Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 22/Jul/2014 às 11:49
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Mulher denuncia agressão do namorado

Diferentemente de outras vítimas de violência doméstica que preferem evitar a exposição ou até não denunciar, cantora usou o Facebook para relatar agressão que sofreu do namorado

agressão mulher rio de janeiro
Silva Pereira foi agredida e prestou queixa contra o namorado (Edição: Pragmatismo Político)

Na última semana, a cantora Flavia da Silva Pereira, de 39 anos, marcava presença mais uma vez na roda de samba da Pedra do Sal, na Gamboa, Centro do Rio de Janeiro. Como de costume, ela se reuniu com amigos na casa de Fernando Luiz, com quem mantinha um relacionamento há cerca de quatro meses. Segundo Flavia, sua noite terminou bem diferente que as de costume, com uma peregrinação de seis horas entre delegacias e hospital para registrar uma agressão. Após uma discussão sobre a relação, Fernando teria lhe dado um soco no rosto, que feriu sua retina e poderia ter lhe deixado cega.

– Estávamos negociando uma volta, mas ele “entrou numa” achando que eu tinha marcado com outro rapaz lá, me falou coisas horrorosas. Tentei acalmá-lo, disse que ele estava sendo injusto, para ficar tranquilo. Aí voltei para sala, peguei o violão e voltei a tocar. Ele veio no meu ouvido e falou: “Se você me fizer continuar a passar vergonha, quem vai passar vergonha é você’. Fui até a cozinha atrás dele, ele tentou me empurrar para passar, segurei ele pela blusa e perguntei o que estava acontecendo. Falei baixo, porque tenho pavor de briga, de confusão, de exposição. Foi quando ele meu deu, um soco.

Diferentemente de outras vítimas, que preferem se preservar, a cantora compartilhou sua história no Facebook. A foto com seu rosto inchado após a agressão foi compartilhada centenas de vezes nas redes sociais e outras mulheres procuraram Flavia para dividir suas histórias.

– Quando me dei conta, estava absolutamente constrangida, me sentindo humilhada, envergonhada. Isso estava doendo tanto ou mais que a agressão. Fui agredida e ainda vou me sentir diminuída? Não vou mesmo. Quem tem que se sentir envergonhado é ele, não eu. Acabou que a situação se transformou numa luta. Vi a quantidade de depoimentos que recebi, de fragilidades que eu toquei, e me dei conta de que eu estava assumindo para mim uma responsabilidade. Não poderia deixar essas mulheres sem resposta. Eu trouxe esse monte de dor à tona e não posso ignorar. Imagino quantas mulheres passaram por isso e ainda estão com essa dor guardada – declarou a artista.

Depois da repercussão do caso, Fernando, que também é músico, publicou um texto em seu perfil na página social, no qual relata sua versão dos fatos. Ele confessou a agressão e afirmou que o relacionamento com Flavia era marcado por agressões por parte dela.

Flavia nega que já tenha agredido o ex-companheiro. Ela está recebendo auxílio do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher Vítima de Violência (NUDEM), da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. O caso foi registrado na Delegacia da Mulher como lesão corporal por motivo presumido de ciúmes. Uma medida protetiva para manter Fernando afastado da cantora também já foi deferida pela Justiça.

Assim como Flavia, outras mulheres vêm tomando coragem para expor a situação de violência nas redes sociais. Recentemente, a adolescente americana Jada, de 16 anos, concedeu entrevistas a vários canais de televisão americanos para denunciar o estupro do qual foi vítima. Moradora de Houston, nos Estados Unidos, ela estava em uma festa com amigos quando ingeriu uma bebida alcóolica adulterada.

Em seguida, foi estuprada por vários rapazes, que publicaram uma foto sua inconsciente nas redes sociais. Além de falar abertamente sobre o assunto, Jada também lançou uma campanha nas redes sociais pelo empoderamento das vítimas de violência.

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 22/Jul/2014 às 12:19

    Eu não consigo entender nossas leis. O cara espanca, confessa em rede social e fica por isso mesmo? A justiça por sinal manda uma cartinha dizendo "Olha morzinho, fica calminho, e não chegue mais perto da mocinha, tá bom fofura?". Isso é uma apologia ao crime, um retrocesso no combate a violência contra a mulher. Dá uns 15 anos de cadeia para agressões contra o sexo oposto para ver se os valentões covardes pensam duas vezes antes de agredir suas parceiras.