Redação Pragmatismo
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História 03/Jul/2014 às 15:00
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“Bebê perfeito” da propaganda nazista era, na verdade, judeu

propaganda nazista
Hessy Taft na capa da revista e hoje: sua família fugiu dos nazistas na Alemanha e se estabeleceu nos EUA (Museu do Holocausto)

O bebê “ariano ideal” que aparece na capa de uma revista da propaganda nazista, em 1935, era, na verdade, judeu.

A revelação foi feita pela própria pessoa na foto, Hessy Taft, hoje com 80 anos.

A mulher doou uma cópia da revista ao Museu do Holocausto, em Jerusalém, como parte da campanha Recolhendo Fragmentos, lançada em 2011 para estimular pessoas a doarem materiais ligados ao holocausto para que sejam protegidos pela posteridade.

Hessy Taft, cujo sobrenome de solteira é Levinson, nasceu em Berlim em 1934, filha de pais judeus originários da Letônia.

Ambos músicos, eles haviam chegado à Alemanha em 1928 para trabalhar como cantores de ópera.

Em depoimento a funcionários do museu, Taft contou que o contrato de seu pai foi cancelado imediatamente assim que suas origens judias foram descobertas.

Concurso

Em 1935, a mãe de Hessy e sua tia a levaram para ser fotografada por Hans Ballin, um renomado fotógrafo em Berlim.

Sete meses mais tarde, para surpresa da família, a empregada dos Levinson disse ter visto a foto da pequena Hessy na capa da revista nazista Sonnie ins Hous (Raio de Sol na casa, em tradução livre).

A fotografia havia sido escolhida em um concurso promovido pelo Departamento de Propaganda Nazista, chefiado por Joseph Goebbels.

A melhor entre cem imagens clicadas pelos melhores fotógrafos alemães representaria o “bebê alemão ariano ideal” e seria capa da revista.

Sem que a família Levinson soubesse, Ballin submeteu a foto de Hessy e de outros dez bebês. A ironia de a fotografia trazer uma bebê judia foi motivo de piada durante muito tempo na família.

A foto da menina também foi redistribuída em cartões postais em todo o país e até na Lituânia.

Quando perguntada o que diria para o fotógrafo hoje, Hessy respondeu: “Eu diria: ‘Que bom que você teve coragem’”.

Fuga

Após fugir da Alemanha para Paris em 1938, a família escapou da ocupação nazista no norte da França em 1941, emigrando para Espanha e Portugal até conseguir embarcar em um navio para Cuba.

Em 1949, os Levinson se estabeleceram nos Estados Unidos, onde Hessy se formou em química na Universidade de Columbia e se casou, em 1959, com Earl Taft.

O casal tem dois filhos e quatro netos. Ela ainda leciona química na Universidade de St. John’s.

Apesar de sua família mais próxima ter sobrevivido ao holocausto, a maioria de seus parentes foram mortos pelos nazistas e seus colaboradores.

BBC

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Comentários

  1. carlos Postado em 03/Jul/2014 às 18:54

    Como ensinou Vlad, "falar a verdade é preceito pequeno-burguês.Uma mentira, por outro lado, é muitas vezes justificada pelo fim”. Como se nota, não importa o lado, no final o pragmatismo lamentavelmente insiste em prevalecer.

  2. bruno Postado em 03/Jul/2014 às 23:34

    Meu bisavô era judeu e foi criado na alemanha nazista, graças a uma familia de alemães que o aceitou como filho de ventre e guardaram segredo sobre todo regime nazista

  3. Historiador Postado em 04/Jul/2014 às 00:06

    Calma. A mulher apareceu com a história e uma cópia da revista e todo mundo acreditou? Cadê as evidências científicas? Depoimentos? Provas? Nada?

  4. Abel Reginatto Postado em 04/Jul/2014 às 15:19

    Quem bate, vira as costas e vai embora, quem apanha jamais esquece. Eu acredito nessa senhora.

  5. Tatiana Postado em 04/Jul/2014 às 17:37

    Chega falando que a foto é dela e pronto?!!!!!! Pelo menos ela deveria mostrar outras fotos de quando ela era criança para as devidas comparações!

  6. André Postado em 05/Jul/2014 às 15:53

    O bacana é que o PP sempre se arvora na existência do racismo (calma, eu reconheço muito bem a absurda existência do preconceito e da discriminação), e traz esta matéria que mostra como é absurdo o conceito de raça, hoje, entre humanos. Ou um pitbul seria confundido com um pequinês? Alguém pode dizer que o uso o termo racismo torna o entendimento mais ágil, pode até ser, mas contribui para a perpetuação de um erro conceitual.

  7. Luciano Postado em 06/Jul/2014 às 15:04

    Muitos neonazistas vão dar chilique quando lerem essa matéria.

  8. claudio Postado em 16/Jul/2014 às 02:46

    É mesmo? engraçado, financiadores de ambos os lados da segunda guerra tambem eram judeus, inclusive a empresa que fabricava o gas usado nos exterminios e principalmente de muitas guerras do mundo moderno. Podem pesquisar sobre isso caso tenham duvidas.