Redação Pragmatismo
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Palestina 06/Aug/2014 às 21:18
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Wikileaks revela estratégias de Israel para estrangular Gaza

Wikileaks: Israel trabalha para estrangular Gaza, mostram telegramas. Arquivos fazem parte de uma série de documentos vazados pelo site dirigido por Julian Assange sobre o conflito entre Israel e Palestina

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“Autoridades israelenses confirmaram diversas vezes aos funcionários da Embaixada (dos EUA) que a intenção do governo de Israel é manter a economia de Gaza funcionando em nível precário, pouco acima de uma crise humanitária”. Este é o primeiro parágrafo de um telegrama enviado pela Embaixada dos EUA em Tel Aviv para Washington em 3 de novembro de 2008, vazado pelo site Wikileaks nesta segunda-feira, 4 de agosto.

O telegrama faz parte de uma série de documentos vazados pelo site dirigido pelo australiano Julian Assange sobre o conflito entre Israel e Palestina. Dentre os assuntos abordados na correspondência da Embaixada em Tel Aviv estão a criação do Hamas, o uso de palestinos como escudos humanos pelas Forças de Defesa israelenses, o ataque deliberado a alvos civis em Gaza, o bombardeio de hospitais e o corte de suprimento de remédios aos habitantes de Gaza.

De acordo com o documento, o Conselho de Segurança Nacional de Israel controla a quantidade de dinheiro a ser liberada mensalmente para a Autoridade Palestina. O governo da Autoridade Palestina requisitava cerca de US$ 30 milhões ao mês no ano de 2009 como piso básico de transferência, de modo a garantir os serviços básicos para a população palestina – 4 milhões de pessoas. A ideia era a de manter serviços essenciais, mas sem o estabelecimento de comércio e negócios em Gaza.

Autoridade Palestina x Hamas

No telegrama, a embaixada sugere ao governo do EUA o encorajamento das relações entre Israel e a Autoridade Palestina. Para os diplomatas, uma economia e um sistema bancário frágeis seriam adequados aos radicais do Hamas. No entanto, o governo israelense prefere repassar menos dinheiro aos palestinos de modo que o Hamas não tenha acesso à moeda israelense e que a população de Gaza não tenha benefícios econômicos, mesmo ao custo do fortalecimento do Hamas.

Em outro telegrama, datado de 23 de setembro de 1988, um diplomata americano fala sobre a visão política dos habitantes da Cisjordânia: “Muitos habitantes da Cisjordânia acreditam que Israel apoiou nos bastidores a criação do Hamas, ainda na década de 1980. O objetivo era dividir politicamente os palestinos. Philip Wilcox, responsável pelo consulado em Jerusalém, afirmava: “Não há apoio concreto, mas Israel faz vista grossa às atividades do Hamas”.

A estratégia israelense, segundo os documentos, era enfraquecer os partidos palestinos seculares, mostra um telegrama de 29 de setembro de 1989. Com a ascensão do Hamas, mais radical e de orientação sunita, haveria menos espaço para entidades como a Organização para a Libertação da Palestina, órgão liderado por Yasser Arafat no passado, e atualmente do Fatah e da Autoridade Palestina. Sem a atuação de partidos moderados, Israel não precisaria negociar com os palestinos.

Suprimento alimentar

Além da força militar, o bloqueio israelense a Gaza limita o acesso a gêneros alimentícios, combustíveis e remédios ao território palestino. Com isso, a infraestrutura local opera no limite, informa um telegrama enviado em 18 de setembro de 2009. A falta de remédios compromete o setor de saúde em Gaza e a estrutura elétrica e de saneamento no fim de 2009 regrediu ao mesmo nível no qual estava em 2008.

Para se ter ideia, o suprimento alimentar na região em agosto de 2009 era de 2.600 caminhões. Isso representava 20% do total de alimentos que entravam em Gaza em junho de 2007. O ingresso de combustível era capaz de prover apenas dois terços da usina elétrica local. Para iluminar Gaza, os palestinos usavam petróleo egípcio, trazido através dos túneis na fronteira com custo de US$ 0,60 por litro. Já o petróleo israelense custa US$ 1,80 por litro.

O abastecimento de água e o saneamento também eram precários: cerca de 10 mil habitantes de Gaza não tem acesso à agua. Outros 60% da população não têm acesso diário, com fornecimento intermitente. Apenas 10% dos 1,8 milhões de habitantes em Gaza tem água de acordo com os padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde. Quando não são atacados militarmente, os palestinos estão sem água, sem luz e com fome: são economicamente estrangulados por Israel.

Instalações da ONU e alvos civis

Já um outro telegrama confidencial, despachado em 7 de maio de 2009, fala sobre uma carta enviada por Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, confirmando ataques das forças israelenses às instalações da ONU em Gaza. “Sete dos nove ataques contra nossas instalações em Gaza foram feitas pelo Exército de Israel, violando as instalações da ONU. As forças de Israel não tiveram precaução de proteger a ONU, nem os civis refugiados nesses locais”. Esses ataques custaram US$ 11 milhões aos cofres das Nações Unidas.

Israel, conforme mostra um documento secreto de 30 de julho de 2009, usou palestinos como escudos humanos. A prática ocorreu na Operação Chumbo Fundido, uma ofensiva contra Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. Além disso, o Exército israelense usou bombas de fósforo branco contra uma população civil. Essas atitudes culminaram com a criação de uma entidade chamada “Quebrando o silêncio”.

Por meio dessa entidade, foram coletados os testemunhos anônimos de 26 soldados envolvidos na Operação Chumbo Fundido. Os depoimentos confirmaram o uso desproporcional de força militar, causando mortes e prejuízos econômicos desnecessários para a população de Gaza. Outros documentos mostram como esse incidente não foi um fato isolado.

Ataque como política deliberada

Uma comunicação de 15 de outubro de 2008 mostra como o ataque a áreas civis era uma política deliberada de Israel. O documento faz referência à Doutrina Dahiya – assim batizada pelo general Gadi Eizenkot por conta do bairro de Beirute bombardeado durante a segunda guerra do Líbano em 2006. Na ocasião, Israel atacou a capital libanesa, destruindo a infraestrutura urbana e causando problemas para a população civil.

Nas palavras de Eizenkot, “Israel vai usar força militar desproporcional contra qualquer vila que ataque forças israelenses, causando grande destruição”. O general foi específico: não é apenas recomendação, mas um plano aprovado pelo governo de Tel Aviv – na perspectiva de Israel, não são apenas povoados, mas bases militares dos palestinos”. Para Eizenkot, a segunda guerra do Líbano se estendeu demais: “um outro conflito deverá ser resolvido de forma rápida e com vigor”.

Charles Nisz, Opera Mundi

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Comentários

  1. Souza Postado em 06/Aug/2014 às 22:52

    Fósforo branco? Se formos falar de armas que causam sofrimento nos civis então todos os países deve ter a sua. Israel com Fosforo Branco, Síria com Gás Sarin, Brasil com Cluster Bomb e por aí vai.

    • daniel Postado em 07/Aug/2014 às 08:34

      Não seja tão ignorante...chega doer.

    • eu daqui Postado em 07/Aug/2014 às 10:26

      E no que armas de uns justificam genocídio de outros?

  2. Armando (Porto Alegre) Postado em 06/Aug/2014 às 23:11

    E o Brasil já jogou a "cluster bomb" em alguém ou em algum conflito? Os genocidas israelenses deveriam ser julgados por crimes de guerra e só não o são porque recebem a cobertura dos Estado Unidos. Simplesmente assim.

  3. J.C Souza Schlesinger Postado em 06/Aug/2014 às 23:49

    Siria usa e abusa de gas sarin ninguém ta nem aí.

    • eu daqui Postado em 07/Aug/2014 às 10:29

      EU TO AÍ, AQUI E ACOLÁ PRA QUALQUER GENOCIDIO. SEM FALAR QUE UM NÃO JUSTIFICA OUTRO.

      • marc Postado em 08/Aug/2014 às 17:10

        vejo muitas pesoas que nem tu, "eu daqui": "contra os alidados dos EUA, todo rigor da lei". quanto ao resto ta pouco ligando. isso nao é ser humanitario, é só ser anti-semita e burro.

      • Bernardo Postado em 10/Aug/2014 às 15:17

        Então, "eu daqui", você tá condenado pelo genocídio que fizemos no Paraguai.

  4. Alessandro Postado em 06/Aug/2014 às 23:55

    Todas essas evidências e ainda há quem relinche que ações de Tel-Aviv sejam no sentido de auto defesa. Essa política israelense de tratar civis árabes hora com extremo descaso, hora com sadismo cru se trata de genocídio stricto sensu. Israel é um estado racista, com ideologia eugenista, teme a solução de um estado por medo de se mestiçar com árabes mesmo. Israel é o país que no mundo tem o maior investimento per capita em tratamentos de fertilidade, isso tudo pra tentar crescer em maiores números do que os árabes e manter racialmente puro o contingente nacional que irá habitar a "Grande Israel". Muito irônica é a política institucional de Israel de contra-atacar qualquer crítica com acusações vazias de antissemitismo, nada melhor do que se fazer de vítima pra divergir a discussão da realidade.

    • Antonio Palhares Postado em 27/Aug/2014 às 10:58

      Boa Alessandro. Da para perceber que voce é muito bem informado. Argumentos incontestáveis. Tô com o saco cheio de ser rotulado de antissemita somente porque não concordo com mais este genocidio.

  5. Matheus Magalhães Postado em 07/Aug/2014 às 00:36

    O problema é que a Síria ataca sua população com armas químicas mas não tem o apoio das forças ocidentais e o olho branco subsequente. Por maior omissão que haja, quando houve aquele suposto ataque utilizando gás sarin, alguns líderes ocidentais demonstraram, ao menos, intenção de desagravo caso houvessem provas contundentes. É claro que era um campo minado já que a Rússia estava apoiando a ditadura Síria e os EUA não queriam apoiar os extremistas que lutavam contra o governo. No caso de Israel, existe uma situação que, com os documentos demonstram, já era de conhecimento dos EUA há décadas, uma verdadeira operação de etnocidio criada com o intuito de dizimar a população de Gaza, seja através do controle econômico, seja através do ataque deliberado à civis e, de forma estarrecedora, destruindo com as vias moderadas políticas da Palestina para não ter de negociar e poder atacar indiscriminadamente o território palestino.

    • Alessandro Postado em 07/Aug/2014 às 01:51

      Estados Unidos não quis ajudar Al Nusra? hahahaha Eles não só treinaram, financiaram e armaram ela como também contrataram mercenários para lutar do lado dela e mandaram sua aliada, Arábia Saudita, fazer o mesmo.

  6. Magno Rocha Postado em 07/Aug/2014 às 07:59

    Jovens, enquanto morrem 1 mil na longínqua guerra Israel / Palestina, morrem aqui no Brasil-gigante-adormecido 4 mil pessoas (fora as mortes naturais e acidentes)...

    • luciano santos Postado em 07/Aug/2014 às 17:48

      fonte

    • Gleidson Postado em 07/Aug/2014 às 18:58

      Mas se me revolto por isso aqui no Brasil, vou para as ruas protestar e logo sou tachado de subversivo ou, segundo a moda, esquerda caviar... Sem contar que comentar, debater ou simplesmente se sensibilizar pelo sofrimento de um povo longínquo não significa que deixamos de observar os problemas daqui... Apenas estamos comentando sobre a "matéria" que fala dos conflitos entre Israel/Palestina e não Brasil!!!

  7. j. Claro Postado em 07/Aug/2014 às 10:31

    Se Israel não receber uma condenação por crime de guerra, então é melhor assumir logo que desde sempre ele tem licença pra matar indiscriminadamente.

    • Bernardo Postado em 10/Aug/2014 às 15:15

      J. Claro, então você e os brasileiros tem que ser presos pelas vítimas da Guerra do Paraguai. Tá a fim ?

      • Fernando Postado em 14/Aug/2014 às 18:24

        Bernardo, condeno muito o o que aconteceu na Guerra do Paraguai, mais isso aconteceu faz muito tempo. Hoje, no mundo moderno em que existem tratados contra crimes de guerra e depois de duas grandes guerras, acho injustificável o que Israel esta fazendo e tem sim que receber uma condenação por esses crimes. Senão teremos que prender todos os bárbaros, romanos, espanhóis, yankees e todos os povos que de alguma forma foram desumanos em guerras

  8. renato Postado em 07/Aug/2014 às 11:01

    vcs colocaram o link errado. o link correto é https://wikileaks.org/plusd/cables/08TELAVIV2447_a.html

  9. J.C Souza Schlesinger Postado em 07/Aug/2014 às 15:09

    Será que vai?

    • washington Postado em 08/Aug/2014 às 08:08

      Quanta mentira....israel apoiar o hamas? Desculpa mas o escritor desse artigo vive em outro planeta, desinformado e infelizmente como muitos acreditam em mentiras facilmente. Lamentável!

      • nanci Postado em 13/Aug/2014 às 18:30

        “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão da verdade” – Stephen William Hawking Somente os pequenos segredos precisam ser protegidos. Os grandes são mantidos em segredo pela incredulidade pública. - Marshall Mcluhan

  10. M.P. Postado em 07/Aug/2014 às 16:24

    por favor, corrijam o primeiro link! não consegui encontrar no texto original do telegrama o "primeiro parágrafo" onde diz "autoridades israelenses..." poderia colocar o texto original???

  11. J.C Souza Schlesinger Postado em 07/Aug/2014 às 19:13

    O buraco é mais embaixo. Tem comentário que chega a me cegar porque as pessoas acham que pra resolver um conflito dessa proporção vai ser a base de uma canetada ou em protestos nas ruas. Antes se protestassem com a desgraça da tua terra pra depois se envolver na dos outros. Conflito Israel-Palestina é mais complicado do que se imagina. Pensam que vai resolver em um ou dois dias. Isso deve ter um acordo mútuo e não acusar apenas Israel. Ou eu vou achar que tem pessoas que aprovam a tradição mais troglodita da história, a islã que apoiam a pedofilia.

    • imponderável Postado em 09/Aug/2014 às 08:46

      errado... bem vindo ao mundo moderno e olha que ele já é pos-moderno. não existe mais lá e aqui. lá é aqui e o mundo é bem pequeno. unidos na desgraça e na vitalidade tb.

    • Bruna alves Postado em 10/Aug/2014 às 18:12

      Primeiramente que nao faz sentido algum citar o islamismo em uma guerra de interesses totalmente políticos principalmente pela parte de Israel. Segundo, desde quando o Islã apóia a pedofilia? Não confunda acordos feitos por famílias ou por representantes interesseiros (que com certeza tem menos que no Brasil) com uma religião ou tradição! Alienação e ignorância sim, quase chegam a cegar. Israel comete um genocídio e precisa ser condenado por isso SIM!

  12. paulo Postado em 08/Aug/2014 às 18:28

    Com que autoridade a Inglaterra deu a terra dos palestinos aos judeus???? depois disso respondido tudo perde valor...

    • Bernardo Postado em 10/Aug/2014 às 15:14

      De história você é um "anão" caro Paulo.

  13. Isabelli Postado em 09/Aug/2014 às 02:20

    Realmente, o que Israel quer é eliminar o povo palestino! Vejam este vídeo que mostra a crueldade e brutalidade do Exército de Israel com o povo sofrido de Gaza, na guerra atual! Por favor, compartilhem! O mundo precisa ver isto! https://www.facebook.com/photo.php?v=830899326922819&set=vb.202904329722325&type=3&theater

  14. Bernardo Meyer Postado em 10/Aug/2014 às 15:13

    Aos pobres ignorantes, embriagados por "politicamente corretos", que acham que nós brasileiros temos sequer o nível de Suiços, Dinamarqueses ou coisas do tipo, eu digo: Somos um povo de selvagens, que perpetram crimes hediondos, dos quais emergem corpos dilacerados, em sacos de lixo, que largam papel e plástico de embalagem na rua, que vão dar nos bueiros, que inventamos desculpas para furar fila e que fazem gracinhas em provas federais de educação. Quem vocês pensam que são para dar pitaco em conflitos de povos que tem milhares de anos de existência ? Estudem o Império Otomano e a Colonização Inglesa, antes de falar estas ignomínias