Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 30/Sep/2014 às 10:03
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Apoio do ator Mark Ruffalo a Marina Silva não durou 24 horas

Um dia depois de declarar apoio a Marina Silva, ator Mark Ruffalo, que interpretou Hulk na série de filmes "Vingadores", desiste da ideia após tomar conhecimento de que a candidata evangélica é contra o casamento gay e os direitos reprodutivos da mulher

mark ruffalo marina silva
Mark Ruffalo deixa de apoiar Marina Silva

Um dia depois de gravar um vídeo de apoio à candidatura à Presidência de Marina Silva, do PSB, o ator norte-americano Mark Ruffalo, que interpretou Hulk na série de filmes “Vingadores”, retirou seu apoio a Marina, após “tomar conhecimento” de que a evangélica da Assembleia de Deus é contra o casamento gay e os direitos reprodutivos da mulher.

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No texto divulgado nesta segunda-feira em seu Tumblr oficial, o ator diz que não sabia sobre sua posição ao gravar o vídeo. “(…) só vi o seu debate, onde ela disse que apoiou o casamento gay, e vim a descobrir depois o fato de que seu partido retirou o apoio a esta questão. Eu não posso, em sã consciência, apoiar um candidato que tem uma abordagem dura em relação a questões como o casamento entre homossexuais e os direitos reprodutivos, mesmo que o candidato esteja disposto a fazer a coisa certa sobre as questões ambientais”, escreveu o ator.

No vídeo, divulgado pela campanha de Marina nas redes sociais no último domingo (28), Ruffalo diz que a candidata é uma das “mais interessantes e animadoras pessoas no cenário político mundial, hoje em dia”.

O ator também disse em seu texto não ser especialista em política brasileira mas que os “direitos das mulheres, direitos dos homossexuais e os direitos ambientais” fazem parte do seu conjunto de visão de mundo e que fica impossível para ele endossar um candidato em particular que não tenha essa mesma visão das três questões.

Quanto aos direitos reprodutivos da mulher citado pelo ator, Marina sempre se declarou contra o aborto. No perfil oficial da candidata, a campanha de Marina respondeu em inglês a Ruffalo que não é verdade que ela seja contra o casamento gay, que o apoio a união entre homossexuais está em seu programa de governo e postou o link para ao site com o documento.

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Em seguida, o ator pediu uma versão em inglês do programa de governo da candidata para confirmar a informação. Após receber o documento, por meio do Twitter de campanha, Ruffalo perguntou se a candidata é realmente “pró-casamento gay”. Mas o perfil de Marina Silva não respondeu a questão. Por conta da repercussão, muitos eleitores de Marina no Twitter mandaram mensagem para Ruffalo alertando que a candidata é a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo, mas contra a utilização do termo “casamento”, que considera sagrado.

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agências

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Comentários

  1. Erica Postado em 30/Sep/2014 às 10:26

    Não precisa ser "especialista em política brasileira" para manifestar apoio ou simpatia a quem quer que seja. É preciso, isso sim, estar informado, ler ao menos mais de uma opinião.

    • Juliano Postado em 30/Sep/2014 às 11:08

      O Mark é militante de questões ecológicas, e Marina é muito conhecida internacionalmente neste meio. Provavelmente ele apoiou Marina por conta disso... E não, nenhuma pessoa do mundo precisa ser "especialista em política brasileira" para apoiar questões ecológicas - por mais que a Marina já tenha dado uma bola fora nesta questão também.

    • Leny Correia Postado em 30/Sep/2014 às 14:18

      Concordo! Quanta falta de informação! Como um artista tão conhecido faz um vídeo de apoio a um candidato a presidência sem saber sua religião e suas posições políticas? Há muito tempo que a Marina diz para a imprensa que é a favor da união civil (desde, pelo menos, 2010), mas contra o casamento entre homossexuais (pois considera sacramento) e que defende um plebiscito sobre o aborto (para decidir se será criada uma lei que aprove o aborto, além do já permitido no caso de gravidez causada por estupro).

  2. Rodrigo Postado em 30/Sep/2014 às 10:31

    (Outro Rodrigo) Assim como o ator pediu, eu também peço explicação do sentido de "direitos reprodutivos da mulher" (sem qualquer ironia, apenas em função de a redação ter ficado ambígua): fala-se em defesa do aborto ou contrariedade a este?

    • Matheus Postado em 30/Sep/2014 às 11:20

      (Outro Rodrigo), esse termo "direitos reprodutivos da mulher" é utilizado para uma autonomia maior das mulheres sobre o seu corpo. Sem instituições do tipo Religião ou Estado como atravessadores nas suas decisões. Se tiver tempo procure ler "O futuro da natureza humana - Habermas"

      • Rodrigo Postado em 30/Sep/2014 às 11:36

        (Outro Rodrigo) Matheus, tenho tempo, em razão do quê pedi o esclarecimento, a fim de saber meramente o sentido denotativo da expressão. Nesse sentido, o direito à liberdade de crença, constitucionalmente assegurado, abrange também o direito a não professar nenhuma fé e, agora, você esclarece a mim que a expressão é no sentido de abranger também o direito ao aborto. Assim, pois, creio que você se antecipou, pois meramente pedi um esclarecimento, ainda não tendo expressado minha opinião, a qual posto em seguida.

      • Rodrigo Postado em 30/Sep/2014 às 11:49

        (Outro Rodrigo) Agora, diretamente ao ponto, exponho minha opinião, inicialmente esclarecendo não ser mulher e, portanto, não saber o que é uma gravidez. Mas já fui um feto, estou bem feliz com minha vida e sou ser humano, vivendo na mesma sociedade, em igualdade de direitos e deveres, como as mulheres. Em suma, argumenta-se pró-aborto: filho não planejado pode ter uma vida ruim, chegando em momento de desestruturação psicológica/familiar/econômica (abandono pelo pai irresponsável, ou pela família, eventual religião, que rejeitem a grávida); não é dado ao Estado intervir no corpo dos cidadãos; amontoado de células não é vida; a proibição necessariamente leva mulheres a morrer ou sofrer de lesões terríveis, após práticas clandestinas; se o homem engravidasse, a discussão seria diferente. Então inicio concordando que, neste último caso, real e infelizmente, seria possível, o aborto sendo visto por muitos com menos restrições. Concordo, mais, que comumente a gestante está sozinha e irresponsavelmente abandonada pelo pai/família/religião que eventualmente siga (da gravidez ao aborto e lesões ou morte decorrentes). Contudo, podemos por em discussão conceitos como a diferença entre “conter” e “confundir-se” (a mulher conteria um ser em geração ou este se confundiria com ela?). E, também sem ironias, questionar aparente “coisificação” do nascituro e eventual apropriação dele por outrem (a mulher é proprietária nascituro?), tudo frente aos ideais inerentes à abolição material da escravatura. Questionar se, todos nós, não fomos amontoado de células e estamos bem satisfeitos com nossa vida, pesando se a pronta exclusão do nascituro, o maior interessado em viver, de um processo decisório tal, se mostraria indevida, autoritária e tão egoística quanto a de quem abandona a gestante – a escolha de dois estaria sendo definida apenas por um, ou não? Questionar, pois, se não estaríamos a colocar o ser humano em situação de desvalor para com peixes, outros animais e mesmo plantas. Todos estes que têm seu processo reprodutório, sua gestação, defendida (ao que alguns podem argumentar que o ser humano não corre risco de extinção, então, alegadamente, aqui o aborto não faria qualquer diferença e pode ser praticado sem maiores preocupações). E, então, pensar que temos uma responsabilidade individual, no ato sexual. Há, pois, a responsabilidade do Estado, da sociedade, da família, do pai e mesmo de igrejas (haja vista avocarem para si a proclamação de ideais de caridade e fraternidade, bem como de defesa da vida, sendo vedado o comportamento contraditório), sobre a vida dos nascidos, mas também há a responsabilidade da mulher para com seu próprio corpo e saúde; não apenas gravidez não programada advém de relação sem preservativo/métodos contraceptivos, mas também DSTs, que podem levar a lesões/morte da mesma, à contaminação de outros (1- lembrar DSTs de notificação obrigatória e a razão para tanto; 2- lembrar que muitas demoram a se manifestar e, sem querer, a mulher e o homem podem estar a disseminar DSTs). Se o homem, pois, é um irresponsável, cretino, se afaste dele, não cedendo a pedidos irresponsáveis e arriscados, cuidando inicialmente da própria saúde, da própria vida. Há, claro, hipóteses de falha do preservativo ou método contraceptivo outro, mas em porcentagem ínfima. Assim, a mulher que busca a clínica, que padeça de lesões e/ou morra, tem parcela de responsabilidade a dividir com o Estado que a abandonou/discriminou, sociedade que a abandonou/discriminou, família que a abandonou/discriminou, homem que a abandonou/discriminou e eventual religião que a abandonou/discriminou - o que não implica em eu achar que ela não mereça devida assistência médica a partir de complicações do aborto (sim, a todos é assegurado o direito à saúde e ela merecerá o devido cuidado). Cada um de nós é dotado de autonomia, havendo por contrapartida a responsabilidade e consequências de nossas escolhas, boas ou más. Se a mulher, pois, valorar positivamente a acusação aos demais, elencar culpados, atravessadores, agressores e opressores, deve também levar em conta sua parcela de responsabilidade, assumindo suas escolhas. De tal modo é que a discussão sobre o tema deve ser ampliada, não apenas discutindo se o aborto é ou não forma única e necessária de solucionar, tanto a escolha individual/abandono/discriminação (Estado, sociedade, família, homem e eventual religião etc.), mas ainda focando nas responsabilidades decorrentes das escolhas em sociedade, na necessidade de mudança de pensamento, individual e coletivo, sob pena de ser mera utopia a evolução social. Ao fim, atento para a existência de programas de planejamento/contracepção, gratuitamente difundidos pelo Estado e amplamente em sites na internet. Ainda, ressalto que, mesmo sendo contra o aborto, tenho ciência de que vivo em um Estado Democrático de Direito, não apenas ao aceitar democrática discussão, mediante argumentos, mas também ao saber que devo respeitar o exercício de direito ao aborto por aquelas que sofreram estupro, que estão sob risco de vida ou ainda em gestação de ser anencéfalo.

      • Guilherme Postado em 02/Oct/2014 às 09:04

        Rodrigo, o grande lance que você não trata em seu comentário é de que tudo o que você falou faz parte da sua visão de mundo. O Estado não pode desrespeitar outras visões de mundo, que entendem o aborto (e outras questões) de maneira diferente. Partindo deste pressuposto a conversa muda. Se estiver a fim, busque conversar proximamente sob este paradigma e verá que o resultado lógico também mudará.

      • Rodrigo Postado em 02/Oct/2014 às 14:16

        (Outro Rodrigo) Guilherme, este é um espaço para conversar, mediante postagens sucessivas, ou seja, eu tendo feito justamente o que você questiona. Ainda, tenho amiga feminista, tenho amigas que não aderem a este movimento, nem a outro, cada uma com sua opinião, eu já tendo discutido com muitas (mesmo por isso, minha consideração inicial, expondo razões normalmente elencadas pró-aborto, bem como quanto ao abandono sofrido pela gestante, muitas das vezes). Então, expus conceitos e paradigmas não afeitos a religiões, mas, como disse, que envolvem diretamente a situação: 1- a escolha de dois é decidida por um?; 2- a mulher é proprietária do feto? Caso positivo, não estamos incorrendo em ideais afins aos da escravatura, quando um ser humano era proprietário de outros e de seus filhos, gestados ou nascidos?; 3- "contém" e "está contido" são situações que se confundem com "ser"?; 4- fomos todos amontoados de células e estamos bem satisfeitos com nossa vida ou não, pela oportunidade de viver?; 5- aborto é meio único e necessário de solução de um abandono à gestante (Igreja, Estado, sociedade, família, pai, escola etc - o que ocorrer, conjunta ou separadamente); 6- além do homem ter, a mulher também não tem responsabilidade no ato sexual, não apenas quanto a DSTs (mesmo porque, pode contrair e, involuntariamente, assim como o homem, disseminar sem saber do contágio), mas também quanto à gravidez? 7- e, ao final, se o homem quiser o filho e se dispuser a tudo, só à mulher cabe a decisão (não estou abordando, por óbvio, situações de risco à vida da mulher, haja vista ser hipótese em que a lei a autoriza)? Tais são paradigmas a serem levados em conta, a fim de que não esqueçamos tanto da responsabilidade individual, comum a homens e mulheres, mas também a fim de que pensemos na amplitude e natureza da relação que a mulher tem para com um ser em gestação e se não se mostraria indevida a exclusão deste do processo decisório (claro, um feto não fala e aguardar que ele nasça inviabiliza, por óbvio, o aborto, mas o próprio direito à existência dele não é levado em conta). P.S.: parabéns pela serenidade, por expor seu pensamento de forma clara, sem ofensas.

  3. dilmar santos de miranda Postado em 30/Sep/2014 às 10:47

    Como Rufallo ficou sabendo da Marina, foi certamente através de Fernando Meireles, apoiador da eco-capitalista, e que dirigiu o ator no filme Ensaio sobre a cegueira, baseado no romance de Saramago. Meireles está perdendo toda sua autoridade moral, construída por uma bela carreira como cineasta. Desesperado com a queda livre de sua candidata, abriu seu baú de destemperos, atirando pra todo lado, inclusive xingando João Santana de Gobbels, e outras baixarias do gênero. Lamentável.

  4. Stella Postado em 30/Sep/2014 às 10:53

    O pior é que o ator pediu para que o vídeo não fosse divulgado até que os propósitos da campanha fossem esclarecidos, mas a equipe de Marina está se fazendo de cega e surda para os apelos dele. O cara, infelizmente, resolveu apoiar a causa sem ter conhecimento.

  5. Leandro Rodrigues Postado em 30/Sep/2014 às 10:56

    Ainda não está óbvio??? A Marina é à favor da família dentro dos valores cristãos! Não importa o quanto ela tente disfarçar,ela NUNCA irá contrariar o que a sua igreja prega! Sério,não sei como ainda tem gente esperando coerência dessa mulher.

  6. Luiz Carlos Vieira Postado em 30/Sep/2014 às 11:35

    E pfvr alguém explica que união civil e casamento igualitário são coisas completamente diferentes.

  7. kleiton Postado em 30/Sep/2014 às 11:52

    Marina vai sair dessa campanha ridicularizada, e tudo o que construiu de credibilidade vai ruir.

  8. Raquel Postado em 30/Sep/2014 às 13:44

    Marina está desesperada por atenção, crescimento político e midiático. Ela poderia muito bem ter firmeza de suas decisões e propostas, mas temeu um Twitter do Malafaia? A Maeina perdeu a credibilidade pra mim pela falta de coerência e personalidade. Colou o conceito pessoal dela de vida e religioso do que o civil que pode ser igualitário.

  9. ferns Postado em 01/Oct/2014 às 00:36

    Não adianta de nada na maior parte do tempo quebrar a cabeça pra se decidir sobre presidente e votar em senadores e deputados péssimos. = nada.