Redação Pragmatismo
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Palestina 24/Jul/2014 às 17:38
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"Nós somos reservistas de Israel e nos recusamos a lutar em Gaza"

A eloquente e esclarecedora carta dos soldados israelenses que se recusam a lutar em Gaza

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Soldados de Israel divulga carta aberta explicando por que se recusam a servir em Gaza (divulgação)

O serviço militar israelense é obrigatório para homens e mulheres. Movimentos de resistência são comuns. O primeiro caso conhecido é de 1954, quando um advogado, Amnon Zichoroni, pediu para ser dispensado por ser pacifista. Em 2004, cinco pessoas foram condenadas a um ano de prisão por não se alistarem.

Em março, sessenta jovens entre 16 e 19 anos escreveram um manifesto destinado ao primeiro ministro Binyamin Netanyahu em que diziam recusar o alistamento pois se opunham à ocupação dos territórios da Palestina.

Agora, são 51 soldados que se levantaram contra as Forças de Defesa, alguns deles na reserva.

Eles escreveram uma carta aberta no Washington Post explicando os motivos. O texto chega no momento em que a violência recrudesce na Faixa de Gaza, com a possibilidade cada vez mais remota de um cessar-fogo nas próximas horas.

Eis alguns trechos:

Em Israel, a guerra não é apenas a política por outros meios — ela substitui a política. Israel já não é capaz de pensar em uma solução para um conflito político exceto em termos de força física; não admira que seja propenso a ciclos de violência mortal que nunca terminam. E, quando os canhões disparam, nenhuma crítica pode ser ouvida.

O exército, uma parte fundamental da vida dos israelenses, também é o poder que governa os palestinos que vivem nos territórios ocupados em 1967. Desde que ele passou a existir em sua estrutura atual, somos controlados por sua linguagem e mentalidade: dividimos o mundo entre o bem e o mal, de acordo com a classificação dos militares.

Os militares têm um papel central em todos os planos de ação e propostas discutidas no debate nacional, o que explica a ausência de qualquer argumento real sobre soluções não-militares para os conflitos de Israel com seus vizinhos.

Os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza são privados de direitos civis e direitos humanos. Eles vivem sob um sistema legal diferente de seus vizinhos judeus. Isto não é culpa exclusiva dos soldados que operam nesses territórios. Muitos de nós servimos em funções de apoio logístico e burocrático; lá, descobrimos que todo militar ajuda a implementar a opressão aos palestinos.

Muitos soldados que trabalham longe de posições de combate não resistem porque acham que suas ações, frequentemente rotineiras e banais, não têm relação com os resultados violentos em outros lugares. E as ações que não são banais — por exemplo, decisões sobre a vida ou a morte de palestinos tomadas em escritórios a quilômetros da Faixa de Gaza — são confidenciais, portanto é difícil um debate público sobre elas. Infelizmente, nós nem sempre nos recusamos a cumprir as tarefas que nos foram encarregadas e, desta maneira, contribuímos também para a violência.

O lugar central do militar na sociedade israelense, e a imagem ideal que ele cria, serve para apagar a cultura e a luta dos mizrachi (judeus cujas famílias são originárias de países árabes), etíopes, palestinos, russos, ultra-ortodoxos, beduínos e mulheres.

Há muitas razões para as pessoas se recusarem a servir no exército israelense. Mesmo que tenhamos diferenças de formação e motivação, nós escrevemos esta carta. No entanto, contra os ataques a aqueles que resistem ao serviço obrigatório, apoiamos os resistentes: os alunos do ensino médio que escreveram uma declaração de recusa, os ultra ortodoxos que protestam contra a nova lei de conscrição, e todos aqueles cuja consciência, situação pessoal ou econômica não permitem que sirvam. Sob o pretexto de uma conversa sobre a igualdade, essas pessoas são obrigadas a pagar o preço. Não mais.

Diário do Centro do Mundo

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Comentários

  1. Rogerio Postado em 25/Jul/2014 às 13:40

    Não falo mal de judeu por causa disso. Achar que todo judeu é sionista é como achar que todo alemão é nazista.

    • Thiago Teixeira Postado em 25/Jul/2014 às 17:15

      Realmente não tem nada a ver. A discussão são com os líderes políticos de Israel e o sionismo, não ao povo.

      • Gaúcho Postado em 27/Jul/2014 às 17:30

        Os lideres politicos de Israel são pessoas do povo.

      • eu daqui Postado em 28/Jul/2014 às 14:44

        O governo israelense é apoiado e mantido pela maioria do povo. O que se pode fazer aqui pra condenar com discernimento o nazissionismo é ter consciencia de que as exceções sempre existem.

    • Rodrigo Postado em 27/Jul/2014 às 17:08

      Falou tudo, cara!

  2. Alayr Pessôa Filha Postado em 25/Jul/2014 às 16:50

    Concordo com vc, Rogério. O povo judeu não é sinônimo de sionista nem de sinônimo de Israel. Na verdade, vemos a fé judaica apropriada indevidamente por um bando de monstros belicosos e genocidas a serviço de interesses econômicos. Os próprios israelenses, pelo que se aduz dessa Carta, estão sob uma ditadura militar.

  3. sandra gomes Postado em 27/Jul/2014 às 16:52

    Todo ser humano normal deve se posicionar contra qualquer forma de violência.Quem tá promovendo e incentivando essa guerra são os grupos que estão no poder destes países.O povo,em geral,não concorda com resolução de conflitos através da violência.

  4. nicole Postado em 27/Jul/2014 às 17:15

    é, mas o governo foi eleito....

  5. Gaúcho Postado em 27/Jul/2014 às 17:27

    Esses porcos não revidam em quem tentou atingi-los. Eles matam por prazer porque são de má indole. Quando nasce um judeu do sexo masculino a primeira atitude dos pais é fazer a circuncisão e a segunda é treiná-lo para ser um canalha cruel e assassino. Essa carta é uma farsa. Não existe judeu pacifista. .

  6. Vanderlei Prado Postado em 27/Jul/2014 às 17:55

    Então todos, inclusive as pessoas de Israel e os milhares de Judeus espalhados pelo mundo tem que dizer não e parar com a matança de crianças e inocentes...é o minimo que se pode esperar pra seguir chamando o povo na Terra de raça humana.

  7. HELIO RIBAS MICHELETO Postado em 27/Jul/2014 às 19:11

    - Não há uma guerra declarada entre israelitas e palestinos. O que existe são pontos de vista diferentes defendidos pelas forças dos canhões e mísseis. Não buscam uma paz negociada porque não existe confiança entre ambos. Enquanto isso, parte da população palestina continua sendo massacrada pelos potentes ataques militares israelenses. Não alguma resolução da ONU que bem poderia por fim ao conflito secular. Espera-se por parte dos organismos internacionais uma intervenção e o fim das hostilidades genocidas entre as partes. Que haja uma Paz verdadeira e duradoura no Oriente Médio porque dela depende a paz no Mundo inteiro. Shalom e Salamaleque!

  8. Franco Postado em 27/Jul/2014 às 20:06

    Se dependesse desses Israel não existia mais, os covardes hoje tem mais voz que os soldados.

  9. andre lajst Postado em 28/Jul/2014 às 14:54

    eu sou sionista e pro palestino , e tenho amigos palestinos pro israel . . Sionismo eh a liberdade do povo judeu de ter seu propio estado. os cristaos tem 60 paises no mundo, os islamicos 50, os judeus precisam ter o deles. e eu aceito que os palestinos tenham o deles. Quando voces ignoram o terrorismo, voces os alimentam a continuar a atignir civis. aconcelho a irem abrir os livros. pra depois falar. israel tem um exercito normal, hamas eh um grupo terrosita.

  10. Brasileiro em israel Postado em 29/Jul/2014 às 04:35

    Morando em Israel pude perceber uma coisa. Maioria dos judeus não querem a guerra. Inclusive os soldados não querem se sacrificar a toa. Existem judeus de todas as nacionalidades. Vejo soldados judeus russos, somalis, etíopes, etc... Também vejo árabes vivendo vida próspera, mesmo direitos e deveres econômicos, inclusive com representantes legais no Knesset. Como brasileiro, posso livremente conversar com todos e algumas coisas que obtive como resposta são. O governo Israelense tem cometido erros. As políticas de assentamento são desnecessárias e a maneira que o conflito tem sido regido realmente te sido pouco habilidoso. Mas o sentimento desta carta é quase que nulo entre os soldados que conheci. Inclusive judeus de outras partes do mundo tem vindo se alistar. Os judeus que perdem seus filhos. Eu conheci alguém aqui recentemente que enterrou um dos seus. Eles sabem que vão viver isto para sempre e sabe porque? Porque não importa, que certo ou errado, isto os árabes também falam, o Hamas irá sempre buscar atingir Israel. Por uma semana escutei alarmes, indo para abrigo, muitas vezes no meio da noite. Ver os olhos de minha esposa assutados. Durante esta semana inteira israel não disparou um tiro, apenas se defendendo. Infelizmente quando invadiu gaza vejo que foi algo feito de maneira truculenta. Eu sou feliz por escutar apenas poucos alarmes. As pessoas do sul vivem dentro de abrigos. As vezes elas estão no campo ou no trabalho e um morteiro vem de gaza. Isto é o momento de paz em que Israel não luta. E também não divulgam pois acham que isto não é problema dos outros, ficar chorando por seus mortos. Existe um app que recomendo a todos para que vejam os alarmes de ataques em Israel. Esperem o conflito passar e Israel não lutar mais e vejam como é a paz por aqui.