Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 11/Jun/2014 às 18:53
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O que a mídia não contou sobre o "Xerec. Satâniks"

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O espaço da Amendoeira vem sendo ocupado por estudantes de Produção Cultural com atividades artístico-culturais no Pólo UFF em Rio das Ostras (Mídia NINJA)

Isadora Machado, do Mídia Ninja

Na última semana, embasados por registros fotográficos chocantes, o bombardeio da imprensa e o coliseu das redes sociais beberam o sangue de alguma atividade obscura que estava em curso no Pólo Universitário da UFF

O que você não sabe sobre Xerecas Satâniks. Leia antes de compartilhar:

Fomos a Rio das Ostras conhecer a história que não saiu na velha mídia sobre o caso “Xereca Satânik”. Na última semana, embasados por registros fotográficos chocantes, o bombardeio da imprensa e o coliseu das redes sociais beberam o sangue de alguma atividade obscura que estava em curso no Pólo Universitário da UFF. Uma mulher havia se submetido a uma espécie de ritual satânico durante uma festa no campus, como manda o figurino: fogo, nudez, sangue, um aparente crânio humano e órgãos genitais dilacerados.

O boca a boca contava que as fotos foram encaminhadas por estudantes – que não participaram do evento – a um jornalista que não apurou os fatos. Em pouco tempo surgiram as inúmeras manchetes e estava conduzido o linchamento & julgamento moral-midiático-virtual. Os réus já estavam condenados. Mas existiu mesmo um crime?

Estudando o caso, percebemos que esqueceram de contar que o 28 de maio foi um dia de atividades ligadas ao grupo de pesquisas CNPq “Cultura e Cidade Contemporânea: arte, política cultural e resistência”, onde se deu o segundo “Seminário de Investigação e Orientação Estética”, que teve como recorte o par “Corpo e Resistência”; conduzido por professores e alunos do curso de graduação em Produção Cultural. A atividade é fruto de um acúmulo de trabalho de pesquisa e extensão, após debates em sala de aula e apresentação de trabalhos que investigavam performances. A proposta era levar práticas autônomas contemporâneas para a universidade, situada em território periférico do circuito artístico brasileiro. Somar a prática ao objeto de estudo já exaustivamente abordado em teoria, e assim, lidar com um sistema de arte às avessas – circuitos alternativos aos curadores, museus, galerias, políticas públicas. O objetivo era aflorar as possibilidades de resistência e autonomia.

“Xerecas Satâniks” era uma confraternização de livre circulação, aberta aos alunos e população. Começou por volta das 22h na “Amendoeira” localizada ao lado do prédio Multiuso, ainda não inaugurado por falta de esgoto. O mesmo local há quatro meses vem sendo ocupado pelos estudantes com atividades culturais gratuitas, entre elas o projeto Lá-Tá-Rolando, saraus, festa junina, oficinas de lambe-lambe e de teatro, diálogos culturais e cineclube. Por volta da 1h a performance teve início.

A artista convidada Raíssa Vitral (Coletivo Coiote) apresentava o corpo extraordinário como suporte para guerrilha memética. Em cima de uma mesa com as pernas abertas, inseria uma bandeira do Brasil em sua vagina. Auxiliada por duas outras mulheres, fez pequenas costuras unindo as duas partes da xereca, a bandeira puxada para fora, a performer rompendo as suturas enquanto o sangue escorria. Das cerca de 50 pessoas que participavam da atividade, quem não gostou se retirou, a performance encerrou seu ciclo no efêmero do ato e a confraternização seguiu.

Porque no museu é arte e na rua é crime?

A expressão e a experiência estético-política de Rio das Ostras extrapolou as questões da violência contra a mulher trazidas na ação poética. A performance choca porque é potente e tira da zona de conforto ao apresentar pelo profano das bocetas a arte-vida, arte-política, que vem para refletir a maneira como vivemos e burlar os macropoderes da clausura dos indivíduos em seus próprios corpos. A intervenção acendeu alguns holofotes do debate sobre censura à liberdade de expressão na universidade pública, revelando o contrário do esperado dessas instituições: espaços de experimentação, debate e reflexão livre e transversal.

Em comunicado, a Reitoria afirmou que não pactua com atividades que “desvirtuando de sua essência institucional, extrapole os limites do razoável, atentando aos valores da liberdade e igualdade, ou ofendendo a dignidade da pessoa humana”. A UFF instaurou sindicância com duração de 30 dias para elaboração de um relatório e averiguação, e a Polícia Federal iniciou uma investigação.

“Nós não temos biblioteca, isso pra mim é muito mais chocante que a menina costurando a xereca”, pontuou um dos estudantes presentes ao debate sobre o ocorrido realizado ontem (3) no campus. Prédio sem esgoto, aula em contêiner e falta de internet pareceram revoltar mais os discentes de Produção Cultural em Rio das Ostras que a performance satanizada. O ambiente é de solidariedade à criminalização sofrida pelos estudantes e professores realizadores do seminário.

O verdadeiro sofrimento do pólo universitário na Região dos Lagos é causado por questões estruturais. Ontem pela manhã os servidores da unidade realizaram um piquete fechando o campus até as 10h, em protesto às condições de trabalho, carga horária e por correções salariais.

Na fronteira de um ataque à autonomia universitária, o debate feito até aqui tira o foco das necessidades de uma valorização da educação. Especulações sobre o que é ou não é arte ou julgamentos sobre o que a moral e os bons costumes suportam ainda repercutem muito mais do que as vozes e corpos que se movimentam por mudanças. O aprendizado de hoje foi o óbvio. Leia antes de compartilhar.

Veja também: Liberdade, dignidade e Xereca Satâniks

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Comentários

  1. Elias Postado em 11/Jun/2014 às 20:04

    Esses hipongas são um saco em toda sociedade, a sociedade deve ensinar novos conceitos as crianças se jamais teremos cidades realmente admiráveis no Brasil.

  2. Eduardo R. Postado em 12/Jun/2014 às 00:59

    O objetivo é chocar, mas prefiro o jeito russo de protesto de uma das integrantes do Pussy Riot e sua orgia à lá pornôs amadores no Museu de Biologia de Timiryazev.

  3. Pereira Postado em 12/Jun/2014 às 08:25

    Toda essa nojeira financiada com dinheiro público.

    • rafa Postado em 22/Nov/2014 às 01:48

      kalaboka

  4. Cesar Postado em 12/Jun/2014 às 08:31

    Numa sociedade hipócrita como a nossa valem mais os conceitos ditos "morais", porém confortantes, que as verdades inconvenientes, mas que nos tiram da zona de conforto... Vamos mudar de assunto que a novela da globo, ou o futebol, vai começar...

  5. Thiago Teixeira Postado em 12/Jun/2014 às 08:52

    "...autonomia universitária..." é sempre assim. As UNIVERSIDADES incluindo alunos, funcionários e docentes querem ser livres para fazerem o que bem entenderem, isso inclui a não entrada da polícia nos Campus (para os alunos, funcionários e doentes fumarem maconha livremente, pois é essa a intensão deles) ou qualquer participação estatal no cotidiano da universidade. Pelo menos na Universidade que tive o desprazer de estudar, era fechada, cheia de playboy e maconheiros que nada fazem em benefício da sociedade, em 6 anos de engenharia não vi um trabalho comunitário sequer como o desenvolvimento de projetos gratuitos, ou consultorias a comunidades mas quando querem algum benefício, vão chorar para o governador pedindo as mesmas patifarias de sempre: Museu, construção de teatro, ampliação das quadras, melhorias viárias, maior saneamento e tudo mais. Não são independentes? Então danem-se, peçam parte das verbas milionárias que as empresas injetam para as pesquisas para fazer as melhorias.

  6. bruno sap Postado em 13/Jun/2014 às 12:51

    Não sei porque a galera tá tão incomodada, recalque. Alguém foi na sua casa te chamar pra participar? A festa era para suas crianças? Deixa elas, porra. tá parecendo que queria ter sido convidado. Que tal cuidar da vidinha amargurada?

    • herbo Postado em 14/Jun/2014 às 08:55

      porque foi numa instituição PÚBLICA, bancada com dinheiro PÚBLICO, proveniente de NOSSOS IMPOSTOS. Entendeu ? o quer que desenhe ?

      • rafa Postado em 22/Nov/2014 às 01:50

        desenha pra mim

  7. Shuma Postado em 13/Jun/2014 às 14:20

    Com a falta de estrutura ninguém se importa, mas precisa aparecer uma mulher idiota se automutilando para as pessoas "de bem" prestarem atenção nos problemas que devem ser resolvidos. Raíssa Vitral é uma pessoa digna de ser ignorada. A falta de uma biblioteca merece muito mais atenção.

    • rafa Postado em 22/Nov/2014 às 01:51

      digna de ser ignorada mas shuma nao se furta em comentar extensamente

  8. herbo Postado em 14/Jun/2014 às 08:54

    Quanto blá blá blá pseudo acadêmico pra justificar umas aberrações como essas.

  9. Guilherme Postado em 14/Jun/2014 às 14:59

    Comentários de classe média fascista, preconceituosa e hipócrita. No final, vcs verão que estão assim, atrofiados cultural e intelectualmente, porque não possuem informação suficiente para sair deste estado de anomia profunda e a reação estúpida de vcs nestes posts nada mais é do que um reflexo do MEDO do que vcs ainda não conhecem! Não sei vcs mas eu estou farto destes moralistas de plantão que não fazem porra nenhuma, senão apontar o dedo e reclamar dos outros...

    • Flávio Loureiro Postado em 17/Jun/2014 às 01:46

      Tá, deixa ver se entendi. Se eu não acho que costurar partes íntimas faz parte de "práticas autônomas contemporâneas" eu sou classe média fascista e preconceituosa? OK, ok... *me afastando devagar com sorriso no rosto e sinal de positivo*

      • Guilherme Postado em 17/Jun/2014 às 20:54

        Se tu não acha, mas respeita a liberdade alheia, tudo bem.... Contudo, se tu não acha, mas crucifica quem realiza qualquer prática diferente das tuas, como é o caso dos reaças de sempre que citei, acredito que tu se encaixa na minha definição, sim.

      • rafa Postado em 22/Nov/2014 às 01:55

        costurar PRÓPRIAS partes íntimas É UMA LIBERDADE. costumo costurar as minhas nos fundilhos das cuecas, e às vezes não usar cuecas pra poder fechar o zipper navalha na carne - dilícia: nao se acanhe: experimente.

  10. Wanderley Brasil Postado em 16/Jul/2014 às 23:24

    Democracia é isso! Eu odiei, mas liberdade é liberdade!