Redação Pragmatismo
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Homofobia 25/Jul/2014 às 14:29
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Homem hétero tem amigo gay?

Livre dos preconceitos e respeitando as diferenças, homens heterossexuais constroem relações de cumplicidade e parceria com seus melhores amigos homossexuais

O melhor amigo gay faz parte do mundo de muitas mulheres, a ponto deles serem indispensáveis em seu dia a dia. Mas eles não estão presentes só na vida delas. Muitos homens heterossexuais também têm uma relação de amizade profunda com outros homens homossexuais.

Esse é o caso dos músicos Bruno Palma e Leonardo Scripitore, ambos com 28 anos. Quem passa alguns minutos com eles, percebe logo um nível de intimidade que só uma amizade cheia de cumplicidade propicia.

hétero amigo gay
Bruno e Leonardo são amigos há 20 anos desde que se conheceram na terceira série. (Foto: André Giorgi)

Hoje tão evidente, a intimidade começou a ser construída em 1994, quando eles tornaram-se amigos aos 8 anos de idade, na terceira série do ensino fundamental.

“O Leo ficava na minha frente na fila por tamanho, estudamos a vida toda juntos. Éramos do grupo mais nerd, que sofria bullying. Acho que isso aproximou muito a gente”, conta Bruno sobre seu melhor amigo.

A relação não se abalou nem quando Bruno, aos 15, se assumiu para o amigo. “Ele falou pra mim: ‘Preciso te contar uma coisa, pela nossa amizade. Eu sou gay’. Eu respondi que tudo bem e assim aconteceu. Minha única surpresa foi porque ele era o cara que pegava mais mina na turma”, relembra Leonardo, sem conseguir conter o riso.

VEJA TAMBÉM: A cartilha sobre diversidade sexual no Japão

“A sinceridade fortaleceu ainda mais nossa relação”, observa Bruno. Ao lado do amigo Magoo, os dois têm uma banda de rock, a Twinpines. No trabalho do grupo há espaço tanto para músicas que falam do amor hétero quanto para as relacionados ao amor gay. Os três músicos até gravaram o EP “Beige” com cinco musicas sobre relações homoafetivas, em 2012, graças a um edital da Prefeitura de São Paulo voltado a projetos LGBT.

“Só foi meio difícil no começo. As composições são do Bruno, como se trata mais dos sentimentos dele, então na hora de interpretar tive que me adaptar”, explica Leonardo, que é vocalista da Twinpines.

As questões LGBTs também foram para o palco da Twinpines quando algumas personalidades públicas controversas, como o pastor Silas Malafaia e o deputado federalMarco Feliciano (PSC-SP), deram declarações consideradas homofóbicas. Nessas ocasiões, Bruno tocou guitarra de vestido.

“Eu não sou participante de nenhuma organização de causas gay, mas faço muita questão de falar sobre elas, seja em música, nos shows ou em conversas”, defende Bruno.

A relação de Bruno e Leonardo tem similaridade com uma parceria musical famosa do rock nacional. O cantor Cazuza(1958-1990) e o cantor e guitarrista Roberto Frejat também eram uma dupla apaixonada por música, que era formada por um amigo gay e um hétero. No início dos anos 80, eles formaram, junto com outros integrantes, o grupo Barão Vermelho, que existe até hoje, liderado agora por Frejat. O filme “Cazuza – O Tempo Não Pára” (2005), dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, retrata um pouco desta história.

Papos sobre amor e profissão

“Quando ficamos amigos, eu estava em uma fase vulnerável, sinto que ele me guiou por uma evolução pessoal e profissional. Me deu os recursos que eu precisei para ir me construindo”. É assim que o fotógrafo Felipe Prado, 25, define a importância em sua vida do seu amigo gay, o designer Anderson Salvador, 26.

O sentimento é reciproco. Anderson se derrete ao falar do amigo. “O Fe é um irmão. Antes de ele surgir na minha vida, eu não acreditava muito nesse tipo de amizade. É alguém com quem eu posso contar para qualquer coisa”, declara o designer, sobre a amizade nascida em 2010, quando eles se conheceram numa agência de publicidade em que trabalharam juntos.

Da mesma maneira que Anderson se preocupa com a vida profissional do amigo, Felipe ajuda o designer em seus problemas amorosos. “Se for um cara cafajeste, que pesa muito na dele, ou carente, eu fico incomodado e dou um toque. Mas fora isso, eu lido da mesma maneira que eu lido com qualquer outra pessoa hétero ou gay”, pondera o fotógrafo.

O publicitário Leonardo Marconi e o relações públicas Alan Cruz, ambos de 25 anos, também tem altos papos sobre relacionamentos. “Eu falo mais sobre minha namorada do que o Alan sobre os romances dele, mas ele desabafa também”, confessa Leonardo.

A namorada tem um papel importante na história. Já que foi ela que apresentou os dois. Mas as conversas não giram apenas em torno de dilemas amorosos.

Leonardo e Alan também conversam sobre outros assuntos, como futebol, games e música. Como qualquer outra dupla melhores amigos faria.

IG

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 25/Jul/2014 às 14:53

    Acho que não tem nada de mais pessoas de opções sexuais diferentes terem amizades. O amigo gay tem mais facilidade em apresentar mulheres do que amigos bêbados, estes, fazem é trazer mais macho pra festa.

    • Lucas Postado em 26/Jul/2014 às 13:52

      Nossa, cara, cê não entendeu nada do texto mesmo. Fica quietinho, vai. E entende de uma vez por todas que o mundo não gira em torno do seu órgão sexual ou da vontade de saciar seus prazeres de consumo masculinos, seu machista preconceituoso! P.s.: Não é opção, é condição!!!

  2. Rodrigo Postado em 25/Jul/2014 às 15:59

    Sou contra esse movimento que fazem passeatas a custo de dinheiro público, sou contra o vitimismo do Jean ex bbb, quem não lembra ele falando que só porque o rapaz era negro e gordo não deveria discordar do projeto dele? Ou no bbb ele dizendo que o motivo que tinha sido indicado era gay mesmo sem nunca ter se assumido na casa? Mesmo discordando de tudo isso tenho amigos gays, porque eles lutam apenas para viver sua vida normalmente e não por uma militância.

    • Gabriel Postado em 25/Jul/2014 às 17:17

      "Sou contra esse movimento que fazem passeatas a custo de dinheiro público" Contra a marcha pra jesus você não é contra né? Também não é contra os bilhões que a igreja acumula todo ano né? Porque será que sempre que alguém faz uma crítica a homossexuais, vem em seguida com "mas eu tenho amigos gays"? Me poupe né cara. O Feliciano e o Malafaia também tem amigos gays...

      • Matheus Postado em 27/Jul/2014 às 01:22

        Ele falou alguma coisa de igreja? Ele tocou em religião? Poderia ser um ateu falando, acho que o preconceito surge dos dois lados Gabriel e a ignorância também. Enquanto você generalizar os evangélicos não poderá cobrar que não te generalizem! Ele está falando de vítima, dos gays de militância e não de todos os gays. Preconceituoso seu comentário, não vi ele dizendo nada além do que ele pensa sem ofender. Vai procurar o que fazer!Obs: Sou gay e acho ridículo essa mania de querer se defender ofendendo as pessoas, e me desculpe, o comentário do Rodrigo não me ofendeu, é uma opinião dele, o vitimismo que ele fala é o mesmo do seu comentário!

      • Renato Postado em 28/Jul/2014 às 21:47

        A marcha para Jesus não tem financiamento publico e quanto aos bilhões que a igreja acumula o dinheiro é dos fiéis e diz respeito apenas a eles, é claro que o "mesmo discordando de tudo isso tenho amigos gays" é um tanto forçado. Mas sinceramente acredito que o objetivo dos homossexuais não é fazer amiguinhos e sim que apenas parem de encher o saco em respeito as suas sexualidades, objetivo este que também deveria ser dos evangélicos, que parem de encher o saco e os deixem em paz, mas claro que isso não ocorre, em nenhum dos lados.

  3. luis Postado em 25/Jul/2014 às 17:49

    Adoraria opinar sobre esse texto, mas não tenho nenhum amigo, seja gay ou não.

  4. Rodrigo Postado em 25/Jul/2014 às 21:08

    Gabriel porque vou me meter nos bilhões que a Igreja acumula se vem dos fies? Quem sou eu para criticar-los por jogar dinheiro fora? Marcha para Jesus? Me mostra quando eu disse que apoiava isso? Estou criticando o dinheiro público jogado no ralo, E quem disse que a macha para Jesus tem dinheiro público? Algum site esquerdista? Leia isso antes de falar merda, http://www.oliberalnet.com.br/noticia/E4D34B021E2-justica_proibe_dinheiro_publico. Concordo totalmente com a decisão da justiça, e indo mais fundo, porque também não proíbe da parada gay? Dinheiro jogado no ralo do mesmo jeito.

  5. João Carlos Accioly Postado em 26/Jul/2014 às 14:26

    É totalmente possível uma amizade verdadeira entre pessoas de sexualidades diferentes, digo isso por experiência própria. Mas lendo os comentários acima vou me desviar um pouco do assunto, pois penso que a tal passeata do orgulho gay tem servido apenas para reforçar o preconceito que algumas pessoas insistem em manter. Não acho correto, por exemplo, pessoas fazerem na rua o que deviria fazer entre quatro paredes seja hetero, bi ou homossexual (e existem muitos relatos de que isso realmente acontece por lá). Não posso generalizar, pois sei que levando em consideração o numero de participantes, uma minoria tem este comportamento, porem tal ato praticado por dois homens tem um peso muito maior para os hipócritas de plantão do que se o mesmo acontecesse entre um homem e uma mulher (o que também acontece muito, mas não repercute tanto quanto). Precisamos rever nossa forma de reivindicar direitos. Quanto ao dinheiro publico, por questões obvias as igrejas tem condições mais do que suficientes para não precisar dele para nada, muito menos financiando marcha para Jesus nenhum, e se é para fazer a coisa certa, que não seja disponibilizado para ninguém, afinal se uma marcha para Goku, Jesus, Ganesha, ou o escambal não tem serventia nenhuma para sociedade, a passeata do orgulho gay infelizmente também não tem tido, pelos motivos que acabei de citar. Mais uma vez, precisamos urgentemente repensar a forma de reenvidar nossos direitos. Com relação aos bilhões acumulados por igrejas evangélicas, deveríamos nos meter sim, pois estas instituições não pagam impostos, se não me falha a memoria por serem consideradas instituições sem fins lucrativos e convenhamos isso é uma piada, o comercio ali dentro e fora rola solto (a Record que o diga)! Em relação ao Jean Wyllys no o vejo como um vilão, ele defende seus posicionamentos assim como os pastores Eurico e Feliciano, por exemplo, defendem os deles e se isso for se fazer de vitima, a bancada evangélica tá fazendo escola, o deputado do PSOL ainda tem muito o que aprender com eles. Segundo os evangélicos que até o ano passado eram um quarto da população do Distrito Federal (IBGE), eles sim sofrem preconceito. Será? A sensação que tenho é que eles estão em estado cataléptico esperando que seus pastores/políticos tragam uma cura santa.

  6. Cleber Postado em 26/Jul/2014 às 20:43

    Nossa Senhora.... eu entendi que o texto quis traduzir em potencial a naturalidade da relação entre os amigos independente do que eles gostas.... em especifico os gays e os hetero.... o texto simplório e objetivo de grande relevância, escrita de fácil entendimento de todos. O munido é muito grande . Os nossos extremos devem ser equilibrados.... a prática/busca do que antes era comum...entre nós

  7. Jeferson Santos Postado em 28/Jul/2014 às 02:28

    E por que não poderia ser possível amizade entre pessoas hétero e homossexuais? Aliás, o questionamento deveria ser: será que realmente é importante saber das preferências sexuais de uma pessoa quando o assunto é ter amigos ou ser uma pessoa amiga?

  8. Danilo Henrique Postado em 28/Jul/2014 às 15:08

    Tenho amigos gays, amigas lésbicas, amigos negros, japoneses. Minha namorada é bi E daí Se o cara quer ter amigo gay é bom, se não quer é bom também. Se o cara não gosta de gay, de negro, de japa, de homem, de mulher, de gente, o problema é de cada um Cada um tem o direito de ter o amigo que tiver mais afinidade. Desde que cada qual respeite a integridade física e pessoal ta valendo tudo! Caraca! Que porre essa discussão. A vida é simples: Aja conforme tua vontade, desde que tua vontade não elimine a vontade do outro! Eis aí o verdadeiro imperativo categórico!