Redação Pragmatismo
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EUA 08/Aug/2014 às 11:44
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Obama vai atacar Iraque para conter "califado" Islâmico

Obama autoriza ataques aéreos no Iraque para conter avanço do Estado Islâmico. Organização sunita proclamou no final de junho um "califado" nos territórios do Iraque e da Síria

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Obama autorizou ataque aéreo para conter “avanço de grupos extremistas” no Iraque (divulgação)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na quinta-feira (07/08) que autorizou ataques contra posições do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), além de uma operação humanitária para oferecer assistência aos deslocados no norte do Iraque.

“Hoje, os EUA chegam para ajudar”, afirmou Obama em uma breve declaração na Casa Branca após vários rumores sobre uma intervenção americana no norte do Iraque, cenário de uma ofensiva dos milicianos do EI contra as minorias religiosas yazidi (curdos) e cristã. “Quando milhares de civis inocentes correm o risco de um massacre, e temos a capacidade para ajudá-los, nós iremos fazê-lo”, explicou o presidente, que acrescentou que a ação foi solicitada pelo governo iraquiano.

Obama opinou que, apesar de os EUA não terem capacidade para resolver todos os problemas e crises do planeta, “não podemos olhar para o outro lado” quando um genocídio está na iminência de acontecer e existem os recursos militares para impedi-lo. Ele acrescentou que autorizou os ataques aéreos contra os jihadistas, caso os extremistas sunitas avancem rumo à cidade de Erbil, para “proteger os interesses dos Estados Unidos”. Assessores militares e diplomatas americanos se encontram nessa cidade.

LEITURA COMPLEMENTAR: Em 2014, o mundo tem um califado islâmico. Como isso foi possível?

No entanto, Obama deixou claro que os EUA não irão se envolver em outra guerra no Iraque e que não enviarão “tropas no terreno”. Além disso, ressaltou que a vontade de agir no Iraque para impedir um massacre é uma “marca característica da liderança americana”. “Faremos tudo o que for necessário para proteger nossa gente. E apoiamos nossos aliados quando estão em perigo”, destacou o presidente americano.

Ajuda humanitária

A primeira operação dos Estados Unidos para oferecer ajuda humanitária, principalmente água e alimentos, aos milhares de deslocados no norte do Iraque foi concluída com sucesso e os aviões deixaram, “sem perigo”, o local da entrega, informaram funcionários americanos.

Em uma conferência telefônica, as fontes, que pediram para não serem identificadas, detalharam que vários aviões militares de carga lançaram água e comida para “cerca de 8 mil pessoas”, de um total de 40 mil que estima-se que estão isoladas nas proximidades do monte Sinjar, no curdistão iraquiano.

Os aviões de transporte foram escoltados por dois caças F-18 e concluíram o lançamento da ajuda “durante 15 minutos, nos quais voaram em baixa altitude para facilitar a entrega”. Os funcionários afirmaram que a operação foi “bem-sucedida” e acrescentaram que as Forças Armadas americanas têm capacidade para fazer entregas “adicionais” nos próximos dias.

As fontes garantiram que o presidente dos EUA, Barack Obama, deu sinal verde para entregas “contínuas” sempre que for necessário.

Os refugiados são em sua maioria curdos yazidis e cristãos, que fugiram nos últimos dias da ofensiva jihadista e se encontram isolados em uma região montanhosa e desértica do norte do Iraque, com necessidade urgente de água, comida, abrigo e remédios. Homens, mulheres e crianças têm pela frente um dilema trágico: descer das montanhas e ser massacrado pelos extremistas sunitas ou permanecer nelas e morrer de fome e sede.

Os funcionários americanos também detalharam que nenhuma posição dos jihadistas do Estado Islâmico foi bombardeada, mas a Força Aérea dos EUA “está preparada para agir em qualquer momento”.

Por enquanto, os funcionários descartaram uma evacuação do consulado americano em Erbil, apesar dos relatos que dão conta dos avanços da ofensiva dos milicianos do EI na região. “Confiamos que o nosso consulado é seguro e que nossa gente continuará trabalhando. Vamos garantir que EI não consiga se aproximar de Erbil”, afirmaram os funcionários americanos.

Estado Islâmico na Síria

Os jihadistas do Estado Islâmico tomaram nesta sexta-feira (08/08) o controle do aeroporto militar de Al Tabaqa, o último bastião do regime de Bashar al Assad na província de Al Raqqah, no norte da Síria, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Os radicais do EI enfrentaram as forças governamentais nessa região e conseguiram expulsar o Exército, o que provocou um número de vítimas que ainda não foi apurado pelo OSDH.

Este avanço acontece depois que o EI assumiu totalmente o controle da base da 93ª Brigada ontem à noite, na localidade de Ain Issa, no norte de Al Raqqah, após violentos confrontos com o Exército sírio que começaram com um atentado com carros-bomba cometido por três suicidas do grupo jihadista.

As explosões no acesso à 93ª Brigada e seus arredores provocaram o recuo das forças do regime sírio para o aeroporto militar, ao leste da base. Pelo menos 36 soldados morreram na operação de ataque à base – alguns foram degolados depois – enquanto o EI sofreu 15 baixas nos enfrentamentos, a maioria deles de combatentes com nacionalidades estrangeiras.

No dia 25 de julho, os jihadistas tomaram o controle da Divisão 17, uma das maiores do nordeste da Síria, o que provocou a morte e execução de pelo menos 105 membros das forças do regime, segundo o OSDH. Entre os mortos estão pelo menos 16 oficiais, e ainda há mais de 140 soldados cujo paradeiro é desconhecido.

O EI controla Al Raqqah e grande parte da província vizinha de Deir ez Zor, onde várias tribos e organizações armadas juraram lealdade aos jihadistas por seus avanços. A organização extremista sunita proclamou no final de junho um “califado” nos territórios do Iraque e da Síria.

Mais de 171 mil pessoas morreram desde o início do conflito na Síria em meados de março de 2011, de acordo com números do OSDH.

Opera Mundi e Agência Efe

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Comentários

  1. Lucas Leite Postado em 08/Aug/2014 às 12:37

    E por que ele continua contribuindo com o Genocídio na Faixa de Gaza? Hipócrita

  2. J.C Souza Schlesinger Postado em 08/Aug/2014 às 13:20

    Os zé manés que defendem o Hamas, dizendo que são resistência armada, estão felizes com as ações terroristas do EI. Aposto que ninguém comenta sobre essa desgraça de extremistas filhos da puta que matam pessoas por não serem da sua religião ou etnia. Isso é uma imoralidade pública. Pelo menos os EUA vai fazer algo no Iraque. Cade a Russia? Vai ser competente na Siria? Xaropes.

    • Peterson Silva Postado em 08/Aug/2014 às 13:57

      Se o Hamas e o EI são grupos diferentes, pode-se perfeitamente e sem incoerência apoiar um e discordar do outro. Você está criando uma incoerência que não existe para poder atacá-la e está fazendo papel de bobo. (Em tempo, não conheço o assunto bem o suficiente a ponto de tomar um lado nessas questões, portanto não digo isso porque apoio o Hamas - mas devo dizer que é interessante que os EUA "não possa virar o rosto" para o que acontece Iraque, e que isso significa um bombardeio, mas vire o rosto pra o que acontece em Gaza.)

      • Ebson Wilkerson Postado em 08/Aug/2014 às 14:54

        Discordar do EI e apoiar o Hamas. Santa incoerência, Batman! Ao meu ver são dois grupos extremistas (assim como o Partido Sionista judeu) que não sabem conviver com quem pensa ou é diferente e pregam a exterminação desses grupos. A diferença é que está todo mundo preocupado com Gaza simplesmente porque o outro lado da guerra é Israel - e, talvez, porque eles usam técnicas de extermínio mais modernas (Armas inteligentes, aviões, foguetes, etc). Enquanto esses grupos extremistas exterminam há anos seu próprio povo no modo rústico, bárbaro (mutilação íntima de mulheres, degolam soldados inimigos, enforcamento de cristãos e outras barbáries) e não se ver um comentário sequer sobre esses fatos. Não é melhor bandido quem mata menos. Se é que mata menos...

      • Marcel Postado em 10/Aug/2014 às 22:07

        Apoia da Faixa de Gaza, daqui é moleza, do conforto de nosso país. Zoeiras a parte, são situações bem distintas, o problema é apoiar um bando de fanáticos como o Hamas e desconsiderar o que fazem com o povo palestino. E o povo do califado, se tivessem oportunidade de pegar você, não iriam agradecer por sua defesa do Hamas, iriam é sim usar uma boa filmadora e divulgar ao mundo o quanto amam o Ocidente, do qual fazemos parte.

    • Leandro Postado em 08/Aug/2014 às 15:03

      O problema do Hamas é com o Estado de Israel (sionista)! Esse grupo mata gente por questão de crença e/ou etnia como vc mesmo falou. Nesse caso eles devem sim ser combatidos. E outra, a situação na faixa de gaza tem mais mortos civis do que militantes do hamas.

      • Kevin Benjamin Postado em 08/Aug/2014 às 15:35

        O Estado de Israel é formado por judeus ortodoxos (que convivem pacíficamente com os palestinos) e são bem religiosos, judeus messiânicos (minoria) e os judeus sionistas. Ao menos três grupos diferentes. O problema é que os sionistas estão no poder e fazem muito barulho - deixando um rastro de mortes. Há um perigo ao dizer que é tudo a mesma coisa (são todos sionistas, assim como nem todo palestino é terrorista do Hamas), porque o Hamas também quer o extermínio de Israel e por uma questão religiosa/étnica. Para exterminar melhor que não exista diferença, que as pessoas confundam palestino com terrorista, judeu como intolerante e assim por diante.

  3. Daniela Cabral Postado em 08/Aug/2014 às 13:30

    Se EUA pode "fazer algo" pelo Iraque, então por que não fez nada pela Palestina? PALHAÇADA isso sim.

    • Carlos Postado em 10/Aug/2014 às 19:41

      http://www.conservativeinfidel.com/uncategorized/warning-isis-jihadists-systematically-beheading-christian-children-iraq/ Porque o HAMAS é fundamentalista sua anta.

  4. Aristóteles Postado em 09/Aug/2014 às 08:45

    Pela pose, o bom samaritano Obama está fazendo uma saudação à moda Hitler!

  5. Charles Postado em 09/Aug/2014 às 11:17

    Estão centrando o debate nos americanos (os EUA precisam remediar o problema do ISIS que eles mesmo causaram ao derrubar Sadam e deixar o Iraque desprotegido), mas o fato principal (que a mídia oculta, desviando as atenções para Gaza) é o que o ISIS está fazendo com curdos e cristãos (nazarenos): estupros (jihad sexual), expulsão de casas (marcadas com a letra N) e morte aos que não são muçulmanos sunitas. Cristãos estão sendo crucificados em praça pública. Procurem no Google Imagens por christian isis crucifixion e vão entender.

  6. Charles Postado em 09/Aug/2014 às 11:22

    Não se a diplomacia brasileira chamando embaixadores do Iraque e Síria para consulta. Não se vê a Comissão de Direitos Humanos da ONU intervindo. Não se vê as agências de notícias denunciando. Um pedido aos editores deste site, que tem grande audiência, poderiam ajudar a divulgar a petição à ONU para faça algo contra este genocídio: http://www.citizengo.org/pt-pt/9825-salvem-os-cristaos-iraquianos?m=5&tcid=5791392

  7. Marcel Postado em 10/Aug/2014 às 22:02

    500000 pessoas ameaçadas por um bando de fanáticos, tem que arrebentar mesmo. Dane-se ideologia, se os gringos podem arrebentar estes fanáticos, melhor para o mundo. Ai o povo compara com a Faixa de Gaza, simples, só comprar passagem para o Egito, tentar entrar na região e lutar contra os sionistas. Agora quero ver ser aceito de bom coração pelo Hamas, vai nessa.