Redação Pragmatismo
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FHC 08/Aug/2014 às 11:56
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Aniversário de 12 anos do último pedido de socorro brasileiro ao FMI

Há 12 anos, Brasil pedia colo do FMI pela última vez, ultrapassando a cota da instituição em 400%. Atualmente, Brasil já emprestou R$ 10 bilhões ao fundo e exibe reservas internacionais acima de US$ 379 bilhões

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Após ter feito dois empréstimos no Fundo Monetário Internacional, em 1998 e 2001, ultrapassando em 400% a cota do Brasil na instituição, mais uma vez, em agosto de 2002, governo FHC precisou contar com recursos do FMI (Reprodução/Folhapress)

Está fazendo aniversário de doze anos a última vez que o Brasil precisou recorrer ao Fundo Monetário Internacional. Na gestão do Ministro Pedro Malan, na Fazenda, no governo Fernando Henrique, o País anunciou oficialmente em 8 de agosto de 2002 que havia acabado de assinar um pacote de US$ 30 bilhões de empréstimo junto ao fundo. Não fora a primeira vez naquela administração. Em 11 de novembro de 1998, também com FHC-Malan, o Brasil fechou um acordo para poder sacar do Fundo o bagatela de US$ 20 bilhões nos três subsequentes à assinatura.

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Outros US$ 32 bilhões ficaram disponíveis para serem sacados no ano de 1999. Marcado para ser encerrado em novembro de 2001, o acordo com o FMI foi prorrogado pelo governo às vésperas de seu encerramento. Assim, o País tomou emprestado mais US$ 15 bilhões, pagando juros de 4,5% ao por por 25% desse dinheiro e fortes 7,5% pelo restante. Àquela altura, o Brasil já lançava mão de uma soma equivalente a 400% de sua cota no próprio FMI.

Ainda assim, todos os empréstimos do Fundo se mostraram, para a equipe econômica, insuficientes para garantir estabilidade econômica ao País. Em junho de 2002, por exemplo, houve um saque de US$ 10 bilhões junto ao Fundo, além de ser estabelecida uma redução de garantias de reservas a serem apresentadas pelo Brasil. O mínimo de US$ 20 bilhões em caixa para tomar empréstimos foi reduzido para US$ 15 para facilitar novas operações. A dependência dos recursos do Fundo estava explícita.

Em agosto de 2002, uma última linha de crédito foi tomada, de US$ 30 bilhões, completando a terceira ida do País ao FMI nos dois anos de gestão de FHC na Presidência e de Pedro Malan na Fazenda. A obtenção desse dinheiro foi apresentada como uma necessidade em razão da volalitidade ampliada pela disputa eleitoral daquele ano, entre Lula, do PT, e José Serra, do PSDB. Logo após a assinatura, o Brasil precisou fazer novo saque bilionário.

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No governo Lula, logo em abril, o Brasil pagou US$ 4,2 bilhões ao FMI, adiantando a parcela de quitação dos recursos tomados no ano anterior. Depois desse movimento, o País não precisou recorrer novamente ao Fundo. Bem ao contrário. Em outubro de 2009, mais precisamente no dia 6, o ministro Mantega e o então diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Khan, anunciaram uma importante troca de posições.

Agora, era o Brasil que emprestava US$ 10 bilhões ao Fundo. Àquela altura, as reservas internacionais brasileiras já chegavam á casa dos US$ 220 bilhões. Em 2011, já no governo Dilma Rousseff, mais uma vez o Brasil foi procurado pelo Fundo para ficar de prontidão em relação à necessidade de um novo empréstimo. Outra vez, por solicitação do FMI.

Doze anos depois da última ida ao Fundo, o País tem uma posição considerada bastante sólidas em termos de reservas internacionais. Com todas as obrigações pagas junto ao FMI, o Brasil conta, em 6 de agosto, com um total de US$ 379,44 bilhões de dólares. Uma soma que descarta quaisquer ilações sobre um possível pedido de ajuda para fechar contas, como acontecia às vésperas da derradeira ida ao Fundo.

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Comentários

  1. Rafael Moraes Postado em 08/Aug/2014 às 15:04

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0508200202.htm

    • Thiago Teixeira Postado em 08/Aug/2014 às 17:06

      "Chegamos a um ponto em que, aparentemente, não vemos qual dos candidatos é mais próximo e qual é mais distante do mercado. Há investidores que julgam Ciro pior ainda do que Lula", Eu lembro dessa fase, cara. Um nojo, o PT disputava as eleições em 94, 98 e 2002 e mídia golpista já fazia prognósticos catastróficos. Depreciavam ao máximo a capacidade de Lula e o PT em governar o Brasil. Por isso que eles morrem de ódio e continuam a artilharia incessante, nunca eles irão dar o braço a torcer. E reparou onde estava o correspondente da Folha? Em Paris, querendo dar palpites sobre o Brasil. Ridículo.

      • Gustavo Postado em 08/Aug/2014 às 17:50

        Se for assim qualquer um que está aqui no Brasil não pode dar palpite nenhum sobre Israel e gaza.

  2. Esdras Pereira Alves Neto Postado em 08/Aug/2014 às 21:26

    E ainda tem eleitores com idade de mais ou menos 60 anos para cima até 75 anos, do qual foram o que passaram mais arrocho com esse governo do PSDB nesses anos de gestão do FHC que ainda vota nesses caras. Olha a imagem que tenho desses leitores que são um bando de sem noção.

    • Thiago Teixeira Postado em 09/Aug/2014 às 07:38

      Para estas pessoas é melhor o ARROCHO do que ser atendido por um médico negro ou dividir a poltrona do avião com um vigilante indo visitar a tirar férias.

      • Denisbaldo Postado em 10/Aug/2014 às 11:28

        Verdade Thiago, o preconceito é ainda o vetor de muitas decisões políticas dos brasileiros. Eles ainda votam para discriminar e não para alcançar a equidade. Isso seria o final dos tempos para eles.

    • Jonathan Postado em 14/Aug/2014 às 13:36

      Se eles votam é pq eles sabem da importância do governo FHC para a evolução do país, o controle inflacionário e tantas outras ações, não se pode denegrir a História, porque ela mesma se conta e reconta, e a importância de FHC no governo o período de maior arroxo foi crucial para depois Lula poder usufruir das benesses, isso é fato.

  3. Ricardo Postado em 09/Aug/2014 às 11:15

    Sim, trocou a dívida externa por dívida interna... Bom, melhor tentar resolver a coisa em casa

    • Denisbaldo Postado em 10/Aug/2014 às 11:39

      Meu amigo, a dívida interna dos EUA está em torno de US$17 trilhões. Em 2008 quando o mundo estava falindo os grandes investidores do mundo optaram por comprar papéis da dívida americana. Só adquire dívida interna quem tem receita, tanto para provar credibilidade quanto para pagar os juros. Emprestar dinheiro de fora é sim um péssimo sinal, quer dizer que nem dentro da sua casa as pessoas acreditam em você, a sua credibilidade é zero. Não confunda dívida externa com dívida interna, são coisas completamente diferentes. O Japão é o líder da dívida interna relativa no mundo hoje em dia, já está em mais que 150% do seu PIB. O Brasil tem uma dívida de 60% de seu PIB. É claro que pagamos juros muito mais altos do que eles, mas mesmo assim, não tente comparar o antes com o agora.

    • Carlos Fonseca Postado em 28/Nov/2014 às 15:25

      Só tem divida interna quem acredite e investe no próprio povo, preciso desenhar?

  4. Onda Vermelha Postado em 09/Aug/2014 às 19:12

    Nós, o povo brasileiro, sabemos o que vocês tucanos fizeram no verão passado! Por isso, às vezes penso que os tucanos abusam de nossa inteligência. Somente a “garotada” que não viveu aquele período ou não tinha idade para acompanhar as nuances políticas daquela época cai nesse “conto da carochinha” do PSDB. E imagino que isso vale para todos aqueles com 30 anos ou menos de idade. A conta é simples! Se você possui 30 ou menos, em 2002, último do governo FHC você possuía 18 anos, ou menos! E estava iniciando sua vida enquanto cidadão que tinha por direito e obrigação votar, entre outros cargos, para Presidente da República, e talvez, somente “talvez”, em sua maioria não estivesse ainda “antenado” para o tamanho do “buraco” em que nos encontrávamos ou mesmo, traído pela memória, não se lembre da crise em que vivíamos. E para auxiliá-lo a entender aquele período, ao final deste breve texto existe um vídeo onde o próprio ex-presidente Fernando Henrique, numa Conferência em Florença, Itália, 1999, com a presença de outros Chefes de Estado, inclusive Bill Clinton(EUA) e Tony Blair(ING), em pessoa, num raríssimo rasgo de sinceridade, incomum para quem o conhece, assume que “quebrou o país(Brasil) três vezes” ao adotar o conhecido receituário neoliberal de “arrocho” do FMI para se contrapor as diversas crises daquele período. Nada tinha dado certo e ele se lamentava disso! E na mesma conferência ainda foi, vergonhosamente, repreendido por Bill Clinton que sugeriu que faltava confiança, honestidade, eficiência e boa governança ao próprio Governo Fernando Cardoso. Veja em http://www.youtube.com/watch?v=MeAOen8vyiQ

  5. Miriam Da Costa Postado em 14/Aug/2014 às 20:03

    Eu nasci e vivi no Brasil por quase 30 anos eu vivi no Brasil durante a ditadura eu vivi no Brasil aonde se trabalhava/produzia para se pagar os juros sobre juros da divida com o FMI e a miséria e o desemprego renhavam enquanto os ricos ( egoistas e desinteressados) ficavam cada vez mais ricos regnavano mentre i ricchi eu vivi no Brasil aonde todos ( o quase) queriam fugir para para o exterior( EUA ou Europa) na procura de trablho e melhores condiçoes de vida eu vivi no Brasile aonde poucos podiam se permitir um diploma de segundo grau o universitario etc... etc.. etc... Hoje o Brasil nao tem mais dividas internacionais para pagar e se transformou em creditor do FMI Eu vi e vivi um Brasil e hoje eu vejo um outro BRASIL Muito foi feito e muito ainda tem que ser feito O Brasil pode e deve fazer muito mais para si mesmo, para o seu povo e para a sua democracia E é por esses motivos e muitos outros mais que sou simpatizante do PT do Lula e da Dilma OUTUBRO 2014 DILMA FOR PRESIDENT <3

  6. fernando Postado em 29/Sep/2014 às 16:56

    Por outro lado a divida publica interna esta sem controle em mais de 2 trilhoes, bate recordes e consome quase 50% do orçamento. Uma auditoria cidadã da divida seria muito bem vindo, entretanto tema é abafado e apenas debatido por pouca gente.

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