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Racismo não 19/Sep/2014 às 16:03
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Aranha volta ao palco onde foi vítima de racismo

O retorno de Aranha ao palco onde sofreu racismo foi histórico – tão somente em razão da atitude do goleiro diante da postura vexatória da torcida. Seria bom que tivesse sido diferente

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Reencontro do goleiro Aranha com a torcida do Grêmio não foi nada amistoso (Pragmatismo Político)

Matheus Pichonelli, CartaCapital

Mário Lúcio Duarte Costa. Guardem este nome. Já vou chegar a ele. Antes, quero dizer que acompanhei, pela tevê, o fim da partida entre Grêmio e Santos, em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro. O empate sem gols revela o que foi o duelo, insosso, de resultado nem bom nem mau para nenhuma das equipes. Pelos relatos, descubro que o goleiro Aranha foi o melhor em campo, com ao menos duas boas defesas que garantiram o ponto fora de casa. A crônica esportiva termina aqui. A História, com H maiúsculo, não.

Aranha acabava de voltar ao palco onde, semanas atrás, fora hostilizado por ofensas racistas vindas de parte da arquibancada gremista. De lá saíram gritos e imitações de macaco. Eram uma referência à sua cor de pele, negra. O goleiro pediu a interrupção da partida, vencida pelo Santos por 2 a 0. Deixou o campo atordoado. “Dói”, dizia ele à beira do campo.

VEJA TAMBÉM: Racismo e caso Aranha: o que Luciano Huck e Danilo Gentili têm a ver com isso?

Por não aceitar a ofensa, relatada aos árbitros da partida, Aranha criou constrangimento às autoridades esportivas. Elas se viram obrigadas a eliminar o Grêmio da Copa do Brasil devido ao comportamento de sua torcida.

Antes do reencontro de quinta-feira 18, no mesmo palco, um país inteiro passou a debater um tema ainda entranhado nas relações sociais. Tão entranhado que se naturalizou, a ponto de, muitas vezes, nem sequer incomodar.

Aranha se incomodou. E não fez questão de esconder.

Como preço, é provável que tenha passado alguns dos piores dias de sua vida. Depois daquele jogo, uma das torcedoras, flagrada aos gritos de “macaco” na arquibancada, passou a sofrer ameaças nas redes sociais. Foi demitida e teve a casa incendiada por um maluco. Ela não teve tempo de se arrepender ou calcular a dimensão de seu ato: o justiçamento de sempre, um erro em qualquer lado da história, tirava dela o direito de ser julgada por uma lei já existente. Cassara, com mandado próprio, o direito à vida da torcedora.

De repente, Aranha era o pivô de tanto ódio. Não fosse seu “melindre”, a torcedora estaria a salvo, o Grêmio seguiria na Copa do Brasil e o racismo voltaria ao rol de temas “menores” de um país que, nas palavras de muita gente autorizada, tem problemas mais sérios para resolver. Entre os defensores da tese está o técnico do Grêmio, Luiz Felipe Scolari, que até ontem dirigia a seleção brasileira. Ele tratou a reação de Aranha como uma “esparrela”, um estardalhaço promovido por quem tentava se vitimar para prejudicar alguém – no caso, os gremistas. Pelé, maior jogador de todos os tempos, também condenou o goleiro com argumentos do arco da velha: se ele, o Atleta do Século, tivesse de parar uma partida toda vez que era chamado de “macaco” não haveria mais futebol. Segundo ele, quanto mais se fala em racismo, mas ele se aguça.

Pelé, em seu tempo, não parou o jogo, o racismo voltou para debaixo do tapete, e a fatura segue nas costas de Aranha e seus contemporâneos, que hoje tentam interromper uma partida que deveria ter sido parada há muito tempo.

Não bastasse tanta ofensa – à sua cor, ao seu caráter e à sua inteligência – Aranha voltou a campo ontem como vilão. Desta vez, não ouviu xingamentos racistas das arquibancadas, mas vaias. Muitas. Cada uma delas era o triunfo do direito de ofender sobre o direito de se sentir ofendido. Ou de reagir à ofensa. As vaias eram o referendo aos gritos de “macaco” do último duelo. Eram o recado de que tanto faz o que existe debaixo da epiderme: o que vale é ganhar o jogo. É se dar bem. É levar vantagem. E qualquer reação a isso é apenas “esparrela”.

As vaias foram o trunfo do país de Pelé e Felipão. Um país que joga às costas da vítima o peso de ser ofendido. Um país que valida, pela ignorância, o cientificismo torto de séculos passados que colocavam o negro no meio do caminho entre os símios e o homem branco. Este cientificismo baseou a ideia de supremacia racial e influenciou algumas das maiores atrocidades da História. Por isso ela ofende. Por isso chamar um branco alto de “girafa” não tem o mesmo peso que chamar um negro de “macaco”: apenas um deles fora escravizado pela História.

VEJA TAMBÉM: (des)Encontro com Fátima Bernardes ensina a como não debater racismo

A manifestação de ontem da torcida gremista era a manifestação da derrota: a derrota de Aranha, a derrota de um país inteiro que apenas finge que deixou de açoitar seus antigos escravos. Apesar disso, ele jogou. Foi o melhor da partida, segundo a crônica esportiva. A mesma crônica que, ao fim do duelo, cercou o jogador para arremessa-lo ao centro do picadeiro com uma única pergunta: “como se sente?”

Acossado, Aranha tentava explicar que deixava o campo entristecido pela reação da torcida, que referendava a ofensa do último duelo. Mas vaia era vaia, admitia, e contra ela não tinha o que fazer.

Um dos repórteres, em tom de deboche, chegou a questionar: “E qual a diferença?”.

“Você sabe a diferença”, respondeu Aranha.

“Não sei: me diga”, desafiou o sujeito do microfone, como se não soubesse.

“Você acha certo o que aconteceu?”, questionou o goleiro.

O repórter respondeu algo como “não tenho que achar nada”. E Aranha, mais uma vez, deixou o campo balançando a cabeça em tom de incredulidade. Tinha toda razão para ver e não crer.

Já nos vestiários, um pouco mais calmo, ele voltou a ser questionado sobre o assunto. Os repórteres queriam saber por que ele se negava a se encontrar com a torcedora que o ofendera e que estava sedenta pelo seu perdão. O circo dava ao goleiro o papel de Meursault, o personagem de O Estrangeiro, de Albert Camus, condenado não por um crime, mas por não ter chorado no enterro da mãe. O circo queria ver o goleiro chorar. Queria ver o circo pegar fogo. Aranha, de novo, novamente, outra vez, respirou fundo. E respondeu algo como: “Não quero o mal para ela. Mas não vou ficar abraçando ninguém enquanto a tevê mostra minhas lágrimas com uma música triste ao fundo”.

Aranha talvez não soubesse, mas acabava de desmontar a “esparrela” armada para ele. Percebeu, muito antes dos homens de seu tempo, o que era um circo. Um circo midiático. E o rejeitou. Como rejeitou a ofensa que agora tantos querem minimizar como “melindre”.

Aranha parou o jogo, um jogo que segue perdendo, para mostrar simplesmente que atrás das cortinas de um circo que não criou existe um homem. Este homem se chama Mário Lúcio Duarte Costa, seu nome de batismo. Que é maior que a alcunha. Que é maior que o próprio esporte. Que não merece ouvir o que ouviu. E que parece disposto a interromper o jogo quantas vezes forem necessárias. Até que o recado seja entendido. Até que um dia a história mude. De vez. Mário Lúcio Duarte Costa acabava de fazer História.

Em tempo: Triste o país que precisa de herois. Mas, se não é um, Aranha é inegavelmente o rosto de uma luta tão justa quanto necessária. Acho que já gastei minha cota de citações a Caetano Veloso em minhas crônicas, mas é impossível assistir à trajetória do goleiro santista sem lembrar da música “O Heroi”, do álbum Cê, de Caetano:

não quero jogar bola pra esses ratos
já fui mulato, eu sou uma legião de ex mulatos
quero ser negro 100%, americano,
sul-africano, tudo menos o santo
que a brisa do brasil briga e balança
e no entanto, durante a dança
depois do fim do medo e da esperança
depois de arrebanhar o marginal, a puta
o evangélico e o policial
vi que o meu desenho de mim
é tal e qual
o personagem pra quem eu cria que sempre
olharia
com desdém total
mas não é assim comigo.
é como em plena glória espiritual
que digo:
eu sou o homem cordial
que vim para instaurar a democracia racial
eu sou o homem cordial
que vim para afirmar a democracia racial

eu sou o herói
só deus e eu sabemos como dói

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Comentários

  1. Matheus Magalhães Postado em 19/Sep/2014 às 16:16

    Meu Estado se envergonhando sem parar. Mas é natural, em um País absolutamente racista, temos a dúbia honra de nos acharmos "europeus". Obviamente, importamos o que há de mais anacrônico do velho Continente. Tradição filosófica alemã? Escola literária italiana? Poesia lusitana? Nah, "volklore" germânico, eugenia e fascismo.

    • Manica Postado em 19/Sep/2014 às 18:30

      Sinto vergonha da reação que meus conterrâneos tiveram, mesmo. Mas meu amigo, por favor não generalize, pois mesmo sem querer generalizar, foi exatamente isso que seu comentário fez: "esse pessoal da sua terra e todo o Sul", "essa palhaçada vem daí dessas bandas". Me sinto mal quando isso acontece, quando alguns indivíduos são tomados como generalizáveis a um grupo inteiro, e não quero isso pra ninguém. Existe racismo aqui, e muito, e não pode ser tolerado. Segundo seu comentário tive a impressão que o RS é o culpado pelo racismo no brasil ou que é o estado com maior preconceito. Fiquei curioso e fui pesquisar. Te apresento um estudo que pode te ajudar a ver algumas coisas: Mapa da Violência 2012: A Cor dos Homicídios no Brasil. (http://mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_cor.pdf). O estudo até tem algumas falhas metodológicas perceptíveis mas a única coisa que eu quero te provar com isso é: o RS não é Auchwitz. Existe racismo? Sim, já falei e não é pouco, mas assim como o estudo demonstra que existe em praticamente todo o Brasil. Esse problema se enfrenta primeiramente reconhecendo que se vive em uma sociedade assim e tomando medidas concretas para combatê-lo e não tentando achar bodes expiatórios. Por isso, eu, mesmo gremista, concordo com a punição de exclusão da copa do brasil. Acredito que meu clube foi conivente com esse comportamento e deve ser punido. Agora, espero também isonomia.

    • Michele Postado em 19/Sep/2014 às 21:00

      Andre, com todo respeito, sou gaucha, descendo de imigrantes italianos e alemães, inclusive estou em processo de obtenção de cidadania italiana e me perdoe, mas o que falaste do povo gaúcho é muito, muito triste.. o que tu escreveu, se aconteceu, o que duvido pois aqui nunca ouvi falar, é arcaico e certamente nao ocorre nos dias de hoje. Fico triste qdo leio isso.. me perdoe André, mas realmente fiquei triste com o que escrevestes..

    • Danúbio Postado em 19/Sep/2014 às 22:12

      Amigo, dizer que a maioria do sul é nazista, não só é uma generalização como também um crime. Infelizmente em todo o mundo as minorias perversas costumam ser bem barulhentas.

    • Christian Postado em 20/Sep/2014 às 20:56

      Aparentemente vc tem um problema particular com o pessoal do sul... o país todo está com problemas, racismo, corrupção, roubos, e por ai vai. Acho eu, afirmar que uma situação ocorre somente em um estado é preconceito também. Membros neo nazistas se infiltrando em outros grupos, significa que não seriam aceitos de forma normal, ou seja, se um cara desse se infiltra no seu grupo de amigos, vc e os demais serão todos neo nazistas...

  2. Gustavo Postado em 19/Sep/2014 às 16:32

    Como se ele já não fosse antes, e como se ele não quisesse mudar isso.

  3. Nôni Simon Postado em 19/Sep/2014 às 16:39

    Eu achei injusta e descabida, sim, a decisão que eliminou o Grêmio da Copa do Brasil, assim como estou achando descabida essa repercussão do jogo de ontem. O sr. Mário Lúcio Duarte Costa, vulgo Aranha, salvou o Santos de levar um ou dois gols, e essa é a melhor resposta que ele poderia ter dado às vaias recebidas. Quem assistiu ao jogo no domingo, Grêmio e Atlético Mineiro, ouviu alto e bom som a torcida atleticana xingando o Marcelo Grohe de viado a cada tiro-de-meta, à exemplo do que fez a torcida mexicana durante a Copa do Mundo. É por que eu sou gremista que penso assim, ou por que eu sou racista? Me julguem. No cerne da questão está a "cultura dos estádios", um vale-tudo de xingamentos históricos que vão desde a opção sexual até a libido supostamente exacerbada e/ou a profissão da mãe da vítima da hora, passando pelo uso e abuso das palavras "macaco" (essa acredito que doravante suprimida, ótimo), "porco", "urubu", "gazela", "bambi", "galo", entre outras do zoo. Vivemos tempos estranhos, onde jogar vaso sanitário e matar torcedor na saída do estádio rende perda de mando de campo, tal como aconteceu com o caso do rojão no Chile. Racismo é horrível, mas racismo é outra coisa, se me permitem a diferenciação. Se eu começo a brigar com alguém e xingo de "aranha" é normal, né. No caso, é o apelido da "vítima". E, se a torcida do Grêmio fosse toda, mesmo, racista, como quis fazer crer o dito goleiro em programa noturno dominical de alcance nacional, não amaríamos tanto ao Mazembe.

  4. Mauricio Augusto Martins Postado em 19/Sep/2014 às 17:12

    Um de meus Princípios, Amor e Paixão desde tenra idade é ser Santista, pois neste time conheci o Futebol, o Futebol Arte, toda a preparação do Jogador Físico/Psicologicamente e sobretudo o Fair Play, a maneira gentil e agradável de fazer sofrer somente a Bola, e não a Bola fazer o jogador sofrer, o time que aceitou Pelé depois de ter sido recusado por outro Grande time, o time que Ganhou mais Campeonatos Brasileiros da História, que para tanto mudaram-se desde o início os "Nomes"(das Taças) para que se quebrasse a Continuidade, e isto causa a Ira de quem de Futebol nada entende, entende?, de um pig miserável onde para "elles" "Craque" é igual a feijão de molho, onde só sobe o que não presta, desde sempre percebemos não como Fanáticos pelo Nosso time, mas como o outro lado, que sem o qual, não existiria Partidas, muito menos Campeonatos, observamos um "Desfilar" de repórteres e cronistas mais torcedores do que comentaristas e críticos esportivos, sem a mínima capacidade de "enrolar" o que estamos Olhando e Vendo, respeitar o adversário que não é um inimigo, simplesmente o outro lado do estéreo é a parte Capital do Esporte, abrir mão das butinadas e presença faltosa em todas as divididas de Bola, portanto na História do time onde desfilaram os Melhores Goleiros já vistos, com exceção do Edinho pois Futebol não era sua profissão, nosso QUERIDO ARANHA defende com Honra a Camisa do Olimpo Esportivo, e justamente o Grêmio que tinha meu inteiro respeito, pois a estória que ouvimos aqui em Sampa, era que o Internacional era Racista, e a Grêmio aceitava os Jogadores Afrodescendentes, de certo não será num jogo ou em um momento que perderei a confiança neste time honrado e butinador, pelo menos quando contra meu time joga, talvez seja exemplo ainda do Felipão quando Back, becão de Fazenda, era o seu "jogo", contudo o pior do Racismo no futebol, é termos o pig dominando com um império ditatorial Nosso Futebol, esta aí o resultado destes tropeços nas "orelhas"(de Burro), 7x2 pros alemães...maumau

  5. Fabio Postado em 19/Sep/2014 às 17:34

    A torcida do Grêmio é medíocre.. grita "macaco" grita "viado" grita "nordestino safado" grita "paulista vagabundo" .. mas nunca grita é campeão!!! Se a justiça não os pune de forma cabível, ao menos a vida os pune!!!

    • Deisi Postado em 19/Sep/2014 às 21:35

      Perfeito Fabio! Pune mesmo já estiveram até na segunda divisão, e o técnico é o Felipão que envergonhou o Brasil na derrota de sete para Alemanha.

  6. Leonardo Postado em 19/Sep/2014 às 18:12

    trechos de um texto que achei interessante: (Aranha) Chegou a dizer, enquanto falava dos gaúchos, que "precisava ser melhor que aquele povo". Pelo ato infeliz de quatro ou cinco pessoas, o goleiro santista generalizou e classificou um Estado inteiro como racista. Rolou pelas palavras preconceituosas que proferiste na tentativa de combater o preconceito. Tua conduta é deplorável, Aranha. Tu, de fato, era a vítima da história. E cá estou, criticando a vítima. Perdeste a razão numa curva qualquer. Começou bem: dono da situação e da razão. Quis ir além. Concluir, julgar, CAUSAR. Lamentável. Com isso tu não ajuda em nada a importante causa dos negros no país. Não ajuda a combater preconceito com ódio, veneno e provocação. A oportunidade era boa, mas fica difícil simpatizar com um boçal. Concluindo, a vaia de ontem não foi para o aranha que sofreu racismo e merece desculpas e punição aos responsáveis, a vaia de ontem foi para o aranha cheio de pré-conceitos com gaúchos e torcedores do grêmio, importante que isto fique claro!!!!!! Complementando: Ninguém vaiou tua cor. Muitos negros ao meu lado, inclusive, te vaiaram. Vaiaram tua pessoa. Tua conduta.

    • Fabio Postado em 19/Sep/2014 às 23:51

      Mentira.... ele não falou "aquele povo" se referindo ao povo gaúcho, e sim o pessoal racista... foi um grupo de gaúchos que pegaram este gancho para dizer que há preconceito contra o gaúcho e contra o estado do Rio Grande .... se vc pensa assim meu amigo só podemos achar lamentável sua desculpa...

    • Poliana Postado em 20/Sep/2014 às 08:28

      Aranha com preconceito para com o povo gaúcho! Hilário! Quanto egocentrismo!!! KkkKKK

  7. Leandro Postado em 19/Sep/2014 às 18:44

    O mais interessantes desses debates e argumentações é a dificuldade de aceitar o que o fato, isto é, o que foi dito, o que foi visto, o que foi feito. Pelo visto a consciência histórica do preconceito de alguns vai se perpetuar e se justificará pela incapacidade de humana de sermos ser realistas.

  8. José Ferreira Postado em 19/Sep/2014 às 23:19

    O Aranha perdeu a oportunidade de se mostrar superior ao se encontrar com a menina e generalizou os gaúchos ao dizer que todos são racistas. O ato de injúria racial (injúria = xingamento, injúria racial = xingamento relacionado a cor/raça) foi feito por um grupo isolado.

    • Poliana Postado em 20/Sep/2014 às 08:24

      Vocês são todos racistas sim! Não seja hipócrita, tão pouco julgue a atitude do Aranha! Não se trata de querer dar um tapa com luva de pelúcia ou ser superior... Ele simplesmente não quer reencontrar aquela que o humilhou. A mídia faria disso um espetáculo e minimizaria ainda mais a luta contra o racismo. Ele esta no direito dele e simplesmente não quis reencontra-la. Não seja hipócrita José Ferreira! E vocês gaúchos são todos racistas sim, além de se sentirem superiores a todos! Povinho ridículo o seu!

      • José Ferreira Postado em 20/Sep/2014 às 10:41

        Eu sou paulista. E essas vaias não são contra os negros, mas contra o Aranha. O goleiro generalizou a torcida do Grêmio e o Estado do Rio Grande do Sul. Ao invés de combater o próprio preconceito, ele mesmo é preconceituoso. Ele mesmo fez questão de se casar com uma mulher branca, só para não ter um filho negro, e ele conseguiu.

      • Alex Postado em 20/Sep/2014 às 13:21

        Poliana a tua opinião é tão preconceituosa e ignorante que sinceramente não merece resposta.

      • Poliana Postado em 20/Sep/2014 às 17:14

        E por acaso você conhece a história do Aranha com a esposa dele pra dizer q ele só casou com ela pra ter um filho branco e que ele é racista? Você é mais racista que não admite ver um casal inter racial que vem com o discurso de que o negro da relação é racista e ta negando a raça.. e do/da branco/a da relação você não fala nada? Só o negro que esta negando a raça? Você nem conhece a história do casal e vem com o mesmo discurso racista. E paulista/paulistano e gaúcho, a arrogância nata é a msma!

      • Poliana Postado em 20/Sep/2014 às 17:16

        Ah ta bom Alex... Vocês gaúchos são uns amores com os negros e com quem é de fora do estado. Me enganei..

    • Stella Postado em 20/Sep/2014 às 10:40

      Aranha foi esperto. Não quis fazer parte desse circo nojento! Força, Aranha!

  9. Paulo Postado em 20/Sep/2014 às 01:33

    Não vou me alongar neste assunto batido e debatido, mas duas coisas me intrigam, tiraram a Patrícia para Cristo (principalmente o cinegrafista) e a rapaziada da geral que também chamou de macaco entre outros xingamentos e imitações e que sempre faz alguma presepada, nada? E o Aranha em 2005 quando foi confundido com um assaltante, algemado e agredido, simplesmente por ser negro, perdoou os policias que disseram que se ''confundiram'', porque já nesta época não fez um escarcéu ou em jogos mais recentes do Santos no interior paulista, quando o Arouca foi a vítima da vez? Quanto mais procuro entender menos eu entendo.

    • Deisi Postado em 20/Sep/2014 às 11:37

      Ele perdoou a Branquinha racista moço, ele só não quer reencontra-la, e fazer parte de um circo que à mídia quer fazer, estão tentando transformar a mocinha em vitima e o Aranha de réu. Coisas de branco que não são racista. Aplausos ao texto! Aqui no Brasil se tem a mania de inverter papeis, tornando uma vítima que não se calou e ousou denunciar o fanatismo cego de torcedores. É histórica essa cultura em estádios gremistas, grande parte da torcida tricolor em agredir sem limites. São capazes de tripudiarem em cima da morte do Fernandão só porque ele era um ídolo do Internacional. Deve ter sido muito difícil para o Aranha ter voltando ao palco onde sofreu racismo, mas não fugiu da raia e não perdeu o controle. Vaiaram a vitima, por ela ter se defendido do agressor. As vaias dos gremistas foi um atestado de concordância ao ato de racismo.

  10. Jonathan Postado em 20/Sep/2014 às 02:46

    Deixa de ser burro, os brancos nunca foram escravizados em massa por serem brancos. A humanidade escraviza há tempos e muitos tipos de pessoas. Mas a única raça que foi escravizada e inferiorizada por teorias cientificistas foram os negros. Se não consegue entender isso desista de tentar raciocinar, não é pra você.

  11. Poliana Postado em 20/Sep/2014 às 08:20

    Aff... Eita povo gaúcho viu! Se superando a cada dia! Vergonha!!! Povinho ridículo que insiste em se achar europeus! Raça ariana né? Tá bom..sei, nojo desse estado e dessa gente!

    • Stella Postado em 20/Sep/2014 às 10:41

      Ai, não generaliza... tem gente do bem sim!

      • poliana Postado em 20/Sep/2014 às 17:17

        Sim Stella... Apenas uma exceção... a maioria se encaixa no que eu disse. Boa tarde e bom fds!

    • Jefferson F. Postado em 21/Sep/2014 às 20:44

      Não sei de onde vem, de onde és, mas com toda certeza sei que, não tem virtude suficiente para falar assim de um estado que, por décadas carrega sozinho um país. Não digo apenas pela economia, pois aqui o povo traz consigo um orgulho de ter nascido aqui. A senhora, Poliana, a senhora não sabes o que está dizendo, pois acredito que nunca pisou neste chão. E digo mais, a senhora deveria ser processada por injúria, pela falta de estudo e por tamanha ignorância. Povinho imediatista! Então todos alemães são NAZISTAS, todos mosulmanos são TERRORISTAS, sendo assim TODO PAULISTA É LADRÃO E TODO NORDESTINO É VAGABUNDO. Deve ser assim a sua visão do teu pais! Pois mergulhe e se afogue na sua enorme ignorância e estupidez, pois és uma hipócrita.

  12. Flávia D. Postado em 20/Sep/2014 às 10:43

    Belo texto! Parabéns! Estamos todos com o jogador Aranha. Pelé, vai A-P-R-E-N-D-E, é fácil falar quando se está por cima da carne seca.

  13. Fabiano Postado em 22/Sep/2014 às 00:11

    Qual parte você não enxerga que chamaram ele de branca de neve, tamparam a boca para não serem gravados xingando ele de maneira irônica e racista ? Qual parte você não compreende que as vaias, do inicio ao fim, exclusivamente a ele, foi por conta da sua não aceitação do racismo? Você além de negar o racismo e ajudar a perpetuá-lo, é cego. Para de ser racista, meu caro, você cansa não só a mim, mas ao mundo com esses seus comentários relativizando o racismo em todos os posts. Também, está na posição de homem e branco, jamais entenderá o que é de fato sofrer de discriminação racial e não aceitará ter que perder os privilégio dado por ser reconhecido como branco na sociedade racista.

    • Tassia Postado em 22/Sep/2014 às 08:54

      Concordo TOTALMENTE, Fabiano. Amigo, as vaias existentes no futebol foram diferentes desta vez. Leia melhor. "Por isso chamar um branco alto de “girafa” não tem o mesmo peso que chamar um negro de “macaco”: apenas um deles fora escravizado pela História."

  14. Fabiano Postado em 22/Sep/2014 às 00:15

    O Aranha se mostra um exemplo para todos que lutam contra o racismo. A maneira como ele está lidando, faz dele um anti-Pelé. Tem que haver punições sim, e cada vez mais fortes, assim como políticas de inclusão do negro na sociedade. E para vocês, brancos, o choro é livre, pois vocês não são protagonistas dessa luta e não poderão atrapalhar. Tadinho dos brancos oprimidos que percebem que a cada dia tem que cometer o seu racismo com mais cuidado....tsc.