Redação Pragmatismo
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Copa do Mundo 14/Jul/2014 às 15:51
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A Alemanha é tetra no Brasil

Maracanã canta “Pelé”, Alemanha é tetra e Argentina lamenta. Para o futebol brasileiro o que resta é limpar a casa e recomeçar. Do topo, da CBF, até embaixo

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Alemanha vence a copa 2014 e é tetracampeã do mundo no Maracanã (AP)

Uma hora e meia para o início da final da Copa do Mundo, Alemanha x Argentina no Maracanã. Os argentinos provocam com seu cântico que termina em:
– …Maradona es más grande que Pelé…

Esquecido em seu próprio país por ação ou omissão da FIFA, CBF, mídia e inicialmente pela torcida, escalado e escalando-se apenas para uma grotesca propaganda onde, de cetro, apresenta-se como o “Rei”…. Pelé.

Até que, desde as oitavas, o Brasil jogando progressivamente um futebol de terceira, de quinta, e de última…a história se impôs.

Nesta bela tarde de domingo resta um, um único cântico para os brasileiros que, no Maracanã, secam a Argentina:
– …mil gol, mil gols, mil gols, só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador…

Pelo que se lê nas redes sociais, pelo que se ouve no Centro de Mídia, multidões de brasileiros torcem pela Argentina. E que não é de bom tom secar os vizinhos.

Ao Maracanã, pelo que ecoa nas arquibancadas, vieram em maioria brasileiros que torcem contra a Argentina.
Aliás, a propósito dessa súbita, massiva e anunciada torcida futebolística pelos vizinhos leia-se o resumo do mestre Luis Fernando Veríssimo:

– E Argentina e Alemanha farão a grande final. Todos torcendo pela América contra a Europa, nossos irmãos continentais contra os nossos algozes, nosso co-colonizados contra os senhores do mundo etc. A essa altura só nos resta a hipocrisia.

Cânticos únicos na festa multinacional na madrugada do Rio, esquina da Maria Quitéria com Prudente de Morais.

Os argentinos cantam Maradona na madrugada de muito álcool e tudo mais – nessa tarde-noite poderão ter seu novo Rei, Lionel Messi.

Alemães, ingleses, italianos, holandeses… quem ficou para a festa final canta com os brasileiros:
– …. só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador…

Copacabana é Argentina, assim como São Cristovão. Os vizinhos zanzam madrugada adentro, ou dormem nas praias, carros, calçadas.

No início da tarde deste domingo, ocupam o metrô. Cantam, provocam, mostram a força de uma torcida de verdade, muito além da amorfa platéia de hotel e shopping que, com exceções, seguiu o desconjuntado Brasil..

Resta claro algo: nesse amor todo pela Argentina, e é compreensível, faltou água para banhos nesses dias. A coisa tá brava no metrô.

Pelé chega a um dos seus palcos preferidos, de memoráveis atuações pelo Brasil, pelo Santos, o Maracanã do milésimo gol.

Lado a lado na tribuna de honra Dilma Roussef, de verde, e Ângela Merkel, de vermelho. Vladimir Putin, da Rússia e da Copa 2018, também já chegou.

Começou.

A Alemanha mantém a posse de bola. O Maracanã que não é argentino grita “olé “ na troca de passes, mas não consegue – trauma dos 7 a 1?- gritar “Alemanha”. Torce com o cântico:

-…só Pelé, só Pelé…

E a lembrança:

-… pentacampeão, pentacampeão…

A temperatura aumenta. Arranca rabo entre argentinos e brasileiros à esquerda da tribuna de imprensa… homens da segurança são chamados, isolam uma porção das torcidas.

A Alemanha mantém a bola. A Argentina é mais aguda. Higuaín recebe um presentaço de Kroos e desperdiça, cara a cara com Neuer.

Higuaín faz, jogada de Messi. Explosão de alegria no Maracanã. Impedimento. O árbitro Rizzoli anula.

Messi arranca pela direita, toca dentro da pequena área…Hummels salva. Na bola e na catimba a Argentina desestabiliza os alemães por alguns minutos.

A Alemanha se recupera. Em jogadas laterais pela direita perde duas, três chances. Na quarta, finalzinho do primeiro tempo, escanteio. Hoewedes sobe e testa. Na trave esquerda.

Howedes leva as mãos à cabeça. Não crê. A bola não entrou.

Na bancada isenta, imparcial e objetiva, a da imprensa, um colega brasileiro profetiza:

– Isso é sorte de campeão. A Argentina vai ganhar…

É tudo que ele não quer. Torce desesperadamente contra, à maneira brasileira; anuncia a vitória do adversário pra ver se seca.

Um minuto. Messi perde o gol, na frente de Neuer. Bate pra fora, à esquerda.

Segundo tempo com pouco. A Alemanha ronda, ronda, mas não chega. Messi arranca um, duas, três.. e também não chega.

As duas equipes parecem já sem perna. Na Argentina entraram Palacio, Aguero e e Gago no lugar de Higuaín, Lavezzi e Perez.

Na Alemanha entrou Goetze no lugar de Klose – recordista de gols em Copas, 16, que foi aplaudido de pé.
Prorrogação.

Blitz alemã, Romero defende chutaço de Schurrle. A Alemanha toca, toca, ronda com Ozil que cresceu no jogo, mas chuta pouco.

Palácio, à frente de Neuer, tenta encobri-lo… e perde enorme chance.

Segundo tempo da prorrogação. Schweinsteiger sangra no rosto.

Schurrle lança, bola longa da esquerda.

Goetze mata no peito e fuzila de esquerda. Golaço, gol de final de copa do mundo.

Delírio no Maracanã. Ao lado da tribuna de imprensa, de imediato, argentinos partem pra briga. A segurança avança.

Ecoa o coro enlouquecido, o que restou ao Brasil. O que por ora, vergonha e dor de torcedor ainda recente, parece pouco, mas não é. No Maracanã, aos gritos, berros, o nome que encarna como ninguém a história do Brasil no futebol:
-…mil gols, mil gols, mil gols, mil gols, só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador…

Acabou. Alemanha tetracampeã.

Jornalistas brasileiros festejam. Jornalistas alemães se abraçam, choram na tribuna da imprensa. Também eles são isentos, imparciais e objetivos. Schweinsteiger ainda sangra no rosto. E chora.

Goetze, catatônico, olha para sua torcida, parece não entender o que acabou de acontecer. O que ele acabou de fazer.

Também Kramer parece perplexo, olhar perdido em direção às arquibancadas.

Silêncio tumular da torcida argentina. Lágrimas, desespero, drama no final dessa Copa em que eles ocuparam o Rio de Janeiro com a força da sua extraordinária torcida.

Dilma entrega a taça para Lahm. Porções da torcida desejam que Dilma vá….

Fogos de artifício. Acabou. Argentinos choram nas arquibancadas, como choraram, por muito menos e muito mais, os brasileiros. Festa alemã.

Para o futebol brasileiro o que resta é limpar a casa, e recomeçar. Do topo, da CBF, até embaixo.

A Copa acabou há mais de uma hora. A torcida alemã segue no estádio, festejando. Do lado de fora do Maracanã a torcida brasileira canta:

– Mil gols, mil gols, mil gols. Só Pelé, só Pelé. Maradona cheirador…

Fim.

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Comentários

  1. Gabriel Gabo Postado em 14/Jul/2014 às 15:56

    "Ei Maradona, vai se f....., Aécio Neves cheira mais do que você!!!"

  2. Thiago Teixeira Postado em 14/Jul/2014 às 17:34

    A porcentagem de jogadores negros na Alemanha é maior que a torcida e mídia brasileira nos estádios! kkkkkkkkkkk Triste.