMPRE viu a mulher, sobretudo, negra, como mão-de-obra barata, a mucama que devia manter o “seu” lugar! Ainda resta alguma dúvida de que as cotas são necessárias e que elas têm justificativa na necessidade de combater as raízes históricas de nossa desigualdade que não tem nada de “naturais”? Penso que não! Ou você é daqueles que leu e acreditou no global Ali Kamel que escreveu o livro “Não, não somos racistas!”? Abs, Onda Vermelha! Fui!

      • Suzana Postado em 07/Oct/2014 às 15:37

        você na certa não luta nem reivindica escolas básicas de qualidade para todos. quer entrar na faculdade sem o devido preparo, quer privilégio, quer moleza!

    • Carlos Postado em 08/Sep/2014 às 14:03

      Exatamente a longo prazo isso será mais nocivo aos negros do que o contrario, fora a violência brasileira que vai aumentar absurdamente com esse racismo gerado atualmente.

  23. vilmar Postado em 24/Dec/2014 às 09:32

    Os racistas sempre foi e será contra cotas, a vontade dos racistas é sempre ver os negros inferiorizados trabalhando em serviços pesados e humilhados... cotas pra negros é apenas a ponta do iciberg de uma divida informal que os brancos devem aos negros dos 380 anos de escravidão formal que aconteceu no brasil. sou ateu não acredito que existe um deus mas acredito na força da natureza, e sei que uma divida pode demorar a ser paga mas ela não falha a natureza cobra cedo ou mais tarde, então entes que a natureza comece a cobrar é melhor que paguem antes...e as cotas não é nem 0,1% da divida. todos sabem disto os que não admitem é porque são maldosos e acham que vão ser sempre superiores em posição social mas não é bem assim, as coisas mudam de posição de tempos em tempos hoje são os brancos que mandam no mundo, futuramente não se sabe quem vai está neste poder, tudo pode acontecer.

  24. Carlos Postado em 24/Dec/2014 às 12:37

    Serei contra as cotas raciais até o dia em que alguém me demonstrar, com dados concretos e não com discursos ideológicos, as razõez que justificam o cnegro pobre ter mais direitos que o branco de mesma condição econômica. Além da óbvia cor da pele, o que justifica o filho branco do porteiro de um prédio ter de disputar em condições de igualdade com o filho de um empresário bem sucedudo uma vaga na universidade, enquanto o filho negro tb de um porteiro ganhar pontos adicionais na briga pela mesma vaga. E se o filho branco do primeiro porteiro for mais aplicado, estudioso e competente do que o filho negro do segundo porteiro? Azar o dele? Os brancos pobres são tão injustiçados quanto os negros pobres. Se não enfrentam problemas de racismos, sofrem discriminação por sua condição social. Ou alguém vai dizer que não?

  25. Luiz Parussolo Postado em 24/Dec/2014 às 18:00

    Tudo que as elites dizem e falam sobre cotas e racismo é invenção para ocultar a inferioridade empírica. Tanto é verdade que o Brasil é dependente até dos conceitos filosóficos materialistas, econômicos, sociológicos, ciência, ciência, tecnologia, insumos para produções, ciências jurídicas, capital, conceitos trabalhistas, conceitos e modas sociais, etiqueta, ternos, vestidos, roupas íntimas, projetos de engenharia e arquitetônico, procedimentos jornalísticos, cinema, programas franqueados, pacotes artísticos e midiáticos, idéias, tendências, respiração, batimentos cardíacos. Enfim, necessita do ser estrangeiro para impor-se ser internamente. Para sustentação de seus aprendizados e necessidade externos e periféricos precisam de entes submetidos e dependentes para cumprimento. Neste caso não existe como evoluir neste país criadores e produtores aprioristas. Num país onde as elites e as classes médias são antas adestradas como assimilar e subjugar-se ao conhecimento e à sabedoria sabendo que voltarão ao nada das próprias origens.

  26. elyana Postado em 22/May/2015 às 11:16

    Interessante que a autora do post faz uma crítica mto boa sobre o vestibular, e eu vi pouco valor nos comentários. Não é só por educação de qualidade que temos que lutar, mas também por uma forma de seleção menos injusta. Por que quem estuda em escola cara passa mais no vestibular? E significa que essas pessoas realmente são mais preparadas para viver na universidade? Eu não tenho certeza disso. Sinceramente, de td que tive que aprender para passar no vestibular, poucas coisas me fizeram uma profissional melhor, e quase nenhuma me ajudou quando decidi fazer o mestrado... Sou a favor das cotas, não fui beneficiada por elas. Sou a favor de melhorar a educação, óbvio. Mas principalmente, me questiono pq universidades públicas tem uma seleção que beneficia os que estudaram em escolas caras. Com certeza há uma razão!