Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 23/Sep/2014 às 17:14
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Estudantes da UFMG fazem apologia ao estupro e causam revolta

“Não é estupro, é sexo surpresa”. Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais cantam música em apologia ao estupro e causam revolta nas redes sociais

estupro ufmg estudantes

Um grupo de estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi flagrado tendo uma atitude, ao menos, machista ao minimizar o estupro e ao não tratá-lo como crime. Em um bar na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, na noite desse sábado (20), a turma cantava “não é estupro, é sexo surpresa”, dentre outras frases sexistas.

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Incomodadas com a situação, duas amigas que estavam no local preferiram se retirar. Como desabafo, a estudante de mestrado em direito, Luísa Turbino, 23, usou o Facebook para compartilhar com seus amigos a cena que teria presenciado.

Hoje o [nome do estabelecimento o fato ocorreu] foi dominado por uma turma de idiotas, componentes da Bateria da Engenharia da UFMG (que vergonha!), que em coro cantavam: “Não é estupro, é sexo surpresa”, dentre outras imbecilidades machistas, misóginas e homofóbicas.

Mais triste ainda foi ver mulheres envolvidas na cantoria. E mais triste ainda perceber que ninguém mais se sentiu incomodado. É preciso mesmo repensar o papel da universidade, sobretudo as instituições publicas. Acho um absurdo SEM FIM uma UFMG da vida ser conivente com esse tipo de comportamento, que ocorre não somente dentro da universidade, mas muitas vezes EM NOME da universidade. Mais absurdo ainda quando a universidade indiretamente (mas não sem consciência) contribui para que esses episódios aconteçam quando, por exemplo, emprestam sua estrutura física para o “ensaio”. Triste, lamentável. Confesso que não soube como agir (e talvez nenhuma reação valeria a pena diante de um bando de playboys bêbados). Mas fica no coração a esperança de que a luta jamais termine e que o futuro seja um lugar melhor.

A publicação já conta com mais de mil curtidas. “A gente fica entristecida ao saber do que as pessoas são capazes de falar”, desabafou Luísa, que lembra ter contado de 30 a 40 pessoas participando da cantoria, muitos deles utilizando camisas da Bateria Engrenada da Associação Atlética da Escola de Engenharia da UFMG.

“Não era um comportamento que eu esperava de alunos de uma instituição federal, bancada por todos os brasileiros. Foi, no mínimo, inconveniente”, afirmou a analista internacional Marcela Linhares, 23, que também estava no bar.

Pela rede social, muitas pessoas se mostraram indignadas com a história e repudiaram o ato. “Pois é.. sabedoria e valores são coisas que não se conquistam na faculdade. Tenho é pena da ignorância e dessa moda do politicamente incorreto”, comentou uma internauta. “Nojo. Só isso. Que nojo!”, disse outra.

VEJA TAMBÉM: Professor chama aluno de ‘macaco’ em escola da UFMG

Segundo o capitão da bateria, Bruno Saúde, a banda fez uma apresentação no sábado e depois disso, alguns integrantes realmente teriam ido ao bar. Ele não negou que as palavras de ordem tenham sido gritadas, mas garantiu que o ato é isolado e que a música não faz parte do repertório da bateria.

“Eu fiquei sabendo disso e foi uma coisa interna, do grupo deles que estava lá, que não representa a bateria. Como tinham pessoas com a camisa da bateria junto, o nome foi associado. De forma alguma essa música pertence ao repertório da bateria. Ela não foi criada pela bateria, ela não é tocada pela bateria”, enfatizou. Saúde ainda frisou que a Bateria Engrenada é contra qualquer tipo de música ofensiva.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a UFMG informou que “desaprova qualquer tipo de comportamento discriminatória, seja ele de caráter machista, sexista, racista, homofóbico, entre outros, que desrespeitem a dignidade humana”. Em maio deste ano, a universidade divulgou uma resolução, aprovado pelo conselho universitário da instituição, na qual proíbe os trotes estudantis.

informações de Jornal O Tempo

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Comentários

  1. Eduardo Rockstar Postado em 23/Sep/2014 às 18:34

    Pode me atirar pedras aí, mas já to de saco cheio da forma que o jornalismo é feito no Brasil, "especialistas em falar do que não sabe". Há pouco tempo atrás foi dito a respeito de um Pastor evangélico, que segundo páginas de internet, teria dito que todos os homossexuais deveriam ficar em uma ilha por 50 anos, assim acabaria com a sexualidade no lugar em questão. Pois bem, algum tempo depois vem a retratação do Pastor, falando as condições em que ele falou sobre isso, que seriam adversas (não estou dizendo que defendo a postura do mesmo) porém o fator a se ver aqui, é o quanto esta "mídia" tem o costume de pegar pequenos conhecimentos, e fazer um alarde geral sobre a cena, julgando e condenando o indivíduo, sem se importar com as circunstâncias adversas, como se dizer que por fulana ter dado um selinho em uma mulher, ela é gay. Enfim, falar sobre estupro vai ser sempre um fator muito delicado, o que quero dizer é: não devemos fazer alardes ou sairmos acusando, pode ter sido mesmo uma brincadeira boba, não colocarmos uma intensidade que não sabemos se existiu na situação, não sabemos em que contexto essa brincadeira aconteceu, a intensidade que aconteceu, como foi feita... em minha concepção, devemos pensar e refletir antes de julgar.

    • Joseph Postado em 23/Sep/2014 às 18:54

      O senhor é um idiota em tantos níveis que é difícil enumerar...

      • Eu daqui Postado em 24/Sep/2014 às 09:32

        E quem não sabe divergir sem insultar nem a idiota chega...

    • Pastor Postado em 23/Sep/2014 às 19:18

      Seu comentário está desconexo, Eduardo Falou, falou, falou e não disse nada.

    • Miranda Postado em 23/Sep/2014 às 19:42

      Caramba Eduardo... Se na sua concepção de brincadeira, estupro é válido, tenho o profundo medo de viver na mesma sociedade que você. Sua definição de "normal" é extremamente deplorável.

    • Karina BB Postado em 23/Sep/2014 às 21:23

      Eduardo, já que você acha que o pastor tinha razão. Que tal mandar você e o pastor pra uma ilha deserta, pra vocês se amarem, vão ser felizes para sempre e deixem os gays em paz, os LGBTS não são objetos pra serem mandados pra um lugar seja qual for.

    • Poliana Postado em 23/Sep/2014 às 22:20

      E você acha que esse fato foi uma simples brincadeira? Você está tentando minimizar essa questão? Que bom ser homem hein senhor hipócrita?!

    • Bruno Longo Postado em 23/Sep/2014 às 22:23

      Caro Eduardo Rockstar, justamente a "banalização" dessas "brincadeiras" em circunstâncias "adversas" é que que sustenta o preconceito no inconsciente coletivo durante todos esses anos. O preconceito deve ser combatido SIM, as brincadeiras preconceituosas, racistas e homofóbicas também. Não se deve aceitar nenhuma forma de preconceito, seja ela "ai, mas eu não sou preconceituoso", "foi só uma brincadeira" ou "as mulheres são putas" e "os gays devem morrer".

    • Carol Postado em 24/Sep/2014 às 09:55

      Não interessa se foi "brincadeirinha" ou não. O fato é que minimizaram uma questão séria como o estupro, algo que mata, humilha, destrói o emocional e/ou a vida de uma pessoa. Isso tem que ser levado a sério sim, porque se esses acéfalos estavam fazendo coro pra essa frase, é porque pelo menos algumas (ou muitas, não duvido) pessoas do grupo realmente acreditam nisso. Independente de o tal grupo ser formado ou não pelos maiores machistas do mundo, eles reproduziram o machismo (de uma maneira simplesmente nojenta e insensível), e isso é errado.

  2. Tiago Tobias Postado em 23/Sep/2014 às 21:22

    Parece que o pré-requisito para fazer parte das "atléticas" de qualquer faculdade brasileira é ser um completo idiota.

  3. Carlos Augusto Postado em 24/Sep/2014 às 02:32

    https://www.youtube.com/watch?v=BMgAJwc7ocE Porque eu parei de assistir pornografia - Ran Gavrieli TEDx A juventude está podre

  4. Angélica Postado em 24/Sep/2014 às 07:21

    É a elite brasileira endinheirada que frequentou as melhores escolas particulares da cidade e passou por um processo seletivo rigoroso. Aqui em São Paulo é igual. Nos campi públicos vende-se drogas, consome-se livremente e seus espaços são usados para festas, enormes open bar com direito a assassinato no fim. Lixo total. Educação de 5ª.

  5. Raphael_subversivo Postado em 24/Sep/2014 às 07:32

    É, sempre é essa galera da alta sociedade, os boyzinhos fazendo e falando merda sem limites, espero o dia que nossa sociedade estará livre desse câncer, dessa cultura de violência, de superioridade, de ''tudo posso no papai que me fortalece'', monte de lixo, depois é roubado/morto e não sabe porque.

    • Poliana Postado em 24/Sep/2014 às 08:13

      Pior é que ainda tem gente que defende e passa a mão pela cabeça desses indivíduos Rafael. Realmente lamentável!

  6. Rodrigo Postado em 24/Sep/2014 às 11:07

    As pessoas ficam horrorizados com isso, mas músicas do funk que fazem apologia muitas vezes pior é normal, até chamam uma de intelectual, e mais normal ainda dentro de uma faculdade com dinheiro público, fazer uma festa e costurar uma vagina e chamar de arte. Então eu digo o mesmo, a música dos rapazes e moças é arte, ou a arte é seletiva dependendo de qual partido você seja?

    • Poliana Postado em 24/Sep/2014 às 16:09

      Você pelo visto ainda não entendeu que o professor foi irônico ao chamar a Waleska Popozuda de intelectual né?

  7. Rodrigo Postado em 24/Sep/2014 às 22:06

    Poliana, eu sei muito bem, mas ainda não me respondeu, cadê suas criticas as apologias ao estupro nas músicas do funk e a crime, e a bizarrice de costurar uma vagina dentro de uma faculdade pública? Se isso é arte, eles também pode alegar o mesmo. O Interessante que na falta de argumento você se apega a critica mais fraca e esquece as contradições mostrada no restante do texto. Olha que arte de funk se isso não é apologia ao machismo não sei o que é: https://letras.mus.br/mc-catra/946826/

  8. Sirlei - Curitiba Postado em 28/Sep/2014 às 23:13

    Há algum tempo atrás eu comentava com uma aluna aqui da UFPR que a "sociedade" está apodrecendo, o que vale é dinheiro, seja de que jeito vier, de músicas idiotas, de qualquer categoria, funk, sertanojo e o que diabo for...de drogas, sexo, desvios de dinheiro público, privado e outras infinidades de desvios... Enfim, o que falta são valores, moral, ética e respeito, respeito às crianças, velhos, deficientes, não deficientes, mulheres, negros, não negros, enfim RESPEITO A TODOS, que cada um reserve-se a sua insignificância no mundo e deixe o OUTRO viver em PAZ.

  9. iara Postado em 30/Sep/2014 às 09:48

    Só para lembrar: os comentários são sobre a matéria. E o fato de existirem outras musicas que incentivam estupro ou qq tipo de violencia nao anula a atitude deprimente desses estudantes. Quanto a vagina costurada ninguém disse que não é bizarro mas a propria moça costurou então não cabe comparação. E quanto ao funk, bem, releia a letra, nela a mulher fez sexo oral e não foi forçada a fazer. Pode ser explícito e até de mau gosto mas não há incentivo a estupro nessa letra - que não significa que não há em outras.