Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 14/Jun/2014 às 18:49
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Randolfe Rodrigues abandona candidatura à Presidência

Randolfe Rodrigues desiste da candidatura à Presidência da República pelo PSOL. Senador diz que a esquerda brasileira ainda vive no século XIX e o movimento “Não vai ter Copa” foi um erro

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Randolfe Rodrigues não mais o candidato do PSOL à Presidência da República (Divulgação)

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) não é mais o pré-candidato do PSOL à presidência da república. Em carta encaminhada à direção nacional e aos militantes do partido, Rodrigues diz que o Brasil “vive uma grave ofensiva conservadora” e que a esquerda brasileira está em crise. Luciana Genro, que era vice em sua chapa, deve assumir a candidatura.

“A leitura incorreta do sentimento das massas e da indignação que explodiu nas jornadas de junho de 2013, levou a esquerda programática a acreditar que estávamos diante de uma “avenida de oportunidades”. É necessário neste momento ter humildade para fazer a autocrítica. Os modelos tradicionais da política estão em xeque, como também estão em xeque as direções, partidos e movimentos que não conseguiram se atualizar e abriram espaço para a pauta conservadora”, diz Rodrigues.

À imprensa, o senador declarou que a esquerda está no século XIX. “O povo tem paixão pelo futebol e não deveríamos ter patrocinado o ‘não vai ter copa’. A esquerda está falando uma língua e a sociedade outra completamente diferente. As esquerdas não farão as mudanças necessárias se não pensar diferente do que pensa hoje. É claro que a copa foi um erro. Não faz sentido se gastar R$ 8 bilhões com estádios faraônicos se temos 15 milhões de analfabetos. Mas o povo quer futebol. O ‘não vai ter copa’ está errado. Erramos na comunicação.”

Rodrigues indicou para o seu lugar o deputado estadual Marcelo Freixo (RJ). Freixo, que teve 914 mil votos quando concorreu à prefeitura do Rio, em 2012, disse que prefere concorrer à reeleição na Assembleia Legislativa do Rio.

Leia a seguir a carta do senador Randolfe Rodrigues na íntegra:

“Aos Militantes do Psol

À Direção do Partido

O Brasil vive uma grave ofensiva conservadora. Cada vez mais forças sociais unificadas em torno de personalidades e discursos estão empenhadas em fazer retroceder direitos e colocar o Brasil na via expressa do neoliberalismo, agora com um viés abertamente de direita, sem o verniz social-democrata de antes.

As forças sociais progressistas, divididas em diferentes plataformas e organizações, sem uma liderança comum e agregadora e sem uma compreensão compartilhada do contexto e das tarefas necessárias para fazer o Brasil avançar, mostram-se frágeis frente ao avanço conservador. A sociedade se divide entre a justa indignação pela ampliação de conquistas e uma agenda de demandas difusas à procura de uma bandeira que as unifique.

A atual Presidente da República se demonstrou incapaz de estar à altura da tarefa de unificar o país em torno de uma proposta de avanços sociais combinados com desenvolvimento econômico, ousadia na conquista dos direitos civis, reforma urbana nas cidades, ganhar corações e mentes da nação brasileira e recuperar a credibilidade do país diante do mundo.

A candidatura de Aécio Neves se tornou herdeira da pauta conservadora, alijada do poder desde a saída de Fernando Henrique, o que o tornou incapaz de apresentar ao país nada mais do que as proposições oposicionistas requentadas do passado. É um novo ecoando as velhas propostas elitistas, incapazes de responder aos novos dilemas nacionais e de alçar a condição de amálgama nacional que o momento exige.

A candidatura de Eduardo Campos, que despontava como terceira via em uma disputa tensionada entre PT e PSDB, frustra o país, mostrando-se claudicante em palavras e atos contraditórios em declarações cada vez mais desencontradas, não dando à população a segurança necessária para ser identificada como uma efetiva quebra na bipolarização entre petistas e tucanos.

Num contexto de acirrado debate não em torno de ideias, mas em torno de vitupérios e acusações mútuas cumulativas, o país se prepara para uma campanha eleitoral sem líderes e sem ideias.

Percebendo o vazio, a nação vai se sentindo órfã, e essa orfandade vai aprofundando um sentimento de abandono que dá acolhida ao desespero e com ele, a propostas de corte fascista, como da pena de morte, panaceia direitista para a violência, que se alastra não apenas na falta de políticas públicas voltadas a minimizar o choque de interesses entre ricos e pobres, mas sobretudo na falta de autoridade, que não é dada pelas armas e pelos blindados do choque que violenta os jovens que protestam por direitos nas ruas, mas pela condução moral e intelectual que só uma liderança legítima pode oferecer a nação brasileira.

Lamentavelmente o ódio e a intolerância estão se tornando a matéria prima na caça ao voto em 2014. Por que isso acontece? Porque falta ao processo eleitoral lideranças capazes de falarem nome da nação, e falta à esquerda a capacidade de se renovar e estar a altura das tarefas que o Brasil exige.

A leitura incorreta do sentimento das massas e da indignação que explodiu nas jornadas de junho de 2013, levou a esquerda programática a acreditar que estávamos diante de uma “avenida de oportunidades”. É necessário neste momento ter humildade para fazer a autocrítica. Os modelos tradicionais da política estão em xeque, como também estão em xeque as direções, partidos e movimentos que não conseguiram se atualizar e abriram espaço para a pauta conservadora.

O Psol tem que estar a altura dos seus grandes desafios. Acredito que a principal figura de nosso partido neste momento, o Deputado Estadual Marcelo Freixo, deveria assumir a responsabilidade de liderar um processo de renovação da política brasileira em 2014.

Saio da pré-campanha presidencial para retomar em plenitude minhas tarefas como Senador e a importante função de representante do Amapá, empenhando-me em melhorar cada vez mais as condições de vida do meu povo e a qualidade da política em meu estado.

Quero agradecer o carinho de militantes que defenderam a nossa candidatura durante o 3º. Congresso Nacional do Psol no último 1º de dezembro em Luziânia em Goiás, e da mesma forma agradecer o esforço de companheiros por todo o país na construção não somente desta candidatura, mas também no sonho de uma sociedade livre, democrática e socialista.

Agradeço de igual forma a companheira Luciana Genro e acredito que se for à vontade do Partido a definição do nome dela como candidata, ela estará a altura do ponto de vista intelectual, político e moral. E para isso contará com o meu engajamento. Desejo à Luciana, minha companheira destes últimos meses, uma boa luta.

Tenho Fé e Esperança no Psol e no seu Destino! Acredito em um partido que esteja à altura do Brasil e do desafio geracional de construir uma esquerda para as novas gerações neste século XXI.”

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 15/Jun/2014 às 09:08

    É melhor o PSOL garantir uma cadeira no senado do que gastar milhões numa campanha presidencial sem sucesso. O mesmo deveria ser feito pelo PSTU e PCO. Zé Maria deve estar na câmera dos deputados e garantir um representante no congresso, e quem sabe , o Rui Costa Pimenta.

  2. pedro Postado em 15/Jun/2014 às 11:01

    COVARDE!!!!!!!!

    • Thiago Teixeira Postado em 15/Jun/2014 às 11:29

      Covardia é deixa uma cadeira do senado para o Tarso "tenho jatinho porque posso" Jereissati, Agripino Maia ou Artur Virgílio.

      • Deisi Postado em 15/Jun/2014 às 14:08

        Com certeza Thiago sinal de inteligência, muito melhor Randolfe Rodrigues, do que os velhos coronéis, já basta Alvaro Dias e José Agripino, esses dai nem pensar, ainda mais que nessa eleição só se elege um por estado, não podemos correr o risco deles voltarem.

  3. Adalberto Postado em 15/Jun/2014 às 11:49

    Os velhos coronéis de sempre.

  4. José Ferreira Postado em 15/Jun/2014 às 15:26

    Já vai tarde, Randolfe. Uma pena que ele vai continuar a atrapalhar a aprovação de projetos importantes no Senado, como o da redução da maioridade penal. Gente como ele atrapalha o progresso do país.

    • Carolina Postado em 15/Jun/2014 às 16:43

      http://www.naoviolencia.org.br/sobre-manifesto-projeto-nao-violencia.htm

    • Rodrigo Postado em 15/Jun/2014 às 17:25

      Gente como você gostaria de ter o Le Pen como presidente

      • José Ferreira Postado em 16/Jun/2014 às 00:02

        Vocês, o Randolfe também, confundem o discurso de redução da maioridade penal com discurso de extrema direita. Isso acaba atrapalhando a discussão sobre o assunto.

    • poliana Postado em 18/Jun/2014 às 10:05

      aprovar a redução da maioridade seria um progresso para o país!!!??? tá, perdi a vontade de debater depois dessa sua pérola!!! realmente, n vale a pena!

  5. carlos Postado em 15/Jun/2014 às 15:59

    Virou "vendilhão da patria"!!!

  6. Isaac Postado em 16/Jun/2014 às 01:06

    Gosto dele, tem posição politico-ideológica firme, é inteligente e sensato, pena não ser uma opção viável no atual cenário político brasileiro, quem sabe no futuro.

    • Marcio Postado em 19/Jun/2014 às 20:52

      "Posição politico-ideológica firme"??? Assinou tudo que o PSDB pediu e chegou a ir contra a liberdade dos Blogs!!! Incrível!!!

  7. luiz mattos Postado em 16/Jun/2014 às 14:04

    Envolvido em mesadas nas terras Tucujus e aliando-se ao DEM,PSDB e PPS,votando com a oposição esse moleque da fala fina somente engana os que não se informam. É uma fraude!

  8. ademar Postado em 17/Jun/2014 às 11:08

    Sensato, equilibrado