Redação Pragmatismo
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Economia 12/Sep/2014 às 12:40
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Nobel de Economia lança alerta sobre Banco Central independente

Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz diz que um Banco Central independente é "desnecessário". O economista explicou ainda que países com BCs mais independentes tiveram muito mais dificuldades diante da crise financeira global

Joseph Stiglitz banco central economia
O americano Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia (divulgação)

O debate econômico do momento nas eleições presidenciais brasileiras ganhou nesta quinta-feira 11 uma opinião de peso. Em palestra na sede do Banco Central da Índia, o economista americano Joseph Stiglitz – agraciado com Prêmio Nobel de Economia, em 2001, e economista-chefe do Banco Mundial, entre 1997 e 2000, afirmou que a discussão sobre a independência dos bancos centrais é superestimada:

“A crise mostrou que um dos princípios centrais defendidos pelos banqueiros do Centro-Oeste (Europa e Estados Unidos) é o desejo de independência do banco central”, disse ele, para em seguida se opor à iniciativa:

“Mas na melhor das hipóteses, essa posição é questionável. Na crise, os países com bancos centrais menos independentes como China, Índia e Brasil fizeram muito, mas muito melhor mesmo do que os países com bancos centrais mais independentes, caso da Europa e dos Estados Unidos”, completou.

VEJA TAMBÉM: Por que Aécio e Marina defendem a independência do Banco Central?

No Brasil, a candidata Marina Silva, do PSB, tem defendido com ênfase a necessidade de dar autonomia ao Banco Central. Essa posição também está sendo vocalizada pela coordenadora de seu programa de governo, Neca Setubal, herdeira do banco Itaú, a maior instituição privada do País.

A presidente Dilma Rousseff fez da promessa de Marina um cavalo de batalha. Na propaganda eleitoral na televisão, o PT de Dilma comparou o BC independente à entrega de um poder semelhante ao de presidente do Congresso a alguém sem mandato e com grande risco de ligação com os interesses do mercado financeiro.

Podendo decidir sobre as taxas de juros e câmbio, estabelecer e executar metas de inflação e baixar a mais variada legislação de regulação de mercado, um presidente de BC autônomo em relação ao Poder Executivo pode operar a macroeconomia na direção que julgar mais conveniente.

Stiglitz manifestou uma opinião em linha com a de Dilma.

“As instituições públicas são responsáveis, este não é o problema. A questão é quem vai estar lá e qual política ele vai praticar”, frisou Stiglitz.

Modelo de BC independente, o Federal Reserv dos Estados Unidos foi criticado por Stiglitz, que se ateve ao papel desempenhado, antes da eclosão da crise financeira, pelo presidente do Fed de Nova York, William Dudley.

“Dudley executou um modelo de má governança em razão de seu conflito de interesses: ele salvou os mesmos bancos que ele deveria regular – os mesmos bancos que lhe permitiram ganhar a sua posição de mando”, sentenciou.

Ao seu feito sem meias palavras e polêmico, o prêmio Nobel passou a dizer que um presidente de BC escolhido pelo mercado, como anunciam Marina e Neca, tende a atender os interesses desse mesmo mercado, ainda que estes sejam contrários ao do grande público.

Agência O Globo e 247

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Comentários

  1. Ricardo Santos Postado em 12/Sep/2014 às 13:21

    A Marina Silva deveria saber disso. Brasil não é para amadores. Não se mexe em sistema que ganha, nem em time que ganha. Dilma é a melhor opção sem dúvida. Não fosse o PIG ganharia no primeiro torno devido aos avanços alcançados. A corrupção não é normal, mas no governo tucano ou da Marina a corrupção existiria. Deve ser banido é claro, mas não é a justificativa pra tirar um governo que dá certo.

  2. Thiago Freitas Postado em 12/Sep/2014 às 17:52

    Concordo. E no governo PSDB existia, e existe em Minas. Mas pelo menos as coisas não estão terminando em Pizza, como era costumeiro no governo FHC. Doa a quem doer, a punição está vindo.

  3. ANTONIO NUNES Postado em 12/Sep/2014 às 20:17

    PORQUE EU NÃO VEJO ESSE TIPO DE REPORTAGEM NO G1 NEM NA UOL.

  4. antonio nunes Postado em 12/Sep/2014 às 20:51

    ´Só espero que se a Dilma ganhar essa eleição, ela não se esqueça de dar uma boa uma boa puxada de tapete nessa mídia horrorosa que nós temos, principalmente na globo e revista veja, que a cada investigação que acontece, a primeira coisa que eles fazem é jogar todo o governo na mesma vala

    • Pudim Postado em 15/Sep/2014 às 17:30

      Puxada de tapete significa censurar? Ah... isso com certeza o PT sabe fazer como ninguém. E você está de parabéns por comungar com essa ditadura real, seu fascista.

  5. Deisi Postado em 13/Sep/2014 às 20:11

    Para Marina mais vale a opinião da Neca do Itaú, do que o e a do prêmio nobel da economia, também ela segue á risca sua roleta bíblica e o seu guru mor o Malafaia. Essa mulher está muito bem assessorada para fracassar.

  6. Ilha Postado em 14/Sep/2014 às 15:20

    O problema da Marina é que ela "tem o rabo preso".

  7. Carlos Roberto Postado em 15/Sep/2014 às 07:45

    A matéria diz respeito a países onde o BACEN tem em suas estruturas se poder mecanismos onde os grupos políticos não possam fazer do BACEN instrumento para artificialiar o real valor da moeda nacional e assim não varrer pra debaixo do tapete . A matéria está fragmentada e as analogias estão enviezadas pelo articulista PTista! Então falador, 11% de taça de juros no Brasil de hoje tá legal ?

  8. Thiago Postado em 16/Sep/2014 às 17:30

    "Ao seu feito sem meias palavras e polêmico, o prêmio Nobel passou a dizer que um presidente de BC escolhido pelo mercado, como anunciam Marina e Neca, tende a atender os interesses desse mesmo mercado, ainda que estes sejam contrários ao do grande público." Essa parte do texto também está enviesada, no programa diz que o Presidente da Republica vai indicar o presidente do Bacen! A palavra mercado, como várias outras no texto, é incluida apenas para tentar desqualificar Marina e associá-la ao mercado. E repito, Neca só era educadora quando fazia parte da campanha de Haddad?

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