Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 17/Sep/2014 às 19:16
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Eduardo Jorge e Luciana Genro salvam debate

Em um debate promovido por uma emissora católica e com perguntas polêmicas feitas por religiosos cristãos, Luciana Genro e Eduardo Jorge tiveram coragem para falar assertivamente sobre os temas espinhosos

luciana genro eduardo jorge
Luciana Genro e Eduardo Jorge não se intimidaram diante de temas polêmicos em um debate realizado por uma emissora religiosa (Edição: Pragmatismo Político)

Jarid Arraes, Questão de Gênero

Na noite dessa terça-feira (16), o debate entre presidenciáveis da CNBB e da TV Aparecida – uma emissora católica – foi assunto central nas redes sociais. As perguntas, feitas por religiosos cristãos, muitas vezes abordaram assuntos polêmicos, como a homofobia e a legalização do aborto. Felizmente, duas pessoas na disputa presidencial possuem coragem para falar assertivamente sobre os temas: Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV).

VEJA TAMBÉM: Luciana Genro enquadra Aécio Neves em debate

Uma das características mais necessárias e admiráveis de Eduardo Jorge é sua capacidade de externar um discurso inflamado, que remexe o dedo na ferida. Quando fala da legalização do aborto, ele dá voz a milhares de mulheres que morrem por causa da clandestinidade do aborto. O candidato se compromete em expor a hipocrisia da sociedade brasileira e trata o assunto como uma questão de saúde pública e direitos humanos.

Já Luciana Genro se destaca, entre muitos outros pontos, por ser a primeira candidata à presidência a utilizar a palavra “transfobia” na televisão aberta, pautando não somente as demandas políticas e de sobrevivência de pessoas homossexuais, mas mostrando que a transfobia é o tipo de discriminação e violência que mais assassina travestis e transexuais no Brasil. Sua abordagem é, portanto, revolucionária e deve servir para reflexão de toda a sociedade – incluindo o movimento LGBT, que muitas vezes invisibiliza as demandas trans.

Infelizmente, ambos os candidatos enfrentam dificuldades na hora de conquistar votos, pois muitos eleitores ainda acreditam que o voto por convicção – e não por conveniência – é um desperdício, mesmo no primeiro turno. Se menos pessoas pensassem assim, talvez houvesse mais chances de ver candidatos como Eduardo Jorge e Luciana Genro no segundo turno, levantando perspectivas primordiais para o avanço do nosso país e a dignidade de toda a população. Ainda há candidatos como Mauro Iasi (PCB), que também defende pautas feministas e LGBT, mas que nem sequer consegue espaço nos debates em rede nacional, o que denuncia a monopolização de certos partidos e políticos.

Apesar disso, a presença desses candidatos causa um incômodo imprescindível nos demais presidenciáveis, que se veem obrigados a oferecer opiniões sobre os assuntos mais ingratos do momento. Sem essa pressão por avanços e transformações efetivas na nossa cultura, se torna muito mais difícil levar argumentos a favor da legalização do aborto, por exemplo, para as pessoas que não são engajadas com essas questões políticas. Cada vez que Eduardo Jorge e Luciana Genro repetem que mulheres morrem na clandestinidade e que o aborto precisa ser legalizado, ou cada vez que defendem a laicidade do Estado, mais pessoas revisam suas opiniões e consideram outras alternativas. Nossa torcida é para que a presidenta ou presidente eleito também seja capaz de mudar de opinião e concretizar essas mudanças no país.

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Comentários

  1. Vitor Postado em 17/Sep/2014 às 21:00

    Palmas para os dois candidatos, que conseguem se mostrar firmes em suas convicções e conseguem debater assuntos polêmicos sem nenhuma papa na língua. É uma pena que candidatos desse nível não tenham a chance de chegar ao segundo turno ou a presidência.

  2. Leonardo Postado em 17/Sep/2014 às 21:14

    Concordo com o texto, porém sejamos sinceros, no geral as ideias da Luciana Genro me lembram os candidatos do diretório acadêmico da minha faculdade, não tem como levar a sério.

    • Alex Postado em 17/Sep/2014 às 21:18

      Não tem como levar a sério o seu posicionamento em relação ao seu diretório acadêmico, que nem conheço, mas tenho certeza que é aberto para você poder se posicionar.

    • André Postado em 18/Sep/2014 às 00:05

      Não acho que uma proposta de taxação de grandes fortunas e revisão da tabela do imposto de renda, aumentando a margem de isenção de 1.700 para 2.500 reais, levando em consideração a inflação dos últimos anos, seja ideia de diretório acadêmico, não... Como todos os candidatos, ela tem falas pertinentes e impertinentes.

    • Lucas Postado em 18/Sep/2014 às 07:32

      São as mesmas idéias do atual presidente da França, mas sabe como é, na Europa pode.

  3. Sergio Wagner Postado em 17/Sep/2014 às 21:34

    Tem gente que reclama dos políticos e quando vem algum que pelo menos expõe a ferida acham ruim, por isso que a maioria que está aí faz o que quer do povo.

  4. Rodrigo Postado em 17/Sep/2014 às 22:00

    (Outro Rodrigo) E Eduardo Jorge mandou Luciana Genro estudar mais... O "argumento" está a cada dia mais na moda.

    • Alan Machado Postado em 17/Sep/2014 às 23:00

      Convenhamos que é um argumento (sem aspas) que deveria estar na moda desde os primórdios da escrita.

  5. Leticia Postado em 17/Sep/2014 às 23:47

    Eles se destacam porque são os únicos que debatem abertamente sobre drogas, discriminação por opção sexual e abortos! Os outros candidatos são contra e/ou não debatem o assunto!! E outra, os outros candidatos são contra porque sabem que perderiam muuuuitos votos se dissessem que são a favor!

  6. Luiz Fernando Rodrigues Postado em 17/Sep/2014 às 23:49

    Luciana Genro é populista e extrema esquerda, mas fica claro que seu argumento apimentado e "popular" não é suficiente para mudar o Brasil, tem que ter pés no chão onde todo povo, independente de classe social, possa se beneficiar de um governo bem representado. Eduardo Jorge mostra uma postura mais conceituosa e com convicção ele mexe realmente na ferida e busca alternativas e reformas políticas mais dentro da realidade do que temos hoje. Mas uma coisa eu digo, ganha meu voto aquele que defende seu lado, e não o centro dos interesses.

  7. Fábio Campos Postado em 18/Sep/2014 às 09:55

    Em relação aos dois acho muito legal o que dizem, mas será que se estivessem em uma posição mais consolidada nas pesquisas teriam essa coragem toda? Ou será que assim como o trio que lidera as pesquisas ia ficar em cima do muro querendo agradar hora um tipo de eleitor hora outro? Desconfio demais dos pequenos, pois quando crescem se transforma.

  8. Jaqueline Postado em 18/Sep/2014 às 13:44

    Cada comentário desnecessário esses assuntos precisam sim ser debatidos e eles estão de parabéns por conseguirem responder sem se "engasgar" com a palavras e debater sobre isso com coragem

  9. Noêmia Postado em 18/Sep/2014 às 21:34

    Acompanho as propostas do Eduardo Jorge e posso dizer com plena convicção que é o meu candidato...

  10. Cynthia Barros Postado em 25/Sep/2014 às 05:44

    Como saberemos se são bons ou não se nunca mudamos os que estão no poder. São sempre os mesmo que estão lá em cima, só votei um vez e ainda foi em branco, mas esse ano vejo que os candidatos estão diferentes, temos mais opções de escolha e a candidata Luciana Genro me fez pensar em voltar a votar.