Redação Pragmatismo
Compartilhar
Contra o Preconceito 27/Jun/2014 às 16:26
14
Comentários

O preconceito e o preconceituoso

Toda pessoa preconceituosa é moralista. A relação é de promiscuidade mental. O preconceituoso reprova e exclui o outro apenas pelo que este outro é

Muitos se julgam espertos suficientemente para manter preconceitos e achar que ninguém percebe. Alguns têm consciência de suas cismas mentais. Outros chegam a sentir orgulho. Mas isto desafia reflexões.

Toda pessoa preconceituosa é um moralista. A relação é de promiscuidade mental. O preconceituoso reprova, inadmite e exclui o outro apenas pelo que este outro é. Nietzsche já desmontava esse farisaísmo social. ‘Nada é mais raro entre moralistas e santos do que a retidão’, ensinava o filósofo na obra Crepúsculo dos ídolos, número 42.

O preconceito não é algo que se ‘quer’ apenas de uma forma estigmatizada ou feia. Também não é uma ‘escolha’ que a parcela ‘cult’ ou ‘entrei-numa’ da sociedade fez no sentido de começar a achar ruim certo comportamento. Aliás, esses ‘yuppies’ da sociedade, os ‘metro-mentais’ com seus ternos pretinhos de calça fusô não produzem nada muito admirável.

O preconceito pode ter duas causas: atraso ou provincianismo. Mas uma coisa é certa, é uma manifestação de ignorância. No sentido ruim. Está na contramão do progresso social como um todo, da natural evolução dos povos e dos novos direitos. Historicamente sempre foi assim.

Quem acha bonito cultivar preconceitos deve refletir que passa para o mundo a imagem do ‘fariseu’ de Nietzsche. Ou a imagem do famoso ‘imbecil’ de Bertold Brecht, no poema ‘O analfabeto político’.

O capiau ou matuto da roça tem seus preconceitos pacatos. Talvez mais defensivamente, por ‘medo’ da cidade grande e sua gente. Mas certamente o preconceito mais danoso seja o do ‘doutor’ referido por Marilena Chaui na obra Cultura e democracia, p. 355. Ou de sua esposa, a lourinha com cabelo autoritariamente liso e mente ultrarreacionária sugerida por Chaui no espetacular vídeo-aula sobre a ‘classe média’, no Youtube.

Certa elite capitalista, deslumbrada com o poder financeiro, desperta para a ideia do ‘pensar’. Como se esta tarefa humana fosse simples e fácil. Aí talvez esteja uma das raízes do preconceito como se conhece nas sociedades urbanas e tecnológicas. Valores, juízos, educações, relações e visões de mundo são ‘teorizados’ por qualquer um desses aí. De um esquizofrênico cabo nazista chamado Hitler e sua horda de energúmenos, até um nouveau riche do petróleo ou da soja qualquer. ‘Mesmo’ que bilionário.

Racismo, sexismo, machismo, discriminações ou ódios étnicos, rácicos e religiosos, tão comuns na sociedade brasileira, ainda que alguns bem disfarçados, são exemplos de preconceitos danosos. Também o tal do ‘bom gosto’ tão bem referido por Adriana Calcanhoto na música ‘Senhas’, é uma forma perigosa de intolerância disfarçada de ‘chique’.

O fato é que o preconceito ficou bastante estigmatizado. Ninguém vai querer assumir uma posição discriminatória. Todo mundo jurará não ser preconceituoso, apenas ter um ‘modo próprio’ de ver a questão. Daí, uns invocarão liberdade de expressão; liberdade de pensamento; liberdade de crença filosófica ou religiosa; e mesmo a não-discriminação para exercer seu ‘modo de pensar’. Ou seja, querem que o preconceito seja um direito.

Como não há um menu universal de o que é ser preconceituoso, ficam noções gerais e principiológicas. Na educação, nas sociedades e nos sistemas jurídicos. A Constituição da República, por exemplo, no artigo 5o, inciso XLI, é taxativa: ‘A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.’

Nos 78 incisos que compõem o citado artigo constitucional, que garantem a plena liberdade da pessoa, está um indicativo seguro de que nada que ‘discrimine’ relativamente àquele rol será aceito. Ou seja, reduza, diminua, impeça a pessoa de ser o que ela queira ser, livremente. Desde que este ‘livremente’ não seja ser livremente preconceituoso.

A defesa do preconceito costuma invocar uma ou outra ‘lógica’. O problema é que como a lógica não se interessa com a verdade ou falsidade das premissas, mas apenas com sua relação, dá-se uma aparência de perfeição. Mas no caso do preconceito, saber se o conteúdo é bom ou podre faz toda a diferença.

Políticos brasileiros ultraconservadores, reacionários ou fundamentalistas, por exemplo, têm se insurgido contra a união gay. Este é apenas um exemplo. Alegam, os políticos, que não podem ser ‘discriminados’. Querem exercer a intolerância com liberdade. O problema é saber se, por exemplo, alguém tem direito a ser nazista, alegando que não pode ser discriminado. O ‘conteúdo’ nazista ofende a história e o mundo. Houve uma coesão mundial em torno do tema. Assim é com outros tantos temas.

O direito comparado, a história, a sociologia dos sistemas evoluídos, o cinema e as artes são um ótimo referencial para se identificar o rumo que determinadas questões vêm tendo no mundo. Se uma determinada questão vem sendo paulatinamente aceita ou proibida.

Qualquer pessoa que queira ‘calibrar’ o próprio pensamento, sua visão de mundo e suas ideias, se tomar por base um menu de referências assim terá uma ótima ferramenta. Poderá melhorar muito os próprios conceitos.

Mas uma coisa é certa. Quando se começa a ouvir, maciçamente, que determinada questão é preconceituosa, pode-se estar diante de um poderoso indicativo. Não é o meu umbigo que diz o que é ou não é preconceito. Nem o seu. É o mundo. E ele precisa de mais tolerância, afeto e amor. Não apenas nominalmente, como bandeira política. Mas de verdade.

Jean Menezes de Aguiar, Observatório Geral

Recomendados para você

Comentários

  1. Grey Postado em 27/Jun/2014 às 16:53

    Ótimo texto!

  2. Deisi Postado em 27/Jun/2014 às 18:27

    Lendo o texto, eu com 53 anos, fico pensando e buscando, no mais intimo do meu ser, escondidos, confesso que o tempo, tem me proporcionado, uma evolução, isso devo a minha mãe, que hoje não se encontra mais comigo, mais me transmitiu valores que jamais esqueci. Ela era uma pessoa muito além da época dela, separou do meu pai, quando eu tinha dez anos, por não aceitar traição, motivo que sofri muito preconceito, por não ser normal na época. Tinha mente aberta, frequentava bailes de carnaval, fazia fantasia, na minha casa tenho troféus, medalhas que ela ganhava, como melhor foliã. Morávamos em uma cidade pequena do estado de São Paulo, e a popularidade dela, era incrível,tinha amizade, com todas faixas de idade, e quando tinha uma excursão, da escola, o nome dela era citado, os pais só permitiriam os filhos irem se ela fosse.O fato de ser desquitada não fazia diferença, ela sempre me passou, que todos somos iguais. Sou grata, passei isso para meus filhos, graças a Deus, são livres de preconceitos, obvio que ninguém é totalmente livre, de algum tipo desse mal, o importante e buscar sempre, não desistir, de se tornar, no minimo menos preconceituoso, algo que se consegue, amando mais, julgando menos, e sair um pouco de si, e se colocar um pouco no lugar do outro. Tente é possível, só assim deixaremos um mundo melhor, para nossos netos, mais humano e menos cruel.

  3. André Postado em 27/Jun/2014 às 19:27

    Raso? Em que é raso? O texto, concordo, mas o pensamento Marxista não! O que pode ser rasa é a interpretação rasa de algumas pessoas rasas. O curioso, em relação ao preconceito "vermelho" é que ele (especialmente na URSS) tinham grande dificuldade em lidar com aquilo que fugisse do "ideal"... (vide a herança da homofobia russa).

  4. Eduardo Benatti Postado em 27/Jun/2014 às 19:57

    Culpa dessas ONGs e o discurso esquerdista de dividir pra conquistar. Em vez de lutar por uma integração, a mulher vai na marcha das vadias tentando mostrar que merece respeito escancarando libertinagem, o negro vai mostrar que o branco é mau e privilegiado, e o gay vai querer mostrar ao mundo que é tão humano como os heterossexuais conservadores fazendo uma parada indo vestido de gigolô.

    • Denisbaldo Postado em 28/Jun/2014 às 00:17

      Você comeu o quê? Nunca li tanta abobrinha, groselha e merda vomitados em um só comentário. Esses grupos que você citou estão reclamando algo, será que no seu cérebro de ameba não é possível imaginar que existe uma razão verdadeira para isso acontecer simultaneamente em todos os países livres do mundo? Ou você prefere ouvir seus pais, avós e outros imbecis que te educaram que acreditam que tudo isso é coisa de comunista vagabundo maconheiro sem futuro? Acorda meu amigo, sem futuro é você!!!

  5. Alexandre Lopes Postado em 27/Jun/2014 às 21:54

    Sou estudante de direito e faço estágio na Defensoria Pública do meu estado ( RJ ) . As minhas chefes se enquadram exatamente nesse perfil . 2 idiotas extremamente preconceituosas ( preconceito sócio-econômico ) . Elas odeiam pobre ( fizeram , pelo visto , concurso para defensoria só por causa do salário ) e se acham intelectuais e aptas a opinar sobre qualquer assunto só porque têm um conhecimento meia bomba de técnica jurídica , o que chega a ser risível . As duas odeiam pobres , mas ambas são emergentes ( parece que se olhar no espelho é incrivelmente insuportável ) . Isso é , indubitavelmente , sintomático do vazio moral ou existencial dessas pessoas , ou seja , odeiam olhar para as próprias raízes e distorcem a própria visão de mundo mediante preconceitos para sentirem-se confortáveis diante dos fatos reais . Em suma, a vida delas é uma mentira . Agora, não tente demonstrar isso a elas , pois , talvez , você seja degolado ( ambas são insuportavelmente arrogantes ) .

  6. Franco Postado em 27/Jun/2014 às 23:20

    Existem conceitos formados que são tidos como pre conceitos isso é fato e esquerdista nenhum aceita isso, querem dividir a população mais ainda. Onde vivo a 10 anos atrás não existia Funk a cidade era um paraíso, hoje virou um lixo, só putaria e drogas, isso é pré conceito? Não mera analisa primaria visual.

  7. Denisbaldo Postado em 28/Jun/2014 às 00:21

    Toda pessoa preconceituosa é um moralista - simplesmente perfeito.

  8. Eliana Postado em 28/Jun/2014 às 18:20

    Todo preconceito é irracional...

  9. Caio Postado em 29/Jun/2014 às 15:25

    Nietzsche é foda, toda escola devia ensina-lo para as pessoas saibam que fora da moral, soh tem o mundo real.

  10. mauricio augusto martins Postado em 29/Jun/2014 às 16:08

    Tese + Antítese = Síntese... Raulzito já dizia: "Quem não tem colírio, usa óculos escuros...Quem não tem Visão, bate a Cara contra o Muro...", talvez fosse um ledo(engano) (de) pensamento Marxista/Leninista/LuloPetista/Dilmista/UmzilhãodeIstas, mas Sabino no "O Grande Mentecapto", mais o Machado com " O Alienista" esclarecem que coxinha não tem jeito, tem que ser esbagaçado, talvez seja sua única missão entre os Seres Humanos(viventes ou não)...maumau

  11. Pereira Postado em 01/Jul/2014 às 12:42

    "Chaui no espetacular vídeo-aula sobre a ‘classe média’, no Youtube." Parei de ler aqui. Depois de dizer "espetacular" para aquela jumenta da tal de chaui, perde toda e qualquer credibilidade. Teria que ver a qual setor da classe média ela estava se referindo, ja que a mesma é tão diversa. A anta sequer leva em conta que uma das bandeiras do seu partido é o fato de os pobres terem ascendido à classe média, que ela chama de classe trabalhadora. Essa Chaui só falta ir para o pasto e sair pastando, pois estacionou em 1800 e la vai pedrada, tempo em que só existia duas classes : o proletariado e a burguesia. A classe trabalhadora está inserida até a raíz dos cabelos na classe média e ela ofende todo o mundo depois de elogiar. É uma anta tamanho litro.

    • Pereira Postado em 01/Jul/2014 às 12:45

      O ultrareacionarismo dessa chauí é preconceituoso , arrogante e petulante como ela mesmo diz. O generalismo é próprio dos ignorantes.

  12. Luiz Guilherme Prats Postado em 05/Oct/2015 às 15:27

    Texto de esquerdopata. Pretende dizer alguma coisa, e nada diz.