Redação Pragmatismo
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Curiosidades 20/Aug/2014 às 11:54
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O desafio do balde de gelo que se tornou viral

Sucesso financeiro da campanha viral do 'balde de gelo' é evidente. Segundo a Forbes, 15,6 milhões de dólares foram arrecadados em poucos dias. Campanha, por outro lado, também sofreu críticas e foi classificada de 'ativismo preguiçoso'

desafio balde de gelo brasil
A campanha viral do ‘desafio do balde de gelo’ (Edição: Pragmatismo Político)

A ideia simples se reproduziu como coelho. Você tem 24 horas para se filmar jogando um balde de água com gelo na cabeça — ou doar dinheiro para instituições especializadas na pesquisa da esclerose lateral amiotrófica (ELA), que não tem cura. Findo o banho, a pessoa nomeia outras três para repetirem o gesto.

Celebridades do mundo inteiro embarcaram no Desafio do Balde Gelado. No exterior, a lista vai de Bill Gates a Mark Zuckerberg, passando por modelos como Gisele Bundchen e gente do cinema e da música pop (Lady Gaga conseguiu realizar uma espécie de performance patética). No Brasil, Neymar, Ivete Sangalo, Susana Vieira e que tais tomaram o banho, para alegria de seus fãs.

É algo impensável dez anos atrás. O sucesso financeiro é evidente. De acordo com a revista Forbes, nos EUA a campanha levantou 15,6 milhões de dólares em poucos dias. No ano passado inteiro, o número foi de 64 milhões.

VEJA TAMBÉM: O que mais impressionou os estrangeiros no Brasil

Mas as críticas também não tardaram. A campanha tem sido classificada como “slacktivism” — algo como ativismo preguiçoso ou, melhor ainda, sofativismo. Se alguém quiser dar dinheiro para um hospital, não precisa passar por isso.

A esclerose lateral amiotrófica causa a degeneração dos neurônios motores, que controlam os movimentos voluntários dos músculos. Costuma ser fatal, com raros casos de sobrevivência longeva, como o do cientista Stephen Hawking.

Calcula-se que, no Brasil, 6 mil pessoas tenham ELA. Em tese, a campanha aumentou o conhecimento dessa condição. Mas é verdade? Quantos desses famosos mencionam a doença ao participar do desafio? Nenhum.

Causas que envolvem famosos costumam ser vistas com desconfiança — e não sem razão. Acabam virando uma maneira incrível de chamar atenção para eles mesmas, sobretudo. A hashtag “somostodosmacacos” veio como foi. O racismo no futebol continua firme e forte.

Instituições que vivem da filantropia precisam de regularidade. Para citar apenas um exemplo, o grupo Meninos do Morumbi, que cuida de crianças carentes das favelas naquele bairro de São Paulo, corre o risco de fechar as portas porque, basicamente, ninguém mais se recorda que eles existem.

É notável o montante arrecadado por uma campanha como essa e a velocidade com que ela viralizou. Mas é sustentável? É suficiente? Em 2015, as entidades voltarão ao patamar de doações de sempre e o Desafio do Balde de Gelo não será lembrado por ninguém. Mais ou menos como o Harlem Shake.

Kiko Nogueira, DCM

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 20/Aug/2014 às 11:57

    Triste, grande necessidade de aparecer. Querem ajudar? Doem um dos 50 sapatos que estão no armário.

  2. Rodrigo Postado em 20/Aug/2014 às 13:09

    Triste é alguém que se diz jornalista como esse Kiko Nogueira, que adora criticar tudo e esquece que esse dinheiro arrecado vai ajudar muito nas pesquisas de uma doença até então desconhecida, que graça a esse ativismo a levou a público. Se tivesse uma filha ou filho com uma doença talvez soubesse a esperança aumentada que agora essas pessoas portadora tem depois dessa campanha. Você critica? Faça algo melhor.

  3. Isabel Postado em 20/Aug/2014 às 13:36

    Também acho que toda iniciativa é válida, não importa se feita por artistas, pessoas públicas ou anônimas. é claro que não vai resolver a vida de nenhum portador da ELA nem de nenhuma outra necessidade mas sempre que campanhas como essa do banho de gelo acontecem, chamam a atenção para uma situação que atinge nossos irmãos. Quem critica tem a obrigação de fazer melhor.

  4. Jonas Schlesinger Postado em 20/Aug/2014 às 15:53

    Tais pessoas nasceram pra criticar e vão morrer criticando. Só sabem fazer isso como se fosse por instinto. Agir e ajudar os outros nada. Essa campanha poderá ser esquecida? Pode, mas pelo menos foi criado para uma boa causa. E quem critica tem que tomar um banho de água fria para acordar. Que fique registrado.

  5. Roberto Pedroso Postado em 21/Aug/2014 às 12:30

    A campanha é valida mas infelizmente até as boas intenções são cooptadas por pseudo celebridades,apresentadore(a)s populares e por oportunistas que sentem uma vontade quase que doentia de aparecer. Tendo em vista que nos dias de hoje as mídias socias são um terreno fertil para se autopromover por meio de ações filantropicas "virais";alguém ainda se lembra da campanha "somos todos macacos".Pois como já foi dito Vivemos em plena cultura de aparência.