Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 15/Jul/2014 às 16:50
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“Comedora de placenta” ou vítima da violência obstétrica?

Ridicularizada e perseguida em sua própria cidade, o relato absolutamente chocante de uma mulher cruelmente exposta por uma equipe de saúde e por uma mídia criminosa, sensacionalista barata

comer placenta natal

Ligia Moreira Sena, cientista que virou mãe

Foi assim que a experiência traumática de parto de uma mulher (uma das mais traumáticas que já li ou ouvi) foi relatada e divulgada pela mídia. Uma mulher reduzida a “surtada comedora de placenta” (Fonte 1 / Fonte 2).

O relato e divulgação do caso, nesses termos, no entanto, somente aconteceram após o médico que a atendeu, Iaperi Araújo, ter se referido de maneira degradante, humilhante e ridicularizante à parturiente em sua página na rede social.

Você deve ter ouvido falar sobre esse caso. Aconteceu em Natal, no dia 02 de julho, mas a mídia somente começou seu freak show após a postagem do obstetra. Ex-obstetra, corrijo-me. Porque ele decidiu parar de praticar a obstetrícia.

Pois bem.

Em uma das matérias que menciono acima, há uma entrevista com ele, que conta, sob seu viés, o que considera ter acontecido.

Eu, que estudo a violência obstétrica e as práticas que a constituem, somente lendo sua entrevista (e os prints de sua publicação na rede social), pude identificar o que aconteceu, a motivação, a luta dessa mulher contra a separação mãe-bebê, o preconceito, a desinformação, a má prática, a luta contra a medicalização e a violência institucional e muitos outros pontos que nos dão uma visão aproximada de algo que acontece, infelizmente, ainda muito pouco: a reivindicação explícita dos direitos das mulheres no parto e contra a violência obstétrica. Mas acontece que encontrar mulheres suficientemente empoderadas para tal é evento tão raro que, quando acontece, elas são ridicularizadas e expostas pela mídia como “surtadas”, “comedoras de placenta” ou “irresponsáveis que colocam a vida dos filhos em risco e precisam de medidas legais que as acuem e as obriguem a uma cesárea contra sua vontade”, como aconteceu com Adelir Carmem Lemos de Góes, em abril deste ano.

Como a mim não interessa outra voz além da dessas mulheres – entre as quais também me incluo – abaixo você vai ler o relato da própria parturiente. Hoje uma mulher vivendo um puerpério extremamente difícil, vítima de bullying, ridicularizada e perseguida em sua própria cidade, cruelmente exposta por uma equipe de saúde e por uma mídia sensacionalista barata.

E por que?

Porque lutou com todas as forças que tinha, e após ser humilhada, ridicularizada e vitimada pela violência obstétrica, que faz centenas de novas vítimas todos os dias, para que não a separassem de seu filho.

Esse é o relato dela.
Absolutamente chocante.
E vai continuar acontecendo. Todos os dias. Com centenas de mulheres.
Até que tenhamos medidas concretas para coibir e punir a má prática que faz, todos os dias, novas vítimas.
Olhe para seu país. Olhe para suas mulheres.
Há violência, mutilação e horror aqui mesmo.
E encarada como normal, ou rotina.

______________________________________________________________________________________

“Sou um animal ferido, que volta destroçado e ensanguentado para o seu ninho, após sobreviver a uma tentativa quase eficaz de abate. Sou um mamífero em apuros, com sua cria no colo, chorando pelo pouco leite que sai das tetas de sua genitora. Eu. Que assustada me escondo de tudo e de todos, pois apesar de ter sobrevivido ao abate, sou agora açoitada e perseguida por meus iguais, mamíferos de mesma ordem, agora robotizados e produzidos por algum processo estranho e sintético, alheio ao processo natural de continuação da espécie, não conhecem o amor, nem o nascimento, nem a maternidade.

[…]

É incrível como na minha cabeça o desenrolar dos fatos e das emoções está cada vez mais claro, nítido, e é cada vez mais surreal a ideia de conseguir escrevê-lo.
[…]

Os flashes não me permitem dormir. O cansaço é infinito, as dores no corpo também são. Meus músculos que aos pouco se recuperam dos últimos dois dias sem dormir, juntamente com o cansaço provocado pelos momentos de tortura no hospital, meus músculos doem, doem tanto que parece que jamais vão sarar. Mas o que me dói mesmo é um canto do meu ser que não sei onde fica, não sei o que é. Sinto apenas uma sensação de vazio na existência. Uma espécie de “rombo” no meu existir, no meu ser, e que me anula por completo, me derruba como nem os meus torturadores conseguiram durante aquelas três horas e meia na sala de parto do Hospital Papi. Penso que o abate moral é um limiar entre eu me suicidar e continuar existindo, me rastejando. Fui abatida? Será que morri? Mataram-me e continuei viva, pelo meu filho que precisava ouvir as batidas do meu coração e foi arrancado violentamente de mim pelas mãos de quem desdenhava de um animal ferido cujo sangue jorrava aos montes, preso a uma mesa da qual não podia sair, pois estavam-lhe arrancando o resto de parto, de vida, que havia nela, sua placenta, tracionada e arrancada brutalmente pelas mãos do obstetra que me atendeu na urgência do hospital. Foi um verdadeiro espetáculo para quem assistiu. Pena que não foi ficção, e alguém ali estava sendo humilhada, moralmente assassinada, fisicamente mutilada, destroçada. Se me mataram, fui então um cadáver vilipendiado.

[…]

Finalmente, exatamente dez dias após o nascimento do meu filhote, estou cá, sentada de frente ao computador, decidida a relatar o que me aconteceu. Foram dez dias de repouso e fortalecimento, mesmo com todas as críticas, com todos os comentários atrozes e as reportagens na mídia me deplorando. Fui chamada de louca, psicopata, disseram que deveriam tirar meu filho de mim (e então ter-me-iam arrancado tudo que restava, e de mim nada mais haveria além de um bolo de carne com um coração pulsante, quando então já não haveria mais o limiar do abate moral, eu já estaria morta). Foram dez dias também de intensificação de todo o sofrimento que me açoita, pois agora eu tenho de lidar com inúmeros telefonemas, mensagens, pessoas perguntando umas às outras se o absurdo da mulher que teria comido placenta, agredido médico e corrido nua por aí tinha sido eu. Infelizmente não comi minha placenta, ainda, pois ainda não tive coragem para encará-la, pegar nela, senti-la, tão cheia de mim, da minha cria, e das emoções que vivenciamos durante nove meses, e nos últimos momentos do meu bebê dentro de mim. Infelizmente também não corri nua, precisei perder alguns minutos me vestindo com roupas sujas e ensanguentadas, pois até panos limpos me foram negados. Pensando bem, eu estava com muito frio, a hemorragia incontida me enfraquecia cada vez mais, acho que foi instintivo parar para me aquecer com aquelas roupas, ainda que sujas e ensanguentadas, aliás, sangue não faria diferença, pois depois que levaram meu filho de mim injustificadamente e manifestamente contra minha vontade para o berçário para lavá-lo com sabão, tirar o vernix protetivo e embrulha-lo com fraldas descartáveis e aquecê-lo artificialmente, desdenhando de meu clamor para tê-lo em meus braços, depois disso eu devo ter lavado com meu sangue o rol da frente do berçário. Perdoe-me quem estiver lendo, os fatos vão e vem, não sei se consigo seguir uma ordem cronológica muito precisa. E por fim, infelizmente não agredi o obstetra. E sequer posso mencionar publicamente o que se passa na minha mente, nesse sentido, por dois motivos: primeiro, eu seria processada, julgada e condenada muito facilmente por algum tipo penal como ameaça, por exemplo. O judiciário não tem pena de foder com quem já está fodido. Segundo, não tenho energias para gastar com isso, preciso me concentrar no meu filhote, que precisa de mim. Se minhas tentativas de afirmar minha autonomia e meu direito de escolha que foram sistematicamente tolhidos e aniquilados durante todo o meu atendimento naquele dia 02 de julho de 2014, se foram agressões, talvez eu o tenha agredido. E ainda assim digo isso em tom de ironia. Imagino que se as minhas tentativas de sobreviver ao massacre foram agressões, o que foi o massacre que me ocorreu naquela sala de parto? Será que um médico famoso de Natal, professor da universidade federal do RN, conhecedor de muitos juízes, promotores, respaldado pelo corporativismo médico, judiciário e elitista da região, será que ele seria sequer processado? Ou algum juiz amigo dele sentaria em cima do processo, ou mesmo enterraria o processo no quintal de casa? O que me resta é escrever um relato. É o substrato da violência patriarcal, machista, corporativista e medicalocêntrica que nos encarcera nesse projeto de civilidade que se nos impõe, rouba de nós mulheres a autonomia, a força, o parto, o nascimento e a maternidade. Uma mulher que pari e sabe a força animal que tem em si é uma grande ameaça a esse sistema, não é mesmo?

[…]

Cheguei no hospital por volta das 20h30… Eu estava a mais de 36 horas em trabalho de parto ativo, bolsa íntegra. Quando subi para o atendimento, ouvi um velho grosseiro me gritando: “Por que não fez pré-natal??”. Eu respondi: “Primeiro, eu fiz pré-natal, mas não trouxe nada comigo, e segundo, o senhor não precisa falar assim comigo, viu?”. Ele respondeu que estava falando em tom normal, que não tinha nada a ver, e saiu sorrindo. Eu havia feito todos os exames de sangue, ultrassons, inclusive no dia 01 de julho eu havia feito uma ultra cujo diagnóstico foi excelente, meu líquido estava bom, o bebê encaixado, saudável, maduro. Quando meu pai chegou na sala de atendimento o obstetra foi logo dizendo que não ia me atender, que se precisasse fazer alguma coisa ele não ia fazer, porque estava sozinho, e assim, manifestamente e na presença de todos que comigo estavam, me violentou pela primeira vez, negando-me atendimento. Pedi a meu pai que fossemos embora, pois a coisa não ia funcionar daquele jeito. Mas ele não concordou, estava muito apreensivo, e cansado. Resolvi ficar. Não sabia que estava naquele momento assinando minha sentença de morte. Eu tinha ouvido que eu iria pro quarto. Pensei: tudo bem, eu vou parir no quarto, deve estar pertinho e eu só preciso de um quarto. Mas não tinha leito no Papi, e não me encaminharam para outro hospital. Eu deveria ficar ali mesmo, esperando. Foi então quando o doutor resolveu me examinar. Essa violência foi um pouco mais dolorosa. Ele fez um toque, rompeu minha membrana, gritei de dor. Sua mão saiu de dentro de mim lavada com meu sangue e um pouco da minha integridade, que aos poucos ele terminaria de arrancar de mim nas três horas e meia seguintes. Pedi para ficar nua, e me foi dito que eu não poderia ficar nua, pois naquele hospital eu deveria seguir os protocolos. Consegui ficar apenas com a bata cobrindo-me os peitos. Aceitei a analgesia. Não sabia eu que ali estava o ápice da dominação do meu ser, pois sem sentir as pernas eu não poderia me defender, sair andando, correndo, não poderia mais fugir do massacre, eu me tornaria um animal indefeso. Foram chamar o anestesista. Entre uma contração e outra, que já estavam vindo de minuto em minuto e cada vez mais forte, gritei:

“Cadê o filha da puta do anestesista?”. No meu tempo ele já estava demorando muito, eu já estava desesperada, e aquilo era meu grito de socorro. Então, ironizando e debochando de mim, o doutor gritou: “Chamem aí o filha da puta do anestesista!”. A cada segundo que se passava eu percebia mais o quanto aquilo estava fadado a não dar certo, o cara era um estúpido, e não economizava seus deboches e suas grosserias. Quando ele chegou fui para a sala de parto, onde estava a mesa de parto, o aparato onde eu estaria sendo torturada pelas próximas três horas e meia. Devia ter cerca de um metro de comprimento, por uns 70cm de largura. Imagino que se eu fosse mais larga eu teria me espremido entre os ferros. O anestesista me disse para sentar com os ombros curvados, pedi então que ele aproveitasse entre uma contração e outra, pois eu não conseguiria ficar parada naquela posição durante uma contração. Eu pedia para ele ir logo, mas ele estava muito ocupado falando ao celular.

Depois disso eu tive que deitar em posição de exame ginecológico, a posição da dominação. Eu estava completamente dominada. Perguntei se poderia ficar em outra posição, de quatro, por exemplo, ou de lado, pois me aliviava a dor, e isso me foi de pronto rebatido com “NÃO” por todos os lados. Eu deveria ficar quieta, segurando em dois ferrinhos que tem do lado das pernas na cadeira de parto. Eu não podia sequer por as mãos nas minhas pernas, aliás, minhas tentativas foram todas frustradas, eu teria repetidamente minhas mãos encaminhadas de volta aos ferros da cadeira. Estavam comigo meu pai e Daniel, um amigo clínico geral que havia ido conosco ao hospital. Me diziam para fazer força, empurravam minha barriga, eu fazia força até sentir que ia vomitar. A orientação era essa: quando você achar que não vai aguentar e vai vomitar, pare. O anestesista pressionava meu estômago com seu polegar, era fatal. Vomitei não sei nem quantas vezes, após cada contração, após ter meu estômago pressionado repetidamente. Eu não tinha vomitado ainda, antes de ir pro hospital. Vomitei deitada, quase morri engasgada com meu próprio vômito e ninguém sequer me ajudava a me limpar. Até meu pai e Daniel cederam às ordens autoritárias do obstetra e empurraram minha barriga. Segundo o anestesista, todos deveriam obedecer ao obstetra, pois ele era professor de todos. Eu sofria com a dor dos empurrões e da mão do obstetra dentro da minha vagina. Me senti estuprada. Diziam que era assim mesmo, e que se eu não me concentrasse ia matar meu bebê, que daquele jeito estava difícil, que eu não ia conseguir. Ouvi isso repetidamente durante as três horas e meia em que estive lá. Lembro que eu mantinha em mente sempre que eu não poderia apagar, então controlava a força até um pouco antes do meu limite, com medo de ficar inconsciente e do que poderia vir a me acontecer. Eu estava apavorada, e disposta a tudo para parir meu filho. Eu não iria pra faca, de modo algum eu me submeteria a uma cesárea, ainda com toda aquela oferta. Vi gente entrando e deixando bolsa pessoal na sala de parto, com celular tocando, vi gente entrando com walk-talking ligado. Eu reclamava que tinha muita gente e muito barulho, e que as pessoas não estavam me ajudando. A pediatra, Lívia, disse que aquele parto era uma loucura, que eu era louca, e que tinha que ter aquela equipe toda lá dentro, disse que eu não era ninguém para discutir a necessidade ou não de todas aquelas pessoas ali. Na verdade não entendo porque era tão necessário, pois estavam todos (à exceção do obstetra que me violentava com suas mãos carniceiras e o anestesista que insistia em empurrar minha barriga) apenas observando, gritando comigo, conversando entre si e fazendo da minha vagina aberta e exposta um souvenir de apreciação. Eu implorava, aos prantos, para o obstetra tirar as mãos de dentro de mim, pois ele estava me machucando, me invadindo, e ele repetidamente se negou a me atender, disse-me que se eu tivesse procurado um ginecologista eu não estaria ali atrapalhando a vida dele, disse-me que não estava ali para prestar serviço algum para mim, e que minha vida pouco lhe importava, ele só se importava com o bebê. Quando o bebê nasceu eu percebi que na verdade nem com ele o cara estava preocupado. Ele queria, assim como toda aquela equipe estúpida, que aquilo acabasse logo. Eu chorava, olhava pro meu pai e pedia ajuda, dizia que estava foda pra mim, e ele então pedia ao médico que calasse a boca, pedia a tal da Lívia que se calasse também. Eu disse que não queria que cortassem o cordão umbilical do meu filho, e o obstetra perguntou com base em quê eu dizia aquilo. Respondi que tudo que eu queria estava no meu plano de parto, que estava lá, que ele deveria ver, e que eu dizia aquilo com base na minha autonomia e no meu direito de escolha. Ele respondeu sagazmente que não aceitava plano de parto, e que nunca tinha ouvido falar naquelas coisas não, que lá aquilo não existia. A pediatra Lívia então começou a gritar comigo dizendo que tinha que examinar o bebê, medir, pesar, fazer testes, levar pro berçário, e eu disse que não deixava, ela me gritando e chamando de louca disse que eu não tinha autoridade pra decidir nada sobre o meu filho, eu respondi que o filho era meu e que ninguém o tiraria de mim. Tudo isso entre uma contração e outra.

Às vezes a contração passava enquanto eu tentava me defender de toda aquela escoriação moral. Pedi então ao meu pai para que me ajudasse pois eu precisava me focar no trabalho de parto, meu filho estava prestes a nascer. Ele pediu a ela que colaborasse, que não tinha pra que discutir aquelas coisas comigo naquele momento. Ela respondeu que não se calaria, que tinha que falar e que eu tinha que ouvir mesmo. É incrível como eu me impressiono quando lembro do horror que vivi naquela sala. Lembro que quando o doutor fez o toque eu estava com 8 cm de dilatação, ainda não tinha começado o expulsivo. Pouquíssimo tempo depois minha tortura começara, e desde a primeira contração o médico dizia: na próxima ele sai, faça força que ele vai sair, ô Márcio, empurra aí a barriga dela. Dizia: olhe, eu sou muito bom em fórceps, pena que meu equipamento não está aqui. Eu reclamava que ele estava me machucando, que tava doendo, e ele dizia: se você quisesse um parto sem dor faria uma cesárea, quer? Você não quer uma cesárea, ta vendo? Ta reclamando de que? Eu reclamava da luz, do barulho e ele respondia: eu já fiz parto humanizado, com baixa luminosidade, poucas pessoas na sala, mas aqui eu não tenho tempo pra isso não. Foi um horror ouvir aquilo, até eu queria que acabasse logo, mas eu não ia pra faca, e eu não ia ter meu corpo condicionado a uma ocitocina sintética.

Eu estava disposta a parir meu bebê, a qualquer custo, ainda que me estivesse custando a integridade moral e física. No finalzinho do processo a bolsa rompeu. O médico ouviu o coração do bebê, estava 130 bpm. O líquido estava límpido. Mas eu ouvia que o bebê estava em sofrimento. Imagino que presenciando toda aquela tortura, todo aquele tratamento desumano e degradante, meu bebê realmente estivesse sofrendo, mas em sofrimento fetal ele não estava. Eu sabia que estava tudo bem com ele. Eis que então o líquido começou a se apresentar meconioso, mas de toda forma, para que se comprovasse o sofrimento fetal ele deveria ao menos ouvir novamente o coração do bebê, mas quando indagado sobre tal, o obstetra respondeu que não iria mais ouvir, já tinha ouvido uma vez (antes da rutura da bolsa). Quando o líquido mudou de cor toda a pressão psicológica se intensificou. E então, coagida a aceitar, sob pena de “matar meu bebê”, cedi a uma episiotomia, que segundo o médico seria só um cortezinho pequenininho. Meu pai disse que ele cortou com a tesoura e terminou de rasgar com a mão. Há uns dois dias tive coragem de me ver, e descobri uma episiotomia que me rasgou até o anus, e que me dói para sentar, para andar, dói muito na hora de ir no banheiro, mas a dor maior que eu sinto é na alma. Nem sei se um dia vou ter coragem de abrir as pernas de novo.

Meu bebê então nasceu, veio para o meu colo, todo lindo, roxinho, cheio de mecônio, respirando bem e chorando bravamente!!!! Viva! Eu havia conseguido!!! Eu e ele havíamos conseguido! Nosso pesadelo acabaria! Enquanto eu tentava dizer a todo mundo que ele tava bem, tava respirando, tava chorando, e que precisava ficar comigo. Disseram o obstetra e a pediatra que tinham de cortar o cordão senão o sangue voltaria e o bebê perderia sangue. Meu pai então recebeu das mãos do obstetra uma tesoura e cortou o cordão. Enquanto isso a pediatra Lívia estribuchava querendo arrancá-lo de mim, pois precisava examiná-lo, ver o que era aquela bossa na cabeça dele (por certo ela não sabe nada de parto normal, de bebês que de fato nascem, em vez de serem arrancados de suas mãos pela barriga, por certo ela não sabe que bossa é comum e não é problema algum, por certo ela também não sabe que não precisa aspirar o bebê, mesmo com presença de mecônio, desde que o bebê esteja respirando bem, e mais certo ainda que ela não sabe do meu direito de decidir sobre isso). Mas ninguém me ouviu. Sob tal terror dessa médica inescrupulosa, meu pai me olhou e disse: “Entregue o bebê senão eu vou embora”. Daniel, com cara de apavorado, corroborou a fala do meu pai. Nessa hora tive medo de ficar sozinha e ser por fim trucidada e aniquilada, e aos prantos entreguei meu bebê para que fosse examinado na sala de parto. Pegaram ele que nem uma trouxa de
panos e o aspiraram. De nada adiantou o pacto com meu pai, pois ele ainda assim se foi.

Saiu para buscar um pote para a placenta. Nessa hora olhei e vi o obstetra puxando minha placenta, o anestesista preparando uma injeção anti-hemorrágica e uma pessoa de bata azul cinicamente levando meu bebê para o berçário enquanto eu gritava para ele não ir. Desde o primeiro momento eu havia confiado a Daniel a tarefa de não deixar levá-lo, mas ele também cedeu. Essa talvez seja a parte que mais me dói. Quando minha placenta saiu eu gritei: “A placenta é minha!”. O médico ia jogá-la no lixo. Ele ainda ironizou querendo me apresentar à minha placenta, mas nessa hora eu só pensava em ir buscar meu filho. Pedi panos limpos, e me negaram. Pedi uma escada para descer da mesa. Negaram-me. O anestesista olhou pra mim e disse: “Mas você não pode andar, não sente suas pernas”. Bati com força na minha panturrilha, dei vários tapas, com força, queria sentir o sangue circular, bati nas pernas dizendo que podia sim andar, e que se não me dessem uma escada eu ia pular dali, sangrando como estava, jorrando sangue.

Eu era um animal ferido, mutilado, ensanguentado, que teve sua cria tomada. Eu estava transtornada. Queria sair dali e me recolher, eu precisava me proteger, eu iria morrer sangrando ali, ninguém me daria meu filho para que ele pudesse mamar e estancar a hemorragia. Tentaram me impedir de sair da sala de parto, pois eu estava nua. Foi então que me deram meus trapos sujos de sangue, vesti ali no corredor mesmo, e fiquei gritando na frente do berçário, de portas trancadas, gritando que queria meu filho comigo. Foi o ápice do espetáculo. Um ser abatido, lutando para ter sua cria de volta, e uma plateia imensa e inerte assistindo, me dizendo para tomar banho, me limpar, e então eu poderia ver meu filho, pois eu estava desequilibrada e ele não era propriedade minha. Eu não vou nem mencionar o quanto eu queria exterminar cada uma daquelas pessoas que se interpunham entre mim e meu filho, mas eu estava muito fraca, perdendo muito sangue.

Foi então que meu pai, que havia saído, voltou e me ouviu gritando, desesperada. Quando ele chegou à porta do berçário gritou dizendo que queria o bebê, e como resposta teve apenas o desdém de todos. Foi preciso ele ameaçar arrombar a porta para que resolvessem sensatamente entregar meu filho (a ele). Finalmente pude ter meu filho nos braços.

O que me foi arrancado jamais terei de volta.
Foi o dia mais pavoroso da minha vida.
Espero um dia poder fechar os olhos para dormir em paz, sem que os ecos dessa tortura me atormentem.

[…]

Não consigo mais remoer os fatos, escrever esse relato me trouxe à exaustão”.

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Comentários

  1. Júlia Postado em 15/Jul/2014 às 16:11

    Nossa, que barbaridade... Enquanto lia o relato, senti arrepios pela espinha. Fiquei chocada pela tal médica Lívia ser insensível ao sofrimento da gestante, justamente por ser uma mulher. Provavelmente seu coração endureceu nesse ambiente de violência obstétrica. Se um dia eu tiver um filho, pretendo que seja parto normal, caso a gravidez não apresente nenhum problema. O pior é que nos hospitais particulares o tratamento não é muito diferente. É por isso que eu penso em fazer um parto domiciliar, e como o meu companheiro é médico, acredito que ele poderá me ajudar ou no mínimo compreender os meus motivos para eu querer que seja assim. Que essa mulher tenha forças para se recuperar, ter uma boa vida e dar uma boa educação para o seu filho. Um basta à violência obstétrica!

  2. Rodrigo Postado em 15/Jul/2014 às 16:20

    Horrível realmente, mas no calor do momento ela também pediu coisas absurdas, em princípio de hemorragia queria se levantar, exames iniciais são de suma importância para a criança e ela não queria deixar o médico levar, sobre cortar de início a placenta desconheço. Mas me reaponda se nisso dela levantar ter uma complicação pelo esforço e levar a morte? Se no tempo a criança tivesse algo e levasse a morte, quem seria processados? Deixando o sentimentismo de lado, você trabalha em um hospital e vem uma mulher te chamando de filha da Puta, gritando, querendo lhe ensinar sua profissão. Eu aprendi que as pessoas me tratam como eu trato elas, ta aí a prova.

    • sara Postado em 15/Jul/2014 às 17:07

      Verdade.Pensei a msma coisa. Ela estava muito nervosa e gritou com todo mundo. Foi tratada como ela os tratou. Se ela quizesse algo mais intimo q fosse p uma parteira e fizesse em casa. Hospitais tem protocolos. Se houve falta de profissionalismo dos medicos n sei, mas ela n ajudou muito. Até o pai em certos momentos discordava. Agora que a agonia foi grande foi viu. Ainda bem q o bb tava saudável.

      • Alessandra Postado em 16/Jul/2014 às 14:10

        Acho que vc está longe de ser mãe. E se um dia vc for peça a deus que isso não aconteça com vc, pois a dor e imensa e no calor do momento vc não vai parar p falar coisas bonitas ou bajular médico algum ele está ali sendo pago p fazer o trabalho dele e bem feito. E deve está acostumado a ser tratado mau pois a dor e insuportável e não para ficar discutindo ou ironizando as pacientes. Vc está sendo tão insensível quanto a tal Lívia. Se ponha no lugar dela se e que um dia vc vai ter esse prazer de ter um filho

      • maria Postado em 17/Jul/2014 às 00:26

        HOSPITAIS TEM PROTOCOLOS E O BRASIL TEM LEIS! nenhum profissional tem direito a decidir pelo paciente!

    • Júlia Postado em 15/Jul/2014 às 17:22

      Rodrigo, este não é um caso isolado. Muitas mulheres passam por coisas semelhantes todos os dias. Primeiramente, o médico já apresentava má vontade para atendê-la. Trataram-na mal durante todo o procedimento do parto. Ela queria tanto ficar um pouco com o filho depois de parir, que quis se levantar para ir atrás. Ela não queria que não fizessem os exames, só queria ficar um pouco com o bebê, e que depois o levassem para fazer os exames. O parto deveria ser um dos momentos mais marcantes e felizes da vida de uma mulher, e não ser um momento estressante, já que não cumpriram a maneira como ela já tinha planejado. Como falei, ela se arriscou sim fazendo o esforço para se levantar, mas ela fez para ficar um pouquinho com o seu filho. Por que não podem deixá-la fazer isso? E em relação a ela chamar o anestesista de filho da puta, ele já tinha sido chamado, e a dor dela, que já era intensa, só aumentava com a demora dele. Compreendo a reação dela, pois ela viu que o tratamento ali não estava bom. Na hora da emoção, é difícil que alguém pense no que é certo fazer, com ela não foi diferente. E acho que ter chamado o cara de filho da puta foi o acontecimento menos grave que ocorreu durante aquelas horas. Incrível, até nesses casos, tem gente que quer fazer a mulher de bode expiatório. Enfim, está na cara que aquela equipe não tem preparo psicológico para realizar um parto, porque o preparo médico, eles dizem que tem, né.

      • Paula Postado em 15/Jul/2014 às 19:46

        Fora que a amamentação logo após que o bebê nasce ajuda a diminuir a hemorragia causada desnecessariamente "pela pessoa que se diz médico"... Fico em Luto com histórias deste tipo e comentários ignorantes.

    • Sílvio Postado em 15/Jul/2014 às 19:27

      Acho que você nunca teve um trabalho de parto não é mesmo? Nem deve passar pela sua cabeça o que é uma gestação e um nascimento. Nem imagina o lixo que é o tratamento obstétrico nesse brasilzão medonho, privado ou público. E também apresenta larga dificuldade em leitura. Ninguém seria processado com base no que você está dizendo, ela simplesmente reivindicou os direitos dela, não estava ensinando nada a ninguém, inclusive, ela estava certa em suas convicções. A partir da negativa destes, eles ficaram, sim, passivos de processo. Eles tem que respeitar os direitos e a dignidade dela e não prevenir processos imaginários.

    • Marília Gondin Postado em 15/Jul/2014 às 20:31

      O Sílvio disse tudo.

  3. Fernando Jeronimo Postado em 15/Jul/2014 às 16:29

    Convenhamos que esta mãe não colaborou muito com os funcionários do hospital, que estão o dia todo sob pressão do trabalho e do ambiente de trabalho. O que não justifica a ignorância da imprensa e do médico ao postar isso em rede social

    • Veronica Postado em 15/Jul/2014 às 22:07

      Interessante um comentário solidário ao obstetra e aos funcionários do hospital vindo de alguém que nunca precisará passar por um parto e sequer tem que se preocupar se vai passar por alguma situação parecida algum dia.

      • Jonas Postado em 15/Jul/2014 às 23:41

        Moça, esse argumento feminista já está batido. Se o fato de não passar por uma situação fosse relevante um branco não poderia votar sobre cotas, um hetero não poderia falar sobre casamento gay e etc...

      • Thaís Postado em 16/Jul/2014 às 09:28

        Exato, Verônica. Quase parei de ler o texto pelo medo que me causara... e Fernando nunca vai sentir o mesmo

      • Pedro Postado em 16/Jul/2014 às 10:18

        Inicialmente, desculpem pelo texto longo. Aos que tiverem paciência de ler, eu agradeço. Sou médico, então alguns podem pensar que estou sendo corporativista, mas não estou. Não estou tomando partido algum, pois não sei como ocorreram os fatos naquele dia. Eu acho que existem muitos pontos a serem analisados aí. Hospitais tem protocolos. Os médicos que trabalham nos hospitais são, já que concordaram em trabalhar nesses hospitais, obrigados a seguir os protocolos dos locais que trabalham. Se eles não seguirem e algo de grave acontecer com o paciente, eles podem sim ser responsabilizados e, em último caso, processados. Os hospitais, de maneira geral, não tem estrutura alguma para realizar partos humanizados. Basta olhar como são as salas de parto. Não existe nada de ´´humano`` nas salas de parto da maioria dos hospitais, sejam eles públicos ou privados, do Brasil. Além disso, o conceito de parto humanizado só foi, muito recentemente (e admito que esse é um grave erro da maneira de se estudar a medicina)incluído nos cursos de medicina de algumas das universidades do país. Eu tive a sorte de ter esse conceito, o do parto humanizado, amplamente discutido e incentivado durante a minha formação. Mas não posso ter a ilusão de achar que isso é o padrão nacional. Não é. Aliás, não é o padrão em lugar algum no mundo, infelizmente. Em relação ao sofrimento da autora do relato acima, me solidarizo com o sofrimento dela e lamento que ela tenha passado por isso, mas existem algumas ressalvas a serem feitas aí. A anestesia é um dos procedimentos principais para se humanizar o parto. Afinal, nenhum ser humano deve sentir dor desnecessariamente. A anestesia, apesar de não anular a dor, a minimiza. O efeito colateral disso, é que a paciente fica sem sensibilidade nos membros inferiores. Isso é uma coisa que tem que ser explicado a ela. E, se ela aceita a anestesia, após serem explanados os riscos e benefícios, ela aceita também os possíveis efeitos colaterais. Essa manobra de pressionar a barriga da gestante durante o trabalho de parto (conhecida como manobra de Kristeller) não é mais indicada. Já saiu dos principais protocolos a muito tempo. Se ela foi realmente utilizada, isso pode ser discutido. O toque vaginal, que muitas mulheres consideram (e eu entendo perfeitamente que elas se sintam assim, afinal, eu provavelmente me sentiria da mesma forma) uma violação da sua dignidade, infelizmente ainda é um mal necessário no trabalho de parto. Não existe outro método de saber como está a dilatação e o apagamento do colo do útero. O que o médico pode fazer, é reduzir a quantidade de toques vaginais ao mínimo absolutamente necessário para respeitar o pudor e preservar a dignidade de suas pacientes. A liberação de mecônio no líquido amniótico é um sinal premente de que está havendo sofrimento fetal e que, caso não sejam tomadas medidas urgentes, o bebê pode ir a óbito. Agora me respondam: se o obstetra tivesse cedido ao pedido da mãe e tivesse deixado que ela ficasse com o bebê imediatamente após o parto e ele tivesse entrado em falência respiratória e ido a óbito, de quem seria a responsabilidade? Quem seria, eventualmente, processado? Não estaria essa mesma mãe escrevendo agora um relato de como o médico que a atendeu foi irresponsável? De como a morte de seu bebê poderia ter sido evitada se ele tivesse seguido os mais básicos protocolos referentes ao parto no hospital? Existe sim indicação de remover o bebê que esteve em sofrimento fetal durante o trabalho de parto IMEDIATAMENTE para o berçário para que medidas urgentes sejam tomadas. Medidas essas que podem incluir a aspiração de vias aéreas que a mãe achou tão absurda. Ela achou que o bebê estava respirando bem, mas será que ele estava mesmo? Se os sinais de uma possível insuficiência respiratória em neonatos fossem tão fácilmente detectados, fáceis a ponto de leigos no assunto poderem identificá-los e decidirem a tomada de condutas, será que o médico seria necessário nos berçários? Existem muitos sinais que, aos olhos de leigos, são invisíveis. Mas que, aos olhos de médicos, especialmente médicos experientes, indicam uma situação urgente e que precisa de medidas urgentes. Além disso, se ela estava realmente com uma hemorragia decorrente do parto, existe indicação de remoção imediata da placenta e de uso de ocitocina. Por mais que a preocupação com o parto humanizado seja grande, a preocupação com a vida dos pacientes tem que ser maior. Infelizmente, em situações de emergência, não existe tempo suficiente para se preocupar com qualquer coisa que não seja tirar o paciente do risco de morte. Agora, justiça seja feita: Não existe qualquer motivo que justifique a paciente ser tratada com rispidez, ironia, sarcasmo. Não existe motivo para desrespeitar a paciente, seja qual for o caso. E não existe motivo para não tratar a paciente com a dignidade a que ela e qualquer outra pessoa, seja ela quem for, tem direito. Tudo isso que eu falei nesse texto (longo demais) poderia ter sido explicado para a paciente sem a necessidade de ser ´´bruto`` com ela. Um problema, por maior que seja, não pode ser, sob nenhuma hipótese, tratado da pior maneira possível, como foi no caso dela. Por isso, eu lamento que ela tenha vivido essas experiências tão desagradáveis e que a marcaram de maneira tão negativa e, talvez, permanente. E lamento também que muitas mulheres tenham passado e ainda passem diariamente, por experiências tão desagradáveis e desumanas durante o trabalho de parto.

      • Ricardo Postado em 16/Jul/2014 às 16:56

        O comentário do Pedro foi BRILHANTE.

      • Kaline Postado em 16/Jul/2014 às 21:09

        O Pedro disse TUDOOO!! Concordo com ele, existem medicas que os prof da saude tomam q para os leigos parece uma idiotice! E tambem concordo sobre a violencia psicologica q ela sofreu!

      • Rosane Postado em 18/Jul/2014 às 00:14

        Parabéns ao médico Pedro pelo admirável profissionalismo e imparcialidade com que tratou o caso em questão!

    • Rosa Postado em 16/Jul/2014 às 10:06

      Todos sabem como é delicado e que envolve um certo equilíbrio emocional a hora do parto. Esses profissionais deveriam está prontos para essas situações ou piores como já aconteceu comigo e nesse Brasil. São ócios do ofício, se não estão preparados deveriam ser DEMITIDOS!

  4. Tayana Postado em 15/Jul/2014 às 16:31

    Chocada e com medo. Para parto humanizado precisamos de médicos humanos. Esta medicina mercenária me enoja.

  5. Giovani Postado em 15/Jul/2014 às 16:37

    O relato da paciente é de fato pavoroso. E mais pavoroso ainda é o sentimento egoísta que a acomete. Por mais estressados e grosseiros que estivessem os membros da equipe que a atendeu, eram eles que tinham o substrato da ciência, os recursos da medicina e o conhecimento necessário para atendê-la. Em quem deveria confiar? Nas suas leituras leigas? Nas suas crenças? Pelo descrito a situação era de extremo risco para a criança. A satisfação de um capricho maternal vale o risco de uma vida que não a pertence? Desculpem os discordantes, mas essa pessoa precisava de tratamento já antes de engravidar.

    • Marcelo Postado em 15/Jul/2014 às 19:08

      Giovani, muito bem colocado. Está claro duas coisas: 1 - Que a equipe do hospital precisa tratar melhor seus pacientes. Médicos não são deuses e a ciência não está acima da moral de ninguém. Médico não é alguém melhor que qualquer um que ele atenda. 2 - Essa mulher precisa de tratamento psiquiátrico urgente e não está preparada pra ter filhos. Pobre criança que crescerá criada por essa psicopata.

    • Sílvio Postado em 15/Jul/2014 às 19:21

      Você certamente não entende do que está falando...e, juntamente com os "produtores de receita", tenta desdenhar da vítima. Perdeu a oportunidade de ficar "calado".

      • Ana Oliveira Postado em 15/Jul/2014 às 21:35

        Concordo plenamente Silvio! Tem muita gente aqui falando asneira sem procurar sequer no Google se o que essa mãe está pedindo realmente faz sentido (e faz muito!). Mas infelizmente, o senso comum em um país que massacra os seus direitos é esse mesmo. E a massa continua colocando a culpa na vítima...

      • Marcelo Postado em 16/Jul/2014 às 17:02

        Ana e Silvio, utilizem vocês o Google. Se vocês entendessem sobre a situação que este feto se encontrava, já em sofrimento e com risco de óbito por culpa inteiramente da mãe, entenderiam a necessidade IMEDIATA de levar o bebê para os exames necessários. Se ele morre nos braços da mãe, o que acontece? Ela se responsabilizaria? Óbvio que não. Parabéns à equipe que aturou essa psicopata.

      • Marlene A. Martins Postado em 17/Jul/2014 às 02:16

        Não perdeu a oportunidade de ficar calado! o mesmo caso aconteceu comigo, meu filho foi retirado a fóspces e morreu um mês e treis dias depois de nascido. Ele já estava em sofrimento e respirou o mecônio e secreção, antes de nascer, Uma semana depois a febre era altíssima, e nunca se conseguiu que ela baixasse. Todo sistema respiratório já estava comprometido. Tentaram uma bronco-aspiração, mas nada podia ser feito mais. Eu sofri muito mais, porque tinha apenas 18 anos, era o meu primeiro filho num casmento com muito amôr. A equipe de médicos e auxiliares do hospital trabalhou normalmente e eu fui uma paciente cordata! Nesta hora o que mais precisamos é de ajuda e esta senhora fêz exatamente o contrário. A própria narração que ela faz se vê que ela está precisando de ajuda psicológica. Esses tipos de parto que ela planejou são feitos com equipes especialidas, e com aconpanhamento da equipe desde o momento em que a gravidês seja. Me parece que ela não tinha esse tratamento. . Qualquer psicólogo que a ler seu texto, sabe que ela precisa de ajuda. Seu texto mostra claramente sua maior, que comumente se vê, necessidade de portar como a vítima, ela não teve nenhuma humildade de ajudar a equipe. Com certeza eles desconfiava o que estava acontecendo, ao fazerem o toque mais vezes. Pode ser que não havia dilatação suficiente, e eles precisavam de fóspces. Tirar criança imediatamente era o correto, entraria em sofrimento se não fosse feito a acépcia de imediato. E estes casos normalmente são fatais. tem casos que eles sedam a paciênte imediatamente. Seria preciso, para uma visão correta, que o pai contasse, o amigo e outras pessoas que presenciaram. Ela espõe de uma maneira que a equipe de de médicos e assistentes, devem ser tranficados na cadeia por muitos anos! Esse caso precisa de ser pesquisado melhor. Se ter filho fosse deste jeito, o mundo não estaria tão grande. A nossa amiga precisa de apoio psicolólgico.

    • Thiago Postado em 15/Jul/2014 às 19:45

      Comprovado cientificamente que situações extremas alteram o DNA do bebê, comprovado também que os primeiros minutos entre mãe e filho são importantes psicologicamente e estabelecem o vínculo que existe entre mãe e filho. Em relação as coisas que a mulher falou com a equipe médica: se imagine sentindo dor durante 36 horas. Não uma dor qualquer, mas uma dor onde todo seu corpo está se adaptando para expulsar um ser vivo. Imagine os ossos da sua pelve, junto com os músculos, ligamentos e órgãos se rearranjando dentro do seu corpo. Alguém aqui conseguiria pedir por favor em qualquer situação, fosse ela extrema ou não?? O obstetra tem de estar preparado para lidar com as pessoas, acalmá-las, e ajudar no parto, e não agir com ironias e deboches. Ele tem o conhecimento científico? Claro que sim, mas não se pode ignorar os desejos da mãe, principalmente em relação a posição que ela quer para dar à luz. Realizar a episiotomia? Pra quê?? Esse método não previne nada e tampouco ajuda. Ridículo o comportamento da equipe médica.

    • marcela Postado em 15/Jul/2014 às 21:43

      Mais uma vez, um homem que quer saber o que seria melhor pra uma mulher. Ela foi egoísta? Moço, ela tava ali vendo os caras "que tinham o substrato da ciência, os recursos da medicina e o conhecimento necessário para atendê-la" violando o corpo dela. O procedimento, pelo relato, foi desumano. Ela só queria um parto natural e tranquilo, queria um parto que toda mulher tem que ter, sem ter que aguentar grosserias e violações naquele momento.

      • Mara Doher Postado em 21/Jul/2014 às 11:57

        Não é questão de ser mulher ou homem, ninguém nasce sabendo de tudo. Agora se você vai desconfiar de todos os procedimentos e recomendações que os profissionais estão adotando, se vai negar tudo que eles pedem, se vai achar que todo exame que eles fazem pro seu bem é uma violação e que tudo aquilo é um teatro só pra maltratar você, então fica em casa e boa sorte com seu parto e seus conhecimentos de Google. Mas vai pro hospital e não quer que façam o parto, não quer que tirem o bebê, não quer que levem para ser tratado no berçário... aí a criança morre e ela processa o hospital.

    • Maria Postado em 15/Jul/2014 às 23:14

      E o lado humano, onde fica nessa história toda? Por mais estressados e sapientes que fossem os médicos, anestesiologistas e enfermeiros que a atenderam, deviam ter em mente antes de qualquer coisa a dimensão do momento em que estão inseridos. Sou mulher, mas ainda não tive filhos. Não sei como é um trabalho de parto, até porque nunca é igual para ninguém. Minha mãe mesmo relata que nos três partos normais dos três filhos que ela teve deu escândalo no hospital. De dor, de medo, de ansiedade etc. Algumas mulheres quase não sentem dor nessa hora. Mas outras sentem, além de toda a carga emocional envolvida, e podem mesmo chegar a perder a razão naquele momento. Uma equipe médica responsável por partos de diferentes mulheres precisa sim estar preparada para os inúmeros tipos de situação que possam ocorrer, e não sair por aí postando em redes sociais a intimidade e os detalhes de um momento como esse. Por mais que não tenham relatado o nome da paciente, é lógico que o relato geraria uma curiosidade absurda e que iam querer saber quem era a mulher. Novamente: onde fica o lado humano da profissão?

    • Thiago Postado em 16/Jul/2014 às 02:18

      Giovani, mulheres sempre pariram naturalmente, como qualquer gata, vaca, porca, cachorra, macaca e outras. Contudo, a medicina do século XX transformou o parto humano num evento médico de risco.

  6. Arianne Carvalho Postado em 15/Jul/2014 às 16:43

    Seria interessante que houvessem no Brasil Maternidades para gestantes adptas do parto natural com equipes preparadas para tal.O que temos nas maioria delas nao se aproxima do parto humanizado porque não é lucrativo.

    • Thaïs Postado em 15/Jul/2014 às 21:59

      Sou a favor de casas de parto humanizado em todos os estados do país, para que as mulheres tenham para onde recorrer e não ficar nessa roleta russa obstétrica. Cheguei a criar essa ideia legislativa no portal do senado e-cidadania, mas acho que não vai conseguir os apoios necessários a tempo ;/

  7. Luxia Reis Postado em 15/Jul/2014 às 16:44

    Esse médico que atendeu à moça é um canalha, devia ser proibido de exercer a medicina e também a iidiota da pediatra. Como nós seres humanos somos desprotegidos, principalmente as mulheres. Qualquer reclamação que você faça, é louca, psicopata, histérica. E eles os agressores, o que são?

  8. carolina Postado em 15/Jul/2014 às 17:15

    Concordo com o Rodrigo. Tudo bem que ela foi maltratada, mas já chegou chamando o anestesista de filho da puta. Reclamou da luz, da luz? Se ela queria um parto humanizado, que montasse uma equipe para fazê-lo, ali não era lugar, nem hora. Ela tinha sérias convicções com relação ao momento do parto. já havia idealizado em sua cabeça. Mas perdeu sim o controle, existem coisas que precisam ser feitas de imediato, pois existem protocolos. imagina se toda mãe chegar no hospital exigindo todo tipo de coisa e ensinando o padre a rezar missa. Concordo que algumas coisas tenham sido horríveis, mas por favor, né, ela também passou dos limites.

    • Júlia Postado em 15/Jul/2014 às 17:29

      Bom, eu não sei como é a dor de um parto, mas dizem que é horrível. Com todas as condições apresentadas, estava complicado de ela manter a calma. O fato de ela "ter passado dos limites" não justifica a violência obstétrica. E não sei aonde viram que ela quis ensinar o anestesista como trabalhar. Ela só quis falar que em uma determinada posição ela não sente tanta dor, e o anestesista (que até ficou falando ao celular na hora de realizar a sua função), como o resto da equipe médica, demonstraram-se insensíveis ao seu sofrimento. Não é nem questão dela ter querido parto humanizado, mas sim de ser bem tratada e ter seus direitos e vontades respeitados. Concordo que as mulheres não podem exigir qualquer coisa no hospital, realmente, mas pelo que eu vi, ela não pediu nada de mais.

      • Daniela Ferreira Postado em 15/Jul/2014 às 19:15

        Inacreditável a insensibilidade de algumas pessoas. Choca mais ainda sendo mulheres. A parturiente foi tartada com descaso o tempo todo. Na hora de uma dor fortíssima, ela perder a cabeça e insultar não é nada comparado ao que fizeram com ela. E profissionais deveriam saber lidar com pessoa que se descontrolam com a dor. Os médico a feriu diversas vezes sem necessidade, foi bruto, foi cruel. Ela foi maltratada tanto físcia como psicologicamente. Ai vem você reclamar porque ela chamou o anestesista de filho da puta? Tenha um pouco de sensibilidade e se coloque no lugar dela, garota. O médico havia enfiado os dedos nela e rompido a membrana (procedimento extremamente doloroso e desnecessário) e você queria que ela se mantivesse calma, enquanto o anestesista enrolava para atendê-la? Ela é um ser humano, não é uma caixa onde bebê ficava embalado, e que pode ser rasgada com violência. A coitada foi abandonada até pelo pai e pelo amigo. Não me surpreende que ainda tenham filhos de chocadeira, nem da puta são, que venham criticá-la.

    • Bruna Queiroz Postado em 15/Jul/2014 às 17:34

      Carolina, nem sempre a mulher tem condições para montar uma equipe. E todo hospital e todos os profissionais deveriam respeitar os direitos dela como mulher, gestante, mãe... ser humana!!!

      • Tânia Sampaio Postado em 16/Jul/2014 às 07:34

        Concordo, Bruna! Sou professora e não tive condições de pagar plano de saúde ou médico particular para minha filha. E, ao invés de respeitarem os direitos dela, trataram-na como um animal. Tudo porque ela não quis fazer cesárea, preferindo o parto normal. E não pense que é fácil encontrar um médico particular que queira acompanhar um parto natural! Afinal, tempo é dinheiro!

    • Ricardo Postado em 15/Jul/2014 às 19:04

      Concordo com cada palavra, Carolina. Se ela queria ter um parto que foge totalmente dos protocolos de qualquer hospital, ela teve 9 meses para organizar isso.

      • Aline Postado em 15/Jul/2014 às 20:36

        Partos que fogem do protocolo? que protocolo, aqueles que discordam totalmente das recomendações da OMS e Ministérios da Saúde? Pelo que pareceu no relato, ela queria um parto respeitoso, apenas isso, e como recomenda os orgãos supracitados a paciente deve parir da posição que se sentir confortavel(e não a posição imposta pela equipe), a episiotomia de rotina não é mais recomendada em primigestas, a pressão do fundo do útero é contra indicada, sendo até proibida em diversos países, o ato de ''fazer força'' não deve ser orientado ou ensinada a mulher (os chamados puxos dirigidos) e sim partir da vontade fisiológica da paciente, ao nascer o bebe que estiver em boas condições( que não necessitem de reanimação) deve ser colocado IMEDIATAMENTE do colo da mãe e ficar o tempo necessário para estabelecimento do vinculo e para a primeira mamada que deve ser até a primeira hora de vida, toda a avaliação necessária pode ser realizada pelo pediatra nesse momento e as intervenções podem ser realizadas em hora oportuna. O que eu vejo são protocolos rígidos, que não seguem as recomendações do ministério da saúde nem as evidencias cientificas propostas pela comunidade cientifica. o que eu vejo são profissionais despreparados para lidar com o pluralismo cultural existente do nosso pais, profissionais no minimo desatualizados o que eu vejo é mais uma vez o médico querendo ter a soberania sobre o corpo do paciente. NENHUMA mulher deve ser derespeitada durante o trabalho de parto, isso não deveria exigir nenhuma preparação ou organização, um tratamento respeitoso não deve partir da paciente e sim da equipe de saúde

      • Maria Parideira Postado em 16/Jul/2014 às 07:46

        Os protocolos desse hospital é que estão desatualizados, queridos. Não se empurra barriga, não se faz episiotomia até o cú, não se diz que não está nem aí pra vida da paciente, não se tira o bebê de perto da mãe logo após o nascimento, não se relata sobre um paciente em rede social... Vocês falam tanto em seguir as regras do hospital, e a medicina baseada em evidências, cadê?? Me digam então, que regras justificam as atitudes que eu mencionei acima? Gostaria muito de saber!

      • Ricardo Postado em 16/Jul/2014 às 16:59

        Aline e Maria, leiam o comentário do Pedro, mais acima, que explica em detalhes, tecnicamente, tudo que foi feito. A mulher provavelmente foi desrespeitada sim, mas agiu como uma maluca. Ela não pode exigir nada do que exigiu. Imagine se cada um que for para um PRONTO SOCORRO ter um parto de EMERGÊNCIA com o feto já em sofrimento e com risco real de óbito, ainda querer opinar de forma LEIGA e MÍSTICA sobre como a equipe médica deve trabalhar. Façam-me o favor.

    • Aline Postado em 16/Jul/2014 às 00:31

      Montasse uma equipe para fazê-lo? E essa porra desse dinheiro que essa nata de médicxs públicos recebem são de quem? São de onde? Ah, vão se foder! A mulher passou mais de 1 dia e meio pronta pro parto, se deparou com uma equipe ESCROTA, foi humilhada, invadida e dilacerada, e ela "perdeu o controle"? Querida, quem tá perdendo o controle é você, falando uma merda dessas... "Algumas coisas" não foram horríveis não, TUDO FOI UM ABSURDO!!!

      • Mônica Paz Postado em 17/Jul/2014 às 11:47

        Sou mulher, mãe de três filhos e obstetra há 26 anos. Não faço a menor ideia de quantos partos já realizei. Muitos, o que pode não dizer muito, mas em um hospital onde nascem em média 800 crianças por mês com uma equipe de cinco obstetras deve significar alguma coisa. Uma coisa que aprendi nas salas de parto é que não existe fórmula mágica para parto. Vou tentar não ser muito longa no texto, mas vai ser difícil. O colega que a atendeu não estava preparado para o serviço, não discuto. Embora essa falta de preparo tenha milhares de fatores envolvidos, como provavelmente ser o único médico disponível na maternidade por horas, talvez dias. No entanto, nada justifica tratar mal uma paciente. Nada. Uma face do problema que temos no relato é o conflito entre o parto dos sonhos e o parto da vida real, digo isso porque toda essa corrente de parto humanizado descreve o parto como uma coisa linda, maravilhosa e especial, o que realmente é tudo isso, mas condena as intercorrências que podem acontecer em qualquer parto. E esse é um desafio da obstetrícia, evitar as intercorrências, mas como já disse, trabalho de parto é imprevisível. A mãe querer um trabalho de parto natural, quando o bebê tem algum risco associado é comum, mas como explicar pra paciente que ela não vai poder ter o filho dela da maneira que ela sonhou? Sei que existem colegas que insistem pra fazer parto cesáreo por motivos que não sejam indicação absoluta, sei disso, mas e quando é? Devo insistir em um parto que não tem chances de um bom resultado? Aceito o risco de perder a criança pela vontade da mãe? Usar anestesia ou não, para as minhas pacientes eu explico os prós e contras da anestesia, quando a paciente quer o parto não anestesiado eu aceito, é todo o direito dela se recusar e querer sentir a dor, que é bem relativo, já tive pacientes que deram a luz sem sentir dor alguma mesmo sem anestesia e também o contrário, pacientes anestesiadas que gritavam de dor, por via das dúvidas o anestesista sempre está na sala, se ela mudar de ideia na hora, ele estará lá. A episiotomia não é um padrão, nunca comecei um parto pensando em fazer episiotomia, mas é terrível estar lá na hora do parto, o bebê em sofrimento e a mãe ser irredutível para a execução do procedimento, esse é um assunto discutido antes do trabalho de parto, durante o pré-natal, mas nos partos de emergência normalmente a paciente não faz o parto com o seu obstetra do pré-natal. Preferir ser lacerada é uma escolha da mãe, estranha, mas se for necessário, não tendo outro recurso, faço episiotomia, fui submetida a duas e mantenho minha vida sexual ativa até hoje, 18 anos depois. Quanto aos cuidados ao recém nascido, pela descrição ele tinha toda a indicação de ser examinado, banhado e posto no berçário para observação inicial. São tudo medidas para preservar o bebê, quando é possível o bebê pode ficar e é muito bom que aconteça, sobre o peito da mãe, isso realmente é muito benéfico, mas as vezes não dá, paciência.

  9. valkiria Postado em 15/Jul/2014 às 17:17

    Hoje em dia não dá mais pra não planejar essas coisas.. essa de chegar no hospital e contar com a "boa vontade" de qualquer médico que apareça é muito arriscada.. Que medo deve ter sentido essa mulher... momentos de terror, realmente..

  10. Bruna Postado em 15/Jul/2014 às 17:21

    Rodrigo, ela não pediu coisas absurdas, mas entendo o seu comentário. Ela só queria se levantar pois tiraram o seu bebê para levar ao berçário para dar banho e fazer coisas que são apenas rotineiras e não necessárias logo que a criança nasce e a mãe tem o direito de dispensá-las. É de extrema importância para o vínculo mãe-bebê o contato durante a primeira hora de vida. Pesar, medir e limpar... são procedimentos que podem ser feitos depois. Existem pediatras humanizados que trabalham dessa forma, mas infelizmente são poucos. Se você pesquisar um pouco sobre obstetrícia baseada em evidências, perceberá o quanto é errado esses procedimentos feitos rotineiramente e é prejudicial para o bebê e para a mãe. Mas infelizmente a medicina praticada pela maioria dos médicos não é baseada em evidências e traz problemas ( como o alto índice de cesáreas no Brasil, e a violência contra essas mulheres). Enfim o assunto é muito amplo e sugiro uma pesquisa no google sobre parto humanizado e se for do seu interesse existe várias pesquisas cientificas que posso indicar.

  11. Antonio Postado em 15/Jul/2014 às 17:23

    Posso até entender seu medo, a quebra da expectativa diante do cenário no qual você teve um filho. Infelizmente o país não está preparado, seja por questões profissionais, seja por questões físicas, para um parto humanizado na maioria dos hospitais.Antes de ficar falando blablabla, procure saber a realidade dos nossos hospitais e veja que não há condições de serviços exclusivos como você sonhava. Deve lembrar que você não era única gestante do hospital e que havia apenas UM obstetra que poderia receber uma paciente a qualquer momento e que, justamente por isso, seus desejos não poderiam ser atendidos de súbito, o parto precisava ocorrer logo e com seguranda. Na universidade, todo profissional de saúde recebe orientações de protocolo visando um atendimento seguro para o paciente. Caso não o faça, estará estampado na capa dos jornais como imprudente, podendo perder seu diploma e deixar de exercer a profissão. Deveria ter planejado o local do nascimento e considerado a possibilidade do parto em casa ter dado errado (como de fato aconteceu). Em suma, você viu que o que planejou fazer em casa não deu certo e foi ao hospital impondo suas condições (na hora da dor, xingou o anestesista. Ou seja, não queria, agora eu quero e ele tá demorando, então eu xingo,MIMADA, HEIN ?). Em suma, você fez um texto longo pra tentar sensibilizar qualquer um só demonstrou o quão incoerente você foi.

    • Amanda Postado em 16/Jul/2014 às 00:27

      só li merda, de verdade, se tinha apenas um obstetra no hospital, ok. Mas tratar o paciente de forma imunda como essa mulher foi tratada em um momento que deveria ser lembrado por ela como um dos melhores momentos de sua vida, isso não pode acontecer, isso não é profissionalismo, não importa se ela tentou ou não fazer um parto em casa, ainda sim não justifica tal tratamento por parte da equipe médica. Você nunca vai passar por uma dor como a do parto, eu duvido que em algum momento de raiva ou dor você não chamou alguém de filho da puta, e isso, ainda sim, não justifica ser tratada dessa forma, ser rasgada da vagina ao anus por falta de profissionalismo, espero do fundo do meu coração que jamais passe por uma dor tão feroz quanto a de um parto, e que nunca, em um momento de dor, desespero e raiva chame alguém de filho da puta, ja que isso é tão errado!

    • Aline Postado em 16/Jul/2014 às 00:33

      Mimada? Talvez você, na condição de HOMEM QUE NUNCA VAI PRECISAR DOS SERVIÇOS OBSTÉTRICOS não entenda que um imbecil ao chamá-la de "incoerente". Ah, vá...

    • silvania Postado em 17/Jul/2014 às 01:11

      Perfeito. .. concordo com vc Antônio

  12. Luana Postado em 15/Jul/2014 às 17:27

    Outra coisa... a mulher neste momento está vulnerável ... com muita dor ... é sim aceitável xingar... Chamar de filha da puta ... o médico deveria ter empatia e tentar entender um pouquinho a dificuldade da mulher naquele momento. Sem contar que eles possuem um juramento... não é aceitável maltratar!!!

  13. Nunes Rodrigues Postado em 15/Jul/2014 às 17:43

    Como mulher, reconheço a vulnerabilidade dessa senhora. Trabalho em ambiente hospitalar, e percebo o quanto essa gestante não colaborou com muitos procedimentos de praxe, tentando fazer da maneira dela, saindo do protocolo. O bebê sempre é levado para procedimentos de rotina:( pesar, medir, aplicar vacina anti hepatite, anti hemorrágica, e até para aquecê-lo e não perder temperatura). A placenta deve ser removida no tempo certo, e aplicado uma injeção de Methergin, ou Oxitocina, para evitar hemorragia. A paciente deve ficar na posição "de dominação", ou ginecológica, pois infelizmente nos hospitais, ainda não há estrutura para que o parto ocorra em outra posição. O ambiente hospitalar, sobretudo na maternidade é um ambiente altamente estressante, tanto para os pacientes, quanto para os profissionais de saúde. Ela afirma não querer cesária, mas também não concorda com os procedimentos rotineiros de parto normal... E somos todos humanos...as duas partes precisam colaborar para que o processo de parto ocorra de maneira menos desagradável. Lamento pelas ofensas e por palavras absurdas que ela ouviu, mas em vários anos de profissão, nunca tive conhecimento de uma paciente tão difícil. Está na moda, idealizar o parto normal, mas infelizmente a realidade é outra, a estrutura para isso é péssima...NADA JUSTIFICA O FATO DE SER MALTRATADA, mas uma pessoa leiga ditar as regras, e tentar impedir procedimentos médicos, beira ao absurdo...

    • Sara Postado em 15/Jul/2014 às 23:43

      Excelente análise Nunes, no mínimo esclarecedora e sensata.

    • Aline Postado em 16/Jul/2014 às 00:35

      Não se trata de procedimentos médicos... Se trata de VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, que começou a partir do momento que ela chegou no local. Espero que no seu ambiente de trabalho, como mulher, você não passe a naturalizar esse tipo de violência.

    • Camila Postado em 16/Jul/2014 às 13:28

      No fim eu acho que ela não aguentou a pressão do próprio parto normal (leia-se DOR) e descontou suas "dores" na equipe médica, que sem estrutura emocional a deixou ainda mais nervosa. De santo não tem ninguém nessa história. Todos erraram, tanto que até o pai da mulher não ficou do lado dela.

  14. Kuekuatsu Postado em 15/Jul/2014 às 18:05

    O atendimento de muitos hospitais particulares estão chegando ao nível dos públicos, sou de Natal e certa vez estive no papi com dores fortes um dia falaram que era do rins e me passaram um remédio.. Nada! Retornando com dores mais intensas, disseram que era apêndice... passei por exames, nada! na terceira vez em estado crítico ALGUÉM mira numa infecção urinária e acerta. por favor.. É foda como qualquer um pode tirar o diploma, ganhar um salário consideravelmente bem e deixar assim em risco vidas de pessoas.. Na medicina precisa haver paixão, dedicação, amor ao próximo :)

  15. Sílvia Postado em 15/Jul/2014 às 18:10

    O q eu senti em todo esse relato é que ela sofreu por ser voluntariosa. Queria tudo do jeito dela, não foi educada e recebeu de volta o mesmo tratamento. Estava numa situação em que procurou o pronto socorro obstétrico e não um parto previamente marcado e organizado. Sinto mto.

    • Aline Postado em 16/Jul/2014 às 17:23

      E a parte do não causar mal do juramento hipocratico vai pro inferno, bem como o direito da gestante decidir sobre o próprio corpo. Médicos NÂO tem o direito de tomar as decisões por ela, por nenhuma mulher. Coisas como a episiotomia TÊM de ter o consentimento do paciente - inda mais em se tratando de procedimental desnecessário e extremamente doloroso - coisa que a maior parte dos medicos sequer informa as mulheres, que dira pedir consentimento. Absurdo é esse tipo de pensamento, absurdo é o tanto de gente culpando a vitima, absurdo é esse nivel de violencia, absurdo são os protocolos hospitalares no Brasil em relação ao parto serem UMA TORTURA para a mulher e NOCIVOS segundo as recomendações da WHO. Absurdo é essa mulher e muitas, muitas outras terem de carregar esses traumas para o resto da vida. Esses procedimentos rotineiros são contra indicados e não é por ativistas surtadas do parto normal, é pela organização mundial de saúde, cacete!!! E as mulheres que não querem passar por isso é que são loucas? Sofreu por ser voluntariosa? Tipo, descontrole emocional numa situação de dor é desculpa para tortura...porque isso foi tortura... pelamordedeus...que tipo de mentalidade é essa? E não Felipe, os médicos não são deuses e tão pouco retiram a autoridade paterna sobre a criança...se informe melhor sobre isso. E os exames de vitalidade não necessitam desse tempo todo. Já que você fala de ausencia de beneficios cientificamente comprovados, por favor, pesquise sobre os benefícios de epsiotomia, manobra Kristeller, ruptura de membranas, etc. Você pode se surpreender. Claro que toda historia tem dois lados. Mas eu acredito no relato dela. Já passei por violência obstetrica, e já ouvi relatos o suficiente para saber que isso não é inverossimil. Infelizmente. E tambem sei, por mim, e por relatos, que essa é uma dor que ela vai carregar a vida toda.

  16. Marta Oliveira Postado em 15/Jul/2014 às 18:37

    Não sei o que é pior, ceder ao protocolo ou lutar contra ele. De qualquer forma essa mãe e criança seriam violentadas. Infelizmente o parto se tornou procedimento médico, mas isso não deveria se sobrepor à vida, ao respeito à mãe e a criança que tem seu primeiro contato com o mundo. Terrível uma mãe ter que lutar na hora do parto para garantir o direito a um atendimento mais acolhedor, não diria humano, por que no que tange parir, talvez os animais tidos como irracionais tenham direito conferido pela sua própria natureza, a um parto menos agressivo. Certo seria nos engajarmos nessa luta para que cada vez menos o nascimento fosse tratado de maneira tão desumana e por que não dizer cruel numa sala fria, nas mãos de profissionais frios, incapazes de acolher a singularidade desse momento na vida de uma mãe e de uma criança. Lamento por mais uma história de violência obstétrica, mas sei que não será a última enquanto nós mulheres formos tratadas como menos capazes, enquanto a sociedade como um todo não respeitar a mulher. O que dizer de um mundo que não pune a violência contra a mulher da mesma forma que pune contra um homem. Onde milhares de mulheres são surradas, violentadas, mutiladas e mortas sem que necessariamente haja um culpado ou pelo menos queiram encontrar. Penso, que esse tipo de violência caminha junto a outros tipos praticados todos os dias dentro de casa, nas ruas, nos ônibus, metrô e por que não nas instituições 'respeitáveis' dessa sociedade como escolas, igrejas, hospitais. Essa luta é de todos nós.

  17. mimi Postado em 15/Jul/2014 às 18:49

    Eu conheço historias horríveis de violência na hora do parto, e não duvido que tenham violentado essa mulher. No entanto, o texto mostra uma mulher agressiva e bastante nervosa, o que obviamente não justifica a violência por parte dos médicos, porém dificulta bastante qualquer situação. Pelo que ela conta, a primeira agressão verbal partiu dela, ao chamar o anestesista de filho da puta. Se ela tinha em mente um parto humanizado me parece que o melhor a fazer seria planejar isso nos mínimos detalhes ao invés de informar isso de ultima hora para um médico desconhecido... Embora haja estudos científicos provando os beneficios da ingestão da placenta, isso não faz parte dos procedimentos comuns em um hospital, seria melhor deixar esse tipo de detalhe combinado. De qualquer forma, lamento muito o que essa mulher e tantas outras sofreram e sofrem nas mãos de equipes mal preparadas. Nada justifica essa violência.

  18. Ricardo Postado em 15/Jul/2014 às 19:03

    Terrível o atendimento que ela recebeu destes animais. E tão terrível quanto foram algumas solicitações que ela fez, como querer se levantar com hemorragia, anestesiada, não querer que limpem o bebê, não deixar cortar o cordão e ainda brigar com a placenta. Imagino o estado de nervos que essa histérica não deixou a equipe médica. Se eles já estavam atendendo mal, a postura maluca dela só piorou as coisas.

  19. Marcelo Postado em 15/Jul/2014 às 19:13

    "O caso de uma mulher que comeu a própria placenta chamou a atenção da equipe médica de um hospital na Zona Leste de Natal. A paciente pediu uma tesoura para cortar e comer o órgão e deixou o hospital com o bebê três horas e meia depois do parto, segundo o relato do obstetra Iaperi Araújo, que usou as redes sociais para contar a história. "Pediu uma tesoura pra cortar um pedaço e um pouco de coentro pra temperar. Não tinha. Comeu sem o tempero. Nunca vi isso na minha vida", disse o médico." Está assim numa matéria. Pode ser exagerado, mas duvido que seja totalmente mentira. Só se o médico estiver babando. Pelo texto histérico desta senhora, acho que o médico disse a verdade...ou pelo menos parte dela.

  20. carlos Postado em 15/Jul/2014 às 19:14

    O artigo indica, no lead, dois links que serviram como fonte da notícia. Ambos, ao que parece, apontam para uma mesma matéria do G1, que não tem nada de sensacionalista. Apenas relata um caso que, para a cultura brasileira, é sem dúvida curioso. Pelo o que deu para entender deste artigo e do desabafo que o seguiu, parece que a moça queria ter um parto absolutamente natural. E aí cabe a pergunta: se o objetivo era esse, pq procurou um hospital, onde uma série de procedimentos são obrigatórios, como um médico ou obstetra fazer o parto (e não o pai da criança, como relata a matéria do G1) e o recém-nascido ser levado para um ambiente próprio para ser limpo, ter as vias respiratórias desobstruídas e fazer o teste do pezinho. O bebê não foi "arrancado" dos braços da mãe, mas sim submetido a um procedimento padrão. É claro que a mãe tem o direito de ser contra tudo isso. Sim, a placenta era dela e ela poderia comê-la, como tb, se assim quiser, pode beber a própria urina se acreditar que o líquido tem poder terapêutico. Ela tb pode inclusive optar por não proteger a saúde de seu bebê com vacinas por, se for o caso, ser contra o uso de animais nas pesquisas médicas. Mas se escolher um modo de vida desse tipo e quiser ter sua opinião respeitada, precisa também aprender a respeitar os princípios e regras de ciclos sociais diferentes, mas aos quais ela mesma procurou.

    • Thiago Postado em 15/Jul/2014 às 19:58

      O contato durante a primeira hora entre mãe e bebê é extremamente importante durante a primeira hora. Se o bebê está respirando bem por conta própria, não tem a necessidade de se fazer os procedimentos de imediato. A gestante tem todo o direito de pedir para que fique na posição que lhe for melhor para o parto, porém o que se vê na maioria dos hospitais são as mulheres na posição ginecológica com as pernas amarradas. A episiotomia não parecia ser necessária, além do fato que na recuperação desse procedimento pode ocorrer a formação de edemas, ou seja, arriscado e desnecessário. Ela xingou o anestesista? Sim, xingou. Mas estava com dores de parto durante 36 horas, então é até compreensível a reação dela.

  21. Thiago Teixeira Postado em 15/Jul/2014 às 19:16

    Baixaria de todas as partes, mas acontece!!! Quem nunca perdeu a cabeça que atire a primeira pedra.

  22. Manu Postado em 15/Jul/2014 às 19:17

    Sinceramente, achei que foi um caso de histrinismo. Sei perfeitamente que temos médicos despreparados e autoritários quem não se preocupam em humanizar seu atendimento, seguindo apenas os "protocolos". Mas, gente... Ela não estava com os exames de prénatal, chamou um dos médicos de fdp, quis levantar estando anestesiada e sangrando, não queria dar o bb para os cuidados e exames necessários.... Se os médicos não agiram bem, muito menos ela assim agiu. Mas também não era necessário tornar pública essa estória e denegrir a imagem da paciente. Espero que ao menos o bb esteja bem de saúde.

  23. Carol Postado em 15/Jul/2014 às 19:47

    O mais triste é ler os comentários e ver gente desinformada criticando a mãe!

  24. Paulo Dantas Postado em 15/Jul/2014 às 19:49

    Eu acredito que deve faltou algum relato do pré-parto. Porque ela foi parar naquele hospital? Teve alguma complicação anterior? Por que não foi ao local onde fez o pré natal ou foi atendida pelo médico que fez seu pré natal e sabia de todo plano de parto que ela preparou e organizou? Mesmo com a falta que essas informações me trouxeram, vendo relato dela fiquei extremamente chocado com tudo isso, ainda mais porque minha primeira filha nasceu no dia 1º de julho um dia antes de acontecer tudo isso com ela e fiquei me pondo e pondo minha namorada no lugar desta mulher. Acredito sim que ela tenha exagerado no seu comportamento, que o medico a tenha tratado mal, como muitos fazem com varias pacientes, sim ele tratou. Mas acredito que ela colaborou um pouco para isso também com um comportamento mal educado também, entretanto quem sou eu para julgar tal comportamento quando só uma mãe (mulher) que passou por tal humilhação sabe o que sentiu nessa hora, mas espero que cheguemos ao dia que as mulheres não precisem mais passar por situações como essa. Espero que um dia quando minha filha for ter os seus filhos não precise eu ler relatos como esse e que qnd eu e minha namorada decidirmos ter nosso segundo filho também não ouça ou leia relatos de mulheres como esse acima

  25. Lê mora Postado em 15/Jul/2014 às 21:42

    Penso que esta na hora do governo começar a dar mais opções para as mulheres que queiram esse tipo de Parto, com estrutura e com pessoas que acreditem que esse tipo de parto e o melhor.... No Brasil a judicializacao da medicina faz com que o médico aja com muita cautela e medo de que alguma coisa de errado, tendo-se cada vez mais atitudes baseadas em evidências científicas, que e o que pode salvá-lo de um imbróglio judicial. Como liberar um recém-nascido com 23 de bilirrubina com 24 horas de vida, como não checar a vitalidade de um recém-nascido com líquido meconial, como aceitar o risco de não se vacinar um recém-nascido???? A exposição e a agressão a mãe não se justificam, mas as manchetes seriam diferentes se a mãe tivesse tido complicação de uma hemorragia devido a não atuação da equipe médica.... Seria de Erro Médico....

  26. Gabriela Postado em 15/Jul/2014 às 21:46

    "Não tinha médico nem fez pré-natal e me tratou mal. Não me deixou examinar, gritou comigo e respondi" . Bom considerar os dois lados.

  27. Rodrigo Postado em 15/Jul/2014 às 22:11

    Fui procurar outra fonte, segundo o médico tem o sistema de câmeras para confirmar suas declarações, Vamos esperar, porque os relatos são completamente diferentes. http://jornaldehoje.com.br/mulher-come-placenta-agride-medico-e-corre-nua-em-hospital-de-natal/

  28. Cristiani Martins Postado em 15/Jul/2014 às 22:53

    É muito triste e revoltante pensar que o momento mais crucial na vida de uma mulher tenha sido tão desesperador, desrespeitoso e humilhante para essa parturiente. Há 32 anos atrás eu tive meu primeiro filho e, numa época que não era tão comum ter plano de saúde, eu contratei a médica de minha confiança, a mesma que me acompanhou durante o pré-natal. Foi a melhor coisa que fiz!! Eu me internei no hospital através do equivalente ao SUS da época, mas a médica era a minha, e isso me deu muita segurança. Eu tinha todos os contatos possíveis para encontrá-la e os horários e locais de trabalho dela. Não havia tel celular, aliás, mal havia tel fixo em todos os locais, apenas um dispositivo que chamávamos de 'bip'. E ela foi um amor na minha vida, e ainda é até hoje. E um pouco mais de um ano depois estava eu revivendo tudo de novo e a minha filha nasceu da mesma forma. Só ela me tocou, mesmo tendo uma médica amiga acompanhando aquele momento mágico. E há dois anos nascia o meu netinho e a minha filha tb escolheu e contratou o seu médico, com a facilidade de se internar no hospital através do seu plano de saúde. A minha experiência é de que não dá para confiar em plantonistas, mesmo conhecendo muitos partos que deram certo., mas é como uma roleta-russa: não dá para apostar.

  29. Rosa Postado em 15/Jul/2014 às 23:11

    Lendo o texto relembrei o que aconteceu comigo em 2000, quando tive meu segundo filho: 12 h de trabalho de parto, 3 injeções de medicação para aumentar as contrações, rompimento artificial da bolsa e xingamentos da obstetra que dizia "preguiçosa, não quer ajudar teu filho a nascer? Gorda, relaxada, uma mulher velha (30 anos eu tinha na época) com preguiça de fazer esforço..." e muitas outras ofensas porque eu estava acima do peso. Mas não teve jeito, mesmo com três pessoas apertando minha barriga para forçar meu bebê a nascer e a médica fazendo toque a toda hora, meu babê não saiu. Depois de 12 horas de sofrimento, minhas mãos e pés estavam pretos e eu não aguentava mais a dor até que a médica mandou alguém pedir autorização a um familiar para fazer a cesariana. Fizeram, mas para surpresa da obstetra, meu bebê estava com o cordão umbilical envolto no pescoço (02 vezes), pobrezinho, todo preto também, ele era muito grande. Sofremos muito, mas graças a Deus deu tudo certo. Eu não fui capaz de ofender aquela médica, embora ela tivesse me humilhado muito, eu estava nas mãos dela, mas bem ou mal ela me ajudou. Hoje vejo que ainda existe profissionais mal educados, uma pena, pois deveriam ter ética profissional e acolher os pacientes, que já estão em desvantagem.

  30. Sarah Postado em 16/Jul/2014 às 00:00

    Terrivelmente lamentável isso ter acontecido. Me pergunto se não teria uma forma da mulher não passar por isso, por exemplo, combinar com uma doula e um obstetra em quais condições a criança nascerá. Durante a gestação ela teria que criar uma relação de confiança com quem acompanhará o parto, sem precisar tentar fazer diferente em um ambiente que ela não faz parte e não tem maneiras de expor e defender sua vontade.

  31. Elisângela Postado em 16/Jul/2014 às 01:54

    Infelizmente, nesse caso, mãe e equipe foram ambos protagonistas de um triste episódio. Ela com gritos e ofensas que não a ajudariam e que, convenhamos, incomoda qualquer profissional. Eles por cederem ao surto dela e contribuírem para a cena de horrores. Acho que falta informação para ambos os lados, bem como o fato de que um hospital de urgência e emergência, realmente não tem condições para realizar um parto humanizado, o que essa mãe deveria saber, já que estava tão decidida a fazê-lo de tal forma. Inúmeras mulheres têm conseguido o êxito de um parto humanizado, mas isso às custas de planejamento e muita organização. Não dá para pensar que num país com os problemas que o Brasil tem em relação aos serviços de saúde, você vai chegar e fazer as coisas da forma como vc quer. Concordo que nós mulheres temos sido empurradas para as cesarianas, entretanto, não é com esse tipo de comportamento que vamos mudar o que vem ocorrendo. Há médicos que apoiam o parto humanizado, bem como parteiras (enfermeiras) e equipes que partilham da mesma concepção. Cabe às futuras mães procurar orientação adequada para não cair nas mãos de médicos como esse senhor que esta mãe descreve.

  32. Bruno Postado em 16/Jul/2014 às 09:15

    Não concordo com certas atitudes cometidas pelos médicos , baseado no relato da paciente: a frieza e falta de empatia pela paciente e empurrar a barriga da mãe para "auxiliar" pois isso aumenta a chance de rompimento uterino. A pediatra também deveria ter deixado a mae ter mais contato com o RN logo apôs o exame inicial, se possível(se não teve nenhuma intercorrencia durante o exame) Porem, ela está errada em muitos pontos. 1o - o objetivo do pré natal todo é visando a hora do parto e o nascimento do bebê, é lá que vao estar informadas todas as vacinas, patologias e dados no recém nascido. Chegar no hospital sem a carteirinha é ERRADO. 2o - ela não queria ser tocada? se sentiu quase estuprada(de acordo com o relato) por causa de um toque vaginal, procedimento essencial para o registro do parto. 2o - Ela procurou o hospital, ela aceitou a anestesia, por que tudo isso se queria um parto "humanizado", que entao tivesse se programado adequadamente pra realiza-lo em casa ou numa clinica com gente que aceita esse tipo de parto. Não existe parto normal de quatro no hospital, muito menos de ladinho como ela gostaria. Tudo que é feito no hospital é estudado para minimizar os riscos tanto para a paciente quanto para o recém nascido, nada é feito a toa. 3o - não cortar o cordão umbilical? atualmente se sabe que se deixa o sangue fluindo por 1min antes de cortar, apôs isso não ha beneficio e sim risco materno. 4o - não deixar a pediatra avaliar o RN? temos que avaliar perfusao, respiração, batimentos cardíacos, anomalias congênitas e outros fatores que possam botar em risco a vida do nene. Ela foi muito desrespeitosa com a equipe médica e isso acaba criando um ambiente desfavorável a qualquer pratica.. quero ver tratar bem alguém que já chega dando com os dois pés em qualquer um prestador de serviço.

    • Ricardo Postado em 17/Jul/2014 às 17:22

      Excelente, Bruno. Possivelmente a equipe médica a maltratou mesmo. Mas está claro que esta senhora cometeu uma série de erros que colocaram em risco a vida do bebê. Mal educado ou não, o médico realizou os procedimentos priorizando a vida dela, não os seus caprichos pessoais. Reclamar do atendimento médico e dos possíveis abusos, está certíssima. Reclamar que queria o parto de um jeito que o hospital não faz, está errada.

  33. Felipe Postado em 16/Jul/2014 às 09:30

    Sou estudante de medicina e sei da importancia do atendimento da criança logo após o nascimento, principalmente se a criança nascer em más condicões de vitalidade ou com grande quantidade de meconio. A mãe não pode julgar a conduta do médico de não entregá-lo imediatamente à mae após o nascimento. Sabemos da importancia do contato do recem nascido com a mãe, tanto que preconiza-se a amamentacao do bebê na primeira hora de vida para estimular o contato com a mãe, mas a prioridade é verificar se a criança nasceu bem, e é essencial que isso seja feito nos primeiros minutos de vida. Outro detalhe é que a mãe realmente não tem autoridade para decidir o que fazer com o seu bebê após o nascimento. A partir do momento em que um menor passa por atendimento hospitalar, ele passa a ser de responsabilidade do hospital, e o médico pode, inclusive, acionar o conselho tutelar caso a mãe seja contrária a qualquer conduta médica. Quanto à ingestao da placenta, sem comentarios. A Febrasgo inclusive publicou um documento recente explicando a sua posicao contraria à ingesta da placenta, pois não há nenhuma comprovacao cientifica de seus beneficios.

  34. Alessandra Postado em 16/Jul/2014 às 13:40

    Claro que depois dessa o tal do Iapony nao quer mais excercer obstetricia... Falta o lado humano, sabe. Antes de pensar que o parto é o ganha pão deles, os medicos deveriam saber que é necessario ser humano e garantir o contato da mãe com o filho depois do parto... Moro no exterior e ja ouvi falar de muitos partos aqui. Nao tem nada a ver com o que acontece no nosso Brasil, as pessoas são mais humanas, respeitam a dor da mulher e a importancia do contato segundos apos sair do ventre. Se eu fosse medica, com certeza abriria uma casa de parto humanizado, ja vi tantas mulheres com historias de parto tão tristes, e com medicos que dão medo a não importa quem. O que o dinheiro não faz... Dommage

    • Felipe Postado em 16/Jul/2014 às 23:10

      Mais uma vez vou tentar explicar: existem protocolos a serem seguidos para garantir o bem-estar do bebê, e isso é prioridade no momento do parto. Após garantir que os bebês estão em boas condições de vitalidade, com bom tônus, respirando bem, sem mecônio e gestação a termo, aí sim o bebê pode ser entregue à mae. Depois de um primeiro atendimento minucioso (que deve ser rigorosamente feito nos primeiros minutos de vida - o que diminui a incidência de mortalidade e principalmente de morbidades) e de realizar um teste rápido de HIV na mãe, aí sim o bebê deve sim ter seu primeiro contato com a mãe, e ter a amamentação materna feita de preferência na primeira hora para estimular o contato mãe-bebê. Os protocolos de primeiro atendimento devem ser rigorosamente seguidos. São protocolos baseados em estudos e visam diminuir a mortalidade e incidência de comorbidades que podem ser evitados se o pediatra seguir o que é preconizado. O problema é que as mães geralmente não são corretamente informadas do que é necessário para o seu bebê, e, pior, são muitas vezes influenciadas por doulas e parteiras que dizem que o ambiente hospitalar só prejudica o bebê. Por isso ainda vemos muitos casos de partos domiciliares que terminam em tragédia, pois o bebê nasce sem respirar ou com grande quantidade de mecônio espesso e não há material nem profissional capacitado para realizar a reanimação. Fonte: sou médico formado, residente em clínica médica.

  35. Rosangela Postado em 16/Jul/2014 às 19:12

    Boa noite. Sempre tive e tenho ainda um desejo de ser mae. Li este relato e senti dores na alma por todo este sofrimento. Gostaria que soubesse que estarei orando por voce Mae que sofreu td isso. Que Deus lhe de forças te abençoe proteja a vc e seu filho. Abraços.

  36. Adélia Postado em 17/Jul/2014 às 05:26

    Leiam o comentário do Pedro, por favor. Perfeito e explica muita coisa.

  37. Alberto Postado em 18/Jul/2014 às 05:53

    Se não confia na decisão do médico assistente, questiona, não coopera, acredita mais em si, nas crenças ou no sentimentalismo do momento, acredita que é um momento lindo e natural, faça ela mesma, onde quiser, menos no hospital! Se em iminente risco de vida, seja da mãe ou criança, o médico assistente pode decidir pelo paciente/representante SIM! (excludente do artigo 146 do CPB). Se fosse tão lindo e natural, ninguém iria estudar 9 anos para estar plenamente apto a realizar intervenções neste período, nem mesmo seria uma grande área da medicina. Só um esclarecimento, curto e grosso: "Gravidez e parto são períodos de muito risco, e em não raras situações, representam elevado risco à saúde e à integridade, e até mesmo à vida, seja da mãe ou do concepto, necessitando de intervenções, por vezes extremas, afim de EVITAR MORTE E SEQUELAS FISICAS PERMANENTES". Será que é tão difícil entender o que foi dito acima? Vejo muitos comentários levando sempre ao lado emocional e psicológico. Entendam: GENTE MORRE!!! Não é por uma simples exigência emocional de alguém que deveríamos colocar a vida de seres humanos em risco! Parto pode ser lindo, natural e tranquilo. Mas não aposte nisso. Já vi esses "lindos e naturais" evoluirem para "abra a barriga e tire o bebê o mais rápido (im)possível antes que só lhe reste a declaração de óbito e notícias péssimas à família". Grande falta de bom senso dessa paciente e também de grande parte das opiniões daqui, que claramente, considerando crenças e opiniões pessoais afim de criticar a conduta de quem tem o conhecimento científico para lidar com a situação. Em uma sociedade racional as opiniões e crenças não devem sobrepujar o conhecimento científico. Concluindo, gostaria de abordar somente o que já abordei. Sobre a conduta do obstetra, relação médico paciente, disponibilidade ou segurança do parto humanizado, qualificação da paciente ou do obstetra, prefiro "ficar calado". Não estive no evento, todas as informações são por declarações, e ainda assim, condutas técnicas não deveriam ser discutidas por meio de declarações, nem mesmo na ausência de perícia médica e muito menos com base em crenças ou opiniões pessoais/correntes sem embasamento técnico/científico. Deixo isso à apuração dos órgãos legalmente responsáveis!

  38. Alberto Postado em 18/Jul/2014 às 06:38

    Alguns leigos na área técnica da saúde, pelo conhecimento de protocolos, se julgam aptos a julgas condutas médicas! Cuidado! Protocolos são recomendações, que na maioria das situações, devem sim ser seguidos, com certo rigor. Mas nenhum, mas nenhum protocolo é superior à avaliação clínica e à conduta do médico assistente! Nem mesmo a lei escapa, em algumas situações, como estado de necessidade. Não julgo a situação descrita como sendo, e nem mesmo me cabe isto. Só mesmo um exemplo da importância da avaliação como soberana.

  39. fernanda graziotim Postado em 19/Jul/2014 às 17:25

    Que mulher louca…nao aspirar o bebe…crianças mal aspiradas tem problemasmentais e paralisias!

  40. Alessandra Postado em 19/Jul/2014 às 20:54

    Pelo que vi, o G1 tem só o depoimento do médico. Para se fazer um bom jornalismo, seria preciso entrar em contato com a mãe e ouvir a versão dela antes de expor o caso em um veículo de comunicação com tamanha abrangência. De qualquer forma, NADA justifica empurrarem a barriga da mãe (esse sim, um procedimento arriscado), nem fazer uma "episiotomia" - se é que fazer um corte e rasgar a vagina de uma mulher com as mãos pode ser chamado de episiotomia. Toda minha solidariedade a essa mãe e que ela tenha, na medida do possível, um puerpério tranquilo.

  41. Juliano Postado em 20/Jul/2014 às 12:04

    Alguém já passou pela experiência de tentar ajudar um cão atropelado ? Para quem nunca tentou, eis o que provavelmente vai acontecer: ela vai te morder. Porquê está acuado, com dor e sofrendo, mal sabe o que o atingiu e acha que qualquer coisa que chegar perto dele vai fazê-lo sentir mais sofrimento ainda. É exatamente o que aconteceu com essa mulher. Ela foi atropelada por um médico e sua equipe, todos mal preparados. Basicamente todas as suas reivindicações faziam sentido, e falo isso como médico que também sou. Algumas não faziam sentido ? Sim ! Por exemplo, realmente o bebê tinha que ser levado ao berçário. Mas o único instinto que sobrou a esta mulher era o de morder. Se o médico tivesse tido HUMILDADE para explicar passo a passo o que ocorreria com ela desde a sua chegada, tiesse entendido que não é ele quem manda na situação (ser responsável é diferente de ser autoritário), e tivesse tido paciência para explicar as mudanças de plano, a situação não teria chegado ao ponto que chegou. Não vi em nenhuma parte o relato de que era um parto de emergência. Sequer tinha a bolsa rota quando chegou. Mas médico tem problema com ego. Não pode ser contrariado. Deus me livre se for comparado a outro médico então. E quanto pior for a qualidade da sua formação, pior será o seu problema com ego. Não quer dizer que a paciente estava certa em tudo, e o médico errado em tudo. Mas não importa o que ocorreu: ela nitidamente não é uma doida varrida. E ele nitidamente não soube conduzir a situação (não me refiro ao parto em si, mas a toda a situação). Ela não precisava de psiquiatra (talvez depois disso até precise). Precisava apenas de um obstetra. Pena que não pegou uma enfermeira obstétrica. Talvez tivesse sido melhor. Porquê elas em geral tem essa humildade que faltou. Seu relato é claro e conciso. Leigo em termos médicos, mas conciso. Revela claramente que se trata de alguém com certo grau de instrução, e que já tinha planejado e recebido orientações, a princípio corretas, no seu pré natal. Nossa, quantos pré natais são assim ? Me corrijam mulheres se eu estiver errado, mas pré natal no Brasil se resume a : uma consulta para pedir exames, uma consulta para ver os resultados. Vai alternando até o fim. Se no meio a mulher pergunta: "vai ser parto ou cesárea ?", o médico responde: "na hora a gente vê". Daí na hora acontece isso...

  42. Rosana Leal Postado em 30/Jul/2014 às 00:20

    Me sentir sufocada ao ler esse relato! Que absurdo meu jesus! Que sofrimento esse dia tinha tudo p ser um maravilhoso dia e acabou se tornando algo traumático :/ infelizmente esse não é um caso isolado aconteçe e muito em vários hospitais e é uma postura adotada por vários profissionais da área da saúde. :/