Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 03/Sep/2014 às 18:15
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Líder do Rede Sustentabilidade revela decepção com Marina

Líder do Rede Sustentabilidade no Pará deixa de apoiar Marina e diz que a ex-senadora mudou desde que se tornou candidata à Presidência: "todas as suas declarações foram em direção aos mercados, em especial o financeiro"

marina silva rede charles alcântara
Marina Silva e Charles Alcântara (divulgação)

Líder da Rede Sustentabilidade no Pará e candidato natural do partido caso ele tivesse sido registrado no TSE, Charles Alcântara declara que não votará mais em Marina Silva, com quem disse já ter tido “boas conversas” e de quem escutou “muita generosidade e sabedoria”. Alcântara conta ter sido levado pelo “sopro inspirador” da ex-senadora a apoiar a candidatura de Eduardo Campos, do PSB, mas que “até o presente momento, desde que se tornou candidata presidencial, as declarações mais explícitas e compreensíveis de Marina Silva foram em direção aos mercados, em especial o financeiro”.

Ele ressalta os “custos sociais” do “tal tripé macroeconômico” que prega a candidata: “menos recursos públicos para as áreas sociais; arrocho salarial e ameaça de mais desemprego”. E afirma considerar “uma fraude a pregação de que todos os interesses e todas as forças políticas podem ser conciliados sem conflitos e sem escolhas que desatendam e contrariem os que sempre se beneficiaram da desigualdade em favor dos que sempre foram as vítimas dessa mesma desigualdade”. O líder da Rede constata, em texto publicado no Facebook: “Não, Marina, não posso acompanhá-la nessa jornada, apesar que querê-la bem”.

Leia a íntegra:

Há virtudes no velho, como há vícios no novo.

Imerso em minhas reflexões sobre a conjuntura político-eleitoral, decidi agora abandonar o recesso que me impus desde o meu afastamento da coordenação nacional da Rede, que se deu quando esta embarcou provisoriamente no PSB.

VEJA TAMBÉM: Os plágios no programa de governo de Marina Silva

Também fui – e ainda estou – tocado pela ideia de que o exercício da política precisa ser radicalmente mais democrático e de que os partidos políticos, tal como funcionam, tomam suas decisões e disputam o poder, precisam reinventar-se porque se tornaram instituições anacrônicas e voltadas para si mesmas.

Somado a isso, fui atraído pelo magnetismo de um novo (chamemos assim) campo político sob a liderança de Marina Silva, a quem admiro e respeito por sua história e trajetória e também por atributos que andam em falta na seara política.

Levado pelo sopro inspirador de Marina e pela concordância quanto à saturação e inutilidade para o Brasil da polarização entre PT e PSDB, inclinei-me a apoiar Eduardo Campos – malgrado minhas críticas em relação à aliança PSB/Rede – quando veio o fatídico acontecimento que lhe ceifou a vida.

Até o presente momento, desde que se tornou candidata presidencial, as declarações mais explícitas e compreensíveis de Marina Silva foram em direção aos mercados, em especial o financeiro. Os que vivem da especulação financeira e que faturam bilhões com a dívida pública brasileira estão eufóricos com as declarações de Marina, reveladoras de uma crença quase religiosa nos fundamentos mais caros ao velho receituário neoliberal, fundamentos estes que colocam no centro das preocupações e da ação estatal os interesses do mercado e na periferia os interesses da sociedade brasileira, com o cínico argumento de que esses interesses são convergentes – e, mais ainda – que os interesses da sociedade tendem a ser satisfeitos se o mercado estiver satisfeito.

Institucionalização da autonomia do banco central e obediência incondicional ao tripé macroeconômico neoliberal são os compromissos mais enfáticos que Marina oferece aos brasileiros para acabar com a velha política e para mudar o Brasil.

Se não em nome de uma nova política (até porque se trata da velha solução neoliberal), mas ao menos em razão das virtudes próprias de sua formação religiosa, Marina tinha e tem o dever de dizer ao povo brasileiro as prováveis consequências de seu programa econômico.

Marina dá sinais de conversão ao fundamentalismo neoliberal como sinônimo de desenvolvimento, estabilidade econômica e inflação baixa, como se os índices inflacionários pudessem ser combatidos com a mera alta dos juros; como se a inflação no último período do governo de FHC – de fidelidade canina à sacrossanta fórmula neoliberal – não tenha sido ainda maior que a verificada nos dias atuais; como se o maior e mais indecente gasto público não fosse exatamente o pagamento de juros da dívida pública.

Pouco importa para os agentes de mercado os custos sociais do tal tripé macroeconômico: menos recursos públicos para as áreas sociais; arrocho salarial e ameaça de mais desemprego.

O tal tripé macroeconômico é uma boa maneira de manter os lucros do mercado financeiro de pé e o Brasil socialmente manco.

Não, Marina, não posso acompanhá-la nessa jornada, apesar que querê-la bem; apesar de admirá-la; apesar de considerá-la uma pessoa de bem e de bons propósitos.

Não posso acompanhá-la, porque o faria por mera crença nos seus bons propósitos e no seu carisma pessoal e porque isto é absolutamente insuficiente para considerá-la a melhor alternativa para o Brasil, principalmente depois do caminho que escolheste trilhar.

Não vou acompanhá-la porque considero uma fraude a pregação de que todos os interesses e todas as forças políticas podem ser conciliados sem conflitos e sem escolhas que desatendam e contrariem os que sempre se beneficiaram da desigualdade em favor dos que sempre foram as vítimas dessa mesma desigualdade.

Conheço pessoalmente Marina, com ela tive boas conversas e dela escutei muita generosidade e sabedoria.

Marina está crescendo nas pesquisas eleitorais e pode vir a comandar a República Federativa do Brasil; momento propício, portanto, para eu declarar a minha posição, que o faço baseado num conselho que escutei da própria Marina de que a boa (nova) política não se deve alicerçar no carisma pessoal.

Outra lição que aprendi com Marina é que muitas vezes é preferível perder ganhando a ganhar perdendo.

Resolvi, então, seguir os conselhos de Marina, não a apoiando nestas eleições, por convicção de que a sua candidatura não está oferecendo ao Brasil um caminho alternativo.

Votar por convicção, penso, é uma das coisas tradicionais da velha e boa política (sim, porque também há virtudes no velho e há vícios no novo) que eu não me disponho a abrir mão.

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Comentários

  1. Rocken Postado em 03/Sep/2014 às 20:43

    bom texto, só falta dizer aos religiosos que neoliberalismo mata mais que aborto e que o PT não vai aprovar o aborto sem o apoio dos queridos eleitores fundamentalistas

  2. Robson Lopes Postado em 03/Sep/2014 às 21:57

    Acho que esse percentual de eleitores que irão votar em Marina, não viveram no período de 1995 a 2002, logo, estão com saudades daquilo que não viveram, talvez aprendam da forma mais dura.

    • Rafael Postado em 04/Sep/2014 às 10:59

      Você ta de brincadeira né Robson? Se o Brasil tá melhor hoje é porque na gestão de 1995 a 2002 teve pessoas sérias que pegaram um Brasil QUEBRADO, FALIDO e DESACREDITADO e mudaram tudo relacionado a economia e governo! Foi o plano real que mudou a vida de muitos brasileiros que antes não tinham nada e agora podem consumir algo! O Bolsa escola era um grande incentivo a educação! Agora basta ter uma pancada de filhos que o governo da um mãozinha... Não investir em Infra vai matar o Brasil e não vai ser aos poucos!

    • Carlos Scorpião Postado em 08/Sep/2014 às 05:52

      Tá certíssimo Robson, o resto é fundamentalismo religioso, neoliberalismo, e desinformação! Plano Real foi a partida que Lula e Dilma aprimoraram e mudaram questões substanciais, a distribuição de renda é fundamental, mesmo que Bolsa Família, e os ricos têm tantos benefícios, ela já é copiada por muitos, até pela China, que não dará a toda sua população, mas parte dela, para alavancar CONMSUMO, e que se paga algo parecido no mundo todo há muito tempo, quem viaja sabe que os pedintes, Beggars EUROPEUS têm benefícios econômicos e financeiros sociais, na Alemanha o Sozialen, onde morei, e que os EUA hoje mantém muitos desempregados com o que equivale ao Salário Desemprego, muitos falam do que nada conhecem, mas se o PSDB continuasse vendendo tudo, estaríamos falidos e ainda pagando FMI!

  3. Salomon Postado em 03/Sep/2014 às 22:10

    O Deus Mercado, o neoliberalismo e o Estado mínimo são nomes diferentes para o mesmo fenômeno responsável pela maior crise mundial de recessão e desemprego já vista no mundo moderno. Seus efeitos permanecem até hoje. A Alemanha se salvou porque tem um Estado gigantesco. O Brasil também se salvou graças às medidas protetivas do Lula. A Marina Silva prega a ideia da Margareth Tatcher e do Ronald Reagan do Estado Mínimo gestado nos anos 80/90. Os ingleses soltaram foguetes quando aquela mulher morreu, tal execrada que era. E os Brasileiros, meu Deus, em pleno 2014, querendo eleger uma fundamentalista do Deus Mercado!. Socorro! Polícia! Pára o mundo que eu quero descer!.

    • poliana Postado em 04/Sep/2014 às 09:55

      exatamente salomon. entro em pânico só de pensar na política neoliberal! as pessoas parecem q n tem memória e esqueceram tudo q o príncipe fez no país! essa mulher n pode ser eleita meu deus!! tenhamos fé q até o 2º turno, dilma e o pt consigam reverter essa situação! vai dar tudo certo!

  4. Deisi Postado em 04/Sep/2014 às 09:27

    Grande parte da população no Brasil querem eleger essa mulher por birra, tudo bem, depois serão quatro anos, onde a equipe econômica Neca Setúbal, guru mor Malafaia, e também não tomará nenhuma decisão sem consultar sua roleta bíblia. Não dá é demais para cabeça, riem muito agora, se a fundamentalista for eleita chorarão muito, eu rirei muito.

  5. KARINA BB Postado em 04/Sep/2014 às 10:51

    O PIOR DE TUDO SERA ATURAR A CRENTAIADA Q VIRA NA ABA D MARINA,TIPO MALAFAIS ,FELICIANOS ,GAROTINHO,BISPA SONIA PASTOR EVERALDO ETC,,,,PQP VAI SER FDA se ela se eleger a Veja, globo band g1,jornais da globo ,enfim toda essa midia vendida e hhipocrita,vao cair matando em marina kkkkkkkkk vao fazer pior do q fazem com o PT kkkkkkkk vou assistir d camarote,A BRIGA VAI SER BOA

  6. Rodrigo Mitraud Postado em 04/Sep/2014 às 11:00

    Essa maluca da Marina, pois o restante do respeito que tinha por ela se foi com a demonstração de oportunismo, agora disse que é favorável à adoção de crianças por pais gays. Dá pra entender. Diz uma coisa hoje e amanhã desdiz. Um conhecido meu a classificou como bipolar. Passo a pensar que diante de tantos desditos, ela poderia ser considerada é multipolar.

  7. Marcos Vinicius Postado em 04/Sep/2014 às 13:08

    Essa mulher será uma grande semeadora de revanchismos no Brasil. Instabilidade política, social e econômica para os próximos anos. Aguardem!

    • KARINA BB Postado em 04/Sep/2014 às 13:26

      So pra vcs terem um exemplo do q pode fazer a intolerancia religiosa e fundamentalista,aqui no RJ um delegado atirou num jovem fundamentalista que acompanhado d um pastor e varios religiosos o encurralaram na saida d um forum,pois o delegado move varios processos contra esse pastor por ter depredado varios templos d religioes africanas ,esse pastor tem varios processos nas costas por intolerancia e depredacao,ele incentiva seus seguidores contra as outras religioes,e isso ta so começando,kkkk em breve uma fundamentalista loka na presidencia com os pastores amiguinhos na aba kkkk o Brasil vai virar uma comedia

      • KARINA BB Postado em 04/Sep/2014 às 16:42

        E teve um agravante nesse caso,o pastor e seus seguidores vestiam camisetas com os dizeres "BIBLIA SIM,CONSTITUIÇÃO NÃO" eles fazem parte d um movimento q quer abolir a constituicao e adotar a biblia como lei

      • nanci Postado em 07/Sep/2014 às 20:33

        tragicomédia?

  8. Deisi Postado em 04/Sep/2014 às 14:44

    E nos assistiremos de camarote, se a maioria assim desejar, vou achar pouco se o povo eleger essa crente fundamentalista, vou rir e aplaudir muito a derrocada do país entregue à Malafaia e Neca.

    • nanci Postado em 07/Sep/2014 às 20:34

      vamos conseguir rir?

  9. Olga Postado em 07/Sep/2014 às 23:22

    Não tem pior coisa que misturar politica e religião, isso já aconteceu... na idade meia, o catolicismo misturado a monarquia, intuicionou a inquisição. Os compromissos entre reis da velha Europa e o Papa, bispos e toda a super jerarquia católica iniciaram a persecução a todo ser que não cumprisse as leis (como eles as interpretavam) da Bíblia, ocultando os interesses de econômicos desses compromissos. Ler livro de historia do meio evo, Galileo Galilei, e tantos outros.....O Brasil com esta proposta de governo sera impelido no tempo em um retrocesso fatídico e nada poderá impedir...somente o caos. Em um estado democrático somente a Constituição é quem regula a sociedade e guia as ações de governo. A religião é um direito de todos a ser exercido no íntimo segundo convicções particulares e não tem a ver com decisões de um pais, nem com o governo ou governantes. Se é democrático o não se é...Ler definição de democracia é bom Marina!!! Insisto que o sistema já esta caduco não por ser ineficiente, esta caduco porque de tão ideal y perfeito não tem ser humano que o realice na dimensão total. O sistema esta podre, corroído desde o interior, e corroído do exterior... São os poderosos mercados que realmente governam nestos países do terceiro mundo, e são esses mesmos mercados que regulam toda ação politica onde seja que for. Neste caso concreto Marina esta deixando agir a religião e os mercados..dupla falha política ainda no começo da campanha..imaginemos depois!!! Acho que não da nem para imaginar isso!!!