Redação Pragmatismo
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Racismo não 28/Jul/2014 às 16:35
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Onde estão os políticos negros no Brasil?

“Não posso falar com autoridade no Brasil, mas às vezes não é preciso ser especialista para perceber que alguma coisa está errada em um país cuja maioria é negra e a representação é majoritariamente branca”, diz Angela Davis

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A filósofa e ativista norte-americana Angela Davis (reprodução)

Marcos Sacramento, DCM

A ausência de negros em cargos políticos e de destaque no Brasil chamou a atenção da filósofa e ativista norte-americana Angela Davis. Nascida no Alabama, Davis foi professora da Universidade da Califórnia e teve ligações com o grupo Panteras Negras, sendo presa por causa disso no início dos anos 70. Uma das principais lideranças femininas na luta pelo direito dos negros nos Estados Unidos, foi homenageada em músicas de John & Yoko (“Angela”) e dos Rolling Stones (“Sweet Black Angel”).

Ela foi um dos destaques do Festival Latinidades 2014: Griôs da Diáspora Negra, em Brasília. Na sua conferência, disse que ficou impressionada com a pouca presença de negros e pardos na política nacional. “Quantos senadores negros há no Brasil? Se olharmos para o Senado não saberíamos que os negros constituem mais de 50% da população brasileira”, questionou.

LEIA TAMBÉM: Angela Davis: Racismo de hoje é muito mais perigoso

“Não posso falar com autoridade no Brasil, mas às vezes não é preciso ser especialista para perceber que alguma coisa está errada em um país cuja maioria é negra e a representação é majoritariamente branca”, disse.

Ela criticou, inclusive, a participação irrisória dos negros nos meios de comunicação. “Sempre assisto TV no Brasil para ver como o país se representa e a TV brasileira nunca permitiu que se pensasse que a população é majoritariamente negra”.

O comentário da intelectual e a matéria do The Guardian que destacou a ausência de negros nos estádios durante os jogos da última Copa ilustram o racismo estruturado na sociedade brasileira.

Em um país onde 50,7% da população é negra ou parda, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), menos de 10% dos parlamentares federais são desses grupos, como mostra um estudo da Transparência Brasil.

Número que contribui para as estatísticas cruéis contra os negros e explicita a necessidade de implantação de cotas para reduzir as discrepâncias raciais. A probabilidade de um negro ou pardo ser vítima de homicídio, por exemplo, é quase oito pontos percentuais a mais do que a da população branca.

Angela Davis, contudo, não acha suficiente que os negros ocupem o poder. É preciso que tomem atitudes para realmente pôr fim ao preconceito. “Não significa somente trazer pessoas negras para a esfera do poder, mas garantir que essas pessoas vão romper com os espaços de poder e não simplesmente se encaixar nesses espaços”.

A crítica faz referência a Barack Obama, mas pode ser aplicada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de implantação de cotas no Judiciário, ele disse: “Não sei e estou de saída. Es ist mir ganz egal (em alemão,’para mim tanto faz’). Não estou nem aí”.

Segundo o Censo do Poder Judiciário divulgado mês passado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 1,4% dos magistrados brasileiros se autodeclaram pretos. Percentual hediondo, pequeno demais para “não estar nem aí”.

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Comentários

  1. Denisbaldo Postado em 28/Jul/2014 às 16:49

    Uma vez afirmei aqui que não existiam negros em nosso Congresso e um coxinha justificou dizendo que negro não vota em negro...Mal passa pela cabeça do imbecil que para ser candidato e eleito geralmente alguns milhões de reais são necessários; quantos negros milionários no Brasil vocês conhecem???

    • Thiago Teixeira Postado em 28/Jul/2014 às 17:07

      O coxinha deve ter sido eu. E falo de novo: "NEGRO NÃO VOTA EM NEGRO". Tínhamos a grande possibilidade de ter um senador negro por São Paulo em 2010, e a galera da periferia votou no Aloísio Nunes. Conhecidos meus disseram: "Ciclano é pagodeiro, se ele virar senador vai ficar se achando".

      • Denisbaldo Postado em 28/Jul/2014 às 23:40

        Então os seus conhecidos representam todos os negros do Estado de São Paulo...Me explica uma coisa então, como o Pitta conseguiu se eleger prefeito de São Paulo??? Só os brancos votaram nele??? Ou será que foram os milhões da campanha do Maluf que convenceram a maioria???

      • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 08:07

        Sou caucásica e voto em quem acredito: se um pagodeiro preto vier a conquistar minha confiança, votarei nele. Ainda não perdi a esperança de conhecer o Mandela ou o Abdel Nasser brasileiro.

      • Thiago Teixeira Postado em 29/Jul/2014 às 09:26

        Pitta exercia um cargo executivo na prefeitura de São Paulo na gestão do Maluf, era situação e venceu por indicação do sucessor. Tinha uma sólida formação acadêmica também.

      • Denisbaldo Postado em 29/Jul/2014 às 10:06

        Parece que o seu argumento de coxinha que "preto não vota em preto" caiu pro terra. É a declaração mais racista e reaça que já ouvi na vida. Meu amigo, política no Brasil é só dinheiro, o Pitta se elegeu com a grana do Maluf. Preto no Brasil é pobre, por isso não se elege. Mais simples que isso impossível. Preto não vota em preto...hahahaha. E o Netinho de Paula, não é vereador de São Paulo, quase foi eleito senador. Quantos milhões de votos ele teve naquela ocasião??? Então só branco votou nele também??? hahahaha! Então quer dizer que branco vota em preto? hhahahaha! E a Marina Silva??? Se liga meu irmão, para com isso. O que falta ao negro é a grana do branco.

      • Thiago Teixeira Postado em 29/Jul/2014 às 12:33

        Então tá. Qual a porcentagem da população negra de Salvador? Agora olhe os prefeitos, vereadores e governadores eleitos até hoje. Até travesti conseguiu se eleger por lá.

    • guycap Postado em 29/Jul/2014 às 13:49

      No esquece, Gilberto Gil fue o primeiro negro eleito na Bahia como vereador de Salvador; no tinha milhoes mas uma voz

  2. Vinicius Schmit Postado em 28/Jul/2014 às 17:12

    Errado é pensar que a distribuição racial na politica em uma democracia representativa não será reflexo da formação histórica e social daquele lugar. No nosso caso, ve-se claramente que não há equanimidade e isonomia no acesso a politica publica, e essa falta pode ser entendida olhando para a formação do pais

  3. Bruno Postado em 28/Jul/2014 às 17:40

    Até onde eu sei negro e pardo são diferentes. De acordo com o critério eu posso dizer que 100% da população é negra, visto que toda a população é negra ou parda ou branca ou amarela ou indígena.

  4. Rodrigo Postado em 28/Jul/2014 às 18:00

    (Outro Rodrigo) Por curiosidade e como sugestão, seria interessante postagem sobre percentual e respectiva evolução, quanto a homens/mulheres/homossexuais negros, brancos, pardos e mesmo indígenas, bem como escolaridade, no Congresso, desde 1988 até a atual legislatura.

  5. Haydee Postado em 28/Jul/2014 às 18:06

    E daí...a desigualdade existe também em ser mulher e não ter a mesma remuneração que os homens, os negros acham que só eles são vítimas de preconceito, no entanto, eles mesmos são racistas, quando se quer de verdade, chega-se ao objetivo, pobre, negro, mulher, todos estamos na mesma luta.

    • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 08:14

      Eu não estou em luta sectaria nenhuma. Não atendo a interesses privados de grupos políticos. Isso passa bem longe de qualquer conceito de luta social. Movimento social atende a valores político-filosóficos como democracia, justiça, trabalho, legalidade, liberdade, independencia, empatia, não a individuos ou grupos que almejam o poder pelo poder: o poder que é cobiçado não para assumir responsabilidades com valores mas simplesmente para pseudocompensar problemas de autoimagem.

    • Thiago Teixeira Postado em 29/Jul/2014 às 09:30

      E digo mais, "MULHER NÃO VOTA EM MULHER". Triste. Não que as pessoas devam votar em políticos que se assemelhem fisicamente ao eleitor, mas observo uma certa discrepância na representatividade feminina e negra em cargos executivos e legislativos. Até que se candidatam, mas não passam são eleitos (as).

      • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 10:59

        A maioria das brasileiras realmente não acredita na capacidade feminina e o pior: condenam, sabotam e invejam a independencia feminina tanto quanto fazem os homens.

  6. Liziane Postado em 28/Jul/2014 às 19:38

    Haydée, é impossível os negros serem racistas com outros negros, pois o racismo exige duas raças/etnias distintas, para que uma possa subjugar a outra. "Os negros" são muitos, então não se pode dizer que todos se acham as únicas vítimas. Até porque muitos dos "negros" são mulheres! Dessa forma, sabemos do duplo sofrimento! E já que percebes a desigualdade das mulheres no nosso país, como eu percebo, te sugiro unir-te a um movimento feminista, pra aprender mais a respeito e modificar essa realidade. Tu sofre, eu sofro. Luta pelo que tu acredita, não desmerece a luta alheia! É exatamente assim que as maiorias querem que as "minorias" se comporte, enfraquecendo o movimento.

  7. Liziane Postado em 28/Jul/2014 às 19:41

    Para Haydee novamente. E por último, "querer de verdade" não resolve quando as oportunidades não são igualitárias. Te sugiro conhecer o termo "equidade". Ler a respeito da escravidão. E aí sim, voltamos a conversar.

  8. Murilo Serafim Postado em 28/Jul/2014 às 22:19

    Eu não devo ter lido este título. Devo estar delirando. A matéria nem vou ler.

    • Carol Postado em 29/Jul/2014 às 10:37

      e continue na ignorância.

  9. Raul Fernandes Postado em 28/Jul/2014 às 22:48

    Não leia Murilo, ninguém esta de pedindo para fazer isso!!

  10. Siomara Maciel Postado em 29/Jul/2014 às 07:20

    Li a matéria e os comentários, sou negra, e acho preocupante as pessoas se contra atacarem ao invés de buscar soluções. A matéria é fato, independente do que se trata a discriminação, seja ela de qual natureza for, ao contrário de se dividir temos é que nos unir ou no mínimo sermos solidários com quem denuncia, se é que estamos falando em justiça. Hoje são os negros , amanhã pode ser você.

    • eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 11:00

      Falou o Haiti ! Ai, que medo !

  11. eu daqui Postado em 29/Jul/2014 às 08:09

    Quem usa critérios como raça, cor, sexo, preferencia sexual, classe para votar não deveria ter direito a voto.

  12. Carol Postado em 29/Jul/2014 às 10:36

    “Não sei e estou de saída. Es ist mir ganz egal (em alemão,’para mim tanto faz’). Não estou nem aí”. Mal educado esse Joaquim Barbosa! Quer dizer que pra ele "tanto faz"? Nossa!e ainda quis falar em alemão pra pagar de erudito! Que coisa..

    • Thiago Teixeira Postado em 29/Jul/2014 às 12:45

      Joaquim utiliza uma proteção com grande quantidade de melanina em sua pele. Não há negritude alguma nele, e de longe está obrigado a defender sua etnia. Só pelo simples fato de ter chegado ao cargo máximo do magistrado brasileiro, já é um grande espelho a todos que querem vencer na vida, independente de raça, religião ou demais rótulos "padronizados" (branco, católico, tucano, morador da capital, hetero, masculino, graduado, rico e jovem).

  13. Rodrigo Postado em 29/Jul/2014 às 16:30

    Hahaha acho engraçado que quando Lula indicou ele era um exemplo de negro, quando não se vendeu ao PT, nem negro é mais. Daqui a pouco vão dizer que preto que não vota no PT não é negro, ai teremos um crescimento enorme de brancos no Brasil. hahahahah

  14. Danilo Henrique Postado em 29/Jul/2014 às 18:05

    A questão é: quantos negros são candidatos? a que cargos são candidatos? Na cabeça das gentes o governo é o executivo... O nosso legislativo é bem homogêneo. O judiciário, que é um poder técnico, possui uma maioria branca, mas é devido a exclusão histórica dos negros no processo de educação do país. Exclusão essa que somente se acentua com medidas como cotas, uma vez que transfere um lugar público sem a meritocracia, que é justamente o princípio fundador do lugar público. A medida para a inclusão política do negro é simples: Educação acessível e de qualidade E como fazer isso sem romper com a meritocracia? Conceder bolsas e apoio estudantil de tempo limitado e mediante boas notas, além de um maior investimento na educação fundamental. Assim teremos a inclusão de todos os brasileiros em todos os setores, independente de etnia, sexo e religião. Bastará apenas que o sujeito queria participar da sociedade que ele participará

  15. Zé-doido Postado em 29/Jul/2014 às 22:04

    Tenho nada contra os negros na política, mas já ouviram falar de Albuíno Azeredo, ex-governador do ES? Pois é... rs.

  16. pauloribeirojunior Postado em 30/Jul/2014 às 22:06

    onde estão os pacatos negros que deixam que osbrancos tomem as suas dores e os defendam como se fossem eles? Onde estão os negros para defenderem o PT, que lutou ferozmente no congresso e no executivo, para implantar as cotas, as secretarias de apoios, forçar a inclusão na máquina administrativa? Onde,onde?....Onde estão as passeatas e os manifestos para ampliar estes feitos e defenderam o que foi conquistado e quem lutou por eles, sem ao menos serem negros? Onde estão os protestos por traidores tais como os joaquins barbosas, que depois de serem alçados a lugares por justiça, os traem sem pudor e sem consciência? Onde estão os negros pelo amor de deus?

  17. Lourival Bento Costa Postado em 31/Jul/2016 às 14:12

    Realmente Negro não vota em Negro, essa é pura realidade eu vou morrer e não vou um Governador ou Presidente Negro nesse País, os Brancos não deixa ele nem se candidatar veja o Sr. Joaquim Barbosa foi um exemplo, pôs todos os ladrões na cadeia agora o Juiz Moro deu continuidade no trabalho do Joaquim Barbosa aquele sim se saísse candidato Presidente da República eu votaria nele e faria de tudo para ele ganhar a eleição.