Redação Pragmatismo
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Turismo 11/Aug/2014 às 22:52
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As dicas estranhas e desatualizadas do Itamaraty a viajantes brasileiros

Cartilha do Itamaraty a viajantes brasileiros apresenta dicas desatualizadas, preconceituosas e polêmicas. Dicas abrangem 104 países e buscam alertar viajantes sobre problemas de toda espécie que podem enfrentar

Ao viajar para os Emirados Árabes, evite expor o corpo de “forma indecente”. Se for à Austrália, mantenha “distância mínima de três palmos” de outras pessoas. Na Romênia, tome cuidado ao conjugar o verbo “pular”: sua forma imperativa, “pula”, significa em romeno o “órgão sexual masculino”.

As recomendações estão em um site do Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty) voltado a brasileiros que vão viajar para o exterior, o Portal Consular.

As dicas, que abrangem 104 países, buscam alertar os viajantes sobre problemas de toda espécie que podem enfrentar em suas visitas, além de informá-los sobre questões burocráticas, como a necessidade de vistos.

Chancelarias de potências como os Estados Unidos e a Alemanha oferecem serviços semelhantes a seus cidadãos, atualizados com frequência.

Alguns capítulos do portal do Itamaraty, porém, já não recebem qualquer atualização há alguns anos.

No item sobre Moçambique, ex-colônia portuguesa na África com que o Brasil mantém intensas relações diplomáticas e empresariais, informa-se que o país “passa, desde o acordo de paz de 1992, por situação de estabilidade política”.

Desde 2013, no entanto, Moçambique vive sérias turbulências causadas por conflitos entre o governo e o principal partido da oposição. Confrontos armados recentes entre os dois grupos causaram dezenas de mortes, inclusive de civis, e chegaram a fechar a principal estrada do país.

O item sobre o México tampouco faz menção à escalada de violência no norte do país, onde gangues e cartéis de drogas têm provocado frequentes matanças nos últimos anos.

Outros destinos importantes para viajantes brasileiros – entre os quais Angola, sede da maior comunidade nacional na África – nem sequer constam do site.

Há ainda incrongruências nas recomendações médicas aos viajantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tanto São Tomé e Príncipe quanto Camarões integram o grupo de países na África Ocidental com altíssima incidência de malária causada pelo Plasmodium falciparum, o tipo mais letal da doença.

No entanto, enquanto o Itamaraty diz que em São Tomé e Príncipe o uso de medicamento preventivo (quimioprofiláxico) é contraindicado a viajantes, o órgão recomenda que em Camarões os visitantes tomem a droga diariamente.

Segundo o médico Gustavo Johanson, do núcleo de Medicina do Viajante da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a pertinência do uso do medicamento por viajantes deve ser analisada individualmente.

Sexualidade

As recomendações do ministério também abordam diferenças culturais que podem causar constrangimentos aos brasileiros no exterior. No capítulo sobre os Emirados Árabes, país de maioria muçulmana, recomenda-se que o viajante não exponha o corpo “de forma indecente”.

“É recomendável cobrir os ombros e joelhos, evitando 
transparências e decotes excessivos. Para os homens, é aconselhável o uso de calças compridas em ambientes mais formais ou religiosos”, diz o órgão.

Para Juliana de Faria, criadora do projeto feminista Think Olga, a recomendação é “machista”, já que somente aos homens é dito que os trajes compridos se aplicam apenas a ambientes formais ou religiosos.

Ela diz que, ao usar o termo “indecente” para qualificar a forma de se vestir, o Itamaraty exprime um juízo de valor, algo incompatível com suas atribuições.

Segundo Faria, a mensagem da chancelaria “legitima a desmoralização de mulheres por suas escolhas de moda, como se alguém pudesse ser indecente simplesmente pela saia que está usando”. Diferentemente de outras nações islâmicas, os Emirados Árabes não abordam regras de vestimenta em sua legislação.

No item sobre a Jamaica, o Itamaraty diz que a sociedade local “tem certa intolerância para com pessoas com diferente orientação sexual (homoafetivos)”. O órgão afirma ainda que, “em casos extremos, esses turistas podem vir a receber ameaças e sofrer atos de violência”.

Para Marcelo Hailer, membro do Núcleo Transdisciplinar de Investigações de Sexualidades, Gêneros e Diferenças da PUC-SP, a recomendação é pertinente, mas o Itamaraty foi “infeliz” ao formulá-la.

“Ao usar o termo ‘diferente’ para se referir às pessoas LGBT [sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros], sugere-se que elas são fora da norma, esquisitas”, afirma.

João Fellet, BBC

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Comentários

  1. Eliana Postado em 12/Aug/2014 às 14:52

    Uma diplomacia um tanto quanto "anã", não?!!!

    • A não Postado em 12/Aug/2014 às 23:33

      "Anã" ??? lamentável você se expressar de forma tão preconceituosa. Parece que só precisa de um incentivo de um boçal que se acha superior ao resto do mundo, um assassino israelense, falar essa besteira e agora todo mundo pensa que tá tudo certo, virou moda qualificar qualquer coisa como anão. Conheço anão que derruba gigante.

    • andre fln Postado em 13/Aug/2014 às 22:05

      que expressão babaca! depois daquele bostinha israelense ousar falar mal do Brasil, quando de fato não passam de assassinos transvestidos de santos, só quem é muito besta repete tamanho preconceito. TAMANHO NÃO É DOCUMENTO!

  2. andre fln Postado em 12/Aug/2014 às 23:37

    o material informativo precisa ser atualizado, claro, mas ja deve ter salvo a viagem de muita gente, ha de se reconhecer. Talvez seja muito estranho, cômico ou mesmo ofensivo, pra quem tem pouca tolerância e não compreende como se expressam culturas distintas da nossa. Neste caso somente a vivencia numa destas sociedades pode mostrar que não há nenhum absurdo nas recomendações.

    • Daniel Postado em 29/Jan/2015 às 17:31

      Sim. Outros países devem recomendar a seus viajantes procurar praias adequadas para 'topless' no Brasil, por exemplo; afinal, a prática não é aceitável em qualquer vizinhança, por aqui.

  3. Washington Postado em 13/Aug/2014 às 10:46

    É deste jeito, criticam tudo e querem que se encontre um caminho inexistente para uma situação prática. Ficou bravo porque usou-se a palavras diferente e indecente. Pois bem, como ficaria o texto com as seguintes substituições de palavras: “tem certa intolerância para com pessoas com IGUAIS orientação sexual (homoafetivos)”. Qual a lógica da frase agora? ou "recomenda-se que o viajante não exponha o corpo “de forma DECENTE”. E então?

    • Gerson Postado em 13/Aug/2014 às 13:45

      Como se essas fossem as únicas alternativas para corrigir a frase. Por que alguém se ateria aos antônimos para fazê-lo?

  4. eu daqui Postado em 13/Aug/2014 às 15:42

    Dica pra viajantes ao Brasil: não usem nada. Uma simples cueca furada no meio da rua pode ser roubada pra financiar uma pedra de crack.

  5. Roqayah Postado em 19/Sep/2014 às 01:03

    A única coisa que eu achei absurda nisso é a feminista falando que é "machismo" ter que usar saia abaixo do joelho,isso não é questão de machismo é respeito ao país,religião e cultura... quanta perseguição ;P

  6. Bruno Postado em 02/Dec/2014 às 20:22

    Olha Roqayah, o que lhe faltou foi interpretação de texto. A feminista condenou o uso do termo indecente, e não o comprimento das saias. Quanto ao comentário do Washington... Bem, é só suprimir os termos inadequados: "tem intolerância com homossexuais" e "recomenda-se que viajante não exponha o corpo." Ponto. Muito claro e sem juízo de valor.