Redação Pragmatismo
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Aborto 11/Sep/2014 às 23:55
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Caso Jandira e aborto no Brasil: crime com pena de morte

No Brasil, o aborto é crime com pena de morte. Quem acha que Jandira mereceu morrer demonstra total ausência de compaixão e ignora que milhares de mulheres realizam aborto no Brasil, incluindo aquelas que são suas familiares, com a diferença de que tiveram a sorte de sobreviver para esconder a história

jandira aborto brasil
Jandira Magdalena dos Santos (reprodução)

Jarid Arraes, Questão de Gênero

Na última semana, a grande mídia tem dado atenção especial ao caso de Jandira Magdalena dos Santos, 27 anos, que engravidou e buscou uma clínica clandestina para realizar um aborto. Jandira, que antes do procedimento pediu oração por meio de uma mensagem, foi mais uma mulher que não se encaixou no estereótipo esperado por quem criminaliza as mulheres que abortam. Mas, por causa da omissão do Estado e do punitivismo da sociedade brasileira, provavelmente acabou morta, carbonizada – e talvez a parte mais chocante do acontecido seja o fato de que muitas pessoas aplaudem esse fim.

Uma das aterrorizantes facetas desse caso é que Jandira fazia parte de uma parcela com condição financeira para pagar um procedimento abortivo, mesmo em um local perigoso e clandestino. No Brasil, muitas mulheres não possuem centenas de reais necessários para encerrar a gestação quando aperta o desespero. É por isso que tantas acabam recorrendo a métodos arriscados, como a utilização de objetos pontiagudos e cortantes, alvejantes e drogas falsificadas. A maioria, assim como Jandira, passa por dores inimagináveis e sangra até a morte. E assim são jogadas nas valas do descaso e da misoginia, que toma da mulher sua autonomia e impõe condutas morais sem opção de escolha.

O caso de Jandira é uma espécie de termômetro da sociedade brasileira e uma revelação voraz da incapacidade empática de muitos. Quem acha que Jandira mereceu morrer demonstra total ausência de compaixão, compreensão e solidariedade com o próximo. Além de tudo, essas pessoas ignoram o fato de que muitas mulheres realizam abortos clandestinos no Brasil, incluindo aquelas que são suas familiares, amigas ou conhecidas, com a diferença de que tiveram a sorte de sobreviver para esconder a história. Afinal, o silêncio impera e subjuga, tanto para impedir o pedido de socorro quanto para mortificar a necessidade de acolhimento.

VEJA TAMBÉM: Brasileiro é contra casamento gay, aborto e legalização da maconha

O fato é que a criminalização do aborto não faz sentido para as milhares de mulheres que realizam o procedimento todos os anos. O aborto precisa ser legalizado e regulamentado, com período limite de até quando pode ser feito, e o governo precisa oferecer acompanhamento psicológico às mulheres que consideram encerrar a gestação – tudo isso com o devido suporte do SUS, pois o aborto deve ser gratuito e acessível a todas. Nos diversos países que já adotaram essas medidas, podem ser observados ótimos resultados, pois nenhuma mulher morre mais na clandestinidade – e até mesmo os números de aborto reduziram, já que a legalização vem acompanhada por um sistema de prevenção mais eficiente, além de maior respeito para deixar que cada mulher faça sua decisão. O Uruguai, vizinho latino-americano, é um ótimo exemplo do que a regulamentação do aborto pode fazer por todas as mulheres de um país.

No entanto, o Brasil ainda segue um regime genocida, que parece não se importar minimamente com o problema generalizado de sofrimento e mortalidade feminina. Mesmo nos casos já legalizados, ou seja, nas gestações causadas por estupro, quando o feto é anencéfalo ou quando há risco de morte para a gestante, as mulheres encontram dificuldades absurdas na hora de realizar o aborto. A situação é tão deplorável que o Ministério da Saúde se recusa a informar quais são os hospitais que realizam o procedimento – o que já é intrinsecamente errado, pois todos deveriam realizar. Tudo isso sem mencionar a importantíssima portaria 415/14, revogada seguindo preceitos religiosos que jamais deveriam ser envolvidos com a política.

Em ano de eleição, são poucos os candidatos com coragem para defender a vida das mulheres. Os principais candidatos e candidatas se recusam a olhar para o assunto sob uma ótica política e humanista, pois preferem se vender aos setores conservadores. Ao fazerem isso, compactuam com as milhares de mortes terríveis de mulheres que, como Jandira, se encontram completamente desamparadas pelo Estado. O sangue dessas mulheres também está nas mãos dos presidenciáveis, assim como nas mãos de todos que comemoram a brutalidade do aborto clandestino.

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Comentários

  1. Olga Postado em 12/Sep/2014 às 00:01

    Ótimo artigo, parabéns!!!

  2. henrique Postado em 12/Sep/2014 às 00:48

    As pessoas à favor do aborto tendem à pensar que o bebê na barriga de uma mulher, é propriedade descartável ,um parasita à ser expurgado se a mulher se sentir incomodada;Não entendem que a gravidez é um meio biológico para dar origem à vida ;(evitável , se o sujeito não gozar na vagina;também não entenderam isso)que o feto é uma vida em potência para se tornar um ser humano se não for interrompido;Então não venham com esse raciocínio a posteriori,fingindo humanismo,promovendo atos sanguinários, contra seres que não tem possibilidade de se defenderem.

    • Jonas Schlesinger Postado em 12/Sep/2014 às 01:37

      É isso mesmo. Na hora do "vuco vuco" abrir as pernas ou meter a vara são dois movimentos instintivos, nessa hora o ser humano não pensa mais em nada e às vezes se esquece do preservativo. Reviram os olhos e arfam como dois putos de filme pornô. Depois quando a parte boa acaba aí se descobre a gravidez, o vagabundo do macho não assume a paternidade e a vad... donzela corre pra fazer o aborto. Em pleno século vinte e um transar sem camisinha ou não se precaver antes é de uma leviandade atroz.

    • Adriano Valadão Postado em 12/Sep/2014 às 06:57

      Faz muito sentido... Nunca tinha analisado dessa maneira. No entanto, ainda que pensemos nas vidas potenciais representadas pelos fetos, perder duas vidas me parece pior, concorda!? É disso que o texto trata. Se o aborto for realizado de maneira segura, ao menos a mãe sobreviveria. Claro que alguns dirão: "mas uma assassina dessas não merece viver!" Esses não podem usar o argumento de defesa da vida. Portanto, sejamos pragmáticos para perceber que há cada vez menos pessoas capazes de reunir as condições humanas necessárias para educar um filho. Por isso sou muito mais favorável à não concepção acima de tudo. Políticas de prevenção como DIU gratuito, por exemplo, seriam muito menos agressivas e polêmicas.

    • raphael_subversivo Postado em 12/Sep/2014 às 07:45

      Pessoas contra a legalização do aborto acham que a mulher é uma maquina de gestação, que caso se negue ao papel, tem mesmo que morrer, vcs são uns monstros, trocam um punhado de células sem vida por uma vida constituída e ativa, são autoritários, querem impor sua visão fundamentalista de vida, sem nenhum embasamento cientifico, para toda a sociedade, não se importando com quem morre no processo, são hipocritas, pois algo que nem é vida tem mais valor que muitos outros nascidos, excluídos e abandonados, que se cometerem algum erro, essa mesma pessoa que defende com tanto afinco a POSSIBILIDADE de ter vida num punhado de células, acha que a solução dos problemas depois é matar ou torturar. Parabéns, vcs são a nata da humanidade ohh

      • Renan Postado em 12/Sep/2014 às 08:39

        Muito bem senhor doutor cientifico, tenho algumas fontes para que o senhor pesquise sobre o que ciência diz sobre o punhado de células: Primeiro um documento de um conclave da federação brasileira das academias de medicina: “Com os atuais conhecimentos da Biologia molecular, da genética e da embriologia, é um fato cientificamente comprovado que a Vida Humana tem inicio na fusão do óvulo com o espermatozoide, quando se forma o zigoto, que começa a existir e a operar como uma unidade desde o momento da fecundação. Possui um genoma especificamente humano que lhe confere uma identidade biológica única e irrepetível, portanto, uma individualidade de sua espécie. É o executor do seu próprio desenvolvimento de maneira coordenada, gradual e sem solução de continuidade. “ Embriologia: "O desenvolvimento humano começa depois da união dos gametas masculino e feminino, durante um processo conhecido como fertilização (concepção). Fertilização é uma seqüência de eventos que começa com o contato de um espermatozoide com um óvulo em seqüência e termina com a fusão de seus núcleos e a união de seus cromossomos formando uma nova célula. Este óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma grande célula diplóide que é o começo, o primórdio de um ser humano" Fonte: Moore, Keith L. Essentials of Human Embryology. Toronto: B.C. Decker Inc, 1988, p.2 "Embora a vida seja um processo contínuo, a fertilização é um terreno crítico porque, sob várias circunstâncias ordinárias, um novo organismo humano, geneticamente distinto, é por isso mesmo formado… A combinação dos 23 cromossomos presentes em cada pró-núcleo resulta nos 46 cromossomos do zigoto. Dessa forma o número do diplóide é restaurado e o genoma embrionário é formado. O embrião agora existe como uma unidade genética" Fonte: O'Rahilly, Ronan and Müller, Fabiola. Human Embryology & Teratology. 2nd edition. New York: Wiley-Liss, 1996, pags. 8, 29. "O desenvolvimento de um ser humano começa com a fertilização, processo pelo qual duas células altamente especializadas, o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher, se unem para dar existência a um novo organismo, o zigoto" Fonte: Langman, Jan. Medical Embryology. 3rd edition. Baltimore: Williams and Wilkins, 1975, pag. 3 Obrigado por reconhecer que nós, que queremos impor nossa visão fundamentalista sem nenhum embasamento científico, somos a nata da humanidade que não hesitaria em defender a sua vida, mesmo sendo um punhado de células como você disse, usando milhares de embasamentos científicos.

      • Rafael do Bem Postado em 12/Sep/2014 às 10:39

        Não é morrer! Quem é contra o aborto vai ser favor da morte? Quem é contra na maioria das vezes é muito a favor da vida inclusive da mulher. Eu sou contra o aborto porque acredito que isto é fugir das responsabilidade! É como disse o amigo "Jonas Schlesinger", na hora do "vuco vuco" ninguém pensa nas consequências! Quem é a favor do aborto não entende que a gravidez é uma consequência de atos e o aborto é uma válvula de escape para quem não quer se responsabilizar por seus atos! E "raphael_subversivo" quanto ao seu "punhado de células sem vida" digo uma coisa! Com milhões de esperma que tinha no saco do seu pai, logo o mais inútil foi fecundar!!!

    • lucas Postado em 12/Sep/2014 às 11:43

      Quanta hipocrisia, quem usa o argumento que "na hora de dar estava gostoso, agora se vira", provavelmente não transa, sente vontade mas ninguém quer ter relação sexual com a pessoa. Nunca vi algum projeto que melhore o conhecimento dos adolescentes e jovens antes de começar a sua vida sexual, é muito fácil pra quem nasceu em condições de receber uma boa educação, estrutura e todo aparato para se desenvolver da melhor forma e ter conhecimento sobre prevenções. Agora imagine as pessoas que não nasceram nessas condições, que tem uma mãe que não tem condições de trabalhar e cuidar dos 4 filhos que o pai abandonou com ela, como essa mãe terá condições de educar, dar assistência e estrutura para que seus filhos se desenvolvam e tenham consciência do uso de preservativos ou anticoncepcionais. O aborto não é assassinato, é dar a oportunidade da mulher se reeducar, se preparar para ter condições de dar o melhor para seu filho no futuro, já basta essa mãe ter sofrido pela falta de apoio e condições para uma vida melhor, agora ela é obrigada a aceitar uma gravidez que resultou de uma relação sexual sem prevenção, que pode ser de um homem que ela nem tem tanto contato assim. Não conheço uma pessoa que não goste de transar, assim como, não conheço uma pessoa que ache mais "gostoso" transar com camisinha do que sem, não sejamos hipócritas. Quem é contra o aborto pensa que com a proibição, ninguém vai realizar o procedimento, pelo contrário... quem quer fazer, vai fazer e não tem conversa. Só que essa mulher deveria ter o direito de ser atendida dignamente em uma clínica onde o procedimento fosse feito com o máximo de cuidado com essa mulher. Existe tantas crianças abandonas, crianças procurando adoção, que isso só vai se manter caso a proibição permaneça, ou quem é contra o aborto tem alguma representação para auxiliar essas crianças? Nem o governo cuida das crianças, quem dirá aquele que é contra o direito da mulher de decidir se quer ou não passar por toda mudança fisiológica e mental que a gravidez vai te proporcionar, isso e a longo prazo quando tiver que cuidar dessa criança.

    • Bruna Lui Postado em 12/Sep/2014 às 15:27

      Primeiramente, nenhum método contraceptivo é 100% eficaz então você não pode afirmar que essas mulheres nao os utilizam. Segundo, não, elas não pensam assim. Entretanto, cabe a mulher decidir e avaliar (ou deveria) se ela tem condições mentais e financeiras de dar uma boa vida ao bebe que está por vir, se ela quer, pode, se a relação não foi forçada, se o método falhou etc. Terceiro, normalmente, quando estar fazer o aborto, o feto ainda não possui sistema nervoso desenvolvido, logo, não sentirá nada pois ele ainda não está formado (biologicamente falando). Esses seres não tem possibilidade de se defenderem porque eles não tem possibilidade de NADA ainda, não sentes ainda, não pensam ainda (estudando embriologia vc saberá disso).

    • Arnon de Andrade Postado em 12/Sep/2014 às 16:00

      Se é verdade o que você diz, o homem é que deveria ser criminalizado. É ele que poderia evitar interrompendo o coito antes da ejaculação. Colocar a culpa na mulher e puni-la como crimionosa é um machismo. Se é pecado e ela vai para o inferno éla ja está sendo cruelmente punida. Se você quer salvar uma vida salve a vida da você pode estar salvando "duas almas" se a mãe se arrepender. não é mesmo senhor Juiz do próximo?

  3. Jonas Schlesinger Postado em 12/Sep/2014 às 01:04

    Gostei do artigo. Obviamente cada um tem um ponto de vista e seus argumentos. Aborto apesar de parecer um tema simples, não é. Sou contra a legalização, mas se caso legalizasse HOJE o Brasil não tá avançado e preparado o suficiente para tomar uma medida dessa. O problema também é que pessoas consideram um feto um mero objeto. Eu até brinquei no outro post com aquele meu comentário absurdo, mas descobri que pessoas acham que um feto dentro de uma mãe é um mero "conjunto de células". Ou que o fato da criança ter síndrome de Down, autista, retardo mental etc são considerados "sinais anormais" e que os médicos exigem o aborto, por isso que em certos lugares não existe gente com "defeitos" só os "perfeitinhos". A própria sociedade quase majoritária não é a favor e os irmãos siameses dos candidatos nunca vão debater isso. Portanto só fico aguardando até onde isso vai e o que as investigações apurarão.

    • raphael_subversivo Postado em 12/Sep/2014 às 07:48

      Certo, se não é um punhado de células, o que seria? pq vida, que eu saiba, é quando existe sistema nervoso central, no MINIMO.

      • Jefferson Postado em 12/Sep/2014 às 10:19

        «vida [...] é quando existe sistema nervoso central» E essa definição de vida veio de onde? Existem mais formas de vida na Terra sem sistema nervoso do que com ele. Talvez você esteja falando de consciência, essa sim depende de sistema nervoso. Vida não.

      • mery Postado em 12/Sep/2014 às 12:23

        Antes de falar besteirol vá no mínimo assistir a um exame de ultra sonografia nas primeiras semanas de gestação,depois aí sim dê alguma opinião!

  4. Carla Postado em 12/Sep/2014 às 01:11

    Minha única preocupação com relação a legalizar o aborto é que ele se transforme em método contraceptivo pata muitas meninas assim como está acontecendo com a pílula do dia seguinte. Tem que ser muito bem pensado.

    • raphael_subversivo Postado em 12/Sep/2014 às 07:47

      Não dá para a mulher abortar quantas vezes quiser, pode comprometer todo seu sistema reprodutivo....assim como a pilula do dia seguinte se tomada sempre, acaba com o organismo dela....

  5. William Porto Postado em 12/Sep/2014 às 08:30

    Carla, pensado e com regulamentações. Existirão procedimentos e regulamentações. O tema da legalização do aborto, acredito, não se limite apenas ao SIM ou NÃO.

  6. Fabio Postado em 12/Sep/2014 às 08:37

    Lamento profundamente a provável morte dessa moça. Isso não quer dizer que eu seja a favor do aborto. São coisas completamente diferentes. Não consigo entender como o autor do texto acha que algumas pessoas ficaram felizes com este provável destino trágico da moça. Ser contra o aborto não é querer o mal de quem aborta. Pensamento patético, maniqueísta e idiota! Responsabilidade para viver a vida sexual ninguém fala. E a camisinha (esqueceram da AIDS e de outras DSTs)? Um pacote com 3 camisinhas custa de R$ 3,00 a R$ 4,00, em geral. Sinceramente é um valor acessível até para pessoas de baixa renda. E o pai? Não tem direitos e deveres? A mãe fez o filho sozinha? O feto pode estar dentro da mulher, mas é um outro ser. A grande diferença entre quem defende o aborto e quem é contra é que os que são a favor consideram o feto um mero conjunto de células e os que são contra consideram um ser humano. Na minha opinião, o feto pode até ser um mero conjunto de células, no entanto, se a gestação não for interrompida ele nascerá e se tornará um ser humano, então o feto é no mínimo um ser humano em potencial ou em desenvolvimento. Tenho uma filha de um ano. Quando minha esposa estava com apenas cinco semanas de gestação. Ela fez o primeiro ultra-som e eu ouvi o coração da minha filha bater com 5 semanas de gestação! Foi emocionante! E ainda tem gente que acha que o feto não é um ser humano

    • Paulo Postado em 12/Sep/2014 às 12:11

      Fábio, acho que devemos evitar generalizações. Eu sou a favor da legalização do aborto, pois acredito na defesa da vida da mãe. Sei que a MULHER carrega uma vida dentro dela. Mas, ao mesmo tempo, sei também que, se a MULHER quiser, ela vai abortar. Destaco a palavra MULHER, pois a escolha é dela. Enquanto ela carregar o bebê, mesmo que seja outra vida, a responsabilidade e as escolhas serão dela. O homem nunca saberá o que é isso, e seus direitos somente surgem depois que o bebê nasce. No Brasil, estima-se que são realizados mais de 1 milhão de abortos por ano. A grande maioria de forma ilegal e em clínicas clandestinas. Acredito que, se a MULHER quiser fazer, ela vai abortar. Portanto, não seria melhor ser feito num hospital? E outra, o próprio Uruguai, ao regulamentar o aborto, dispõe de dados importantes para prevenção de gravidez, exemplo: em quais regiões do pais ocorrem mais abortos, qual a faixa etária das mulheres que realizam, condição social das mesmas. Ou seja, você pode intensificar campanhas de prevenção. Eu tenho um grande sonho de ser pai um dia, imagino que deva ser a maior alegria na vida de um homem. Se minha namorada engravidar e quiser abortar, é óbvio que eu vou ficar enfurecido, mas a decisão será dela. Posso até argumentar, mas no final, se ela quiser abortar, ela vai. Neste sentido, o homem não pode fazer nada. Até estávamos discutindo este assunto, e ela usou um argumento que fez sentido: "quem não tem útero, não opina".

      • Fabio Postado em 12/Sep/2014 às 14:25

        Paulo, quando você for pai mudará de opinião. "No Brasil, estima-se que são realizados mais de 1 milhão de abortos por ano". Tem algum dado concreto em relação a isto? Pode até ser verdade, mas sem uma fonte são palavras ao vento. Uma série de crimes são cometidos no Brasil, todos os dias e continuam sendo crimes. Não é poque ela vai fazer de qualquer maneira então tem que legalizar. Isso é uma falácia. Tem que fechar as clínicas clandestinas e prender os responsáveis. À sua namorada, com todo o respeito, pode dizer. "Sem um homem ela nunca será mãe". Desculpe mais a frase dela é extremamente arrogante, nós homens não somos meros reprodutores.

  7. Lize Postado em 12/Sep/2014 às 09:19

    Excelente texto, retrata sim o status ignorante que se encontra a sociedade brasileira com relação ao aborto. Falta informação e humanidade pra se pensar na LEGALIZAÇÃO como ponto positivo, como um passo à favor da aceitação da mulher com um ser humano constituido. O feto ou embrião se encontra em formação, é um ser humano em potencial, mas ainda não o é, ao contrario da mulher, a qual se encontra inserida num contexto de vida, socialmente ativa! E essa é a grande questão, o aborto existe, como lidar com isto? Defender a "sobrevivência" de um embrião em detrimenta da mulher, por avaliar que o feto é um ser inocente e indefeso?!?!?! Filho deve ser desejado! Se uma mulher chegou ao ponto de optar por um aborto, deveria ter-lhe garantido apoio psicológico e médico antes, se mesmo assim queira prosseguir deve-lhe ser garantido o direito, assim é feito em países cujo a legalização do aborto obteve aspectos positivos para todos. O aborto não vai deixar de existir devido ao pensamento antiquado de uma parcela da população, que se prende a conceitos fundamentalistas sobre a vida; mulheres estão morrendo e com elas os tão "preciosos" embriões!

    • mery Postado em 12/Sep/2014 às 12:30

      Vc não deve ser mãe,então os preciosos embriões,são exatamente isso!preciosos!Assista a um ultra son obstétrico e depois tire conclusões sobre a vida!Aborto não é método contraceptivo e a luta não é apenas pelo embrião mas pela mulher também!

    • Jonas Schlesinger Postado em 12/Sep/2014 às 19:48

      "Uma parcela da população..." aqui no Brasil a "parcela" são os que apoiam a legalização como você. PORQUE A MAIORIA É CONTRA!

  8. Danila Postado em 12/Sep/2014 às 12:32

    Bom... eu já falei (até demais) o que penso sobre o tema "aborto" na primeira reportagem desse caso. Mesmo sendo contra o ato, nada justifica alguém dizer que "ela teve o que procurou". Esse texto trata exatamente o que temos visto ultimamente: muita falta de solidariedade e empatia. E se tratando de legalização, diminuiria a clandestinidade para pessoas que, como a Jandira, tem condições de pagar. Para usuários do SUS... só consigo pensar num caos total.

  9. Bianca Postado em 12/Sep/2014 às 14:57

    Acho extremamente complicado este tema não sou afavor do aborto acho que nos tempos atuais com vários métodos anticoncepcionais e com as várias dsts que existem uma gravidez indesejada chega a ser falta de responsabilidade e sanidade, por outro lado tb não acho que esta moça deveria ter morrido

  10. Henrique Santos Postado em 12/Sep/2014 às 18:34

    Leio muitos colocando que a legalização diminuirá os casos de aborto, pelo fato de ter um acompanhamento psicológico antes, campanhas de conscientização... Qual impedimento de se implementar esse tipo de política pública sem descriminalizar o aborto? A diferença seria o público alvo: adolescentes ao invés de mulheres já grávidas. A discussão é se o embrião / feto é ou não vida, e se o direito de escolha da mulher sobrepuja ou não o direito à vida (caso seja considerado que o embrião / feto seja vida). Pessoas que eventualmente considerem que "é bem feito a mulher que fez o aborto, morrer" não emitem uma opinião que retrata os argumentos geralmente utilizados por quem é contra o aborto. Essa tentativa insistente, por parte de alguns, em mudar o objeto da discussão é pura cortina de fumaça.

    • Jonas Schlesinger Postado em 12/Sep/2014 às 19:55

      Não, não é bem feito ela ter morrido. O que posso afirmar é que isso não foi justiça porque ela quis abortar, mas sim uma consequência porque ela quis abortar. É como uma pessoa que atravessa uma avenida bastante movimentada e deixou de lado a passarela, foi atropelada e morreu não por culpa da vítima, mas que isso foi uma consequência de sua escolha. Quando fazemos uma escolha ela pode trazer boas ou más consequências.

  11. testemunha binocular Postado em 14/Sep/2014 às 13:50

    O aborto está aí e não adianta negar sua existência. A questão é : quanto tempo até sua regulamentação, impedindo a morte de tantas jovens inocentes ? Você acha que está livre disso na sua família ?...

  12. André Postado em 14/Sep/2014 às 23:26

    Esses esquerdistas são nojentos: são contra a pena de morte para bandido, mas a favor para um ser indefeso...

  13. Roberto Pedroso Postado em 15/Sep/2014 às 10:59

    aquestão do aborto é um tema ligado diretamente a saúde publica quando nos confrontamos com os números descobrimos que milhares de mortes são ocasionadas por abortos mau sucedidos e que a grande maioria de mortes ocasionadas pela interrupção de gestação são de mulheres pobres,enfim respeitando todas as tendências religiosas e filosóficas o fato é que estamos diante de um problema como citei anteriormente de saúde publica,a legalização do aborto reduziu drasticamente as mortes de mulheres (pobres)no Uruguai,isso é fato,enfim diante desse quadro a legalização do aborto deve sim ser encarada como medida viável e inadiável.(https://www.youtube.com/watch?v=de1H-q1nN98),é de se repudiar a postura daqueles que julgam ser uma" mera consequência" a morte de uma jovem que falece em decorrência de um aborto mau sucedido(conhecendo a postura machista chauvinista de nossa sociedade cínica e hipócrita que lança sobre as mulheres o peso de todas as responsabilidades do mundo) esse tipo de pensamento é ultrajante asqueroso e pequeno,desculpem-me mas é minha opinião.Não por coincidência existe a necessidade de certos setores(conservadores) em querer legislar sobre o corpo da mulher.

  14. André Postado em 15/Sep/2014 às 12:23

    Pq não prevenir? Posto de saúde fornece camisinha DE GRAÇA.

  15. Roberto Pedroso Postado em 18/Sep/2014 às 12:06

    Deixando o caso dessa jovem de lado por um instante e vamos analisar as questões acerca da falta de políticas publicas voltadas a saúde da mulher em nosso terrível quadro social,sabemos muito bem que em certas cidades a distribuição de preservativos para a população é prejudicada pois os prefeitos com medo de se indispor com as lideranças religiosas(que possuem grande influencia sobre o voto dos cidadãos) preferem não realizar a distribuição de preservativos a contento,para uma jovem se prevenir de uma gravidez indesejada é preciso informação fácil acesso a profissionais da área da saúde e dialogo franco e aberto em família sem isso não existe "prevenção"realmente eficaz.