Redação Pragmatismo
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Palestina 30/Jul/2014 às 09:49
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Texto de antropólogo judeu viraliza na internet

Texto do antropólogo judeu Marcelo Gruman intitulado “Não em meu nome” viraliza na internet e condena a tentativa de aniquilamento do povo palestino

criança gaza antropólogo judeu
Crianças feridas em Gaza (AFP)

Um texto escrito pelo antropólogo judeu Marcelo Gruman se tornou viral na internet. Nele, Gruman fala de suas relações com o judaísmo e de como a sacralização do genocídio judaico estaria abrindo espaço para que Israel aniquile o povo palestino. No texto, ele clama aos judeus para que não aceitem mais a matança em seu nome. Leia abaixo:

Não em meu nome, por Marcelo Gruman

Na minha adolescência, tive a oportunidade de visitar Israel por duas vezes, ambas na primeira metade da década de 1990. Era estudante de uma escola judaica da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. As viagens foram organizadas por instituições sionistas, e tinham por intuito apresentar à juventude diaspórica a realidade daquele Estado formado após o holocausto judaico da Segunda Guerra Mundial, e para o qual todo e qualquer judeu tem o direito de “retornar” caso assim o deseje. Voltar à terra ancestral. Para as organizações sionistas, ainda que não disposto a deixar a diáspora, todo e qualquer judeu ao redor do mundo deve conhecer a “terra prometida”, prestar-lhe solidariedade material ou simbólica, assim como todo muçulmano deve fazer, pelo menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca. Para muitos jovens judeus, a visita a Israel é um rito de passagem, assim como para outros o destino é a Disneylândia.

A equivalência de Israel e Disneylândia tem um motivo. A grande maioria dos jovens não religiosos e sem interesse por questões políticas realizam a viagem apenas para se divertir. O roteiro é basicamente o mesmo: visita ao Muro das Lamentações, com direito a fotos em posição hipócrita de reza (já viram ateu rezando?), ao Museu da Diáspora, ao Museu do Holocausto, às Colinas do Golan, ao Deserto do Neguev e a experiência de tomar um chá com os beduínos, ir ao Mar Morto e boiar na água sem fazer esforço por conta da altíssima concentração de sal, a “vivência” de alguns dias num dos kibutzim ainda existentes em Israel e uma semana num acampamento militar, onde se tem a oportunidade de atirar com uma arma de verdade. Além, é claro, da interação com jovens de outros países hospedados no mesmo local. Para variar, brasileiros e argentinos, esquecendo sua identidade étnica comum, atualizavam a rivalidade futebolística e travavam uma guerra particular pelas meninas. Neste quesito, os argentinos davam de goleada, e os brasileiros ficavam a ver navios.

VEJA TAMBÉM: Israelense defende o estupro de mulheres palestinas

Minha memória afetiva das duas viagens não é das mais significativas. Aparte ter conhecido parentes por parte de mãe, a “terra prometida” me frustrou quando o assunto é a construção de minha identidade judaica. Achei os israelenses meio grosseiros (dizem que o “sabra”, o israelense “da gema”, é duro por natureza), a comida é medíocre (o melhor falafel que comi até hoje foi em Paris…), é tudo muito árido, a sociedade é militarizada, o serviço militar é compulsório, não existe “excesso de contingente”. A memória construída apenas sobre o sofrimento começava a me incomodar.

Nossos guias, jovens talvez dez anos mais velhos do que nós, andavam armados, o motorista do ônibus andava armado. Um dos nossos passeios foi em Hebron, cidade da Cisjordânia, em que a estrada era rodeada por telas para contenção das pedras atiradas pelos palestinos. Em momento algum os guias se referiram àquele território como “ocupado”, e hoje me envergonho de ter feito parte, ainda que por poucas horas, deste “finca pé” em território ilegalmente ocupado. Para piorar, na segunda viagem quebrei a perna jogando basquete e tive de engessá-la, o que, por outro lado, me liberou da experiência desagradável de ter de apertar o gatilho de uma arma, exatamente naquela semana íamos acampar com o exército israelense.

Sei lá, não me senti tocado por esta realidade, minha fantasia era outra. Não encontrei minhas raízes no solo desértico do Negev, tampouco na neve das colinas do Golan. Apesar disso, trouxe na bagagem uma bandeira de Israel, que coloquei no meu quarto. Muitas vezes meu pai, judeu ateu, não sionista, me perguntou o porquê daquela bandeira estar ali, e eu não sabia responder. Hoje eu sei por que ela NÃO DEVERIA estar ali, porque minha identidade judaica passa pela Europa, pelos vilarejos judaicos descritos nos contos de Scholem Aleichem, pelo humor judaico característico daquela parte do mundo, pela comida judaica daquela parte do mundo, pela música klezmer que os judeus criaram naquela parte do mundo, pelas estórias que meus avós judeus da Polônia contavam ao redor da mesa da sala nos incontáveis lanches nas tardes de domingo.

Sou um judeu da diáspora, com muito orgulho. Na verdade, questiono mesmo este conceito de “diáspora”. Como bem coloca o antropólogo norte-americano James Clifford, as culturas diaspóricas não necessitam de uma representação exclusiva e permanente de um “lar original”. Privilegia-se a multilocalidade dos laços sociais. Diz ele:

As conexões transnacionais que ligam as diásporas não precisam estar articuladas primariamente através de um lar ancestral real ou simbólico (…). Descentradas, as conexões laterais [transnacionais] podem ser tão importantes quanto aquelas formadas ao redor de uma teleologia da origem/retorno. E a história compartilhada de um deslocamento contínuo, do sofrimento, adaptação e resistência pode ser tão importante quanto a projeção de uma origem específica.

Há muita confusão quando se trata de definir o que é judaísmo, ou melhor, o que é a identidade judaica. A partir da criação do Estado de Israel, a identidade judaica em qualquer parte do mundo passou a associar-se, geográfica e simbolicamente, àquele território. A diversidade cultural interna ao judaísmo foi reduzida a um espaço físico que é possível percorrer em algumas horas. A submissão a um lugar físico é a subestimação da capacidade humana de produzir cultura; o mesmo ocorre, analogamente, aos que defendem a relação inexorável de negros fora do continente africano com este continente, como se a cultura passasse literalmente pelo sangue. O que, diga-se de passagem, só serve aos racialistas e, por tabela, racistas de plantão. Prefiro a lateralidade de que nos fala Clifford.

Ser judeu não é o mesmo que ser israelense, e nem todo israelense é judeu, a despeito da cidadania de segunda classe exercida por árabes-israelenses ou por judeus de pele negra discriminados por seus pares originários da Europa Central, de pele e olhos claros. Daí que o exercício da identidade judaica não implica, necessariamente, o exercício de defesa de toda e qualquer posição do Estado de Israel, seja em que campo for.

Muito desta falsa equivalência é culpa dos próprios judeus da “diáspora”, que se alinham imediatamente aos ditames das políticas interna e externa israelense, acríticos, crentes de que tudo que parta do Knesset (o parlamento israelense) é “bom para os judeus”, amém. Muitos judeus diaspóricos se interessam mais pelo que acontece no Oriente Médio do que no seu cotidiano. Veja-se, por exemplo, o número ínfimo de cartas de leitores judeus em jornais de grande circulação, como O Globo, quando o assunto tratado é a corrupção ou violência endêmica em nosso país, em comparação às indefectíveis cartas de leitores judeus em defesa das ações militaristas israelenses nos territórios ocupados. Seria o complexo de gueto falando mais alto?

Não preciso de Israel para ser judeu e não acredito que a existência no presente e no futuro de nós, judeus, dependa da existência de um Estado judeu, argumento utilizado por muitos que defendem a defesa militar israelense por quaisquer meios, que justificam o fim. Não aceito a justificativa de que o holocausto judaico na Segunda Guerra Mundial é o exemplo claro de que apenas um lar nacional única e exclusivamente judaico seja capaz de proteger a etnia da extinção.

A dor vivida pelos judeus, na visão etnocêntrica, reproduzida nas gerações futuras através de narrativas e monumentos, é incomensurável e acima de qualquer dor que outro grupo étnico possa ter sofrido, e justifica qualquer ação que sirva para protegê-los de uma nova tragédia. Certa vez, ouvi de um sobrevivente de campo de concentração que não há comparação entre o genocídio judaico e os genocídios praticados atualmente nos países africanos, por exemplo, em Ruanda, onde tutsis e hutus se digladiaram sob as vistas grossas das ex-potências coloniais. Como este senhor ousa qualificar o sofrimento alheio? Será pelo número mágico? Seis milhões? O genial Woody Allen coloca bem a questão, num diálogo de Desconstruindo Harry (tradução livre):

– Você se importa com o Holocausto ou acha que ele não existiu?

– Não, só eu sei que perdemos seis milhões, mas o mais apavorante é saber que recordes são feitos para serem quebrados.

O holocausto judaico não é inexplicável, e não é explicável pela maldade latente dos alemães. Sem dúvida, o componente antissemita estava presente, mas, conforme demonstrado por diversos pensadores contemporâneos, dentre os quais insuspeitos judeus (seriam judeus antissemitas Hannah Arendt, Raul Hilberg e Zygmunt Bauman?), uma série de características do massacre está relacionada à Modernidade, à burocratização do Estado e à “industrialização da morte”, sofrida também por dirigentes políticos, doentes mentais, ciganos, eslavos, “subversivos” de um modo geral. Práticas sociais genocidas, conforme descritas pelo sociólogo argentino Daniel Feierstein (outro judeu antissemita?), estão presentes tanto na Segunda Guerra Mundial quanto durante o Processo de Reorganização Nacional imposto pela ditadura argentina a partir de 1976. Genocídio é genocídio, e ponto final.

A sacralização do genocídio judaico permite ações que vemos atualmente na televisão, o esmagamento da população palestina em Gaza, transformada em campo de concentração, isolada do resto do mundo. Destruição da infraestrutura, de milhares de casas, a morte de centenas de civis, famílias destroçadas, crianças torturadas em interrogatórios ilegais conforme descrito por advogados israelenses. Não, não são a exceção, não são o efeito colateral de uma guerra suja. São vítimas, sim, de práticas sociais genocidas, que visam, no final do processo, ao aniquilamento físico do grupo.

Recuso-me a acumpliciar-me com esta agressão. O exército israelense não me representa, o governo ultranacionalista não me representa. Os assentados ilegalmente são meus inimigos.
Eu, judeu brasileiro, digo: ACABEM COM A OCUPAÇÃO!!!

SAIBA MAIS: A filósofa judia que se tornou inimiga número 1 de Israel

Referências bibliográficas:
CLIFFORD, James. (1997). Diasporas, in Montserrat Guibernau and John Rex (Eds.) The Ethnicity Reader: Nationalism, Multiculturalism and Migration, Polity Press, Oxford.

VÍDEO

Tortura de crianças palestinas:

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Comentários

  1. leandro gier motta Postado em 30/Jul/2014 às 10:35

    Desconstruir o ódio ,por um mundo sem fronteiras

  2. Felipe Peters Berchielli Postado em 30/Jul/2014 às 13:15

    Excelente texto. Isso que sempre me questionei,me falam tanto do tal Estado judeu,da "diáspora",não faz sentido,os judeus se integraram nas sociedades em que viviam,temos judeus no Brasil,nos EUA,na Europa,em todo canto,pertencem a um lar,o lar deles,ao meio em que viviam,pra que diabos um Estado Judeu? Mas o erro foi criado ,a melhor solução,na minha opinião é Israel desocupar a Palestina,ajudar os vizinhos árabes a criarem seu Estado e respeitar a partilha de 1948. Desta forma tenho certeza que o ódio mutuo será suavizado,as cicatrizes sempre existirão,mas só a convivência entre os povos pode acabar com ódio,a segregação só aumenta.

  3. Mira Postado em 30/Jul/2014 às 13:57

    Leo, vamos então voltar o mapa do mundo ao tempo de "Cristo"? Onde vc moraria? Onde estariam os norte americanos??? Judeus foram expulsos de Israel pelo IMPÉRIO ROMANO e não pode palestinos. Palestinos moram há muito tempo, há, pelo menos 1800 anos, logo, a terra é DELES. Não gostou? Vá reclamar com o Império Romano

    • Carlos Postado em 30/Jul/2014 às 16:26

      Mira, seria melhor ficar calado(a) e deixar-nos a dúvida da sua ignorância ao invés de se manifestar e ela nos ser revelada.

    • Nabucodonosor Postado em 30/Jul/2014 às 18:13

      Muito bom Mira!

    • samya Postado em 30/Jul/2014 às 21:43

      Esse Carlos deve ter matado as aulas de história...a Mira está correta!

    • Cesar Ferreira Postado em 30/Jul/2014 às 23:28

      Carlos, seria melhor nos poupar e não escrever nada do que escrever e não dizer nada e revelar sua prepotência.

    • Tania Postado em 31/Jul/2014 às 03:30

      Os judeus nunca foram expulsos da terra de Israel pelos romanos. A maioria dos judeus se dispersaram por vontade própria depois que o templo sagrado foi destruído. Por outro lado, nesses dois mil anos de Diaspora sempre houve judeus morando lá. Minha família tem horigens de pelo menos dois seculos e meio ( provavelmente muito mais, mas não dar pra saber) Quando os judeus começaram a retornar á dita Palestina (quando ainda era parte do império Otomano) não haviam mais do que pucos milhares de árabes, que não se distinguiam dos outros árabes que viviam ao longo do mesmo império. Mas, como os judeus trouxeram progresso, aos poucos muitos árabes emigraram para regiāo e viviam em perfeitas relações com os judeus. Os conflitos vieram bem mais tarde intigados por interesses alheios

  4. Rima Postado em 30/Jul/2014 às 16:15

    excelente texto!

  5. André Postado em 30/Jul/2014 às 16:28

    Não sou judeu, embora seja altamente provável que alguns dos meus antepassados tenham sido. Admiro muito a cultura do povo judeu, sobretudo da diáspora centro-européia, como apontada pelo Autor. E também entendo que atualmente, Israel ocupa ilegitimamente os territórios ocupados após a Guerra dos Seis Dias, em 1967 e que exerce força desproporcional contra as populações palestinas. Porém, também entendo que qualquer análise sobre o quadro atual tem que levar em conta as três guerras movidas por uma coalizão de estados árabes contra o jovem Estado israelense. Sobre a questão da diáspora e da presença judaica na Palestina., um mais aprofundado conhecimento de história mostra que já havia uma colônia judaica vivendo nas principais cidades do Império Romano, inclusive a própria Roma, muito antes da deportação promovida pelo Imperador Adriano no séc. II AD. Já no século I a.c, a comunidade judaica de Roma prestou importante apoio a César na Guerra Civil. Alguns estimam que, hos primeiros anos do Império, a população judaica equivalia a 5 % da população da capital (cerca de 50 mil pessoas). Após a diáspora, não há nenhuma evidência de que o território que hoje corresponde a Israel tenha ficado deserto de judeus. Ao contrário, qualquer narrativa de períodos posteriores, como as cruzadas, demonstra que havia muitos udeus, por exemplo, em Jerusalém. Portanto o argumento de que o país ficou deserto, foi ocupado por outros e, somente no século XX os judeus voltaram para lá, simplesmente, não é verdadeiro. Inclusive, os primeiros reassentamentos precedem a Declaração Balfour, de 1917 e o mandato britânico para governar aquele território, pois, no final do séc. XIX, terras já estavam sendo adquiridos, inclusive com a ajuda dos Rotschilds.

    • hare Krishna Postado em 30/Jul/2014 às 23:42

      A culpa é de Moisés.

    • Felipe Postado em 01/Aug/2014 às 01:21

      Qualquer que seja a justificativa utilizada, não vai anular o erro que é esse massacre cometido por Israel, não vai anular o erro que é a existência de Israel ali!! Desde sua fundação, Israel é um Estado ilegítimo. Eles vem assentando pessoas de maneira ilegal em toda Palestina, desrespeitam os direitos humanos básicos dos palestinos. Roubam, expulsam, matam, massacram e humilham os palestinos de todas as maneiras possíveis e viáveis à eles nessa situação com a desculpa de estarem "combatendo o Hamás". Não importa de quem é a terra, se haviam judeus ou não no território que hoje corresponde a Israel. O que realmente importa é que esse massacre tem de acabar.

      • Marcelo Postado em 02/Aug/2014 às 20:17

        Tem que acabar. Mesmo. Penso desta maneira também.

  6. Marcus Burtz Postado em 30/Jul/2014 às 16:33

    em 44 anos é a primeira vez que leio um texto, vindo de um judeu, compatível com o que penso.

    • Maria Cirene Postado em 31/Jul/2014 às 09:17

      Identifico-me ipsis literis !!!!!!! !

  7. João Bambi Postado em 30/Jul/2014 às 17:30

    O mundo deve olhar a vida humana como um presente soberana, não como um objecto qualquer , este vídeo mostra a mediocridade dos militares israelense, face a violação dos Direitos Humanos e dos Povos, lavrado na carta das nações unidas.

  8. paulocorrea Postado em 30/Jul/2014 às 17:58

    excelente texto parabems.

  9. Eduardo Preto Postado em 30/Jul/2014 às 20:12

    Sou um Judeu também e penso como Marcelo. Pelo fim da desculpa historica e pela unidade entre os povos semitas. Temos que nos unir por uma unidade entre os povos semitas como a unidade europeia esta a tempos sem alcaçada.

  10. Ricardo Postado em 30/Jul/2014 às 20:52

    Pois eu vivi uma experiência muito parecida com a que descreve o Sr. Marcelo Gruman e concordo com ele em algumas coisas que relata, e com sua indignação no que tange a tragédia vivida pelo povo Palestino. Não concordo, porém, com certas interpretações usadas em seu argumento e, principalmente, com o óbvio viés intelectual onde ele identifica como “práticas sociais genocidas” as ações do exército Israelense. Pelo que li, segundo o Dicionário Aurélio, genocídio é um “crime contra a humanidade, que consiste em, com o intuito de destruir total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, cometer contra ele qualquer dos atos seguintes: matar membros seus, causar-lhes graves lesão à integridade física ou mental; submeter o grupo a condições de vida capazes de o destruir fisicamente, no todo ou em parte; adotar medidas que visem a evitar nascimentos no seio do grupo; realizar a transferência forçada de crianças num grupo para outro". Talvez seja o caso de perguntar ao Sr. Marcelo Gruman, quais são as evidências de que o intuito do governo Israelense e’ o de destruir total ou parcialmente o povo Palestino? Ou será que “práticas sociais genocidas” são definíveis sem intenção? Talvez fosse o caso de perguntar ao Sr. Marcelo Gruman se ele alguma vez leu o estatuto do grupo Hamas. De fato, o intuito genocida pode ser identificado claramente na razão de existência daquele grupo. Se ele o tivesse lido entenderia uma outra face, a daquele que se beneficia pelas divulgação das simplificações que ele escreve. Eu estou de acordo com o Sr. Marcelo Gruman; a situação dos Palestinos é deplorável e eu me sinto com vergonha de que a humanidade tenha que conviver com este tipo de verdade. Porém, ignorar um lado tão obvio da questão é, a meu ver, intelectualmente desonesto. Seu texto pode levar o leitor mal informado a uma conclusão lamentável. Então, quero dizer a ele que sou judeu, brasileiro, vivo na diáspora dos dois, e que: não em meu nome; O Sr. Marcelo Gruman não fala por mim e não sou seu inimigo

  11. lobao Postado em 30/Jul/2014 às 22:15

    O que tua acha desse texto? Judeus, abram os olhos! Nada vem de graça, principalmente a parceria do Estado de Israel com os EUA que já dura quase 70 anos. A moeda de troca sempre tem dois lados. Hoje tem um lado bom...mas o criador sempre se vira contra a criatura, isso é histórico... Ainda existem chances de nas próximas décadas o Estado de Israel incorporar de maneira saudável o povo palestino que sempre conviveu com o povo judeu... Existe uma passagem no alcoraan que diz: todos somos filhos de Israel. Quero dizer que se o Estado de Israel continuar com as mesmas estratégias, em poucas décadas cairá, pois o petróleo não existirá para sempre.

  12. ANTON Postado em 30/Jul/2014 às 22:23

    SINCERAMENTE. ESTES JUDEUS QUE ESTÃO TENTANDO ANIQUILAR O POVO PALESTINO ME LEVA A LAMENTAR NÃO TEREM VIVIDO NA ÉPOCA DO NAZISMO. PELO AO MENOS PARA ALGUMA COISA HITLER SERVIRIA PARA ACABAR COM ESTES MONSTROS QUE SE INTITULAM JUDEUS. SERIA MAIS JUSTOS ESTARIAM BRIGANDO DE IGUAL PARA IGUAL. PORQUE O QUE ELES ESTÃO FAZENDO É GENOCÍDIO. É HOLOCAUSTO PALESTINO. ESTES MONSTROS QUE ESTÃO FAZENDO ISTO COM A PALESTINA É A REENCARNAÇÃO DO CAPETA PÓS GRADUADO COM A CONVIVÊNCIA NAZISTA NO INFERNO. JUDEUS DE HOJE NÃO SÃO MELHORES QUE NAZISTAS. QUE QUEIMEM AMBOS JUNTOS NO MÁRMORE DO INFERNO

  13. Patricia Sara Toledo Lusa Postado em 30/Jul/2014 às 22:24

    Bravo, bravissimo!!! Sim , mantenha a sua bandeira Israelita, mesmo que não na parede. Você é um baita de um bom judeu, a bandeira não pode ser apropriada apenas pelos nazissionistas. Sou filha de judeu casado com italiana católica ... Abaixo a OCUPAçÃO, Acabem com o martírio do povo em Gaza. Obrigada pelas suas sabias, corretas e super articuladas palavras! Marcelo a sua é a melhor tradução possível do que a maioria de nós sentimos...

  14. ANTON Postado em 30/Jul/2014 às 22:26

    JUDEUS DE HOJE SÃO PIORES DO QUE OS NAZISTAS DE ONTEM! ASSASSINOS. GENOCIDAS. REENCARNAÇÃO DO ANTI CRISTO. O DIABO PÓS GRADUADO COM MESTRADO MINISTRADO POR HITLER.

  15. Erika Postado em 30/Jul/2014 às 22:30

    Alguém poderia me explicar porque os judeus são diferentes dos espanhóis, italianos, japoneses, turcos, quer sejam católicos, protestantes, islamitas, xintoistas, ateus, sei lá, todos migraram um monte e se integraram e se misturaram com os que já haviam chegado antes. Mas os judeus são sei lá se um povo ou uma religião ou uma seita ou uma gangue ou tipo uma maçonaria, sei lá que grupo de iluminados que quer ser aceita por todos mas não aceita ninguém. Ou vc nasce judeu ou só se for mulher pode se converter. Uma política surreal, bem apropriada para roubo de mulheres de outras tribos. Sinceramente, falta ainda anos luz de reflexão e exercício de humildade para que vocês entrem para história contando a história de um povo nobre, além de serem as vítimas de uma perseguição que resultaram em diásporas e no holocausto. Credo, chega disso, eu que nem ligava pra vcs, que até já namorei um monte de judeu tô ficando é com raiva de todos, indistintamente e infelizmente.

  16. Bernardo Oliveira Postado em 31/Jul/2014 às 00:15

    Parabéns pelo texto.!!

  17. Marc. Postado em 31/Jul/2014 às 00:32

    Esse povo belicoso e ganancioso vive fora da Palestina por 2 mil anos, e depois voltam querendo a terra de volta, na década de vinte implantaram o terrorismo na Palestina, tirando os arabes que a centenas de anos viviam na região, desviaram o curso do rio jordão e se fazem de vitimas do mundo, a Palestina é dos Palestinos, fora Estado Sionista de Israel.

  18. Leila Sodero Postado em 31/Jul/2014 às 01:51

    Parabéns Marcelo pelo excelente texto e pela coragem de escrevê-lo e publicá-lo. Concordo com tudo. A civilização caminha no sentido da integração, miscigenação e respeito pelas diferenças, o contrário é voltar à barbárie. A questão principal em Israel é que um pequeno pedaço de terra é disputado por pessoas de diferentes credos. Hà milênios convivem várias raças e credos naquele lugar, porque separar agora? Imaginem se quiséssemos separar o Rio de Janeiro: judeus no Leblon, católicos em Copacabana, protestantes na Barra da Tijuca, budistas em Santa Teresa, etc. PErderia totalmente a graça. Guerras religiosas são a maior incoerência da humanindade, pois todas as religiões são baseadas em conceitos de paz, amor, perdão, compreensão. No fundo a religião é mero pretexto, a razão verdadeira é a predominância do "ter" pelo "ser". Realmente a "diáspora" não precisa ser articulada por um lugar de retorno. Bastam a origem e a histórica difundida entre as gerações. Obs.Tenho um livro publicado que fala sobre a proximidade entre as religiões. O herói é filho de pai judeu e mãe católica. Quem se interessar pode procurar na Internet: "Conexões É possível falar com Deus?"Autora: Leila Sodero

  19. Liana Lewis Postado em 31/Jul/2014 às 06:12

    Sou judia e me identifico completamente com a crítica do texto à questão judaica e Israel. Fico feliz em ter encontrado um judeu que comunga com a forma que penso. Parabéns pela lúcida reflexão!

  20. Marcelo tavora Postado em 31/Jul/2014 às 08:15

    Parabéns pela bela reflexão sobre o assunto.

  21. strazzo Postado em 31/Jul/2014 às 08:27

    Pensamentos como o teu é que me fazem torcer pela tua morte, pela minha morte, e pela morte de toda a humanidade.

    • nell Postado em 02/Aug/2014 às 19:07

      Então comece já, comece por vc mesmo. Boa ideia, né ?

  22. Alessandro Postado em 31/Jul/2014 às 09:16

    Não prestou atenção na parte do texto em que ele critica essa ideia de uma identidade étnica centrada numa pequeno espaço geográfico? Você precisa de mais concentração.

  23. Mariana Postado em 31/Jul/2014 às 10:29

    “Se todos fossem iguais à vc...que maravilha viver”

  24. Zbgniew Brzezinski Postado em 31/Jul/2014 às 11:37

    Guerra em Gaza expõe antissemitismo: 24/07/2014, às 08h01min. Quase tão chocante quanto as mortes da guerra Hamas-Israel é a reveladora onda antissemita que varre o mundo, especialmente na Europa. Na França, sinagogas e estabelecimentos de propriedade judaica foram deliberadamente atacados por manifestantes pró-palestinos. Na Alemanha, pela primeira vez desde o Holocausto, slogans antissemitas foram cantados nas ruas. Na Áustria, jogadores de um dos principais times de futebol israelense foram atacados em campo. A imigração islâmica semeou no fértil solo europeu um raivoso antissemitismo que não consegue mais sustentar sua máscara antissionista. Relatório recente do governo britânico aponta o ensino regular de ideias antissemitas e antissionistas nas escolas de comunidades islâmicas do Reino Unido. Mas a cereja (ou a suástica) do bolo é a acusação cada vez mais sem vergonha de que Israel está cometendo genocídio contra o povo palestino, atuando como a Alemanha nazista; o premiê israelense, retratado como Hitler; a situação de Gaza, comparada ao Gueto de Varsóvia. São acusações de uma infâmia atroz. Servem para expiar a culpa pelos 6 milhões de judeus exterminados na Europa ("os judeus também são nazistas") e revelam um ódio visceral contra Israel. Um ódio que produz efeito oposto ao desejado por seus arautos. Quanto mais Israel se sentir isolado, incompreendido e ameaçado, mais resistirá a ceder território e poder aos palestinos. Existe um arrazoado deste novo round Hamas-Israel que é deliberadamente ignorado pelos críticos do Estado judeu. Enfraquecido pela grave crise em Gaza, o Hamas apelou para o que a correspondente do "New York Times" relatou como "opção zero" –usar todo o arsenal bélico acumulado pelo grupo extremista islâmico desde a última guerra para melhorar sua posição crítica. Israel respondeu com esperada força aos ataques indiscriminados contra sua população civil. Mas o Hamas dobrou a aposta, recusando cessar-fogo, disparando seus novos mísseis e mostrando que o que não investiu na melhoria de Gaza, gastou em armas e uma rede tentacular de túneis e bunkers para proteger e projetar seus líderes e soldados. O cinismo do Hamas é de matar. Deliberadamente usa a população que promete defender como escudos humanos e faz de hospitais, escolas da ONU e mesquitas bases de lançamento de foguetes. Isso tudo está tão documentado quanto é ignorado pelos críticos de Israel. Um milagre socioeconômico e tecnológico, com uma das maiores produções per capita de prêmios Nobel, Israel é a única democracia funcional da região, cercada de ditaduras, estados falidos e guerras fratricidas. À sua volta, grupos extremistas islâmicos e ditadores sanguinários travam batalhas diárias que já mataram centenas de milhares de pessoas, grande parte civis, inclusive com uso repetido de armas químicas. Mas quem se importa com árabes matando árabes? Antigamente, os apologistas de sempre diziam que os tenebrosos homens-bomba palestinos eram produto de sua miséria diante da opressão israelense. Os suicidas hoje são tão ou mais comuns em outros conflitos árabes do que na Palestina. Por isso, pode ser muito mais esclarecedor enxergar a guerra em curso pelo ângulo da disfuncionalidade sociopolítica do mundo árabe do que de imorais julgamentos morais do Estado judeu. Se você quer a paz, é preciso compreender e respeitar os anseios de seu inimigo. Isso vale para Israel, deve valer para os inimigos de Israel. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiomalbergier/2014/07/1490456-guerra-em-gaza-expoeantissemitismo. shtml

  25. Ronaldo Assis Postado em 02/Aug/2014 às 14:58

    No lar que falta pão, nem o marido ou esposa tem razão, assim também são os dois estados Israel e Palestino, que haja um comum acordo.