Redação Pragmatismo
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Saúde 15/Aug/2014 às 18:29
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Por que os comediantes são tão tristes?

A lista de grandes humoristas neuróticos é longa. Suicídio de Robbin Williams reacende um mistério: por que comediantes são, em geral, tão tristes?

robin williams depressão
Ator Robin Williams cometeu suicídio na última semana (divulgação)

Robin Williams foi um de muitos comediantes que fizeram rir em público enquanto sofriam em sua vida privada.

O ator, que tinha 63 anos, suicidou-se na segunda-feira em sua casa na Califórnia, nos Estados Unidos.

No fim de julho, o humorista Fausto Fanti, do grupo Hermes e Renato, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo com um cinto em torno do pescoço. A Polícia investiga o caso, registrado como “suicídio consumado“.

Pouco antes de falecer por causa de uma doença pulmonar, Chico Anysio revelou no início deste ano, em uma entrevista na TV, que travou uma dura – e vitoriosa – batalha contra a depressão.

O ator e comediante inglês Stephen Fry sofria de transtorno bipolar e revelou no ano passado que tentou se matar em 2012.

Isso leva a nos questionar: os mestres do riso tem uma tendência maior à depressão? E, se for o caso, por quê?

Perfil contraditório

Não é preciso ser um gênio para saber que comediantes são um pouco loucos“, disse a humorista inglesa Susan Murray no início deste ano, em resposta a um estudo que sugeria que comediantes têm traços psicológicos ligados a psicoses.

Em janeiro, pesquisadores da Universidade de Oxford publicaram os resultados de um estudo em que participaram 523 comediantes (404 homens e 119 mulheres) do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Austrália.

Descobrimos que comediantes têm um perfil de personalidade pouco comum e um tanto contraditório“, diz Gordon Claridge, do Departamento de Psicologia Experimental de Oxford.

Por um lado, eles eram bastante introvertidos, depressivos e, poderíamos dizer, esquisitos. Por outro, eles são bastante extrovertidos e cheios de manias. Talvez a comédia – o lado extrovertido – seja uma forma de lidar com o lado depressivo. Mas, claro, isso não vale para todo comediante

‘Vencível’

Em seu depoimento, Chico Anysio revelou que se tratava com um psiquiatra há 24 anos. Sem esse tratamento, ele disse, “não teria conseguido fazer 20% do que eu fiz“.

Entendi que era depressão, pude pagar os remédios e o psiquiatra e, então, eu venci. Porque ela é vencível”, contou o humorista.

No caso do humorista Fanti, os investigadores à frente do caso disseram que consideram a hipótese dele ter se suicidado por estar passando por um momento difícil em sua vida.

Fanti estava se separando da mulher, com quem tinha uma filha de oito anos.

O humorista inglês Stephen Fry, que lançou em 2006 o documentário A Vida Secreta de um Maníaco Depressivo, revelou em uma entrevista em 2012 sua luta contra a depressão.

Havia momentos em que eu estava gravando o programa na TV e rindo por fora, enquanto por dentro pensava ‘quero morrer‘”, disse ele.

Criatividade

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Stephen Fry conta que, mesmo enquanto fazia outros rirem, sofria com a depressão

John Loyd, produtor e ator de programas de comédia na TV britânica, sofre de transtorno bipolar, que afeta gravemente o humor.

Uma pessoa bipolar alterna entre fases de extrema felicidade e criatividade e depressão profunda.
Lloyd diz que esse tipo de problema é “muito, muito comum entre profissionais criativos“.

Pessoas estáveis pensam que o mundo está bom como ele é hoje. Não acham que precisam mudá-lo. Pessoas criativas não pensam assim. E quem quer mudar o mundo sofre muito com isso“.

Robin Williams supostamente também sofria de transtorno bipolar.

Em público, ele sempre parecia estar atuando e fazendo os outros rir, mas nunca escondeu seus problemas com álcool e em seu casamento.

Mas, nas entrevistas, era mais reservado quanto a seus problemas de ansiedade e buscava ver o lado positivo da situação.

Sempre que você se deprime, a comédia o tira do buraco“, disse ao jornal The Guardian em 1996.

Pagando o preço

Integrante do grupo Monthy Python, Terry Gilliam dirigiu Williams em O Pescador de Ilusões (1991) e diz que seu talento era um “milagre“, mas que isso “não vinha do nada“.

Quando os deus te dão um talento do nível de Robin Williams, há um preço a ser pago“, disse Gilliam.

Isso vem de profundos problemas internos. Uma preocupação. Todos os tipos de medos. Ainda assim, ele sempre conseguia canalizar tudo isso e transformar em ouro.

Mas nem todos os comediantes passam por dificuldades assim, e a depressão está longe de ser algo exclusivo de personalidades criativas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 350 milhões de pessoas no mundo sofrem desse problema.

Em seus casos mais graves, a depressão pode levar ao suicídio. Por ano, cerca de 1 milhão de mortes são causadas por suicídios.

Nick Maguire, o principal palestrante em psicologia clínica da Universidade de Southhampton, diz que pode haver uma conexão entre a depressão e a comédia, mas que “certamente não é muito forte ou clara“.

Ele explica que as pessoas têm diferentes formas de lidar com a depressão.

Normalmente, elas se isolam. Outra forma de amenizar temporariamente o impacto dessas emoções é fazer as pessoas rirem e gostarem de você“, diz Maguire.

Infelizmente, isso é bom enquanto está ocorrendo, mas, quando você volta para casa, o que você faz?

BBC

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Comentários

  1. Peterson Silva Postado em 15/Aug/2014 às 18:49

    Depressivo é um artigo com uma pergunta no título e nem quase um esboço de resposta no corpo =/ Fiquei interessado, mas faltou profundidade. Enfim, de qualquer forma, é uma pena que seja assim.

    • daniel Postado em 16/Aug/2014 às 15:40

      Concordo,o artigo só cita outros comediantes e acaba sem falar nada

      • Alexandre Postado em 16/Aug/2014 às 16:39

        É uma pergunta que não tem uma resposta clara. Ao longo do texto foi esboçados alguns estudos e algumas opiniões, mas o intuito do texto não foi dar uma resposta final

    • Ana Julia Postado em 16/Aug/2014 às 20:18

      É um assunto que nem mesmo quem estuda sobre isso tem uma resposta clara. Acho que a intenção do texto foi mostrar algumas visões sobre esse assunto.

      • Peterson Silva Postado em 26/Aug/2014 às 22:41

        Mas não mostrou visões sobre o assunto (o porquê). Apenas constatou o assunto, reiterando-o com frases legais. Frases legais, sem dúvida. Artigo legal. Mas um título levemente clickbait.

  2. Vicente Postado em 15/Aug/2014 às 20:13

    A pergunta deve ser feita ao contrário: Por que pessoas tristes tem mais probabilidade de buscar refúgio no húmor?

    • João Paulo F. de Assis Postado em 16/Aug/2014 às 14:35

      Acho que eu posso responder sua pergunta sr. Vicente. Existe o ditado: quem canta, seus males espanta. O qual poderia ser transposto para o humorismo: quem conta piada, seus males espanta. Quando cantamos, sempre há alguém que nos diz que estamos alegres.

    • Charles Arthur Postado em 18/Aug/2014 às 14:19

      “Normalmente, elas se isolam. Outra forma de amenizar temporariamente o impacto dessas emoções é fazer as pessoas rirem e gostarem de você“, diz Maguire.

  3. Glauber Postado em 16/Aug/2014 às 17:08

    Mas qual seria o percentual de comediantes depressivos num universo total? E qual seria o percentual de, digamos, açougueiros, farmaceuticos, enfermeiros, médicos ou secretárias em depressão? Quando tiver mais dados estatísticos, retornem ao assunto.

    • Peterson Silva Postado em 26/Aug/2014 às 22:40

      Excelente... Pode-se questionar também se a depressão não afetaria a porção notável (famosa) dos comediantes, de modo que isso é o fator que desperta o problema, e não a comédia em si.

  4. iara carolina Postado em 16/Aug/2014 às 18:08

    Neurose é muito diferente de depressão! Texto equivocado e preconceituoso!

  5. [email protected] Postado em 16/Aug/2014 às 18:53

    Nao podemomos confiar nos seres humanos temos que depositar a confiança em nossas forças sejamos fortes um braço a todos os irmãaos

  6. Mariana Postado em 17/Aug/2014 às 13:05

    Mas ninguem falou de neorose no texto... E a coisa ficou clara sim, basta interpretar. Querem artigo cientifico? Procurem na net em ingles, devem haver varios. Pra mim a coisa toda fecha nessa declaração do John Lloyd: "Pessoas estáveis pensam que o mundo está bom como ele é hoje. Não acham que precisam mudá-lo. Pessoas criativas não pensam assim. E quem quer mudar o mundo sofre muito com isso".

  7. Mariana Postado em 17/Aug/2014 às 13:07

    PS: depressão é pesadissimo sim e pode berar psicopatias bem intensas (neoroses)... O problema é q na sociedade do analgesico, qlqr tristezinha é considerado doença. Os casos citados no texto mostram situações bem graves...

  8. Lucas Postado em 18/Aug/2014 às 11:36

    Peter Sellers, Owen Wilson, Buster Keaton, há muitos casos.

  9. Peterson Silva Postado em 26/Aug/2014 às 22:43

    CARAMBA, tô maluco ou esse texto foi editado? Ficou realmente mais completo e muito bom. Eu realmente não lembro dele assim.

  10. Peterson Silva Postado em 26/Aug/2014 às 22:44

    Por exemplo, o texto original citava um comediante inglês que se matou deixando uma mensagem "what's the bloody point?" ou algo parecido. Isso não consta mais.

  11. conceicao Postado em 02/Sep/2014 às 23:51

    ja tentei mudar o mundo sofri a vida inteira hoje com 50 anos tento mudar a min mesma e muito dificil mas quem sabe um dia consiga nem que seja em outra vida a firidas que nao cicatrizam temos que ter muita fe e esperanca emuita sabedoria espiritual vou continuar tentando nao podemos desistir

  12. Matrix Postado em 06/Jan/2015 às 21:10

    O texto quiz pontuar a questão irônica e contraditória da situação. Apesar de ter sido titulado como um questionamento. Se trata de um assunto bastante complexo. Eu me identifiquei muito com essa situação. Já fiz psicoterapia, tomei antidepressivos... A médica que me acompanhava, dizia que era dificil de associar aquilo que eu contava pra ela (sobre meu desejo) com a pessoa q ela recebia semanalmente em seu consultório. Até decidi gravar um momento de eu no "fundo do poço". E a partir daí ela intensificou o tratamento. As pessoas me acham muito engraçada, extrovertida, sempre as faço rirem, e assim, como Stephen Fry, por vezes peço mentalmente, quero morrer.

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