Redação Pragmatismo
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Palestina 31/Jul/2014 às 09:12
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Os crimes de Israel, pela mídia de Israel

Veja como a mídia de Israel tenta explicar os mais de 1.000 palestinos assassinados em Gaza, a maioria dos quais civis, em comparação com apenas 3 civis israelenses mortos

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Patrick Cockburn. Originalmente publicado em CounterPunch

Os porta-vozes israelenses já têm muito trabalho tentando explicar como os israelenses assassinaram mais de 1.000 palestinos em Gaza, a maioria dos quais civis, em comparação com apenas 3 civis mortos em Israel por foguetes e fogo de morteiro do Hamás. Mas pela televisão e pelo rádio e pelos jornais, porta-vozes do governo israelense hoje, como Mark Regev, parecem menos enroladores e menos agressivos que predecessores, que eram muito mais visivelmente indiferentes ao número de palestinos mortos.

Há pelo menos uma boa razão para esse ‘aprimoramento’ das capacidades de Relações Públicas dos porta-vozes de Israel. A julgar pelo que se os veem dizer, já estão trabalhando conforme um estudo feito por profissionais, bem pesquisado e confidencial, sobre como influenciar a mídia e a opinião pública nos EUA e na Europa.

VEJA TAMBÉM: Quanto mais caos na Palestina, melhor para EUA e Israel. Entenda

Redigido pelo especialista em pesquisas e estrategista político dos Republicanos, Dr. Frank Luntz, aquele estudo foi encomendado há cinco anos por um grupo chamado “The Israel Project” [Projeto Israel], que mantém escritórios nos EUA e em Israel, para ser usado “por todos que estão na linha de frente da guerra midiática a favor de Israel”.

Cada uma das 112 páginas do folheto é marcada com “proibido distribuir ou publicar” [orig.“not for distribution or publication”], e é fácil entender por quê. O relatório Luntz – oficialmente intitulado “Dicionário de Linguagem Global do Projeto Israel 2009” [orig. “The Israel project’s 2009 Global Language Dictionary[1]] vazou quase imediatamente paraNewsweek Online, mas até hoje só muito raramente mereceu atenção, e sua verdadeira importância ainda mão foi devidamente considerada.

Deveria ser leitura obrigatória para todos, sobretudo para jornalistas interessados em conhecer a política de Israel, por causa da lista de “Faça/diga X” e “Nunca faça/diga Y” dirigida aos porta-vozes de Israel.

Aquelas duas listas são altamente iluminadoras para que se compreenda a distância imensa que separa o que funcionários e políticos israelenses pensam e creem, e o que eles dizem; o que eles dizem é modelado por pesquisa mantida ativa minuto a minuto, para detalhar o que os norte-americanos desejam ouvir. Com certeza, nenhum jornalista deveria arriscar-se a entrevistar qualquer porta-voz de Israel sem conhecer muito bem aquele manual e ter-se preparado para contra-perguntar sobre os muitos temas – e sempre com as mesmas palavras e frases – que se ouvem hoje da boca do Sr. Regev e seus colegas.

O panfleto é cheio de saborosos conselhos sobre como eles devem modelar suas respostas, para diferentes audiências. Por exemplo, o estudo diz que

“os norte-americanos aceitam que ‘Israel tem direito a ter fronteiras defensáveis’. Mas Israel não tem vantagem alguma em definir com precisão que fronteiras são essas. Evitem falar em fronteiras em termos de pré- ou pós-1967, porque isso só faz relembrar aos norte-americanos o passado militar de Israel. Essa expressão prejudica os israelenses, sobretudo no campo da esquerda. Por exemplo, o apoio da direita israelense a fronteiras defensáveis cai de 89% para menos de 60% sempre que vocês falam em termos de 1967.”

E quanto ao direito de retorno dos refugiados palestinos que foram expulsos ou fugiram em 1948 e nos anos seguintes, e que nunca mais puderam retornar às próprias casas e terras? Aqui, o Dr. Luntz é muito sutil nos conselhos que dá aos porta-vozes israelenses; diz que

“o direito de retorno é questão difícil para que os israelenses falem dela com eficácia, porque praticamente toda a linguagem israelense soa muito semelhante à fala de ‘separados, mas iguais’ dos racistas segregacionistas dos anos 1950s e dos defensores do Apartheid nos anos 1980s. De fato, os norte-americanos não gostam, não acreditam nisso e não aceitam o conceito de ‘separados, mas iguais’.”

Assim sendo, como devem os porta-vozes enfrentar questões que até o manual considera ‘difíceis’? Recomendam que a coisa seja chamada de “demanda” – porque os norte-americanos detestam gente que faz demandas. O manual ensina:

“Digam portanto: ‘os palestinos não estão satisfeitos com o estado que têm. Agora, estão demandando mais territórios dentro de Israel.”

Outras sugestões para resposta israelense efetiva incluem dizer que o direito de retorno deve ser item de um acordo final “algum dia, no futuro”.

O Dr Luntz observa que os norte-americanos em geral temem qualquer imigração em massa para dentro dos EUA, “portanto falem sempre de ‘imigração palestina em massa para dentro de Israel’ –, e os norte-americanos sempre rejeitarão a ideia. Se mais nada funcionar, digam que a volta dos palestinos faria ‘descarrilhar o esforço para alcançar a paz’”.

O relatório Luntz foi redigido logo depois da Operação Chumbo Derretido em dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, quando morreram 1.387 palestinos e nove israelenses.

Um capítulo inteiro é dedicado a “isolar o Hamás, apoiado pelo Irã, como obstáculo à paz.” Infelizmente, agora, quando está em curso a Operação Fio Protetor, iniciada dia 6 de junho de 2014, e nova matança de palestinos, há um problema grave para a propaganda de Israel, porque o Hamás está rompido com o Irã por causa da guerra na Síria e está completamente sem contato com Teerã. Só reataram relações amistosas há poucos dias – e por causa da invasão israelense.

Muitos dos conselhos do Dr Luntz tratam do tom e do modo de expor o pensamento de Israe0l. Diz que é absolutamente crucial mostrar vastíssima simpatia pelos palestinos:

“Os persuasíveis [sic] não dão importância ao que você saiba, até que se convençam de que você lamenta muito, do fundo do coração, toda a situação. Mostre empatia PELOS DOIS LADOS!”

Isso provavelmente explica por que tantos porta-vozes israelenses vão praticamente às lágrimas quando falam do sofrimento dos palestinos bombardeados por bombas e mísseis israelenses.

Em frase escrita em negrito, sublinhada e toda em maiúsculas, o Dr Luntz diz que os porta-vozes ou líderes políticos israelenses NÃO DEVEM, NÃO PODEM, nunca, de modo algum, justificar “o massacre deliberado de mulheres e crianças inocentes”, e devem reagir agressivamente contra qualquer voz que acuse Israel por tal crime. Vários porta-vozes israelenses esforçaram-se muito para seguir esse conselho na 5ª-feira passada, quando 16 palestinos foram mortos num abrigo da ONU em Gaza.

Há uma lista de palavras e frases a serem usadas e uma lista de palavras e frases a serem evitadas. Há de tudo: “O melhor meio, o único meio, para alcançar paz duradoura, é alcançar respeito mútuo.” O mais importante é que o desejo de paz de Israel com os palestinos tem de ser sempre enfatizado, porque é o que os norte-americanos mais querem que aconteça. Mas se se observarem pressões para que Israel realmente faça alguma paz, a pressão deve ser imediatamente reduzida; nesse caso, os israelenses devem dizer:

“um passo de cada vez, um dia depois do outro” – expressões que serão facilmente aceitas como “abordagem de bom senso, para a equação ‘deem-nos A terra, que lhes damos a paz’.”

O Dr Luntz cita como exemplo de “pegada israelense muito eficaz” a seguinte frase: “Quero muito particularmente falar às mães palestinas que perderam seus filhos. Nenhum pai ou mãe deveria ter de enterrar suas crianças.”

O estudo admite que o governo israelense não quer, de fato, qualquer solução de dois estados, mas diz que isso não pode ser declarado publicamente, porque 78% dos norte-americanos são favoráveis àquela solução. Devem-se enfatizar sempre as muitas esperanças de que os palestinos progridam economicamente.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é citado com elogios, por ter dito que “já é hora de alguém perguntar ao Hamás: o que, afinal, estão fazendo para melhorar a vida de seu povo?!” A hipocrisia, aí, é inacreditável: é Israel, com os sete anos de bloqueio econômico que impõe a Gaza, quem reduziu Gaza ao estado de pobreza e miséria em que vive hoje.

Em todos os casos e ocasiões, o modo como porta-vozes israelenses apresentam os fatos é planejado para dar a norte-americanos e a europeus a impressão de que Israel desejaria muito a paz com os palestinos e estaria disposta a ceder para chegar à paz. Todas as evidências, e também o Manual do Dr. Luntz, sugerem que tudo aí, são mentiras. Embora não tenha sido requisitado ou produzido com essa finalidade, poucos estudos mais reveladores foram jamais escritos sobre a Israel contemporânea, em tempos de guerra e paz. *****

LEIA MAIS: Texto de antropólogo judeu viraliza na internet

[1] Pode ser lido (ing.) em http://www.docstoc.com/docs/8303274/The-Israel-Projects-2009-Global-Language-Dictionary [NTs].

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Comentários

  1. Gavinho Postado em 31/Jul/2014 às 09:42

    Israel não se respeita, um Estado não pode ser bandido! Judeus do mundo envergonhados com a moral enfraquecida, não se pode separar o judaísmo de Israel... Vingança e crueldades rebaixam um povo e uma nação...vergonha que não se pode mais esconder!

  2. Zbgniew Brzezinski Postado em 31/Jul/2014 às 11:38

    Guerra em Gaza expõe antissemitismo: 24/07/2014, às 08h01min. Quase tão chocante quanto as mortes da guerra Hamas-Israel é a reveladora onda antissemita que varre o mundo, especialmente na Europa. Na França, sinagogas e estabelecimentos de propriedade judaica foram deliberadamente atacados por manifestantes pró-palestinos. Na Alemanha, pela primeira vez desde o Holocausto, slogans antissemitas foram cantados nas ruas. Na Áustria, jogadores de um dos principais times de futebol israelense foram atacados em campo. A imigração islâmica semeou no fértil solo europeu um raivoso antissemitismo que não consegue mais sustentar sua máscara antissionista. Relatório recente do governo britânico aponta o ensino regular de ideias antissemitas e antissionistas nas escolas de comunidades islâmicas do Reino Unido. Mas a cereja (ou a suástica) do bolo é a acusação cada vez mais sem vergonha de que Israel está cometendo genocídio contra o povo palestino, atuando como a Alemanha nazista; o premiê israelense, retratado como Hitler; a situação de Gaza, comparada ao Gueto de Varsóvia. São acusações de uma infâmia atroz. Servem para expiar a culpa pelos 6 milhões de judeus exterminados na Europa ("os judeus também são nazistas") e revelam um ódio visceral contra Israel. Um ódio que produz efeito oposto ao desejado por seus arautos. Quanto mais Israel se sentir isolado, incompreendido e ameaçado, mais resistirá a ceder território e poder aos palestinos. Existe um arrazoado deste novo round Hamas-Israel que é deliberadamente ignorado pelos críticos do Estado judeu. Enfraquecido pela grave crise em Gaza, o Hamas apelou para o que a correspondente do "New York Times" relatou como "opção zero" –usar todo o arsenal bélico acumulado pelo grupo extremista islâmico desde a última guerra para melhorar sua posição crítica. Israel respondeu com esperada força aos ataques indiscriminados contra sua população civil. Mas o Hamas dobrou a aposta, recusando cessar-fogo, disparando seus novos mísseis e mostrando que o que não investiu na melhoria de Gaza, gastou em armas e uma rede tentacular de túneis e bunkers para proteger e projetar seus líderes e soldados. O cinismo do Hamas é de matar. Deliberadamente usa a população que promete defender como escudos humanos e faz de hospitais, escolas da ONU e mesquitas bases de lançamento de foguetes. Isso tudo está tão documentado quanto é ignorado pelos críticos de Israel. Um milagre socioeconômico e tecnológico, com uma das maiores produções per capita de prêmios Nobel, Israel é a única democracia funcional da região, cercada de ditaduras, estados falidos e guerras fratricidas. À sua volta, grupos extremistas islâmicos e ditadores sanguinários travam batalhas diárias que já mataram centenas de milhares de pessoas, grande parte civis, inclusive com uso repetido de armas químicas. Mas quem se importa com árabes matando árabes? Antigamente, os apologistas de sempre diziam que os tenebrosos homens-bomba palestinos eram produto de sua miséria diante da opressão israelense. Os suicidas hoje são tão ou mais comuns em outros conflitos árabes do que na Palestina. Por isso, pode ser muito mais esclarecedor enxergar a guerra em curso pelo ângulo da disfuncionalidade sociopolítica do mundo árabe do que de imorais julgamentos morais do Estado judeu. Se você quer a paz, é preciso compreender e respeitar os anseios de seu inimigo. Isso vale para Israel, deve valer para os inimigos de Israel. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiomalbergier/2014/07/1490456-guerra-em-gaza-expoeantissemitismo. shtml

    • Jose Postado em 31/Jul/2014 às 14:57

      Os caras que matam umas 50 pessoas por dia alegam que estão sendo perseguidos...

    • Júlio Gustavo Costa Postado em 31/Jul/2014 às 18:01

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! e vc queria o que amiguinho?! beijinhos e sorrisos?! É absolutamente natural que colham o ódio que vcs mesmos estão plantando! Simples assim ... ;o)

  3. paulo correa Postado em 31/Jul/2014 às 13:53

    vcs que se acham os donos do mundo manipulando a todos com o seu poder economico.onde possa se dizer as principais instituições financeiras internacionais.por isso que as grandes potencias fecham os olhos para as atrocidades cometidas pelo governo israelese

  4. Antonio Palhares Postado em 31/Jul/2014 às 14:59

    Eu jamais seria ante isto ou aquilo.Sou apenas contra assassinar crianças bombardeando suas casas.

    • Thiago Teixeira Postado em 31/Jul/2014 às 17:12

      É assim que deveria ser! Religião, Política, preferencia sexual, time de futebol, sexo, etnia deveria ser terceiro plano quando trata-se do tratamento ao ser humano.