Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 02/Sep/2014 às 14:00
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A entrevista de Marina Silva no Jornal da Globo

No Jornal da Globo, Marina Silva responde sobre casamento homossexual, pré-sal, 'bolivarianismo' e democracia participativa

marina silva jornal da globo
Marina Silva foi a entrevistada desta segunda-feira no Jornal da Globo (divulgação)

Marina Silva afirma que a retirada do item de seu programa que falava sobre união de pessoas do mesmo sexo foi uma ‘correção’ e não um ajuste. A declaração foi dada em entrevista no Jornal da Globo na madrugada desta terça-feira, a primeira entre os presidenciáveis convidados pela emissora. Mas Marina também declarou que não interferiu no processo.

Na matéria veiculada no jornal do mesmo grupo, Marina afirmou que quem fez a correção foi a equipe. E não só neste assunto, como também na questão da energia nuclear. Conforme declarou, o documento tomado por base na elaboração do programa foi enviado pelo movimento LGBT. “Mas os direitos civis da comunidade LGBT, o respeito à liberdade individual, o combate ao preconceito, estão muito bem escritos, melhor do que no de outros candidatos”, disse ela.

No item casamento entre pessoas do mesmo sexo, Marina afirmou defender o que está na Constituição para o termo “casamento”, isto é, que é apenas para pessoas de sexo diferente. “A Constituição tem uma diferença em relação ao casamento”, disse ela, “é utilizado para pessoas de sexo diferente e para pessoas do mesmo sexo, a lei assegura o que o Supremo já deu ganho de causa, com os mesmos direitos equivalentes ao casamento, que é a união civil”, disse.

Democracia representativa foi outro questionamento, quando foi perguntada sobre o fato de fazer críticas mas, ao mesmo tempo, ter sua candidatura como exemplo de representação democrática. A candidata retrucou com a afirmativa de que fala sobre crise da política, sem ter feito comentários sobre democracia representativa. E disparou, “a gente precisa aprofundar nossa democracia”, que se daria por uma combinação da democracia representativa com a democracia direta.

“É ampliar a participação das pessoas e melhorar a qualidade das instituições de representação”, explicou por fim, “se partirmos do princípio de que a representação está muito boa, de que não temos problemas em relação às instituições políticas, vamos ficar na situação de crise dramática que estamos hoje no Brasil de que as conquistas estão sendo ameaçadas por um atraso na política”, disse, “o que busco é democratizar nossa democracia”.

Instada a dizer se é contra ou a favor do projeto de conselhos populares, com resistência no Congresso sob a crítica de ‘bolivarianismo’, Marina perguntou: “o que significa ampliar a participação das pessoas?”. “Isso não tem a ver com bolivarianismo”, disse ela, tem a ver com a qualidade das instituições, os partidos têm que se renovar”, respondeu. “

Marina foi, então, perguntada se ela apoia o projeto de conselhos populares que encontra resistências no Congresso e que é chamado por críticos de ”bolivarianismo”. “A Constituição assegura as duas coisas (representação e participação direta). Não podemos achar que uma coisa é em prejuízo da outra. Pelo contrário”, emendou.

Com relação à criminalização da homofobia, equiparando ao racismo, foi questionada se o que a colocava contra a lei era a questão religiosa. Marina negou, dizendo que a lei em tramitação não faz diferenciação entre vários aspectos. “Há que se ter os regramentos legais para que não se permita nenhuma forma de discriminação, preconceito e que se possa tratar todas as pessoas com direitos legais, porque vivemos num Estado laico, que não pode permitir discriminação contra quem quer que seja”, respondeu.

A religião foi o próximo ponto da entrevista, se na tomada de decisões, caso eleita, se consultaria a Bíblia nas questões mais importantes. Ela afirmou que os seres humanos têm “subjetividade” e “referências”, sendo que “todos nós agimos com base na relação realista dos fatos”. Por outro lado, ela coloca a presença da subjetividade como parte do ser humano, e se descreveu como “uma pessoa que obviamente tem na Bíblia uma referência, assim como tem referências na arte, na literatura”. Afirmou que dizer que ela toma decisões lendo a Bíblia é uma tentativa de construir uma imagem de pessoa fundamentalista, “essas coisas que muita gente de má-fé acaba fazendo”.

Segundo ela, o amparo que tem na Bíblia é o mesmo que se pode ter com base em outros referenciais, seja ciência ou espiritualidade. “O ser humano não é uma unidade pura, somos seres subjetivos”, respondeu.

Sobre economia, Marina reafirmou que vai dar ênfase na busca por fontes de energia limpa, como a solar e eólica. Além disso, prometeu recuperar o tripé da política macroeconômica, isto é, meta de inflação, câmbio flutuante e superávit.

Marina disse que o compromisso de seu programa é de não aumentar impostos, mas “dar eficiência ao gasto público”. Além da corrupção, critica o desperdício. “Quando o país volta a crescer, a gente vai adquirindo espaço fiscal para fazer os investimentos sociais”, disse ela, “é uma questão de escolha”.

Foi questionada sobre como utilizaria os recursos do pré-sal, já que defende outros tipos de energia. A candidata respondeu que o pré-sal é uma prioridade entre outras, ou seja, vai ser explorado enquanto se dá um passo à frente no investimento em energia limpa. “Não faz sentido termos a maior área de insolação do planeta e termos a quantidade de energia solar que temos. A Alemanha tem 0,9% de sol e tem 20% da sua matriz energética de energia solar”, disse ela.

Marina entende que a política atual do governo de subsídio à gasolina foi ‘desastrosa’, pois acabou ‘destruindo a indústria do etanol’. “Espero que os preços administrados pelo governo possam ser corrigidos pelo próprio governo”, disse ela, e pede que se tenha uma visão de país, “não essa visão tacanha de como vai ganhar o voto do cidadão, deixando a conta para depois”.

Marina se disse impressionada “como se sacrifica os recursos de milhares de anos por apenas uma eleição”, sendo esta a razão de ser contra reeleição, querendo governar sem pensar no que vai fazer para a próxima eleição, e afirmou que “quase 30% da nossa produção agrícola” é desperdiçada por falta de estrada e armazenamento.

Marina acenou com possibilidade de diminuir os investimentos em termelétricas, por problemas de poluição. “Hoje temos as termelétricas como recurso complementar quando os reservatórios baixam. Com custo muito alto. Se tivéssemos já investido na produção da biomassa, usando bagaço e palha da cana de açúcar, que é equivalente a 3, a 4 (usinas de) Belo Monte, com certeza teríamos megawatt/hora de R$ 200; hoje estamos com megawatt/hora de R$ 1 mil a R$1,7 mil. Você advoga isso como política energética?”, questionou. Se não se pode prescindir desta fonte auxiliar, “temos que buscar novos investimentos”, disse. Citou a hidroeletricidade, com grande potencial na Amazônia. “O pré-sal é importante, vamos usar os recursos para Educação. Mas vamos também usar para ciência, tecnologia, inovação”, declarou.

GGN

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 02/Sep/2014 às 21:07

    Não sou eleitor da BLÁBLÁRINA, mas fiquei muito chateado com o comportamento desses trouxas que ao invés de colher da candidata propostas, tentaram constrange-la numa intimidação ridícula. Ela ficou acuada em certo momento, tendo que concordar com o lixo do Waak para fugir da sabatina. me deu até sono, pois a Marina se perdia nas insinuações dos entrevistadores.

  2. Onda Vermelha Postado em 02/Sep/2014 às 21:43

    Que pesadelo será ter essa cidadã como presidente! Por duas vezes na nossa história o Brasil elegeu Salvadores da Pátria, chefes do Partido do Eu Sozinho! E a gente sabe como isso acabou: deu em impeachment! Sonhar é bom. Mas eleição é hora de botar o pé no chão e voltar à realidade! Sou mais Dilma para o Brasil seguir mudando com segurança, justiça social, distribuição de renda, tolerância religiosa e com RESPEITO aos direitos civis das minorias! As próximas semanas serão decisivas! Será preciso ter nervos de aço e teremos! E iremos expor para toda a sociedade a fragilidade de suas propostas, os riscos e setores envolvidos por detrás da candidatura de Marina Silva! Até porque bem lembro que muitos que elegeram o Collor, simplesmente, para evitar a chegada do PT ao poder, logo após o confisco e a crise que se instalou, envergonhados, não assumiam publicamente o tamanho da besteira que haviam feito! E mergulharam o país numa Crise Institucional poucas vezes vista! Portanto, meus caros, EU não vou me CALAR!

    • rafael Postado em 03/Sep/2014 às 10:33

      Onda, só pela Dilma ter fugido do programa ela perde uns 3 a pontos! A Marina não ta ganhando fama para salvar o Brasil, mas sim pra mudar o cenário que ficou estagnado nestes ultimos anos!

  3. Onda Vermelha Postado em 03/Sep/2014 às 01:26

    Pra aqueles que não viram! O SÉTIMO programa da Dilma exibido à noite, é e-x-c-e-l-e-n-t-e! Aqui são apresentados os melhores momentos do debate do SBT. Além de ter vencido o debate durante a transmissão ao vivo, Dilma vence na repercussão do debate, o que é visto por muito mais gente. E, finalmente, o programa investe no esclarecimento da população a respeito das inconsistências e fragilidades das “promessas” de campanha da candidata Marina Silva que são irrealizáveis e não tem lastro na realidade. Todas as “promessas” dela somadas chegam R$ 140 bilhões de despesa e ela NÃO explica da onde sairão esses recursos! Repare como Dilma trava o bom debate político, sem ataques, sem baixarias, sobre temas como a nefasta independência do Banco Central, sobre não fazer demagogia com promessas incompatíveis com o plano de arrocho de Marina na economia, saber aproveitar a riqueza do pré-sal que a Marina torce o nariz, e ter a governabilidade como um dever que precisa ser cumprido para honrar o mandato dado pelo povo fazendo as transformações necessárias ao Brasil. Veja em http://www.youtube.com/watch?v=J_5qM_yXXLI

  4. Repik Postado em 03/Sep/2014 às 02:59

    É muito divertido ver essa tucanada votando em peso na Marina apenas no intuito de tirar o PT do governo. Isso demonstra claramente o despreparo e o quanto são movidos unicamente pelo ódio e a desinformação. Se fosse o Pastor Everaldo na condição, iriam todos na missa no final de semana??? Aécio se foi, bye bye, e a Dilma ainda terá mais 40 dias do segundo turno para desmanchar essa ilusão chamada Marina, tempo esse que Aécio não dispõe. Na verdade o cara que vota apenas no contra, demonstra claramente que não tem princípios, que não defende idéias e que topa qualquer parada, mesmo que essa venha prejudicar o Brasil. Mas ver a elite dançar antes do primeiro turno e ainda correr em massa para apoiar a Marina, que é muito, mas muito mais radical que o PT, fundamentalista religiosa que obedece cegamente o pastor, está muto divertido e mostra que os valores desses simplesmente não existem. Não passam de marionetes na mão da mídia!!!

  5. testemunha binocular Postado em 03/Sep/2014 às 09:27

    Marina é um aiatolá.

    • Helena/S.André SP Postado em 03/Sep/2014 às 19:02

      Concordo!