Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 15/Aug/2014 às 09:56
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As 4 opções para o PSB sem Eduardo Campos

Com a morte do candidato à Presidência Eduardo Campos, confira os quatro possíveis cenários que se abrem para o PSB na disputa eleitoral de 2014

marina silva eduardo campos
PSB deverá definir o futuro após o sepultamento de Eduardo Campos. Hipótese mais provável é a de Marina Silva na cabeça de chapa (divulgação)

João Fellet, BBC

Com a morte do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência Eduardo Campos, do PSB, especula-se que sua vice, a ex-senadora Marina Silva, assumirá a cabeça da chapa.

A coligação partidária que apoia a candidatura, porém, pode enveredar por pelo menos quatro caminhos distintos.

Se não houver apoio a Marina, que enfrenta resistências dentro do PSB, os partidos da coalizão podem inscrever outro político para a disputa ou até abrir mão dela. Nesse caso, poderão ficar neutros na corrida ou se aliar às candidaturas de Dilma Rousseff (PT) ou de Aécio Neves (PSDB).

O PSB tem até o dia 23 para tomar sua decisão. A nomeação do candidato deverá ser aprovada pela maioria das direções dos outros partidos da coalizão: PHS, PRP, PPS, PPL e PSL.

A coligação não precisa necessariamente lançar um pessebista; ela poderá nomear o membro de outro partido da coalizão, desde que o PSB abra mão de sua preferência para indicar o novo candidato.

VEJA TAMBÉM: Marina Silva será pedra nos sapatos de Dilma e Aécio

Confira os quatro possíveis cenários que se abrem para o PSB na disputa, abordando os obstáculos para que cada um deles se concretize.

1. Marina assume a cabeça da chapa

Neste cenário, tido por analistas como o mais natural, Marina concorreria à Presidência pelo PSB. A ex-senadora filiou-se à sigla no ano passado, após a Justiça Eleitoral rejeitar a criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade.

A coalizão poderia, então, nomear para o cargo de vice algum político tradicional do PSB, para manter algum controle sobre a chapa.

Pesam a favor de Marina sua popularidade (ela obteve 19% dos votos na última eleição presidencial, em 2010) e a relação que construiu com Campos após a o lançamento da candidatura. Apesar das divergências políticas entre os dois, ambos exaltavam a dobradinha em público, e Marina ocupava quase tanto espaço na propaganda da chapa quanto Campos.

O irmão do ex-governador pernambucano, Antonio Campos, que é membro do PSB, divulgou nesta quinta uma carta defendendo que Marina assuma a candidatura.

Mesmo assim, a decisão de lançar Marina enfrentaria resistências no partido. Caciques pessebistas, como o novo presidente da sigla, Roberto Amaral, e o deputado federal Márcio França (SP), já tiveram importantes divergências com a política acreana.

A relação de Marina com a cúpula do partido se deteriorou quando ela interveio em negociações do PSB para o acerto de palanques estaduais. A ex-senadora barrou a aproximação do partido com os ruralistas Ronaldo Caiado (candidato do DEM ao Senado por Goiás) e Ana Amélia (postulante do PP ao governo do Rio Grande do Sul), gesto que irritou dirigentes pessebistas.

Marina defendia que as alianças nos Estados se restringissem a partidos e candidatos alinhados ideologicamente com a chapa do PSB, rejeitando acordos com PT e o PSDB, além de grupos políticos tradicionais ou adversários, como os ruralistas.

Mesmo assim, ela não conseguiu evitar que o PSB se aliasse com o PSDB em São Paulo e com o PT no Rio. Marina ainda não anunciou se pleiteará a candidatura.

2. O PSB escolhe outro político do partido

O PSB poderia nomear para a corrida algum de seus políticos tradicionais. Os principais dirigentes da sigla hoje são seu novo presidente, Roberto Amaral, os deputados federais Beto Albuquerque (RS) e Márcio França (SP), o senador Rodrigo Rollemberg (DF) e os governadores Renato Casagrande (ES), Ricardo Coutinho (PB), Wilson Martins (PI) e Camilo Capiberibe (AP).

À exceção de Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula, todos os outros já são candidatos a outros postos na eleição: Casagrande, Coutinho e Capiberibe concorrem à reeleição nos governos de seus Estados; Rollemberg disputará o governo do Distrito Federal; Martins e Albuquerque pleitearão vagas no Senado; e França é candidato a vice-governador na chapa de Geraldo Alckmin em São Paulo.

Para que assumem a chapa para a Presidência, teriam de abrir mão de suas candidaturas. Segundo o presidente da Comissão Nacional de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil, José Norberto Lopes Campelo, caso os candidatos renunciem das disputas nos Estados, eles poderiam ser substituídos por outros postulantes.

A troca, diz Campelo, teria de seguir os mesmos procedimentos da substituição na chapa presidencial.

Ao lançar um político do próprio partido para a Presidência, o PSB poderia tentar manter Marina no posto de vice, mas analistas avaliam que é improvável que ela aceite.

Outro entrave importante é que nenhum dos dirigentes do PSB tem a mesma projeção de Campos ou Marina e correria o risco de receber uma votação ínfima na eleição, diz David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB).

O PSB poderia, ainda, recorrer a membros mais conhecidos, entre os quais o ex-jogador e deputado federal Romário – candidato ao Senado pelo Rio – ou a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina – candidata à reeleição na Câmara. Nenhum dos dois, porém, exerce hoje influência relevante na direção da sigla.

3. O PSB escolhe membro de outro partido da coalizão

Se assim desejar e tiver o apoio da maioria da coalizão, o PSB pode abrir mão de lançar um candidato do próprio partido para nomear um postulante de outra sigla coligada.

Nesse caso, o presidente do PPS e deputado federal por São Paulo, Roberto Freire, seria o favorito. Freire atualmente busca a reeleição para a Câmara dos Deputados.

Pernambucano como Campos, Freire é um dos políticos mais experientes da coalizão e é próximo de Marina Silva.

As outras siglas da coligação (PHS, PRP, PPL e PSL) não contam com políticos conhecidos.

No entanto, o novo presidente do PSB, Roberto Amaral, disse na quarta-feira que “não há a possibilidade de abrirmos mão de candidatura própria”, o que torna a nomeação de alguém de fora da sigla improvável.

4. A coalizão abre mão de lançar candidato

Outra opção possível, ainda que pouco provável, segundo analistas, é a coligação abrir mão de lançar um candidato à Presidência.

Nesse caso, a coalizão poderia se manter neutra na disputa ou se aliar, já no primeiro ou em eventual segundo turno, a uma das duas principais candidaturas: a de Dilma Rousseff (PT) ou a de Aécio Neves (PSDB).

O apoio a Dilma poderia significar, num eventual segundo mandato da presidente, a volta do PSB à base governista, de onde saiu no ano passado. O endosso a Aécio simbolizaria o desejo da sigla em firmar-se no pólo oposto ao PT.

As duas alternativas, porém, contradizem o discurso de Campos, que postulava buscar uma terceira via na política nacional, que escapasse à polarização PT-PSDB. Para David Fleischer, da UnB, se abrisse mão da disputa presidencial, o PSB encolheria como partido, elegendo menos congressistas e governadores.

“Eles deixariam de ser um partido médio e voltariam a ser um partido pequeno.”

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Comentários

  1. J.C Souza Schlesinger Postado em 15/Aug/2014 às 10:32

    Li isso ontem na bbc kkkk

  2. Rodrigo Postado em 15/Aug/2014 às 10:32

    (Outro Rodrigo) "E que os jogos, ops, a disputa pelos votos do falecido comece!" Aí duelarão urubus de peso...

  3. Diego Postado em 15/Aug/2014 às 10:40

    O psb tem 10 dias apos o anúncio oficial da morte, isto é, da emissão do atestado de óbito, o que ainda não aconteceu e portanto o prazo de 10 dias ainda nao começou a contar.

  4. Marcelo Costa Postado em 15/Aug/2014 às 10:46

    Foram mandar o Ciro Gomes embora...

  5. J.C Souza Schlesinger Postado em 15/Aug/2014 às 11:32

    Aqui em fortaleza o Cid Gomes tá de boa no palácio da abolição. Não quer saber de sufoco algum. A mesma coisa com o Ciro.

  6. Gleidson Postado em 15/Aug/2014 às 12:17

    O nome de maior impacto dentro do PSB hoje é o do deputado Romário. Casagrande, citado como possível candidato, por exemplo, não deve nem ser reeleito para governador, presidente então... Marina é sem dúvida o nome mais forte, porém, ela não é do PSB (de forma plena) e nunca pretendeu ser... Acredito que o mais provável seja a quarta opção, com a volta do PSB a base governista do PT... Política é jogo de interesses. Se Marina ganha, o PSB perde... No atual cenário uma nova aproximação com o PT parece ser a mais viável...

  7. Repik Postado em 15/Aug/2014 às 12:59

    Há um grande perigo no ar!!! Claro que o fato gerado pela morte do Eduardo é uma manchete inequívoca, porém está gerando por consequência uma "propaganda" 24 horas por dia, apenas falando de aspectos positivos do falecido (até porque ninguém tem coragem de falar mal nessas circunstâncias, é anti-ético e pega mal), impulsionando a candidatura da Marina como a representante que irá levar o "sonho" dele adiante, da mudança, do novo, etc ... Isso vai se estender, podem ter certeza, até o limite do tempo de 10 dias, afinal quem recusaria uma propaganda gratuita dessas? Depois dessa enxurrada, como vcs acham que vai ser a primeira pesquisa eleitoral incluindo a Marina? Ouso a dizer que já se encontrará muito próxima ao Aécio, até porque o eleitorado dele é menos "fiel" que o da Dilma, e assim que os anti-petistas de carteirinha se derem conta que a Marina é quem efetivamente pode tirar o PT do governo, irão em bando desfalcar a candidatura do Aécio. Há de se levar em consideração também os Evangélicos que estavam, digamos assim, um pouco adormecidos. Vejo com grande preocupação , primeiramente para um segundo turno do Aécio, e depois em um segundo turno que pode ser muito mais acirrado para a Dilma depois dessa "ilusão" midiática que estão criando em torno da morte do Eduardo. Já percebi pelos editoriais que a grande mídia já se deu conta dessa jogada e irá explorar ao máximo esse episódio.

    • J.C Souza Schlesinger Postado em 15/Aug/2014 às 15:28

      /\ CTRL C, CTRL D.