Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 30/Jul/2014 às 16:54
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A "Bolsa Família" de Aécio Neves

Aécio Neves e sua “bolsa família”: Parasitismo estatal para si e os seus e liberalismo econômico para os outros

aécio neves bolsa família

Luis Carlos da Silva*, Viomundo

Em várias declarações já ouvimos Aécio dizer que os petistas não podem perder a presidência da República, dentre outros motivos, para não ver cair seu padrão de vida. Provocação barata que ocupa o espaço dos debates estruturais que deveriam presidir uma disputa eleitoral da magnitude desta que temos à frente.

Mas, entremos no clima por ele proposto.

Aécio, de fato, não precisa se preocupar com seu padrão de vida. Ganhando ou perdendo eleições. Aliás, nunca se preocupou. Descendente das oligarquias conservadoras mineiras, que foram geradas nas entranhas do Estado, desde o império, ele não tem a menor ideia do que seja empreender na iniciativa privada. Do que seja arriscar em negócios e disputas de mercado. Do que seja encarar uma falência, uma cobrança bancária, uma perda de patrimônio.

VEJA TAMBÉM: Campanha de Aécio Neves pede para Estadão remover vídeo suspeito

Pasmem: é esse o candidato que faz apologia do livre mercado, da iniciativa individual como base para a ascensão social e da ideia do “cada um por si” como critério de sobrevivência na selva do capitalismo contemporâneo.

Até sua carreira eleitoral tem como fato gerador a agonia terminal do avô, cuja morte “coincidiu” com o dia de Tiradentes . Seu primeiro cargo eletivo é tributário disso: em 1986 ele obteve mais de 200 mil votos para deputado federal sem lastro político próprio. Quatro anos mais tarde, distante do “fato gerador”, ele se reelegeu com magros 42.412 votos.

No quadro a seguir temos um diminuto resumo da versão de sua “bolsa família”.

aécio neves bolsa família minas gerais

Reitera-se: trata-se de um “diminuto resumo”. A história de seus avós paternos e maternos é a reprodução integral de como foram formadas as elites mineiras: indispensável vínculo estatal (cargos de confiança no Executivo, cartório e muita influência no Judiciário), formação de patrimônio fundiário à base da incorporação de terras devolutas e estreitas ligações com carreiras parlamentares.

O pai, Aécio Cunha, por exemplo, morava no Rio de Janeiro quando, em 1952 retorna a Belo Horizonte e, com 27 anos de idade, em 1954, “elegeu-se deputado estadual, pela região do Mucuri e do Médio Jequitinhonha, ainda que pouco conhecesse a região (…)” conforme descrição no Wikipédia. Seus oito mandatos parlamentares nasceram de sua ascendência oligarca. Do avô materno, Tancredo, dispensa-se maiores apresentações. Atípico sobrevivente de várias crises institucionais que levaram presidentes à morte, à deposição e ao exílio, Tancredo Neves sempre esteve na “crista da onda”. Nunca como empresário. Quase sempre como interlocutor confiável dos que quebravam a normalidade democrática.

Aécio Neves, por sua vez, era um bon vivant quando passa a secretariar o avô, governador de Minas Gerais, a partir de 1983. Nunca foi empresário, nunca prestou concurso público, nunca chefiou nenhum empreendimento privado. Sua famosa rádio “Arco Íris” foi um presente de José Sarney e Antônio Carlos Magalhães. Boa parte de seu patrimônio é herança familiar construída pelo que se relatou anteriormente. O caso do aeroporto do município mineiro de Cláudio é apenas mais uma ponta do iceberg.

Enfim, ele é isso: um produto estatal que prega liberalismo, competição, livre mercado… para os outros. Uma contradição em movimento. Herdeiro, portanto, de uma típica “bolsa família”; só que orientada para poucos.

Aliás, esse parasitismo estatal é característico da maior parte das elites brasileiras. Paradoxal é defenderem os valores neoliberais.

Luis Carlos da Silva é sociólogo

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 30/Jul/2014 às 18:26

    Mas que família competente! Parabéns.

  2. poliana Postado em 30/Jul/2014 às 18:52

    grande nome para ocupar o governo federal! esse é o cara, o defensor da moral, dos bons costumes, o supra sumo da honestidade e da boa fé!!!! belo representante dos tucanos!!!!!! é a cara do partido mesmo! o brasil merece o aécio como presidente!!!!

    • JULIO Postado em 01/Aug/2014 às 10:39

      ACHO QUE DEVE SER IRONIA DEPOIS DO EXPOSTO. AFINAL QUEM NUNCA TRABALHOU SER HERÓI! TALVEZ POLIANA VOCÊ FAÇA PARTE DO "BOLSA AÉCIO".RSRS

      • poliana Postado em 01/Aug/2014 às 21:43

        traduz filho...principalmente depois do primeiro ponto de seguimento. grata,e passar bem.

  3. Denisbaldo Postado em 30/Jul/2014 às 19:23

    Esqueceram de colocar o genro do FHC que foi presidente da Petrobrás durante seu governo, não é Aécio mas é PSDB, tudo farinha do mesmo saco.

  4. Denisbaldo Postado em 30/Jul/2014 às 19:30

    O Jânio Quadros já havia esculhambado o Franco Montoro em debate na campanha para presidente da República em 1982. O Jânio acusou o Montoro de ter 3 aposentadorias e ele se calou. Na verdade, o Montoro morreu com 5 aposentadoris. Típico dos PMDB/PSDB, roubam no varejo e se fazem de santos. Fora o que rola no atacado que mesmo quando vira escândalo não são julgados: Trensalão Paulista, Mensalão Mineiro, Saúde em Minas, etc...

    • Thiago Teixeira Postado em 30/Jul/2014 às 21:45

      Não seria para governador? Presidente nesta época era nomeado pelos militares ...

      • Denisbaldo Postado em 31/Jul/2014 às 00:17

        verdade, nem percebi. escrevi presidente pensando em governador.

  5. Eduardo Abreu Postado em 31/Jul/2014 às 00:35

    Em MG os pecuaristas de leite poem nomes nas vacas e acho que tem uma chamada MINAS GERAIS, e estão querendo colocar uma com nome de BRASIL, para o menino continuar mamando......não podemos deixar é retrocesso e falência do o nosso país.

  6. Salomon Postado em 31/Jul/2014 às 08:39

    Pois é...

  7. Dinio Postado em 31/Jul/2014 às 08:40

    O que Aébrio entende de iniciativa privada ... está meio emPOeirado...não acham não ...uai...imPOrtação e exPOrtação...comércio exterior sô!

  8. José Ferreira Postado em 31/Jul/2014 às 15:54

    Terrorismo eleitoral à vista.

  9. Samuel Postado em 02/Aug/2014 às 11:46

    Gostei da matéria, gostaria ainda mais de ler tbm ref ao Lula, Dilma, Rubens Falcão, com alguns tópicos de economia, tambem entender, por que uma pista de aeroporto que é real e esta construida é tão mais importante que um desmonte da maior empresa brasileira ou seja a antes nossa a PETROBRÁS .

    • André Postado em 05/Aug/2014 às 13:48

      Desmonte?? Uma empresa que valia 15 bi em 2003, e hoje está avaliada em 214 bi? Que descobriu o pré-sal, e hoje desenvolve suas próprias plataformas? Imagina se fosse num governo do PSDB, seria o carro chefe do "choque de gestão" tão propalado pelos tucanos. Tucano pode falar de tudo, menos de Petrobrás. Se dependesse do FHC ela teria sido vendida a muito tempo.

  10. Netun Postado em 05/Aug/2014 às 15:03

    Aqui em BH você vai ao Aeroporto Tancredo Neves pela via Risoleta Neves passando em frente ao Centro Adm. Tancredo Neves e por baixo do viaduto Itamar Franco. Além de uma infinidade de outras homenagens E criticam o Maranhão dos Sarney e a Bahia dos Magalhães

    • Line Postado em 22/May/2015 às 19:00

      Os Magalhães, os Sarneys, os Neves, todos coronelatos do Brasil.