Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 15/Sep/2014 às 17:35
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Marina Silva é a nova candidata da Assembleia de Deus

Maior igreja evangélica do Brasil, com 12,3 milhões de fiéis, Assembleia de Deus abandona Pastor Everaldo e abraça candidatura de Marina Silva

pastor everaldo marina silva
Assembleia de Deus troca pastor Everaldo por Marina Silva (Edição: Pragmatismo Político)

A maior igreja evangélica do país, com 12,3 milhões de fiéis, já trocou de candidato de forma extraoficial e deve anunciar oficialmente a mudança de posição em favor de Marina Silva (PSB) nesta semana, quando pastores da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGDB) se reunirão com o Pastor Everaldo (PSC), até então o presidenciável oficial.

Parte do grupo espera externar um movimento que já ocorre nos vários templos da igreja, onde seus membros são orientados a votar na ex-senadora. Há até bordão: “Irmão por irmão, votem em quem pode ganhar a eleição.” Assim como Everaldo, Marina é da Assembleia de Deus.

O presidente do Conselho Político da CGADB, pastor Lelis Washington Marinhos, confirmou o encontro com os candidatos e afirmou que o fato de Marina pertencer à igreja “terá peso na decisão”.

VEJA TAMBÉM: Marina sofre resistência de negros, professores e organizações sociais

Ele afirma ainda que, após as eleições, a denominação dará início ao recolhimento de assinaturas para a criação de um novo partido, no qual possa abrigar congressistas da igreja ou que defendam seus princípios religiosos. Nesta legislatura, a Assembleia de Deus tem 26 deputados federais espalhados por vários partidos. A CGADB espera eleger, além dos atuais, mais oito candidatos para a Câmara.

“Existe, sim, a ideia (de criação da legenda), onde poderemos alinhar nossos parlamentares e na qual eles possam defender nossas agendas com liberdade”, admite o pastor.

A opinião interna é de que não haverá dificuldade no recolhimento das assinaturas, pois a denominação é bastante capilarizada no país. “Não queremos colocar a igreja no poder. O que queremos é que assumam o poder candidatos que creiam em Deus e que defendam nossos princípios”, explica ele, listando o aborto e a oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo como agendas inegociáveis.

Se levar a cabo a ideia, a Assembleia de Deus se juntará à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que, com 1,8 milhão de seguidores, tem sua própria legenda, o PRB.

Entretanto, a influência dos líderes religiosos sobre a escolha do candidato a presidente é limitada, na opinião do cientista político Paulo Baía, da UFRJ. Para ele, a opção do eleitor evangélico para os cargos executivos é mediada por outros fatores, além da própria experiência.

Um exemplo disso é a vendedora Claudia Vieira Cavalcante. Todos os domingos, ela atravessa a rua de casa, às 19h, para ir ao culto na Assembleia de Deus Cristo Vive, em Belford Roxo, onde mora.

Com 32 anos, ela quer ser pastora e estuda Serviço Social, numa universidade particular, graças a bolsa do ProUni. Votará na presidenta Dilma Rousseff (PT), embora seu pastor tenha inicialmente pedido voto para Everaldo e, mais recentemente, para Marina.

“Claro que levo em consideração o que diz o meu pastor, mas sua autoridade sobre mim está nas questões espirituais. Como cidadã, voto com minha consciência”, diz.

Religião não influencia na hora do voto

Como Claudia, a empreendedora Janaína Aparecida Tadeu, 39, de Duque de Caxias, diz que votará na presidenta Dilma, e garante que sua escolha é orientada exclusivamente pela própria consciência.

Evangélica, ela frequenta a Iurd. Segundo ela, a igreja ainda não sugeriu candidato para a Presidência. “Só ao governo do estado, o Marcelo Crivella”, afirma ela, citando o bispo licenciado, que também é sobrinho de Edir Macedo.

Claudia e Janaína estão dentro da faixa dos 22,2% da população brasileira, segundo o Censo 2010 do IBGE, que se declaram evangélicos. São 42,3 milhões de pessoas, cujos votos são disputados pelos candidatos.

Um estudo do cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC-RJ, cruzando mapas e resultados das eleições de 2002, 2006 e 2010, mostrou que, onde a maioria era evangélica, o voto em Anthony Garotinho, Marcelo Crivella e Marina ficava acima da média. Ele considerou apenas escolhas dos grupos pentecostais e neopentecostais, indício de que, para este segmento, “irmão vota em irmão”.

O cientista político Paulo Baía chama atenção para o fato de o segmento ser fragmentado e com interesses diversos. “É difícil que votem em bloco para presidente”, diz ele, para quem “é preconceito acreditar que fiéis aderem automaticamente ao candidato do pastor ou que escolham candidatos ao Executivo só por serem ‘irmãos’”.

A opinião é compartilhada pelo teólogo Marcos Botelho. Pastor da Igreja Presbiteriana, ele diz que não é regra alinhar voto pela religião do candidato. “Não pensamos e não agimos em grupo”, diz.

‘IRMÃO NÃO VOTA SEMPRE EM IRMÃO’, diz pastor Marcos Botelho

Só temas são capazes de unificar o voto de evangélicos. Candidatos, não. É a opinião do teólogo Marcos Botelho, pastor da Igreja Presbiteriana, que estuda o assunto. Para ele, por princípio, os protestantes são heterogêneos e, portanto, não agem em bloco nas eleições.

1. É possível tratar politicamente evangélicos como bloco?

Não. Somos heterogêneos. Existe a lenda de que crente vota em crente, mas isso não é regra. O que chega ao público é o pensamento daqueles que estão pregando na TV. O grande público só ouve sobre os evangélicos por esses telepregadores. Conheço centenas de pastores que trabalham, com pequeno salário, que cuidam de pessoas comuns no dia a dia, e seus posicionamentos não aparecem como os dos midiáticos. Somos divididos, por característica do próprio protestantismo, onde cada um tem o dever de ler a palavra e interpretá-la. Não formamos uma igreja institucional única, nem temos o pensamento único.

2. Há alguma coisa que consiga unir os evangélicos em defesa de algo?

Na defesa de um candidato, não. Mas há temas, sim, capazes de unificar os segmentos evangélicos, e até mesmo os católicos. Acredito que a liberdade religiosa e o aborto sejam dois deles.

3. E a oposição ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo?

Não. Os direitos civis da comunidade LGBT não são algo que necessariamente vai unificar os evangélicos em oposição. Muitos defendem o pleno acesso aos direitos civis a todos, pois o estado é laico.

4. E um projeto de poder pode unificar os evangélicos? Alguns pastores recorrem ao “irmão vota em irmão

Algumas igrejas ou líderes têm projetos de poder. Não todas. Gosto muito de ver que o candidato pastor Everaldo (PSC) não tenha emplacado. Isto mostra que aquelas igrejas com projeto de poder não conseguem unificar. Os evangélicos nunca votaram para presidente por causa da religião. Foi assim com o Lula, com Fernando Henrique Cardoso, com Dilma.

5. Silas Malafaia não pensa assim. O discurso dele é de quem representa o segmento.

Ele não exerce liderança nem na Assembleia de Deus. Tanto assim que não faz parte da Convenção da igreja. Ele não representa os evangélicos, ninguém nunca vai representar.

Jornal O Dia

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Comentários

  1. Rafael do Bem Postado em 15/Sep/2014 às 17:46

    Que desespero é este de manchar o nome da Morena?

    • Felipe Postado em 18/Sep/2014 às 06:37

      Ser da Assembléia de Deus é ter o nome manchado? Você é crentofóbico, por acaso?

  2. Joker Postado em 15/Sep/2014 às 18:05

    Com milhares de igrejas evangélicas espalhadas pelo Brasil, uma querendo puxar o tapete da outra, não vejo como teriam poder de elegerem - ao menos sozinhas - um candidato à presidência. Vejo que o sucesso da Marina está mais ligado à tragédia envolvendo Eduardo Campos do que qualquer outra coisa, já que o pensamento de manada cria de certa forma uma necessidade de compensação pela perda (mesmo dentre aqueles que nem sabiam quem era EC), especialmente em um país abarrotado de analfabetos políticos. Vinte minutos de conversa com vizinhos já é o bastante para notar isso. Também já li depoimentos de evangélicos dizendo que não votariam em Marina, apesar dos apelos de alguns líderes religiosos, então não é algo isolado. Obviamente os religiosos têm, sim, força política e podem causar grandes estragos se/por não respeitarem o estado laico, mas isso me parece independente de candidato e partido no poder. Afinal, se assim não fosse, diversas questões humanistas que até hoje estão em pauta e (à espera) já teriam sido resolvidas há muito tempo (perdoem meu reducionismo, sei que as coisas são mais bem complexas que isso, e a religião é apenas uma das "barreiras").

  3. KARINA BB Postado em 15/Sep/2014 às 18:39

    Faço uma sugestao aos lideres religiosos que nao sao tao conhecidos,porque vcs nao se unem e vao a tv desmascarar esse malafaia,ele vive dizendo que os evangelicos fazem o que ele manda,a arrogancia e ambiçao desse cara nao tem limites,eu tambem nao creio que ele tenha todo esse poder,porem ele vive espalhando isso,vamos la evangelicos tirem a mas cara desse excremento

  4. poliana Postado em 15/Sep/2014 às 19:01

    Uau! Lindo! Orgulho e grande apreço sinto por evangélicos ASSEMBLEANOS. graças a vcs, queria q a filha mais velha de henrique VIII estivesse viva! Emocionada só de imaginar uma representante desse nicho na presidência do país!!!! Uau!!!!!

  5. Arão Alves Postado em 17/Sep/2014 às 20:46

    Nem a CGADB representa a Assembleia de Deus. Ela representa apenas uma parte dos assembleianos. A Convenção do Campo de Madureira é outro grande reduto de assembleianos e seu principal líder, o bispo Manoel Ferreira, já declarou seu apoio a Presidente(a) Dilma.

  6. Ricardo Noleto Postado em 18/Sep/2014 às 16:33

    A Mídia faz o que quer mesmo com uma comunicação!!! Não é uma questão de abandono, mas sim de favoritar um voto afim de evitar uma eleição desagradável, o candidato Pr. Everaldo tem poucas chances de chegar ao 2º turno diferente da candidata Marina que aponta crescimento exponencial.

  7. maria edith ferrarezi Postado em 18/Sep/2014 às 20:51

    Não tem nada igual ao anterior.